Jessica Jones 3:

por que mulheres ambiciosas e poderosas têm que acabar presas ou mortas?

Cordell Jackson:

pioneira do rock que lançou seu próprio selo musical em 1956

Agnès Varda:

10 filmes sobre sua obra cinematográfica

História do Futebol Feminino:

superando pobreza, preconceito e descrença

terça-feira, 8 de outubro de 2019

História do Outubro Rosa, a campanha de prevenção ao câncer de mama


Campanha surgiu em 1990 em Nova York (EUA)
O movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades. Este movimento começou nos Estados Unidos, onde vários Estados tinham ações isoladas referente ao câncer de mama e ou mamografia no mês de outubro, posteriormente com a aprovação do Congresso Americano o mês de Outubro se tornou o mês nacional (americano) de prevenção do câncer de mama.

A história do Outubro Rosa remonta à última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York, em 1990 e, desde então, promovida anualmente na cidade (www.komen.org). 

Em 1997, entidades das cidades de Yuba e Lodi nos Estados Unidos, começaram efetivamente a comemorar e fomentar ações voltadas a prevenção do câncer de mama, denominando como Outubro Rosa. Todas ações eram e são até hoje direcionadas a conscientização da prevenção pelo diagnóstico precoce. Para sensibilizar a população inicialmente as cidades se enfeitavam com os laços rosas, principalmente nos locais públicos, depois surgiram outras ações como corridas, desfile de modas com sobreviventes (de câncer de mama), partidas de boliche e etc. (www.pink-october.org).

A ação de iluminar de rosa monumentos, prédios públicos, pontes, teatros e etc. surgiu posteriormente, e não há uma informação oficial, de como, quando e onde foi efetuada a primeira iluminação. O importante é que foi uma forma prática para que o Outubro Rosa tivesse uma expansão cada vez mais abrangente para a população e que, principalmente, pudesse ser replicada em qualquer lugar, bastando apenas adequar a iluminação já existente.

Obelisco do Ibirapuera
A popularidade do Outubro Rosa alcançou o mundo de forma bonita e elegante, motivando e unindo diversos povos em em torno de tão nobre causa. Isso faz que a iluminação em rosa assuma importante papel, pois tornou-se uma leitura visual, compreendida em qualquer lugar no mundo.

No dia 02 de outubro de 2002, houve participação brasileira na campanha do Outubro Rosa, com a iluminação em rosa do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o Obelisco do Ibirapuera), situado em São Paulo-SP quando da comemoração dos 70 Anos do Encerramento da Revolução Constitucionalista. Desde então, outras iniciativas do gênero se sucederam com o envolvimento de governos, organizações não-governamentais, empresas e da sociedade civil nas mais variadas iniciativas de prevenção ao câncer de mama.

Como não poderia deixar de ser, neste ano de 2019, não faltam iniciativas para a campanha do Outubro Rosa. Seguem mais informações. 


Outubro Rosa: Sesc realiza mutirão da mamografia em todo o Brasil 

Outubro Rosa 2019: mensagens e notícias importantes sobre o câncer de mama

Campanha 'Outubro Rosa' alerta sobre a importância do diagnóstico precoce

Tipos de câncer | INCA - Instituto Nacional de Câncer

Com informações de outubrorosa.org

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Mulheres são 58% do público de games no Brasil, mas ainda lutam por espaço profissional no mercado

Women Game Jam (2018)

Pesquisas mostram que as mulheres são 58% do público de games no Brasil, porém ainda lutam por espaço profissional neste mercado.

Até os dias atuais as mulheres a lutam por espaço e igualdade nos meios profissionais e buscam representatividade no âmbito social. No mundo dos games essa lógica se repete e é representada pelo aumento do consumo feminino de videogames, do número de mulheres que trabalham como desenvolvedoras e a busca por mais representatividade nas personagens dos jogos. Para entender como funciona a indústria de games para as mulheres conversamos com a professora e doutora Érika Caramello e a desenvolvedora Lia Fuziy.

De acordo com o 2º Censo da Indústria Brasileira de Games (2018), as mulheres apresentam cerca de 20% dos funcionários das desenvolvedoras consultadas pelo estudo. Isso aponta que, nos últimos anos, o número de mulheres por trás do desenvolvimento de games triplicou em relação ao resultado do Censo em 2013. O número de jogadoras também aumentou – hoje 58% do público de jogos no Brasil é dominado pelas mulheres.

A professora e doutora na área de games Érika Caramello percebeu que dentro das salas de aula o interesse das meninas em trabalhar com games vem crescendo.
Antes dava aula para turmas sem nenhuma menina, hoje consigo encontrar um número significativo de garotas. Mais meninas estão se interessando em se profissionalizar nas áreas de TI, jogos digitais e ciência da computação”, afirma. Porém, as mulheres ainda representam um número muito pequeno e a indústria continua sendo predominantemente masculina.
Lia Fuziy ingressou na faculdade de jogos digitais pela paixão que tinha pelos jogos, mas nunca pensou que o desenvolvimento deles viraria seu ganha pão.
Quando me formei na faculdade me apaixonei pela vertente dos jogos educativos, fiz um curso na Universidade Federal do ABC e me especializei em Objetos de Aprendizagem. Hoje dou aulas de programação de jogos e trabalho na área de desenvolvimento de interações para apostilas didáticas”, conta. Lia concorda que escolheu uma vertente da área onde existe mais demanda e menos competição, mas enxerga nas colegas de profissão as dificuldades que encontram dentro do mercado.
Women Game Jam (2018)
Coloca as minas ‘pra’ jogo

Algumas iniciativas, como a Change The Game e Women Game Jam, são importantíssimas para apoiar e incentivar o trabalho realizado por mulheres e dar visibilidade para as meninas que estão a ingressar na área dos games ou para as que já estão inseridas, mas buscam espaço. Outro ponto forte desses projetos é a oportunidade de interação entre as meninas para que surjam parcerias e se crie um ambiente mais harmonioso de trabalho.

A Google criou no segundo semestre de 2019 a Change The Game, um concurso para mulheres criarem jogos para as plataformas mobile. As vencedoras trabalharão em conjunto aos desenvolvedores da empresa para o planejamento e execução de um jogo que será lançado na Google Play. As inscrições vão até o dia 30 de setembro.

Já a Women Game Jam é uma inciativa criada por desenvolvedoras e para desenvolvedoras. O evento, que surgiu na Alemanha, teve a terceira edição em terras brasileiras no último final de semana e contou com mentoras experientes da indústria como Ana Ribeiro, Lia Fuziy, Érika Caramello, entre outras. O evento foi focado em mulheres e buscou ser um ambiente seguro e confortável para elas. “
As meninas tiveram 48 horas para desenvolverem um jogo sobre independência e identidade e se dividiram em grupos que tinham experiência na área, porém a grande maioria nunca tinha participado de uma game jam. Elas puderam programar e se conhecer num ambiente longe de julgamentos e críticas masculinas,” contou Lia.
Érika completa ao falar da importância desse tipo de evento para a consolidação das mulheres na indústria.
Algumas alunas minhas já deixaram de ir a game jams mistas pois os pais não gostavam da ideia delas dormirem no meio de vários caras, o que faz esse evento ser bem importante. Sem falar que ver mulheres como mentoras e líderes de execução de projetos é uma experiência bem diferente do que a gente costuma ver. É fantástico ver que iniciativas como essa estão se consolidando no Brasil,” finaliza.
Clipping Mulheres nos games: A busca por incentivo e visibilidade na indústria!, por Isadora Marques, 18/09/2019, em Freak

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Hasbro lança "Ms. Monopoly", versão do famoso Banco Imobiliário onde as mulheres ganham mais

"Ms. Monopoly" também substitui as tradicionais propriedades do tabuleiro por invenções creditadas a mulheres
Para celebrar o empoderamento feminino e combater o grave problema de discriminação salarial que ainda acomete diversas mulheres no ambiente de trabalho nos dias de hoje, a Hasbro anunciou esta semana o lançamento de uma nova versão do Banco Imobiliário que promete enfim reverter a balança em favor do sexo feminino. Sim, em “Ms. Monopoly”, pela primeira vez na História do mundo – ou pelo menos na dos jogos – as mulheres poderão ganhar mais que os homens.

A versão “feminina” na verdade é uma repetição do modo de operação tradicional do jogo, com a diferença de que a cada vez se passa pela casa do pagamento as jogadoras ganham 240 unidades na moeda do Banco Imobiliário. Os jogadores do sexo masculino, porém, só recebem os 200 tradicionais, reforçando a ideia do “Ms. Monopoly” que a Hasbro define como “um mundo onde as mulheres tem uma vantagem que habitualmente é desfrutada pelos homens”.

Outra parte legal do derivado é que as “propriedades” do tabuleiro são todas invenções creditadas a mulheres, incluindo aí itens importantes como Wi-Fi e cookies de chocolate.

Esta também é a primeira edição do clássico jogo de tabuleiro que conta um mascote diferente do camarada milionário bigodudo de cartola (o tal Rich Uncle Pennybags). De acordo com a divulgação, a tal Ms. Monopoly do título é uma magnata do ramo imobiliário que advoca em favor das empreendedoras, concebida pela fabricante para inspirar mulheres de todas as idades.

O mais bacana, porém, é que a Hasbro aproveitou a concepção desta versão “feminista” do jogo para financiar inventoras e empresárias do sexo feminino. Aproveitando o valor de 20,580 unidades que estão disponíveis no jogo, a companhia investiu o mesmo número em dólares em três jovens cientistas moradoras no Canadá, Irlanda e Estados Unidos – e lançou o comercial abaixo para apresenta um pouco mais das invenções de cada uma ao público.
Pela introdução do ‘Ms. Monopoly’ e o dinheiro que estas jovens mulheres receberam para investir em seus futuros projetos, nós queremos reconhecer e celebrar as diversas contribuições que as mulheres fizeram a nossa sociedade e continuam a fazer diariamente” explica diretora sênior de marketing Jen Boswinkel sobre a campanha e o produto.
A primeira edição do “Ms. Monopoly” será lançado esta semana nas lojas dos Estados Unidos, mas ainda não tem previsão de ganhar uma versão em português no Brasil.




Clipping Contra discriminação salarial por gênero, Banco Imobiliário lança versão onde mulheres ganham mais que homens, por Pedro Strazza, 11/09/2019

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Futuro Burger, hambúrguer que parece de carne, mas só tem vegetal

Não adianta chorar pelas queimadas na Amazônia, feitas para criar pastos para os chamados animais de corte, se você permanece sendo a rainha ou rei do grill. Nada destrói mais a natureza do que a pecuária, a indústria do matadouro. Comece a substituir a carne animal pelas chamadas carnes vegetais, cada vez mais feitas sob medida para mudar, nos corações e bocas, o ruinoso hábito de comer animais.+
Embarque, desde já, nessa tendência internacional, já presente no Brasil, experimentando, por exemplo, o Futuro Burguer.

Empresa brasileira quer conquistar carnívoros com hambúrguer vegano que promete sabor e textura de carne bovina

Quando se fala em hambúrguer vegano, a primeira reação de quem come carne geralmente é torcer o nariz com argumentos do tipo “não é a mesma coisa”. Pois acaba de chegar aos supermercados um produto feito exclusivamente de vegetais e que promete surpreender o paladar dos carnívoros.

Trata-se do Futuro Burger, primeiro lançamento da startup Fazenda Futuro, que se dedica a criar “carne” à base de plantas. Com aparência e textura e muito semelhantes à versão bovina, a novidade já está disponível em algumas lanchonetes de São Paulo e do Rio de Janeiro, e agora chegou a supermercados paulistas, cariocas e mineiros.

A ideia não é conquistar veganos e vegetarianos.
Estamos entrando no mercado de carnes. Queremos falar com quem procura uma alternativa saudável e sustentável sem deixar de lado o prazer em comer algo de que gosta”, explica Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro.
Para chegar no visual e sabor adequados, foram dois anos de testes. A receita final leva proteínas isoladas da soja, da ervilha e do grão-de-bico, além de beterraba para imitar a cor rosada e os sucos da carne. O produto não usa ingredientes transgênicos, tem menos gorduras saturadas do que a versão tradicional e contém fibras, por conta dos vegetais.

Onde encontrar

O Futuro Burger começou a ser vendido nas lojas do Carrefour, Pão de Açúcar, St. Marche e Quitanda, em São Paulo; La Fruteria e Zona Sul, no Rio de Janeiro; e Verdemar, em Minas Gerais.

Também é possível provar a novidade nas hamburguerias T.T. Burguer, na capital fluminense, e Lanchonete da Cidade, em São Paulo.

A meta da empresa é expandir a distribuição do hambúrguer nos próximos meses. No segundo semestre, uma versão de almôndega à base de plantas desenvolvida pela empresa deve chegar ao Spoleto, rede nacional de massas.

Tendência internacional

Buscar alternativas para driblar o consumo excessivo de carne é uma tendência que veio para ficar.
 “No Brasil, o número de gado é superior ao número de pessoas, e somos um dos países mais afetados pela agropecuária quando se trata de meio ambiente”, comenta Leta. “Este impacto ambiental faz com que as pessoas optem cada vez mais por mudanças na alimentação”, continua o empresário.
Lá fora essa movimentação é nítida. A marca Beyond Meat, de “carnes” à base de plantas, por exemplo, abriu seu capital neste mês nos Estados Unidos com alta de 163% em seu primeiro dia na bolsa de valores, chegando a um valor de mercado de 3,8 bilhões de dólares. Bill Gates e Leonardo Di Caprio, dois célebres entusiastas da causa do meio ambiente, investem na marca.

A Impossible Foods, nascida no ambiente tecnológico do Vale do Silício, abastece mais de 3 mil restaurantes norte-americanos com 226 toneladas de carnes vegetais todos os meses.

Elas, assim como a Fazenda Futuro, são consideradas foodtechs, ou seja, empresas que usam a tecnologia para criar novos produtos alimentícios.
O hambúrguer vegetal tupiniquim está sendo anunciado como a versão “1.0”. A 2.0 está sendo desenvolvida pela empresa atualmente e promete ser ainda mais parecida com a proteína animal.
Perfil nutricional

Veja o que encontramos em uma unidade (115 gramas) do Futuro Burger disponível hoje:

Calorias: 283 kcal
Proteínas: 15,8 g
Carboidratos: 14,3 g
Gorduras totais: 18,6 g
Gorduras saturadas: 6 g
Fibras: 4 g
Sódio: 684 mg

Clipping Conheça o Futuro Burger, que parece de carne, mas só tem vegetal, por Chloé Pinheiro, 24/06/2019, Saúde

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Pesquisadora de física do Reino Unido, Jessica Wade escreve páginas da Wikipédia sobre mulheres cientistas diariamente

Jessica Wade explica como funciona um material orgânico semicondutor.
IMPERIAL COLLEGE LONDON
Jessica Wade escreve uma biografia diária para divulgar mulheres ignoradas pela ciência

Como a maioria das pesquisadoras de física do Reino Unido, Jessica Wade (Londres, 1988) frequentou um colégio apenas para meninas. Ela trabalha todos os dias para assegurar que, a cada ano, mais meninas escolham carreiras científicas. É fundadora e coordenadora de várias associações, colabora com o Instituto de Física britânico e dá palestras em colégios. Mas Wade tem outra estratégia surpreendente para aumentar a representação das mulheres na ciência: escreve páginas da Wikipédia sobre cientistas do sexo feminino. Uma por dia.

Wade cursou graduação e mestrado no Imperial College de Londres, onde agora trabalha no estudo da eletrônica dos polímeros. “Quando comecei a fazer minha tese de doutorado, era a única garota no grupo de pesquisa. Minha melhor amiga se pós-graduou e para mim de repente ficou muito difícil continuar na universidade que eu amava tanto sem uma rede de apoio. Foi então que percebi que isso deve acontecer com todas as mulheres em todos os departamentos, quando não têm essa melhor amiga”, recorda a jovem pesquisadora.

Criar páginas da Wikipédia sobre cientistas mulheres “é um movimento global”, afirma. Sua inspiração foi a estudante de medicina norte-americana Emily Temple-Wood, que começou a editar a Wikipédia aos 12 anos. Depois de receber uma onda de comentários misóginos, por e-mail e por redes sociais, Temple-Wood decidiu “focar sua ira” de forma construtiva: começou a escrever uma página da Wikipédia sobre uma mulher pesquisadora para cada mensagem abusiva que recebia. Em pouco tempo, a jovem estava à frente de um grupo de colaboradores que conseguiu melhorar a qualidade dos artigos biográficos sobre cientistas até ficarem acima da média de toda a enciclopédia. Esse fenômeno foi batizado de efeito Keilana, em homenagem ao nome de usuária de Temple-Wood.

Wade seguiu seu exemplo escrevendo sete entradas novas por semana, e já soma várias centenas. Rebusca nos arquivos de instituições científicas, passa horas no Twitter, vai a conferências, tudo para encontrar as mulheres ignoradas da ciência, vivas ou mortas. A cada 100 biografias da Wikipédia em inglês, só 17 são de mulheres.
Mas esses 17% não são só para a ciência. Em ciências, onde as mulheres por si só já estão pouco representadas, é muito pior”, denuncia.
“Essa não é só uma realidade triste e discriminatória; é que, além disso, as poucas páginas que existem sobre cientistas costumam se limitar a enumerar os prêmios que elas receberam, mencionar o fato de serem mulheres ou falar de seus maridos. Há pouquíssima informação sobre suas pesquisas”, conta , irritada. “E se você for à página de uma disciplina científica onde sabe que uma mulher fez uma contribuição importante, é muito raro que mencionem o nome dela ou sua contribuição. Fico furiosíssima.”
Além disso, Wade observa que a Wikipédia é o principal recurso educativo em muitos países com escassa distribuição de livros didáticos. “Não quero que essa gente tenha uma visão tão distorcida”, acrescenta.
O mais importante na hora de criar uma biografia nova é demonstrar a notabilidade da pessoa, que ela “merece” ter uma página da Wikipédia. E costuma ser muito difícil.
Não posso fazer uma página para a minha amiga só para fazer graça. Na ciência, normalmente é preciso ter certo número de publicações”, explica. “Minha página foi feita por um engenheiro do Imperial College, mas me dá muita vergonha, eu não tenho publicações suficientes para ser notável!”, ri.
Ainda assim, Wade confessa querer fazer a biografia de sua mãe, que também foi uma grande inspiração em sua vida. O único motivo pelo qual ainda não a escreveu é para evitar um conflito de interesse, porque na verdade ela cumpre todos os requisitos: é pesquisadora psiquiatra, médica no Serviço Nacional de Saúde (NHS), publicou um livro e, claro, é mulher. Sua filha diz:
Acho que quando pequena não apreciava isso, mas agora lhe digo frequentemente: ‘Um dia destes faço uma página da Wikipédia para você’”
No caso de escritoras e divulgadoras da ciência, os critérios de notabilidade são mais ambíguos.
Às vezes você cria uma página sobre uma mulher que contribui mais para o diálogo sobre a ciência do que diretamente para a pesquisa, e as pessoas rapidamente começam a apontar que não há notabilidade ou que não ela tem fez nenhuma contribuição. É horrível ler isso”, diz. “Seria horrível ler isso sobre você.”
Justamente por esses comentários, Wade procura esperar a revisão de um editor experiente da enciclopédia antes de compartilhar suas páginas novas.
Mas necessitamos de mais diversidade entre os editores; também aí há uma distorção, porque quase todos são homens”, lamenta. Além disso, a pesquisadora acredita que há outro problema: “Percebi de forma empírica, ainda não tenho dados estatísticos, mas parece que esses comentários aparecem mais rapidamente quando a mulher não é branca. Isso realmente me parece terrível”.
Existe um movimento internacional para melhorar a diversidade em outras versões da Wikipédia.
Em espanhol acredito que 18% das biografias sejam de mulheres. Está um pouco melhor, mas, claro, é uma Wikipédia muito menor [que a inglesa]”. A vantagem, observa, é que há tão poucos editores em outros idiomas que é muito fácil começar e se sentir acolhido pela nova comunidade que está aparecendo. Para todos os que estiverem cogitando aderir, Wade tem um conselho: “Uma forma muito fácil de começar a editar a Wikipédia [em outro idioma] é traduzir artigos da versão inglesa que ainda não existem. Isso seria genial”.
'WIKITHON', EDIÇÃO EM GRUPO

Qualquer um pode editar a Wikipédia. Não é preciso nem registrar um usuário. Mas como muitos não se animam sem um empurrão, Wade organiza wikithons regulares. São eventos onde as pessoas de uma sala editam a enciclopédia em grupo, normalmente durante uma ou duas horas. "Você só precisa de um computador, uma pessoa que entenda a Wikipédia e um grupo de gente motivada a fazer o bem", diz a física londrina.

Os wikithons podem acontecer em congressos, escolas de verão ou com grupos universitários, mas funcionam especialmente bem em colégios. "Os professores adoram, porque muitas habilidades, como a de consultar fontes imparciais e fazer uma bibliografia, coincidem com material do currículo que eles querem ensinar de qualquer jeito", diz. "E têm um efeito incrível sobre os jovens: o discurso acostuma ser 'necessitamos de mais mulheres na ciência', simplesmente porque é o correto, mas estamos cansados de ouvir isso. Se [os alunos] estão conhecendo as mulheres, todos trabalhando juntos, realmente apreciam as descobertas incríveis que fizeram".

Clipping A mulher que inclui uma cientista por dia na Wikipédia, por Bruno Martín, 18/07/2018

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Seleção brasileira de futebol feminino volta a jogar em casa após 2 anos: saiba detalhes do torneio

(Foto: Divulgação)

Nos dias 29 de agosto e 01 de setembro, a cidade de São Paulo sediará o Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino e as seleções do Chile, Argentina e Costa Rica serão as adversárias do Brasil no Estádio do Pacaembu.

A seleção brasileira não joga no país desde 2016, quando disputou o Torneio Internacional de Manaus sob o comando de Emily Lima. E a capital paulista não recebe o time feminino desde 2015, quando a seleção disputou um amistoso contra a Nova Zelândia – e perdeu por 1×0 -, dessa vez, com Vadão como técnico .

Após campanha mediana na Copa do Mundo da França, mas com grande reconhecimento e destaque no Brasil, os torcedores terão a chance de ver de perto Marta, Formiga, Tamires, Andressa Alves e tantas outras craques que ganharam maior destaque durante o Mundial.

O torneio faz parte da preparação da seleção brasileira para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, e marcará a estreia da treinadora sueca Pia Sundhage no comando da equipe.

Confira abaixo informações sobre o torneio (ingressos e horários)

Os jogos acontecerão em rodada dupla com Costa Rica e Chile abrindo a competição no dia 29 de agosto (quinta-feira), às 19h, no Pacaembu. Na sequência, o Brasil entra entra em campo contra a Argentina às 21h30. A decisão acontece no dia 01 de setembro (domingo) quando os perdedores da rodada inicial decidem a 3ª colocação às 10h. A final acontece em seguida, às 13h30.
Os ingressos podem ser comprados no site da TS Tickets. As entradas custam a partir de R$ 20 (arquibancada) e R$ 24 (cadeiras numeradas), com direito à meia-entrada. A venda nas bilheterias do Pacaembu serão abertas apenas na semana do torneio, caso sobrem ingressos. As partidas terão transmissão do SporTV.

Seleção brasileira
O Brasil

Depois da Copa do Mundo da França onde os olhares se voltaram para a seleção feminina de uma maneira diferente, as jogadoras estarão no Pacaembu para sentir de perto o apoio da torcida.

Mesmo sob novo comando, a treinadora sueca Pia Sundhage, o time brasileiro será praticamente o mesmo que atuou no Mundial. Entre os destaques, a atacante do São Paulo, Cristiane, não participará do torneio porque ainda se recupera da lesão que a tirou da prorrogação do jogo contra a França pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo.

Entre as principais novidades anunciadas pela sueca Pia Sundhage, estão os nomes da meia Yayá (São Paulo) e da atacante Millene (Corinthians).

Seleção chilena
Chile

A seleção chilena ocupa a 38º posição no ranking da Fifa e na Copa do Mundo estava em grupo bem cascudo, com Estados Unidos, Suécia e Tailândia. Venceu apenas o último confronto, contra a Tailândia, mas viu sua goleira Christiane Endler brilhar como melhor jogadora da partida contra as americanas, evitando que o placar fosse ainda mais elástico.

A arqueira de 27 anos é filha de pai alemão e mãe chilena. Defende o Paris Saint-Germain e é o grande destaque da La Roja, com ótima envergadura, força física e muito reflexo.

Seleção Argentina
Argentina

As argentinas vivem um momento especial. A AFA (Federação Argentina de Futebol) anunciou a profissionalização do futebol feminino no país graças aos protestos das jogadoras, especialmente de Maca Sanchez, ex-jogadora do UAI Urquiza que decidiu processar o clube e a Federação por falta de estrutura e péssimas condições oferecidas para as jogadoras.

As hermanas enfrentaram fortíssimas seleções na Copa do Mundo como o Japão, Inglaterra e Escócia. Jogando de maneira totalmente retrancada, conseguiram segurar o empate sem gols contra as japonesas, perderam por apenas 1×0 da Inglaterra e viveram um momento histórico ao empatar o jogo contra a Escócia quando perdiam de 3×0. O feito foi muito comemorado pelas atletas e torcedores.

Nos Jogos Pan-Americanos de Lima, chegaram até a final da competição. Perderam para as colombianas nos pênaltis e voltaram para a casa com a medalha de prata.

Entre os destaques da equipe está a goleira Vanina Correa, que defendeu um pênalti contra a Inglaterra na Copa do Mundo, cobrado pela craque Nikita Parris e foi eleita como a melhor jogadora da partida. A atacante Sole Jaimes, que atualmente faz parte do elenco das Sereias da Vila, também entrará em campo defendendo seu país.

Seleção Costarriquenha
Costa Rica

A Costa Rica ocupa a 37ª posição no ranking da Fifa e a seleção brasileira já encontrou com a equipe na Copa do Mundo de 2015, no Canadá, vencendo por 1×0. Depois, jogou contra a mesma adversária nos Jogos Pan-Americanos do mesmo ano e venceu por 3×0. O último encontro foi no final de 2016, em um amistoso onde o Brasil goleou as costarriquenhas por 6×0.

Clipping Dibradoras, por Roberta Nina, 23/08/2019

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Basquete feminino vence EUA no Panamericano após 28 anos sem o ouro

Brasil conquista o ouro no basquete feminino — Foto: Alexandre Loureiro/COB
A última vez que a seleção brasileira havia conquista o ouro pan-americano na modalidade havia sido em 1991, em Havana, com a histórica equipe de Hortência e Magic Paula

A seleção brasileira de basquete feminino fez história em Lima. Após 28 anos, as brasileiras voltaram a colocar a medalha de ouro no peito nos Jogos Pan-Americanos e foi com estilo. Enfrentando os Estados Unidos na final, a seleção venceu com autoridade por 79 a 73.

Destaque para a armadora Tainá Paixão, que fez uma partidaça, comandou as ações ofensivas brasileiras, imprimiu muita velocidade na transição e foi a cestinha do jogo com 24 pontos. Além disso foram sete rebotes e três assistências para a camisa oito.
É muita felicidade! Quando elas ganharam o último Pan eu estava nascendo. É muito bom fazer parte dessa história. Acho que o nosso grupo está tão homogêneo que em qualquer jogo as meninas podem se destacar. É tudo do grupo. Quando uma não está bem, a outra está. É uma vitória da equipe toda. É a vitória do basquete feminino - celebrou Tainá.
O treinador José Neto não podia pedir um começo melhor de trabalho. Em sua primeira competição oficial à frente da seleção, Neto termina invicto, vencendo os Estados Unidos e conquistando uma medalha de ouro histórica.

Essa é o quarto título Pan-Americano da história da seleção brasileira de basquete feminino, mas o feito não acontecia desde 1991, quando Hortência e Magic Paula entraram para a história em Havana ao bateram Cuba na decisão. As outras duas vezes foram em 1967, em Winnipeg, e 1971, em Cali.

Além do bom jogo ofensivo, Tainá foi bem na marcação —
 Foto: Alexandre Loureiro/COB
O jogo

O Brasil começou o jogo com muita intensidade e bem na marcação. Roubando bolas dos Estados Unidos e apostando em transição rápida, a seleção chegou a abrir uma vantagem de oito pontos, mas viu uma reação sensacional das americanas, que viraram o placar ainda no primeiro quarto. Com o nervosismo, a intensidade virou afobação e rapidamente um número elevado de faltas.

O jogo seguiu muito disputado no segundo quarto, com a seleção sendo mais moderada na marcação para evitar tantas faltas. No ataque, soube rodar muito bem a bola para criar chances de arremesso. Jogando bem, o Brasil foi para o intervalo com a vitória, por 39 a 38.

A volta do intervalo trouxe o roteiro repetido do que aconteceu no começo do confronto. Um começo intenso, boa vantagem e depois uma queda. Apesar disso, as brasileiras souberam se manter à frente do placar durante praticamente todo o período.

Com autoridade, o Brasil soube administrar os nervos e se aproveitar dos erros dos Estados Unidos, com muita velocidade na transição. No fim, vitória merecedora e a coroação do começo de trabalho do técnico José Neto.

Clipping Após 28 anos, Brasil bate os EUA na decisão e conquista ouro no basquete feminino, Globo Esporte, 11/08/2019

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Oito filmes protagonizados por mulheres para ver na Netflix


Dicas de filmes no Netflix onde as mulheres são as protagonistas. Vale conferir.

The Girl on the Train

Emily Blunt em “A Garota no Trem” (Imagem: reprodução)
Emily Blunt estrela esse thriller baseado em obra homônima que acompanha a vida de uma alcoólatra recém-divorciada que não lida muito bem com a própria vida após a separação, caindo numa espiral depressiva, incapaz de manter um emprego ou lidar com a solidão. Pouco a pouco, vamos descobrindo mais sobre seu passado, o de seu marido e das pessoas que compõem o novo núcleo familiar, tanto do ex quanto da personagem principal. Este é um filme para aquelas que amaram “Gone Girl” (“Garota Exemplar”) e que amam um bom suspense psicológico e mulheres representadas de maneira excepcionalmente em suas falhas e vulnerabilidades.

Gone Girl
Rosamund Pike em “Garota Exemplar” (Imagem: reprodução/Netflix)
“Garota Exemplar“, título com o qual chegou ao Brasil, retrata o desaparecimento de Amy Dunne e a busca pelo seu paradeiro liderada por seu marido, com a investigação tomando rumos inesperados. Dirigido por David Fincher, esse filme é muito popular e vale a audiência. Se já o assistiu, vale muito a repetição.

Rosamund Pike carrega a película do começo ao fim, numa atuação pela qual foi indicada ao Oscar, Globo de Ouro e Critics Choice Awards, além de várias outras premiações no ano de 2015.

Annihilation
Gina Rodriguez, Tessa Thompson, Tuva Novotny, Natalie Portman e Jennifer Jason Leigh
(Imagem: divulgação/Paramount Pictures/Netflix)
Outro filme extraído das páginas de um livro, “Annihilation” (“Aniquilação”) segue a trilogia de Jeff Vandermeer, que conta sobre a descoberta de uma área protegida pelo governo: quem vai lá explorar, nunca retorna, e quem consegue, sempre deixa uma parte de si para trás. O filme faz algumas modificações no material do livro, mas não fica aquém dele.

É uma ficção científica bem elaborada, com protagonismo feminino em peso e um elenco notável: Natalie Portman é a protagonista e a equipe que lhe acompanha para a área desconhecida é composta por Tessa Mae Thompson, Jennifer Lason Leigh e Gina Rodriguez. Oscar Isaac faz o ex-marido de Portman. Quem gosta de elementos de ficção científica e reflexões sobre a humanidade e o que significa ser humano não pode perder esse filme.

RAW
Garance Marillier em “Raw” (Imagem: reprodução)
Não é para quem tem estômago fraco. “RAW” celebra o horror contando a história de Justine, uma estudante de veterinária que começa a mudar seu comportamento após o ingresso na faculdade, onde se envolve numa espiral canibalista e de vampirismo. Além de protagonizado por uma mulher, o filme também é dirigido por outra, Julia Ducournau, em estreia eficiente atrás da câmara.

“RAW” pode ser visto como um filme de horror gore ou metáfora sobre um dos períodos mais transformadores na vida de alguém, destoando da postura rudimentar normalmente agregada ao gênero. Um filme repleto de simbologia e feito de forma bem competente.

Loja de Unicórnios
Brie Larson em “Loja de Unicórnios” (Imagem: divulgação/Netflix)
Brie Larson nos leva ao seu coming of age, mas para aqueles perto dos seus 30 anos: um drama com adições de romance, mas cujo coração mora no cerne dramático mesmo. Idealizado e dirigido por Larson, ela também dá vida à protagonista, uma mulher expulsa da Academia de Artes que precisa retornar para a casa dos pais, sentindo-se descrente na própria capacidade e sem rumo algum na vida.

A obra dialoga perfeitamente com os apaixonados por criação, amantes da escrita, das artes e do meio cultural, mas também fala a qualquer pessoa que tenha tido um sonho e foi derrubada pela vida. Vemos a saga da protagonista e sua vida indo do multicolorido ao cinza. Também assistimos a abordagem de temas como  a descoberta do amor, o assédio em ambiente de trabalho, o sexismo e reconexão com a própria família.

I Am Mother
Cena de “I Am Mother” (Imagem: divulgação/Netflix)
“I Am Mother” é protagonizado por figuras femininas e envolve elementos de tecnologia, humanidade, ciência e inteligência artificial. Tudo se mistura num cenário pós-apocalíptico onde ninguém tem nome. Mesmo a protagonista tem apenas o nome de “Filha”. Os outros personagens também levam alcunhas não personalizadas.

No resumo da Netflix, vemos que “a humanidade foi dizimada e o futuro recomeça com uma garota e um robô que ela chama de mãe”. A relação entre mãe e filha é abordada conforme vamos descobrindo mais sobre o universo, o que levou ao fim da sociedade, como ela era e as possibilidades de reconstrução. As atrizes Clara Rugaard-Larsen e Hilary Swank conseguem manter a atenção dos expectadores, apesar do isolamento do cenário.

A Gente Se Vê Ontem

Eden Duncan Smith e Danté Crichlow em cena de “A Gente Se Vê Ontem”
 (Imagem: divulgação/Netflix)
Produzido por Spike Lee e dirigido por Stefon Bristol, "A gente se vê ontem" apresenta dois pré-adolescentes de inteligência superaguçada tentando provar que viagem no tempo é possível. Eles conseguem o feito, mas a princípio, o avanço é pouco – voltam apenas 24 horas no passado. A história se desenrola de fato quando o irmão da protagonista acaba sendo morto por dois policiais brancos, e ela convence seu amigo a voltar no tempo para tentar salvar o parente amado. Ambos embarcam nessa jornada mesmo cientes de que mudar os acontecimentos pode acabar afetando o presente de modo inesperado.

Durante o longa, as diversas tentativas frustradas da dupla refletem sobre escolhas, consequências, num misto de ficção científica e drama emocional. A mensagem principal é sobre resistir contra as adversidades, mesmo contra tudo. Existe também crítica à violência policial e contra o racismo. “A Gente Se Vê Ontem” funciona bem para quem gosta da temática de ficção científica e quer assistir o protagonismo de jovens negros, com destaque para a atriz principal.

February
Kiernan Shipka em cena de “February”, título em português (Imagem: divulgação/Netflix)
Estrelado por Kiernan Shipka, Emma Roberts e Lucy Boynton, “Enviada do Mal” se passa num instituto exclusivo para garotas e garante um clima mórbido e frio do começo ao fim do filme. Trata-se de um terror sem sustos e reações forçadas, levado por sua narrativa de suspense, com foco nas atuações das protagonistas.

Típico terror psicológico, de ar sombrio e  estilo fragmentado, criando um cenário de quebra-cabeças com perguntas provocativas até o final da projeção. “February” mantém o mistério até o terceiro ato, sendo muito indicado para os amantes do terror ou de apenas contos misteriosos cujas respostas podem ou não ser respondidas.

Com informações de Delirium Nerd, por Nathalia de Morais,  09/08/2019

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Melhor motorista do Uber no Brasil é uma mulher



Uma motorista do Uber de Maringá, no Paraná, foi a primeira mulher do Brasil a receber cinco estrelas no aplicativo. Nem de longe a conquista está relacionada com a máxima machista que de mulheres são mais cuidadosas.

Glaucia Stocki dirige pelo aplicativo há dois anos e cinco meses no Paraná. A conquista do título, em outubro do ano passado, se deu pelas avaliações positivas de nada menos que 500 passageiros consecutivos.

As estrelas foram entregues pelo tratamento respeitoso, direção segura, assuntos interessantes (sem polêmicas e reclamações constantes sobre o trânsito), limpeza e trajeto certeiro.

Em entrevista ao Maringá Post, Glaucia diz que começou a se dedicar ao ver a nota próxima dos cinco pontos.
Confesso que minha maior motivação foi mostrar que as mulheres também são muito boas ao volante”, explica.
A motorista pontua que nunca pediu para os clientes fazerem qualquer tipo de avaliação, até porque esta é uma prática vetada pela equipe do Uber.
Eu tratava todo mundo da melhor maneira, buscava assuntos interessantes e fora de polêmica. Ficava quieta quando percebia que era isso que o cliente queria, além de manter o carro sempre muito limpo, fazer o melhor trajeto e ser cuidadosa no trânsito”, comenta.
O prêmio rendeu uma gratificação de R$ 5 mil e outros prêmios. A condutora comemorou o fato em um vídeo postado no YouTube.

A notícia abre caminho para uma reflexão importante sobre sexismo. A Universidade de Stanford nos Estados Unidos, fez um estudo mostrando que mulheres recebem até 7% menos do que homens. A discriminação, segundo os especialistas, é provocada pelo entendimento de que mulheres dirigem mais devagar que homens. 😡

N. E. Não sabemos se outra mulher a desbancou até agora. Vale pelo incentivo para que outras mulheres adiram ao volante profissional.


Clipping "Direção 5 estrelas: A melhor motorista do Uber no Brasil é uma mulher", Hypeness

terça-feira, 30 de julho de 2019

Clubes de leitura de obras feministas e autoras mulheres crescem no Brasil

Livros feministas ou de ficção escritos por mulheres ganham cada vez mais espaço nas livrarias e
entre as leitoras. Foto: Arte de Nina Millen
Clubes de leitura de obras feministas e autoras mulheres crescem no Brasil

Não precisa ser um grande observador para notar que a quantidade de publicações de livros escritos por mulheres está crescendo cada vez mais. Embora não haja no Brasil, segundo a Câmara Brasileira do Livro, um sistema de pesquisa que separe por sexo os autores das obras, basta entrar em uma livraria para ver que livros feministas ou de ficção escritos por mulheres estão ganhando espaço crescente nas prateleiras. E, claro, se há um crescimento no volume de publicação é porque a procura também aumentou.

Angela Davis, Djamila Ribeiro, bell hooks, Silvia Federici e Jarid Arraes são algumas das autoras que têm destaque nesse boom editorial, segundo Elisa Ventura, dona e fundadora da livraria Blooks, que investe no recorte de gênero e raça desde a sua fundação.
É um público interessado, atuante, com foco na leitura e isso representa um aumento na procura. Sempre tivemos um espaço para livros com esse recorte e isso facilita a nossa percepção de que o número de publicações de uns anos para cá cresceu muito — reforça Elisa. — Feminismo e gênero não são assuntos que estão na moda. São pautas. As pessoas estão entendendo a importância de discutir sobre isso. Os jovens, que antes não frequentavam livrarias, estão lá buscando esses títulos, participando dos eventos, sendo ativos.
Nas ruas, não é raro ver mulheres carregando títulos com esse recorte — o de gênero. E o acesso a essas informações de uma maneira mais massiva fez muitas delas reviverem um hábito que parecia já ter ficado no passado: os clubes de leitura.

'Enxergo o feminismo como ferramenta de mudança'


O clube Leia Mulheres, por exemplo, está presente em mais de 120 cidades brasileiras e tem mais de três mil livros lidos nos seus quatro anos de existência.

Com reuniões mensais — que recebem cerca de 20 participantes cada —, o clube seleciona autoras dos mais variados países e gêneros literários. As escritoras independentes também têm espaço na lista de leitura. O Leia Mulheres faz, inclusive, parceria com algumas editoras.
As discussões já começam nas nossas redes sociais, que também são uma expansão do que foi discutido no encontro. Toda semana eu recebo e-mail de duas ou três cidades pedindo para o Leia Mulheres formar um grupo de leitura no local. É um crescimento contínuo! — ressalta Michelle Henriques, coordenadora e mediadora do clube.
Nas reuniões, as mulheres encontram um espaço seguro pra compartilhar opiniões, comentar sobre experiências e reflexões que tiveram com aquela leitura, isso motiva muito. Você ler um livro que mexe com você e conversar sobre isso é muito bom.
Esta foi justamente uma das motivações para Alícia Oliveira, uma médica de 44 anos, fundar o Tranças Literárias, um grupo de leitura independente. Ao lado de 15 amigas que compartilhavam o interesse de discutir assuntos pertinentes às mulheres, ela criou um grupo no WhatsApp para escolher um título literário e combinar um encontro para discussão. Com apenas dois meses de existência, o grupo cresceu e já conta com 48 participantes.
O crescimento foi no boca a boca — conta Alícia. — É uma delícia. Tomamos vinho nos encontros, cada uma leva um lanche e discutimos a leitura, a visão feminina, as nossas sensações. As pessoas se juntam para ver série, filme... Por que não podemos fazer isso com livros?
Carolina Alves, de 33 anos, faz parte do Tranças Literárias e é uma das mais ativas no debate. Desde 2016, ela se dedica à leitura de livros feministas, buscando entender as variadas realidades que cercam as mulheres pelo mundo e ter maior embasamento para a sua argumentação.
Eu enxergo o feminismo como uma ferramenta de mudança. Eu quero entender as realidades, embasar os argumentos e levar isso para as pessoas. Eu sou a "chata da reunião de família" que briga com as pessoas — diverte-se ela.
Autoras lésbicas e bi também em destaque
Outro grupo que está ganhando destaque nacional é o Lesbos, que se dedica à leitura de obras escritas por mulheres lésbicas ou bi ou que narrem histórias de personagens lésbicos. Fundado em 2017 por Lídia Bizio e Sol Guiné, o grupo realiza reuniões mensais e já está presente em três cidades: São Paulo, Salvador e Curitiba.

Segundo Lídia, cada cidade tem autonomia para escolher o livro que será lido pelo grupo. Na capital paulista, por exemplo, as mulheres do Lesbos estão organizando a leitura seguindo uma ordem cronológica a partir de 1998; enquanto em Curitiba as autoras estão sendo selecionadas por regiões.
O que eu percebo nas mulheres que participam do Lesbos é que elas se sentem confortáveis e satisfeitas por terem um espaço para conversar sobre a vida, sobre as suas histórias. Essa dinâmica do "vamos sentar e conversar", ser ouvida, compreendida, tudo num espaço seguro, é muito importante — ressalta Lídia.

Clipping Crescem no Brasil clubes de leitura de obras feministas e autoras mulheres, O Globo, por Alice Cravo, 19/07/2019

terça-feira, 23 de julho de 2019

Adriana Melo, quadrinista brasileira da DC Comics, ganha prêmio Eisner 2019

Puerto Rico Strong - Foto: Divulgação / Amazon
A San Diego Comic-Con serve como palco para diversos anúncios relacionados à cultura pop, como a revelação do futuro do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), e até a capa oficial de Death Stranding, aguardado título do produtor Hideo Kojima. Além disto, o evento sediou o Prêmio Eisner 2019, uma premiação voltada aos quadrinhos e poderia ser considerada, inclusive, como o "Oscar das HQs" devido ao nível de relevância.

Enquanto brasileiros, fomos muito bem representados no Eisner pela quadrinista da DC Comics, Adriana Melo, que foi vencedora na categoria Melhor Antologia com a obra "Puerto Rico Strong". Ao Globo, a ilustradora conta que "não tinha tanta expectativa, mas estava torcendo... Foi, sim, uma surpresa muito grande. Não tenho como não dizer que estou muito, muito, muito feliz".

Adriana Melo trabalha na DC Comics
A coletânea de quadrinhos presta apoio à reconstrução e recuperação do país caribenho após o furacão Maria, de 2017, com todos os lucros sendo redirecionados à causa. As HQs contam histórias porto-riquenhas, abordando a diversidade do país em termos étnicos, culturais e de orientação sexual, por meio de narrativas individuais. Além disso, os quadrinhos tratam do fato de Porto Rico fazer parte do território estadunidense, embora uma parcela da população americana não reconheça isto -- e as eventuais dificuldades geradas por esta concepção equivocada.

A antologia é uma produção concretizada por 60 artistas (roteiristas e ilustradores) de nacionalidades variadas. A obra ainda não tem previsão para ser lançada no mercado brasileiro. No entanto, é possível adquiri-la pela Amazon, que entrega no país.

Adriana trabalha na DC Comics e produz conteúdos relacionados a Arlequina, Hera Venenosa, e Homem-Borracha, por exemplo. Você pode acompanhar o trabalho da artista brasileira por meio do Instagram e do Twitter.

Clipping de IGN Brasil, 21/07/2019

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A obra cinematográfica de Agnès Varda em 10 filmes

Cineasta belga Agnès Varda
Nome fundamental da nouvelle vague, cineasta influente na ficção e no documentário, única mulher a ganhar a Palma de Ouro honorária, primeira diretora a ganhar o Oscar pelo conjunto da obra. Estes são apenas algumas das muitas formas de tentar definir a carreira da belga Agnès Varda (1928-2019)

Mas o que pode definir melhor o trabalho da cineasta do que seus próprios filmes? Abaixo seguem dez longas-metragens que marcaram seus mais de 60 anos de carreira. E se estes dez títulos não bastam para resumir uma produção tão vasta, funcionam como uma bela porta de entrada para quem quer conhecer a obra de uma das mais importantes artistas da história do cinema. Confira:

“La Pointe Courte” – [França, 1954]
Um jovem casal visita a vila litorânea de La Pointe Courte, na França, enquanto tenta resolver os seus problemas e lidar com as mudanças que afeta o relacionamento. Aclamado como um dos precursores da nouvelle vague, um dos mais importantes movimentos cinematográficos.
“Cléo das 5 às 7” – [Cléo de 5 à 7, França, 1962]
Seriamente preocupada com a possibilidade de ter câncer, a cantora Cléo aguarda o resultado de uma biópsia. Durante duas horas, das cinco da tarde às sete da noite, ela anda pelas ruas de Paris, conversa em cafés e tenta encontrar algum tipo de paz antes de buscar os exames. Estrelado por Corinne Marchand.

“As Duas Faces da Felicidade” – [Le bonheur, França, 1965]
François é um jovem carpinteiro que parece levar uma vida perfeita ao lado da mulher e dos filhos. Seus dias se dividem entre o trabalho na marcenaria, piqueniques no campo e momentos tranquilos em casa. Mas tudo muda quando ele conhece Emilie, uma funcionária dos correios.

“Uma Canta, a Outra Não” – [L’Une Chante, L’autre pas, França, 1977]
Na Paris dos anos 1960, duas mulheres se tornam amigas: Pomme, aspirante a cantora, e Suzanne, que está grávida e não tem condições de ter um terceiro filho. Pomme empresta a Suzanne o dinheiro para um aborto ilegal e as duas perdem contato. Uma década depois, elas se encontram em uma manifestação.

“Os Renegados” – [Sans toit ni loi, França, 1985]
Durante um rigoroso inverno, o corpo de uma jovem é encontrado congelado em um fosso no sul da França. Por meio de flashbacks e entrevistas, o filme revela os eventos que levaram à trágica morte da garota. Ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Estrelado pela atriz Sandrine Bonnaire.

“Jane B. por Agnès V.” – [Jane B. par Agnès V., França, 1987]
Distanciando-se do formato tradicional das cinebiografias, a diretora constrói Jane B. por Agnès V. como um caleidoscópico de momentos diversos. Nestes fragmentos, a atriz, cantora e ícone fashion Jane Birkin, na época completando 40 anos, interpreta diferentes personagens e, também, a si mesma.

“Jacquot de Nantes” – [França, 1991]
Uma evocação à infância do diretor e roteirista francês Jacques Demy (1931-1990), com quem Agnès Varda foi casada durante quase três décadas. O filme mostra o fascínio do jovem Demy pelo espetáculo, as descobertas do contato com a primeira câmera e sua vocação para o cinema e os musicais.

“Os Catadores e Eu” – [Les glaneurs et la glaneuse, França, 2000]
Neste documentário, Varda compõe um retrato da sociedade francesa viajando pelo país para entrevistar e retratar a vida de diferentes tipos de catadores – dos que trabalham no campo retirando o que sobrou após a colheita aos que atuam nas ruas de Paris em busca do que foi descartado por outras pessoas.

“As Praias de Agnès” – [Les plages d’Agnès, França, 2008]
Uma autobiografia de Agnès Varda no momento em que ela completa 80 anos. A diretora conta sua história e explora suas memórias usando uma variedade de materiais e formatos: fotografias, cenas de filmes, entrevistas, encenações e mais. Premiado como melhor documentário no César.

“Visages, Villages” – [França, 2017]
Varda e JR têm em comum a paixão por imagens e o questionamento sobre como são compartilhadas. Agnès escolheu o cinema; JR, criar galerias ao ar livre. A bordo de um caminhão fotográfico, eles viajam pela França fazendo retratos e ouvindo histórias. Indicado ao Oscar de documentário.

Clipping 10 filmes para conhecer o cinema de Agnès Varda, de Luísa Pécora,  Mulheres no Cinema, 30/05/2018

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