8 de Março:

A origem revisitada do Dia Internacional da Mulher

Mulheres samurais

no Japão medieval

Quando Deus era mulher:

sociedades mais pacíficas e participativas

Aserá,

a esposa de Deus que foi apagada da História

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segunda-feira, 10 de junho de 2024

"1984" é uma crítica aos regimes totalitários em geral, mas cai como uma luva na esquerda atual

Fido Nesti: Divulgação
No artigo 1984': livro de George Orwell é uma crítica 'contra a esquerda?, postado no site da BBC Brasil, o jornalista Edison Veiga lista algumas opiniões sobre a obra-prima do escritor inglês buscando provar que o romance criticou fundamentalmente os regimes totalitários e não a esquerda.
  
Difícil Orwell não ter pensado no nazifascismo quando escreveu o incrível "1984". Inclusive porque combateu o fascismo na Guerra Civil Espanhola. Entretanto, "1984" mirou mesmo foi a esquerda totalitária do período, tanto que o partido do mundo distópico do romance se chama Socing (abreviatura de Socialismo Inglês) e não Fascing (seria abreviatura de fascismo inglês).

Acho inclusive que sua obra visionária critica mais a esquerda de hoje do que a do passado. (Num aparte, embora ainda exista a esquerda democrática, ela parece respirar por aparelhos. Como enquanto há vida há esperança, esperemos que saia do coma.) 

(Wikimedia Commons/Reprodução) Queda do Muro de Berlim, 9/11/1989
A esquerda de hoje, contudo, é majoritariamente uma cruza do capeta entre as viúvas do Muro de Berlim, eternamente carpindo o fim de seus regimes totalitários do coração e sonhando em ressuscitá-los de alguma forma, e a esquerda identitária, woke, uma degeneração dos muito justos movimentos civis do passado, por exemplo, de mulheres, negros, gays, degeneração promovida pelas teorias pós-modernas, a saber teoria queer, teoria crítica racial, teoria decolonial, multiculturalismos, etc. 

Sara Milliken tem obesidade mórbida e
não é nada bonita para ter sido eleita miss
O resultado dessa cruza infernal é uma esquerda contrailuminista, regressiva, antiocidental, antidemocrática, antissemita, antimulher, antihomossexual. Ninguém descreve melhor essa esquerda do que o "1984": o minuto de ódio está aí multiplicado por horas de marchas antissemitas pelo mundo afora e outras formas de rancor intenso. O duplipensar esta aí na afirmação de paradoxos, na quebra do pensamento lógico, na visceral hipocrisia esquerdista. A novilíngua esta aí na linguagem neutra dos múltiplos gêneros, na obscuridade da linguagem das teses das ciências humanas que viraram uma espécie de armazém de secos e molhados, onde se encontra de tudo, menos ciência. O Ministério da Verdade, estaí na permanente reescritura do passado e do presente tão típicas dos governos de esquerda e seus "jornalistas e pensadores". 

Alguém pode argumentar que essas degenerações também são vistas na extrema-direita. Não posso discordar. Autoritários de qualquer coloração ideológica praticam ao menos algumas das variantes do menu orwelliano. Mas o fato é que quem está me obrigando a aceitar que "existem" mulheres do sexo masculino e homens do sexo feminino, que obesidade mórbida é algo belo a ponto de virar miss, que há index proibitório de palavras de etimologias supostamente racistas que não devo usar, que simplesmente constatar a verdade, por exemplo sobre o Islã, me torna uma fóbica qualquer, uma criminosa do pensamento, é a dita esquerda. E isso não há como negar.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Mary Shelley: aniversário da criadora do clássico de terror e ficção Frankenstein, o Prometeu Moderno

Mary Shelley, a mãe do Dr. Frankenstein e sua criatura

Quem foi Mary Shelley?

A escritora Mary Shelley publicou seu romance mais famoso, Frankenstein, em 1818. Ela escreveu vários outros livros, incluindo Valperga (1823), O Último Homem (1826), o autobiográfico Lodore (1835) e Mathilde, publicado postumamente.

Vida pregressa

Shelley nasceu Mary Wollstonecraft Godwin em 30 de agosto de 1797, em Londres, Inglaterra. Ela era filha do filósofo e escritor político William Godwin e da famosa feminista Mary Wollstonecraft – autora de The Vindication of the Rights of Woman (1792). Infelizmente para Shelley, ela nunca conheceu a mãe, que morreu logo após seu nascimento. Seu pai William Godwin ficou encarregado de cuidar de Shelley e de sua meia-irmã mais velha Fanny Imlay, que era filha de Wollstonecraft com um soldado.

A dinâmica familiar logo mudou com o casamento de Godwin com Mary Jane Clairmont em 1801. Clairmont trouxe seus dois filhos para a união, e ela e Godwin mais tarde tiveram um filho juntos. Shelley nunca se deu bem com sua madrasta que não lhe deu educação formal, ao contrário de sua meia-irmã Jane (mais tarde Claire) que foi mandada para a escola.

Embora privada de educação formal, Mary fez bom uso da extensa biblioteca de seu pai. Muitas vezes podia ser encontrada lendo, às vezes junto ao túmulo da mãe. Ela também encontrou na escrita uma saída criativa dos problemas familiares. De acordo com The Life and Letters of Mary Wollstonecraft, Mary explicou que "Quando criança, eu escrevia; e meu passatempo favorito, durante as horas que me davam para recreação, era 'escrever histórias'".

Esposo

Em 1814, Mary começou um relacionamento com o poeta Percy Bysshe Shelley que era um aluno dedicado de seu pai. Ele ainda era casado com sua primeira esposa quando fugiu da Inglaterra com a adolescente Mary naquele mesmo ano. O casal estava acompanhado de Jane, meia-irmã de Mary. A fuga de Mary levou a uma ruptura com seu pai, que não falou com ela por algum tempo.

Escrevendo 'Frankenstein' e outras obras

Mary e Percy viajaram pela Europa por um tempo, apesar dos problemas financeiros e da perda de sua primeira filha em 1815. No verão seguinte, os Shelleys estavam na Suíça com Jane Clairmont, Lord Byron e John Polidori. O grupo se divertiu em um dia chuvoso lendo um livro de histórias de fantasmas. Lord Byron sugeriu que todos tentassem escrever sua própria história de terror. Foi nessa época que Mary Shelley começou a trabalhar no que se tornaria seu romance mais famoso,

Frankenstein, ou o Prometeu Moderno.

Mais tarde naquele ano, Mary sofreu a perda de sua meia-irmã Fanny, que cometeu suicídio. Outro suicídio, desta vez da esposa de Percy, ocorreu pouco tempo depois, permitindo que. Mary e Percy Shelley finalmente pudessem se casar em dezembro de 1816. Ela publicou um diário de viagem de sua fuga pela Europa, History of a Six Weeks' Tour (1817), enquanto continuava a trabalhar em seu conto de um dos monstros mais famosos da história da ficção literária. Em 1818, Frankenstein, ou o Prometeu Moderno estreou como um novo romance de um autor anônimo. Muitos pensaram que Percy Bysshe Shelley o havia escrito porque havia escrito a introdução. O livro provou ser um grande sucesso. Nesse mesmo ano, os Shelleys se mudaram para a Itália.

Embora Mary parecesse dedicada ao marido, não teve um casamento fácil: adultério e a morte de mais dois de seus filhos marcaram a união. Apenas um de seus filhos, nascido em 1819, Percy Florence, sobreviveu até a idade adulta. Em 1822, outra tragédia abalou a vida de Mary: seu marido se afogou quando estava navegando com um amigo no Golfo de Spezia.

Anos depois

Ficou viúva aos 24 anos, Shelley trabalhou duro para sustentar a si mesma e ao filho. Ela escreveu vários outros romances, incluindo Valperga e o conto de ficção científica The Last Man (1826). Ela também se dedicou a promover a poesia de seu marido e preservar seu lugar na história literária. Por vários anos, Shelley enfrentou alguma oposição do pai de seu falecido marido, que sempre desaprovou o estilo de vida boêmio do filho.

Morte

Shelley morreu de câncer no cérebro em 1º de fevereiro de 1851, aos 53 anos, em Londres, Inglaterra. Foi enterrada na Igreja de São Pedro em Bournemouth, com os restos cremados do coração de seu falecido marido.

Legado

Só cerca de um século depois de seu falecimento, um de seus romances, Mathilde, foi finalmente lançado na década de 1950. Seu legado mais duradouro, no entanto, continua sendo o conto clássico de Frankenstein. A luta entre o criador e sua criatura tem sido fonte inesgotável da cultura popular em séries e filmes, como na ótima série Penny Dreadful, e nos filmes desde 1931, com o clássico ator Boris Karllof até o último Eu, Frankenstein com Aaron Eckhart. Com informações de The Biography.com 

terça-feira, 5 de abril de 2022

Luto na Literatura: Lygia Fagundes Telles partiu no domingo aos 98 anos

Lygia Fagundes Telles em retrato feito em seu apartamento na cidade de São Paulo, em abril de 2013
Lygia Fagundes Telles em retrato feito em seu apartamento na cidade de São Paulo, em abril de 2013 Foto: Eduardo Nicolau/Estadão

Lygia Fagundes Telles, a dama da literatura brasileira, morreu na manhã deste domingo, 3, aos 98 anos de idade. Com uma capacidade ímpar de se comunicar em público com o curioso das coisas literárias, deixou um vasto legado de obras, desde seu primeiro livro, Porão e Sobrado, publicado em 1938 e financiado pelo pai, até o mais recente, Um Coração Ardente, que já completa 10 anos de seu lançamento.

Livro que tornou Lygia conhecida nacionalmente
Tornou-se nacionalmente conhecida pelo público com seu primeiro romance, Ciranda de Pedra, lançado em 1954. E também pela crítica - Antonio Cândido, por exemplo, considerava essa obra o marco de sua maioridade como escritora.

Contos como Antes do Baile Verde (1970), Seminário dos Ratos (1977), A Estrutura da Bolha de Sabão (1978), A Disciplina do Amor (1980), Mistérios (1981), A Noite Escura e Mais Eu (1998), Invenção e Memória (2000) também são uma ótima sugestão àqueles que pretendem conhecer um pouco mais da escrita da autora.

A escritora considerava esta sua melhor obra (veja o vídeo)

Relembre a obra de Lygia Fagundes Telles abaixo:

Romances de Lygia Fagundes Telles
  • Ciranda de Pedra, 1954
  • Verão no Aquário, 1964
  • As Meninas, 1973
  • As Horas Nuas, 1989
As Meninas abordou temas tabu na década de 70,
como a tortura e a lesbianidade

Contos de Lygia Fagundes Telles
  • Porão e Sobrado, 1938
  • Praia Viva, 1944
  • O Cacto Vermelho, 1949
  • Histórias do Desencontro, 1958
  • Histórias Escolhidas, 1964
  • O Jardim Selvagem, 1965
  • Antes do Baile Verde, 1970
  • Seminário dos Ratos, 1977
  • Filhos Pródigos, 1978 (reeditado como A Estrutura da Bolha de Sabão, 1991)
  • A Disciplina do Amor, 1980
  • Mistérios, 1981
  • Venha Ver o Pôr do Sol e Outros Contos, 1987
  • A Noite Escura e Mais Eu, 1995
  • Oito Contos de Amor, 1996
  • Invenção e Memória, 2000
  • Durante Aquele Estranho Chá: Perdidos e Achados, 2002
  • Conspiração de Nuvens, 2007
  • Passaporte para a China: Crônicas de Viagem, 2011
  • O Segredo e Outras Histórias de Descoberta, 2012
  • Um Coração Ardente, 2012


Clipping Entre contos e romances, relembre a obra de Lygia Fagundes Telles, Estado de São Paulo, 03/04/2022

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Sandman, uma das melhores HQ da história, para download

Sandman, uma das melhores séries de quadrinhos da história.
Sandman é uma série de história em quadrinhos para adultos, escrita pelo escritor britânico Neil Gaiman e desenhada por vários ilustradores, tais como Bill Sienkiewicz, Dave McKean, Sam Kieth, Charles Vess, Miguelanxo Prado, Jill Thompson, J. H. Williams III, Milo Manara, Mike Dringenberg, Shawn McManus, Marc Hempel e Michael Zulli e o capista Dave McKean. Publicada pela Vertigo, um selo da DC Comics, durante sete anos consecutivos (1989-1996), rendeu 75 edições e foi aclamada pelo público e pela crítica como uma das melhores séries de quadrinhos da história.

Multipremiada, recebeu nove prêmios Will Eisner Comic Industry Awards, três prêmios Harvey Awards e o prêmio literário World Fantasy Award em 1991 (como primeiro gibi da história a ter recebido a honraria). Em 2003, entrou na lista dos Best-Sellers do The New York Times como um ícone da cultura pop.

Sandman, ícone da cultura pop.
Resumo da história

Sandman (homem de areia) é baseado na lenda americana do personagem que assopra areia nos olhos das crianças para elas dormirem e que também atende por outros nomes, entre eles, Sonho, Morfeus, Oneiros, Moldador.

Ele é o protagonista da história e integra um grupo de seres de aparência humana, mas de fato imortais, que pairam acima dos deuses e são chamados Perpétuos. Fora Morfeus, essas entidades são o Destino, a Destruição, o Delírio, os gêmeos Desejo e Desespero e a Morte. Elas são representações antropomórficas responsáveis pelo ordenamento da realidade conhecida, pela coesão do universo físico e todos os seres vivos. O trabalho de Morfeus é administrar o Mundo dos Sonhos e controlar os sonhos humanos.

Sandman também é chamado de Morfeus
Quando uma ordem mística misteriosa tenta capturar sem sucesso a irmã mais velha de Morfeus, a Morte, com intuito de alcançar a imortalidade, quem acaba sendo preso é o próprio Sandman. Passam-se muitos anos de reclusão até ele conseguir se libertar e voltar ao seu lar, O Sonhar, que encontra muito diferente da época de sua prisão. 

Morfeus também enfrenta outras situações difíceis e seres tenebrosos, como Lúcifer, Belzebu e Azazel, ao longo das 75 edições de Sandman, onde prevalece um clima sombrio e misterioso que combina com a personalidade um tanto melancólica e soturna do personagem.

Pra fazer o download da obra via Google Drive (401 Megas), clique aqui. Para adquirir mais volumes, acesse o site da Amazon clicando aqui.

Nas HQs disponíveis, os arcos das histórias estão divididos em:

Prelúdios e noturnos (01 a 08)
A casa de bonecas (9 a 16)
Terra dos sonhos (17 a 20)
Estação das brumas (21 a 28)
Espelhos distantes (29 a 31 e 50)
Um jogo de Você (32 a 37)
Convergência (38 a 40)
Vidas breves (41 a 49)
Fim dos mundos (51 a 56)
Entes queridos (57 a 69)
Despertar (70 a 73)
Exílio (74)
A tempestade (75)

A Morte


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Apológica (Eu sei que vou te amar)


Apológica

Você é como uma prece.
Você é um momento bom.
Você é o dia que amanhece.
Você é como nascer com um dom.

Você é aquilo que enaltece.
Você é o apropriado tom.
Você é a quem a vida agradece.
Você é o silêncio e o som.

Míriam Martinho 



Reeditado a partir de original de 18/07/2008

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Machado de Assis "adaptado" ou a ligeira impressão de que os idiotas já tomaram posse da terra que herdaram

Machado de Assis vilipendiado
Uma professora chamada Patrícia Secco resolveu escrever uma edição "facilitada" de Machado de Assis porque - em sua opinião  - os jovens não entendem de cinco a seis palavras por frase do que ele escrevia. Uma das primeiras vítimas da professorinha será O Alienista, um conto do grande escritor de cerca de vinte e duas páginas (se não me falha a memória). Em outras palavras, o processo de analfetização anda tão grande que a molecada não consegue ler 22 páginas. E também desconhece um outro livro chamado dicionário, ou também "pai dos burros", onde as pessoas podem descobrir o significado de palavras desconhecidas. E não vai ser a professorinha facilitadora que vai indicar o dicionário porque - de repente - nele tem um monte de palavras que os alunos também não entendem, né?

Como se não bastasse, as obras adaptadas da senhora Patrícia Secco foram financiadas via captação de dinheiro pela lei de incentivo do Ministério da Cultura e serão distribuídas gratuitamente pelo Instituto Brasil Leitor em junho próximo. Em outras palavras, incentivo público para bancar algo desnecessário que alimenta o baixo nível já existente em profusão no ensino brasileiro.

Há quem reduza toda a história à mera questão de opção: quem quiser ler a obra adaptada que leia; quem quiser ler a original que vá à luta. Até parece que um romance ou um conto são apenas o registro de uma historinha e não o registro de um estilo literário e do estilo do próprio escritor. Machado de Assis não é considerado o maior escritor brasileiro por escrever historinhas mas sim por toda sua virtuose literária. O pessoalzinho da leitura adaptada vai continuar desconhecendo o grande escritor e duvido que se anime a conhecê-lo realmente depois.

Abaixo, texto do jornalista Sandro Vaia sobre "mais essa" do Brasil da era PT (quanto mais medíocre melhor).  

Flaubert e os miasmas

“Os olhos de ambos erravam por sobre os montões de pedra das construções, sobre a água repugnante do canal, onde flutuava um molho de palha, sobre a chaminé de uma fábrica, que se erguia um horizonte; os esgotos exalavam miasmas”.

Este é um trecho de “Bouvard e Pecuchet”, o último romance de Gustave Flaubert, onde ele satiriza a vida de dois medíocres pequenos burgueses franceses que abandonam a sua vida de pequenos funcionários urbanos e saem em busca da prática da idiotia rural, como a definiu Karl Marx em um de seus escritos.

Ao mesmo tempo em que “os esgotos exalavam miasmas”, Milan Kundera, o escritor tcheco, achava que Flaubert sustentava toda a sua obra no tema da idiotia e da tolice, o que sustentava a tese de que os idiotas herdariam a terra.

Kundera, citado no blog Contramaré, de Aguinaldo Munhoz, dizia que "a descoberta flaubertiana é mais importante para o futuro da humanidade que as ideias mais perturbadoras de Marx ou de Freud". Pois podemos imaginar o futuro do mundo — prossegue Kundera — sem a luta de classes ou sem a psicanálise, mas não a invasão irresistível das ideias feitas, estandardizadas, pasteurizadas, que, "inscritas nos computadores, propagadas pela mídia, ameaçam tornar-se em breve uma força que esmagará todo o pensamento original e individual e sufocará assim a própria essência da cultura européia dos Tempos Modernos.

Nem Kundera e muito menos Flaubert poderiam imaginar que essa onda se tornasse tão avassaladora e se multiplicasse numa velocidade tão inimaginável com a democratização do acesso às redes sociais e que “a invasão irresistível das ideias feitas” pudesse ser tão demolidora e provocasse efeitos tão danosos em tão curto espaço de tempo histórico.

A ideia de uma professora chamada Patrícia Secco de escrever uma edição “facilitada” de Machado de Assis para que ele seja entendido por todo mundo (quem lembra da “Edição Maravilhosa”, uma revista que reduzia clássicos da literatura a histórias em quadrinhos, para mentes infantis? ), é uma versão daquele miasma que exala do esgoto de Bouvard e Pecuchet ou um sinal do zeitgeist — o espírito do tempo — ou as duas coisas juntas?

A campanha que demoniza a expressão “meritocracia” como uma maquiavélica armadilha neoliberal e não como uma forma de reconhecimento de uma capacidade especial digna de recompensa de uma pessoa que se destaque, por esforço próprio, em qualquer área de atuação, não é um sintoma de que os idiotas estão herdando a terra numa velocidade assustadora?

O miasma do esgoto não exala apenas das fontes convencionais — a corrupção política, o desrespeito à democracia, a agressão aos direitos das minorias, a desastrosa administração pública — ele sai também das mentes de quem se esperava produção de conhecimento, e não a sua destruição sistemática.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez e "Armênio Guedes, Sereno Guerreito da Liberdade"(editora Barcarolla). E.mail: svaia@uol.com.br

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Plataformas de autopublicação para lançar seu livro

Publique seu Livro

Diz a sabedoria popular que três coisas o ser humano deve fazer na vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Para aqueles que se aventuram nesse terceiro projeto, mais desafiador do que passar uma boa história para o papel foi, até agora, conseguir publicá-la. Mas isso está mudando. A internet propiciou o aparecimento das chamadas plataformas de autopublicação, que facilitam o processo para os pequenos autores.

Basta cadastrar-se online e converter arquivos em programas de edição de texto, como o Word, para o formato de livro eletrônico (e-book). O processo inclui instruções para que o próprio autor defina a capa e o preço da obra. Feito isso, o livro eletrônico pode ser vendido online para interessados no mundo todo.

Algumas plataformas de autopublicação oferecem também a venda de exemplares impressos, sob pedido (on demand). Não há exigência de tiragem mínima e os royalties para o autor variam de 35% a até 70% do valor de capa, substancialmente mais do que os 10% geralmente oferecidos no mercado editorial convencional. É um caminho novo para quem pretende deixar a história da família para os netos, editar contos eróticos ou distribuir apostilas de um curso.

A Bookess, uma das pioneiras na autopublicação no Brasil, oferece serviços extras, como revisão, elaboração do projeto gráfico e da ficha catalográfica. Mesmo com todos os trâmites, o escritor pode ver seu livro pronto em até 30 dias, a um custo sete vezes mais baixo do que o vigente pelas vias tradicionais.

A nova modalidade atraiu a atenção de grandes empresas como Amazon e Saraiva, que lançaram suas plataformas de autopublicação em português, em dezembro de 2012 e em junho de 2013, respectivamente. O diretor-geral da Amazon.com.br, Alex Szapiro, destaca a importância do novo caminho para obras que antes ficariam engavetadas, uma vez que as editoras convencionais têm capacidade limitada para revisar manuscritos.

Os livros publicados pela plataforma gratuita Kindle Direct Publishing (KDP) alcançam, por semana, em média, 20% dos mais vendidos no Brasil pela Amazon.com. Mas é um sistema que está só começando por aqui. Na Alemanha já atinge 50%; na França e na Espanha, 40%. Nos Estados Unidos, editoras tradicionais têm recorrido à autopublicação para garimpar novos autores, a exemplo de E. L. James, que começou pela KDP, antes de se tornar campeã de vendas com o título “50 tons de cinza”.

Deric Guilhen, diretor de produtos digitais da Saraiva, enxerga na autopublicação mais uma opção para os leitores. “Temos o maior site de venda de livros do Brasil, não podíamos ficar de fora desse movimento. Mas não nos esquecemos da importância do processo de curadoria convencional para as editoras”, pondera. Dos 25 mil títulos à venda na loja digital da Saraiva, cerca de 10% são da plataforma Publique-se, que possui 11,5 mil autores cadastrados.

“A falta de um trabalho editorial profissional prejudica a qualidade do texto final”, afirma Susanna Florissi, coordenadora da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Para Marcelo Cazado, diretor executivo da Bookess, a tendência é a de que a autopublicação domine o mercado: “Muitos escritores têm recusado convites para migrar para grandes editoras por terem mais flexibilidade na autopublicação e mais autonomia para definir seus próprios preços e políticas de direitos autorais”. / COLABOROU DANIELLE VILLELA

COMO FUNCIONA:

Bookess

Escritores recebem 50% do valor de capa das suas obras, sem exigência de exclusividade. As obras podem ser publicadas no formato de livro eletrônico ou impressas sob pedido.

KDP (Amazon)

O autor é remunerado com até 70% do valor de capa de obras exclusivas na plataforma da Amazon ou com 35% para obras disponíveis em outras lojas. Apenas no formato e-book.

Publique-se (Saraiva)

Remuneração para o autor de até 35% do valor de capa da obra, sem exigência de exclusividade. Apenas no formato e-book.

Fonte: Estado de São Paulo, Celso Ming, 04/04/2014

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Drácula - Episódio 03 – Goblin Merchant Men


Grayson busca descobrir se Lady Jane é uma caçadora de vampiros da Ordem do Dragão. Lucy tenta remendar o coração partido de Mina com absinto, romance e um inebriante passeio pela vida boêmia de Londres. As maquinações de Grayson custam a vida de Lord Laurent e lhe dão um novo e poderoso inimigo. 

 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

1984 (filme completo) e um documentário sobre ele. Contra o perigo dos totalitarismos

Guerra é paz, Liberdade é escravidão, Ignorância é força
Baseado no mais aclamado romance de George Orwell, 1984, o filme homônimo do diretor Michael Radford, rodado em 1984, que posto abaixo, em versão integral, faz jus à famosa obra literária. No fictício ano de 1984, o mundo é dividido em três grandes blocos, a Eurásia, a Lestásia e a Oceania, todos governados por sistemas totalitários, onde o governo controla tudo e a todos, com a Polícia do Pensamento, para os crimes-ideia (ideologias diferentes da do Partido), as teletelas, filmagens das pessoas dentro de suas próprias casas, e a Novilíngua, um tipo de linguagem contraditória que reduz drasticamente os recursos linguísticos de modo que as pessoas sequer possam vocalizar uma oposição ao sistema (Guerra é paz, Liberdade é escravidão, Ignorância é força)

O protagonista da história, Winston Smith, da Oceania, Londres, é um pequeno funcionário do governo que trabalha para o Ministério da Verdade, onde as informações são manipuladas para passar apenas a visão do Estado e de seu governante principal, o Big Brother (Grande irmão). Nesse contexto, Smith se apaixona por Júlia, num romance que desafia o sistema e pelo qual pagará o preço da tortura física e mental na temida sala 101.

Alerta sempre atual sobre o perigo dos governos totalitários, 1984, tanto o livro como o filme, é leitura e audiência obrigatórias para qualquer pessoa que se pretenda antenada sobre o mundo no qual vivemos. Seguem também um ótimo documentário da Discovery Civilization, sobre o livro, e aqui o link para o seu download.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Kassab: melhor negócio que Judas fazes tu, Joaquim Silvério!

Melhor negócio que Judas fazes tu, Joaquim Silvério....
Não que seja novidade, pois, ao largar a prefeitura de São Paulo meio de lado para criar seu partido, o PSD, posteriormente dar terreno para Lula e outras cositas mais, Gilberto Kassab já estava paparicando o PT com vistas ao seu (dele) futuro político. Apoiou Serra em função de seus compromissos pessoais com o tucano, apoio aliás mais danoso para a candidatura do que o de Maluf a Haddad, pois sua gestão foi  um dos pontos mais atacados pelo petista. 

Mal eleito Haddad, porém, Kassab já perdoou as críticas, mudou de lado e ordenou à bancada psdista na câmara que vire situação, passando agora a receber elogios dos petralhas e elogiando-os igualmente. Sonha com ministérios de polpudos orçamentos para fazer seu pé de meia em Brasília. Até regateia: "quero o ministério das Cidades, no mínimo o dos Transportes".

Tanta baixeza me fez lembrar do célebre Romanceiro da Inconfidência, da Cecília Meireles, em seu Romance XXXIV, uma homenagem aos traíras de todos os tempos. Destaco o verso: "Pelos caminhos do mundo, nenhum destino se perde: há os grandes sonhos dos homens e a surda força dos vermes." 

Mas todo o Romance XXXIV vale a leitura pois é lindo! Para desopilar um pouco o fígado que não esta fácil filtrar tantas substâncias tóxicas ao mesmo tempo.

Romance XXXIV ou de Joaquim Silvério

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério:
que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples Alferes.

Recebeu trinta dinheiros...
-- e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glória, privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!

Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!
Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.

Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso impenitente,
com teus sombrios mistérios.

(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)

(Cecília Meirelles, Romanceiro da Inconfidência.)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A revolta de Atlas, o filme!

A Revolta de Atlas Parte 1
Em março deste ano, atualizei uma postagem sobre Ayn Rand, Ayn Rand: homenagem a uma mulher notável no dia internacional da mulher!, de onde transcrevo o trecho que se segue à guisa de apresentação da versão cinematográfica da primeira parte da trilogia A Revolta de Atlas (a segunda está prevista para outubro nos EUA).

Ainda que o filme, que posto abaixo, tenha sido muito criticado, por razões várias, ele pode dar uma ideia da obra da autora russa-americana e servir como introdução à leitura (fundamental) da famosa trilogia. Como mais um incentivo à leitura, adianto que o cenário descrito por Ayn Rand, em seu livro, lembra muito o espírito dos tempos que temos vivido no Brasil desde 2003.  Posto ainda outro vídeo sobre as lições de A Revolta de Atlas para nossas sociedades atuais.   

A Revolta de Atlas (Atlas Shrugged, 1957)

A Revolta de Atlas é a obra-prima de Ayn Rand e considerada um dos grandes romances de ideias de todos os tempos. Nela, através de um enredo que mescla suspense e filosofia, a escritora russa-americana expõe seu ideário. Num mundo governado por repúblicas autoritárias coletivistas, os EUA rumam para o mesmo destino, com seu governo criando tantos obstáculos à livre iniciativa das pessoas, sob pretexto de igualitarismo, que os principais líderes da indústria, do empresariado, das ciências e das artes, liderados por um misterioso John Galt, decidem fazer uma greve de cérebros.

Em outras palavras, aqueles que sustentam o país (daí a referência à figura de Atlas, o titã da mitologia grega, que sustenta o mundo nos ombros) somem literalmente do mapa deixando a sociedade à própria sorte. O Estado se apossa de suas propriedades e invenções, mas não é capaz de mantê-las funcionando porque não tem competência para tal, atravancado pela burocracia e pela corrupção e infestado de medíocres e parasitas de toda ordem (qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência). Para saber o resultado dessa greve, é preciso ler os três volumes desse épico da liberdade que é A Revolta de Atlas.

Abaixo link para a segunda e terça partes de A Revolta de Atlas
https://www.dropbox.com/s/u2xikcvoe6j7rss/Atlas.Shrugged.2.2012.avi?dl=0 https://www.dropbox.com/s/dkctn7ojj9co5u1/A%20Revolta%20de%20Atlas%20III.mp4?dl=0
Fonte: Portal Libertarianismo

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Clipping legal: Os 100 livros essenciais da literatura mundial

A revista BRAVO! enumerou 100 livros de literatura que não podem faltar em sua lista de livros de leitura imprescindível. Para chegar a esses 100 livros, a revista contou com a ajuda de colaboradores e se baseou nos estudos do crítico americano Harold Bloom, autor de O Cânone Ocidental e Gênio, além de rankings anteriores, como os da revista Time e da Modern Library, selo tradicional da editora americana Random House. Como toda a lista de "essenciais", está aberta à crítica e a adendos, possibilitando o surgimento de outras listas. Entretanto, de fato, lendo esses 100 mais, você já pode dizer que conhece um pouco de literatura e, sendo a literatura a antropologia das antropologias, segundo Fernando Cristóvão, da Universidade de Lisboa, que conhece também algo sobre o gênero humano. Listarei os 100 em três postagens.

Abaixo os últimos títulos da lista. A partir do número 67, não colocaram resenha. Mas vale a indicação.

51. Tartufo, de Molière
Foi com Tartufo que Molière (1622-1673) passou a ser acusado de imoral, libertino e diabólico pela burguesia e pela Igreja francesas, incomodadas com as críticas de seus personagens quase reais. Atentar contra a moral e os bons costumes era um crime sério nos idos do século 17 - tanto que um padre sugeriu que o autor fosse queimado vivo. A solução foi mais simples: Molière, já um dramaturgo famoso entre as massas, adaptou o fim da peça para dobrar o clero e levar às graças do público seu hilariante Tartufo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cliping legal: Os 100 livros essenciais da literatura mundial

A revista BRAVO! enumerou 100 livros de literatura que não podem faltar em sua lista de livros de leitura imprescindível. Para chegar a esses 100 livros, a revista contou com a ajuda de colaboradores e se baseou  nos estudos do crítico americano Harold Bloom, autor de O Cânone Ocidental e Gênio, além de rankings anteriores, como os da revista Time e da Modern Library, selo tradicional da editora americana Random House. Como toda a lista de "essenciais", está aberta à crítica e a adendos, possibilitando o surgimento de outras listas. Entretanto, de fato, lendo esses 100 mais, você já pode dizer que conhece um pouco de literatura e, sendo a literatura a antropologia das antropologias, segundo Fernando Cristóvão, da Universidade de Lisboa, que conhece também algo sobre o gênero humano. Listarei os 100 em quatro postagens.

Abaixo mais títulos da lista da Bravo!

26. O Estrangeiro, de Albert Camus
Albert Camus (1913-1960) nasceu em Mandovi, na Argélia, então uma colônia francesa. Da sua terra natal, guardou apenas algumas lembranças da infância pobre em um bairro operário que serviria de inspiração para seu primeiro romance, O Avesso e o Direito (1937). Foi professor de filosofia, jornalista e ativista da Resistência francesa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Clipping legal: Os 100 livros essenciais da literatura mundial

A revista BRAVO! enumerou 100 livros de literatura que não podem faltar em sua lista de livros de leitura imprescindível. Para chegar a esses 100 livros, a revista contou com a ajuda de colaboradores e se baseou  nos estudos do crítico americano Harold Bloom, autor de O Cânone Ocidental e Gênio, além de rankings anteriores, como os da revista Time e da Modern Library, selo tradicional da editora americana Random House. Como toda a lista de "essenciais", está aberta à crítica e a adendos, possibilitando o surgimento de outras listas. Entretanto, de fato, lendo esses 100 mais, você já pode dizer que conhece um pouco de literatura e, sendo a literatura a antropologia das antropologias, segundo Fernando Cristóvão, da Universidade de Lisboa, que conhece também algo sobre o gênero humano. Listarei os 100 em quatro postagens.

Abaixo os primeiros vinte e cinco:

1. Ilíada, de Homero
"Aira, Deusa, celebra do Peleio Aquiles o irado desvario, que aos Aqueus tantas penas trouxe, e incontáveis almas arrojou no Hades." Com esses versos inicia-se a Ilíada, que, junto com a Odisseia, ambas atribuídas a Homero, lançou as bases da literatura ocidental. Ao discorrer sobre uma realidade vasta e profunda, esses dois poemas épicos não só contribuíram para moldar uma nação e uma cultura, mas também causaram impacto duradouro no que veio depois - ou seja, em quase todos os autores e obras descritos nas páginas que se seguem.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vargas Llosa, polêmica na Argentina e o antídoto contra o populismo autoritário

Vargas Llosa
O escritor peruano Mario Vargas Llosa (clique aqui para ir até o site oficial do escritor), prêmio Nobel de Literatura de 2010, foi convidado a abrir a 37ª Edição da Feira do Livro de Buenos Aires (de 21 de Abril a 9 de Maio), um dos eventos culturais mais importantes da Argentina que reúne anualmente mais de um milhão de pessoas. Por ser liberal e crítico do governo da presidente Kirchner, o convite a Llosa foi seguido de grande polêmica, encabeçada pelo diretor da Biblioteca Nacional da Argentina, o sociólogo e filósofo marxista Horácio González, e apoiada por outros intelectuais esquerdistas e peronistas. Segundo o grupo, Llosa não deveria ser convidado uma por suas críticas ao atual governo argentino e outra por "sua posição politica liberal e reacionária, inimiga das correntes progressistas do povo argentino". 

Nas palavras de Nélson Motta, que escreveu uma crônica sobre o assunto chamada O tango do absurdo: Não é só um episódio pequeno e constrangedor para os portenhos, é uma concentração de sintomas das doenças crônicas da América Latina: o nacionalismo, o populismo e o autoritarismo, que antes eram de direita, agora são de esquerda, sempre em nome da Pátria. Como se houvesse um "autoritarismo do bem" e um "do mal", e as pessoas fossem divididas entre boas e más.
 

segunda-feira, 14 de março de 2011

Grandes poetas brasileiros pelo Dia Nacional da Poesia

Mário Quintana
Hoje é Dia Nacional da Poesia, também aniversário do poeta Castro Alves (aquele do belo Navio Negreiro), poesia onde as palavras buscam ir além do significante, onde pintam, tocam música e bordam. Já cometi algumas, embora ande menos lírica e mais prosa ultimamente. De fato preciso inventariar-me antes de partir.

Mas hoje, para homenagear a poesia, posto simplesmente três poemas, de grandes poetas brasileiros sobre essa arte!


OS POEMAS

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana - Esconderijos do Tempo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Feliz aniversário minha amada Sampa!

INSPIRAÇÃO
Mário de Andrade*
São Paulo! comoção da minha vida...
Os meus amores são flores feitas de original...
Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e Ouro...
Luz e bruma... Forno e inverno morno...
Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...
Perfumes de Paria... Arys!
Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!
São Paulo! comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América!
*Paulicéia Desvairada (1922)


sábado, 1 de janeiro de 2011

Receita de Ano Novo! Feliz 2011!

Para começar bem o ano: Receita de Ano Novo, de Carlos Drummond de Andrade, acompanhada da música Forgotten dreams interpretada pelo pianista Ary Stabile.

Feliz Ano Novo pra você!  Happy new year!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Lançamento da Google ebookstore: livros para ler no PC, no iPhone, Smartphone!

O Google entrou agora no mercado de livros digitais, com a ebookstore Google eBooks que já tem cerca de 3 milhões de livros, para venda ou download gratuito, de 4 mil editoras. Os livros podem ser lidos em qualquer aparelho e em qualquer lugar, desde que o usuário esteja conectado à internet, podendo começar a ler no computador e continuar, da mesma página, no iPhone, por exemplo. Há algumas opções de busca, sendo possível selecionar as obras premiadas no ano, best-sellers, etc.

Como o banco de dados do Google eBooks está disponível também para livrarias independentes, os livreiros começarão a vender e-books sem precisar de estrutura alguma e já contando com todo o conteúdo do Google, o que aumentará ainda mais a disponibilidade de títulos. E, a partir de janeiro, o Google eBooks deverá se expandir para outros países, além dos EUA.

Os títulos gratuitos à disposição são ainda limitados, pelo que verifiquei, mas incluem alguns clássicos da literatura em inglês, tais como Alice no País das Maravilhas, Frankenstein, Orgulho e Preconceito. Para acessar a loja, e os livros gratuitos clique aqui e clique aqui. Também é necessário ter uma conta do Google (gmail).

Para encontrar títulos pagos, você também pode utilizar o "pesquisar" do Google. Aparecerá à sua esquerda um menu, onde um dos itens é Livros. Clique neste item e obtenha mais informações sobre o título desejado. E boa leitura!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

As pedras no caminho de toda a humanidade!

Publicado pela primeira vez, em 1928, na Revista de Antropofagia, o poema de Carlos Drummond de Andrade rompe com os canônes da poesia tradicional da época, mesclando uma referência à tradição literária culta (a expressão “no meio do caminho” inicia a Comédia, de Dante Alighieri) com uma construção típica da fala popular no "tinha" (em vez de havia) uma pedra.

No plano conceitual, em interpetração conhecida, a partir do mantra modernista da pedra no meio do caminho, Drummond remete aos obstáculos que se repetem durante a vida das pessoas, inerentes à vida humana como as pedras são intrínsecas aos caminhos.

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