8 de Março:

A origem revisitada do Dia Internacional da Mulher

Mulheres samurais

no Japão medieval

Quando Deus era mulher:

sociedades mais pacíficas e participativas

Aserá,

a esposa de Deus que foi apagada da História

quarta-feira, 21 de março de 2018

Querer censurar obras de arte do passado, com base em valores do presente, gera grandes distorções

"Hilas e as Ninfas": o objetificado é o homem
Sob a desculpa de promover debate a respeito da objetificação do corpo feminino na arte, em fins de janeiro deste ano, o quadro "Hilas e as Ninfas", de John William Waterhouse (1849 – 1917), foi temporariamente retirado de exibição no Museu de Manchester, Inglaterra. A retirada, porém, provocou revolta do público local e até internacional, e o quadro teve que voltar ao seu lugar de origem bem antes do planejado.

No texto abaixo, Laura Ferrazza, doutora em História da Arte pela Sorbonne/PUCRS, analisa a obra e seu ator de forma contextualizada tanto no que diz respeito à época de sua produção quanto no refente à história da arte. Demonstra então que, no quadro em pauta, o objetificado é o homem, Hilas, e os sujeitos do desejo são as ninfas. Assim aponta para as distorções que ocorrem quando se projeta sobre o passado os olhos do presente. E questiona as tentativas de censura de obras antigas que não se encaixam nas exigências da correção política atual. Sempre vale lembrar que a arte não tem que bater continência nem para o moralismo de direita nem de esquerda nem de qualquer facção.

A Maldição e a Beleza

Em fins de janeiro deste ano, o museu de Manchester, no interior da Inglaterra, mandou retirar de sua exposição permanente o quadro “Hilas e as Ninfas”, de 1896, de autoria de John William Waterhouse (1849 – 1917). Além do quadro propriamente dito, os souvenires inspirados na pintura também sumiram da loja do museu. A decisão, segundo curadores, era suscitar o debate sobre a objetificação do corpo feminino na arte e na exposição permanente do espaço. Na parede onde antes ficava a obra, foi fixado um texto explicando ao público os motivos da desaparição. O público foi estimulado a expressar sua opinião em post-its, a serem fixados no mesmo local. A retirada de uma das obras mais emblemáticas do acervo provocou, de fato, rápidas e loquazes manifestações. As declarações dos visitantes, bem como dos internautas nas redes sociais ficaram bem divididas: alguns afirmaram que retirar a obra significa abrir um precedente perigoso, pela rendição à tendência de se apagar ou censurar a produção visual do passado; outros elogiaram a decisão por considerá-la politicamente correta.

Segundo a equipe do museu, a retirada seria temporária. Tanto o desaparecimento da obra quanto as reações do público seriam registradas pela artista contemporânea Sonya Boyce em uma obra que integraria uma próxima exposição. Contudo, o repúdio do público intensificou-se tanto na esfera local quanto na internacional, e o quadro acabou retornando a seu local de origem após apenas sete dias, bem antes do prazo programado. A curadora Clare Gannaway defendeu o projeto afirmando que, no período em que a obra fora produzida, “as personagens femininas aparecem como objetos passivos e decorativos ou como mulheres fatais.”

Todo esse alvoroço aguçou meu desejo de refletir mais sobre a referida pintura e seu autor e sobre as visões do feminino na arte do período, para tentar entender como uma produção de mais de cem anos pode se tornar objeto de tamanho debate nos dias atuais.

Autor e obra contextualizados

Comecemos pelo autor da obra. Afinal, quem foi Waterhouse? Nascido em Roma em 1849, filho de artistas ingleses, foi para Londres em 1853. Ingressou na Academia Real Inglesa em 1871, formando-se em 1888, época em que já estava produzindo ativamente. Continuou pintando até 1915, quando um câncer o obrigou a abandonar o trabalho. Em 2 de fevereiro de 1917, um dia após seu falecimento, uma nota no jornal Times de Londres o descreveu nos seguintes termos: “Este pintor pré-rafaelita pintava de uma maneira moderna.”

A Irmandade Pré-Rafaelita foi fundada em 1848 por três artistas: Dante Gabriel Rossetti, John Everett Millais e William Holman Hunt. O grupo iria influenciar a pintura inglesa de toda segunda metade do século XIX. O nome indicava uma oposição à arte inspirada no modelo clássico do Renascimento, personificada na figura do pintor italiano Rafael de Sanzio (1483 – 1520), que exaltava as formas perfeitas. Esse era o modelo seguido pela academia de arte inglesa. Tomando a corrente contrária, o grupo pretendia explorar, entre outros temas, o romance medieval e mesmo temas míticos, mas de maneira diferente do que acontecia na arte tradicional. O grupo oferecia aos novos artistas uma direção alternativa à arte acadêmica da época, e Waterhouse sucumbiu a esse apelo.

A confraria pré-rafaelita se dissolveu em 1862, mas seus protagonistas tiveram carreiras longevas. Seguiram produzindo e formando novos artistas com tendências semelhantes. Além da exploração de temas cavalheirescos, o espírito pré-rafaelita primava pela precisão no traço e a atenção aos detalhes. Waterhouse embebeu-se desse espírito, mas também foi influenciado pelas paisagens de pinceladas fluídas dos Impressionistas franceses e os temas carregados de simbologias obscuras do movimento Simbolista, também francês. Em suma, observou as transformações na arte do mundo ao seu redor e, a partir disso, desenvolveu um estilo único.

Na década de 1880, Waterhouse tornou-se conhecido como “o pintor das feiticeiras”. Isso, por haver transformado as mulheres no tema principal de suas pinturas. Em sua obra, abundaram, de fato, as criaturas mágicas – mas havia também mulheres de outros tipos. Suas figuras femininas eram inspiradas em personagens literárias medievais ou da antiguidade greco-romana; nesse sentido, a literatura inglesa da segunda metade do século XIX teve grande influência sobre as escolhas artísticas de Waterhouse e dos demais pintores pré-rafaelitas. Na primeira metade do século, a figura literária dominante era masculina: os heróis byronianos, libertinos, sedutores, rebelados contra a autoridade divina. Na segunda metade, ocorre a ascensão da mulher fatal, às vezes anjo luminoso, às vezes demônio crepuscular. Nesse contexto, os artistas pré-rafaelitas, situados entre o romantismo e o movimento decadentista do fim de século, haverão de criar uma imagem ambivalente da feminilidade.

Waterhouse representou uma mulher multifacetada, que podia desempenhar diferentes papéis. Em suas telas, encontramos heroínas, mártires, santas e bruxas. Isso é notável se pensarmos no contexto em que produziu suas obras: a era Vitoriana (reinado da Rainha Vitória, de 1837 a 1901) e a era Eduardiana (reinado de Eduardo VII, de 1901 a 1910). Foi nesse período que as mulheres inglesas iniciaram sua luta por igualdade social, como, por exemplo, o movimento das sufragistas, que data de 1897. Por outro lado, foi também um período de repressão contra a sexualidade feminina. Waterhouse mostra-se sensível a essas questões ao escolher figuras femininas como protagonistas e, muitas vezes, únicas personagens em suas telas. As mulheres de Waterhouse são poderosas, feiticeiras que comandam os acontecimentos, ou figuras livres, que exibem sua própria nudez sem pruridos.

Um dos motivos da recente polêmica em torno à tela “Hilas e as Ninfas” é a representação de um grupo de jovens nuas. A questão do nu, por sinal, estava no coração do debate artístico inglês na segunda metade do século XIX. Antes disso, na arte britânica, o nu era tido como um gênero menor, até mesmo vulgar. É por volta de 1850 que os críticos de arte reconhecem a ausência do nu como uma carência na tradição acadêmica do país; surge então a ideia do nu inglês. A Inglaterra desse período cria seu estilo de nu a partir da união entre três vertentes: o idealismo limpo do neoclassicismo francês, a volúpia dos nus italianos (principalmente venezianos) e o realismo inglês. Dessa maneira, os pintores ingleses produziram a imagem enigmática e sedutora, vulnerável e independente da mulher vitoriana. Sobre o véu literário e mitológico, haverá de esconder-se uma sensualidade bastante subversiva.

Em "Hilas e as Ninfas" é o homem o objetificado

Nas telas de Waterhouse, assim como em outros pintores pré-rafaelitas, a Antiguidade não é a dos grandes deuses do Olimpo, nem dos músculos modelados sob as vestes. O que interessa é a sensualidade das pequenas figuras, principalmente as femininas. Um exemplo é o próprio episódio que inspirou a tela “Hilas e as Ninfas”. Hilas tornou-se escudeiro do semideus Herácles ‒ ou Hércules ‒ após ser poupado por ele em uma batalha. Héracles encantou-se pela beleza do rapaz, e juntos embarcaram na expedição dos Argonautas. Em uma parada na ilha de Mísia, Hilas foi apanhar água junto à fonte Pegea, onde vivia um grupo de náiades (ninfas dos lagos e das fontes). Encantadas pela beleza do jovem, as ninfas o atraíram para dentro das águas e fizeram com que se afogasse; em outra versão, conferiram-lhe vida eterna e permitiram que morasse para sempre na fonte, junto delas. O fato é que Hilas nunca mais foi visto; Héracles pôs-se a procurar seu efebo pela ilha e perdeu a partida do navio Argos. O quadro de Waterhouse revela o instante mesmo em que Hilas sucumbe às ninfas e sela seu destino. É uma espécie de maldição da beleza: nesse caso, a beleza de Hilas, que desperta a cobiça das ninfas e o leva ao fim trágico. Ou seja: aqui, ironicamente, quem parece ser o objeto do desejo é o homem, e não as moças. Na pintura, o transbordamento amoroso e o êxtase são sugeridos de forma controlada, e a nudez dialoga com o tema: é principalmente nos olhares incisivos e nos gestos contidos que a sedução acontece.

A cena se desenvolve num ambiente natural com densa vegetação, onde se destacam os corpos nus das ninfas e seus olhares, que demonstram perfeitamente o poder de atração. Numa época de repressão sexual feminina, mulheres nuas, que conduzem os acontecimentos, não deixam de representar uma certa transgressão. A natureza selvagem em torno aos personagens é outro subterfúgio para sugerir aquilo que não pode ser dito explicitamente. O jogo de cores intensas na paisagem revela a pulsação amorosa. Assim, a natureza encarna a faceta da sensualidade irreprimida e florescente.

Será possível julgar o passado de forma definitiva com os olhos do presente? Por um lado, é inegável que o presente está permeado de passado; mas também existe uma distância e um contexto diverso. É problemática a exigência de que a visão dos corpos, do feminino, das mulheres satisfizesse, na era vitoriana, todas as exigências da correção política atual. Como tentei demonstrar, na verdade, há um tipo de transgressão em afrontar uma época cerceadora com a imagem de um corpo feminino nu e naturalizado; há uma homenagem em colocar-se a mulher como feiticeira, quando as ideias de igualdade entre os sexos incendeiam mentes e levam bandeiras para as ruas.  Contudo, hoje, parece que o passado sempre ‒ e somente ‒ pecou; há o perigo da distorção, de vermos apenas o que desejamos ver nas imagens que nos chegam de outras eras. Parece tentador apontar apenas os erros do passado, mas isso pode levar a interpretações dúbias, ao apagamento de comportamentos sobre os quais podemos, sim, refletir e formar uma opinião crítica; o problema é o desejo de silenciar. O episódio de “Hilas e as Ninfas” demonstra a potência das imagens que, ao atravessar os tempos, chegam a nossa contemporaneidade para gerar novas, profundas e às vezes bastante complexas reflexões.

Laura Ferrazza é doutora doutora em História da Arte pela Sorbonne/PUCRS e pesquisadora do PPG de História da UFRGS

Fonte:  O Estado de São Paulo, 24/02/2018

segunda-feira, 19 de março de 2018

Jessica Jones: uma heroína à revelia e o amor entre mulheres



Terminei de assistir a segunda temporada da Jéssica Jones e gostei. A maioria achou a primeira temporada o máximo e vem criticando essa segunda. Pra mim foi o contrário. Detestei a primeira temporada, com exceção da cena em que ela mata o vilão da história (acho que não é mais spoiler passado tanto tempo). Achei o vilão muito vilão de HQ mesmo, sem uma boa transposição para a tela.

Mas desta segunda gostei. Explica as origens dos poderes da Jessica, introduz a mãe dela supostamente morta e mais poderosa do que a filha, desenvolve mais os personagens coadjuvantes.

Pra quem gosta do binômio mocinha-vilão, vai ser meio decepcionante porque não há um vilão muito evidente e os aparentes vilões não são tão vilões quanto parecem. Todo mundo às voltas com seus defeitos e fraquezas, anseios e dramas, mas também com seu lado positivo e heroico, em particular a própria Jessica.

Gostei especialmente do amor entre mulheres da série. Tem o amor sexual da advogada Jeri Hogarth por mulheres, mas nada panfletário, graças a Zeus. Sexualmente, a maioria é hétero, faz sexo com homens, mas a história de amor é entre mulheres. Amor de mãe e filha, amor de irmãs, amor de amigas. A relação da Jessica com a mãe é conflitiva, mas intensa, bonita e triste. 😭Sua relação com a irmã adotiva, a Trish, também é intensa, e as duas estão dispostas até a morrer uma pela outra, mas nesta edição não tem happy end entre elas. Aliás, a personagem da Trish é a que sofre a maior reviravolta e promete bom desenvolvimento na próxima temporada.

Enfim, consegui desta vez sentir empatia pela rabugenta, alcoólica, meio autodestrutiva, mas muito humana e, à revelia, heroica Jessica Jones. Recomendo. 💗
--------------------------------------------------------------------------------------------
P.S. Alerta de spoilers nível hard (Resumão da segunda temporada a partir da trajetória das duas principais protagonistas, Jessica Jones e Trish Walker)

A segunda temporada de Jessica Jones se centrou na busca de Trish pela origem dos superpoderes de Jessica, encampada depois pela própria, desenvolvendo-se em duas narrativas que convergem e divergem durante os treze episódios da trama. Nos primeiros episódios, as duas narrativas, que têm Trish e Jessica como protagonistas, convergem, e as irmãs permanecem juntas na investigação da organização paramilitar IGH, a mais provável responsável pelos superpoderes de Jessica pois, além de fazer drogas para aumentar o desempenho e a resistência de soldados em guerras, também realizava experimentos genéticos em pacientes gravemente doentes sem consentimento. Com a reaparição de Wilson Simpson, ex-namorado de Trish da primeira temporada, fica-se sabendo que ela estava na mira de quem não queria a continuidade das investigações. Simpson inclusive morre na defesa de Trish que herda sua bolsa cheia de armas e do inalador que ele usava para aumentar sua força e resistência em combate.

Enquanto as investigações prosseguem, Trish faz um chamamento, em seu programa de rádio, para que uma das cientistas que descobriram estar ligada à IGH aparecesse para dar uma entrevista. A cientista liga para o estúdio e marca um encontro com a radialista em um bar. Por precaução, Jessica vai no lugar de Trish para fazer a entrevista e descobre que a suposta cientista é uma mulher mais poderosa do que ela própria. Depois de uma conversa pouco amistosa que degenera numa luta entre Jessica e a suposta doutora, esta foge arrebentando o bar e já na rua escalando um prédio alto. Jessica tira uma foto da mulher e passa a tentar identificá-la. Descobre outro nome, ligado à IGH, de outra mulher que havia trabalhado com o Dr. Karl Malus, um dos cientistas da organização. Com Trish, Jessica consegue localizar a mulher, que havia se tornado moradora de rua e havia sido enfermeira na clínica onde Malus trabalhava e tratava a mulher que Jessica tinha fotografado. A ex-enfermeira, Inez, descreve a mulher da foto como um monstro que havia matado outra das enfermeiras da clínica e a teria ferido gravemente. Jessica e Trish levam então Inez para ficar sob custódia da advogada Jeri Hogart.

Na continuidade das investigações, Jessica flagra o Dr. Malus num aquário da cidade junto com a mulher superpoderosa. Ao avistar Jessica, ela e o médico fogem, durante a fuga, ele aplica um tranquilizante na mulher e escapam em um carro. Acompanhada de Trish, Jessica questiona o dono de uma loja que tinha câmera externa e podia identificar o carro dos fugitivos, o que de fato ocorre. Nesse ponto, as narrativas de Trish e Jessica divergem momentaneamente. Enquanto Trish, se vê às voltas com os efeitos do inalador de Simpson que passara a usar de forma recorrente, Jessica segue na busca agora da localização do Dr. Malus e a mulher toda poderosa. 

Na narrativa de Trish, vamos encontrá-la cada vez mais pilhada com o uso do inalador. Transa com Malcom, assistente de Jessica na empresa de Alias Investigations, dá piti em seu show de rádio que abandona abruptamente, sai na porrada (ela que já treinava Krav Maga) com estranhos em ônibus e na rua, quando inclusive salva Malcom de uma surra de três baderneiros. Numa dica de que ela viria a ser a Felina, na temporada 3, Trish arranha a cara de um dos atacantes de cima a baixo. 

Enquanto isso, na narrativa de Jessica, a detetive finalmente encontra a casa onde moravam a mulher misteriosa e o Dr. Karl Malus à beira de um lago. Faz então uma descoberta chocante: a mulher toda poderosa que andara matando uns e outros para proteger seu segredo era sua mãe, Alisa, que supunha morta no acidente que vitimara a ela, Jessica, e a sua família. A partir desse ponto, Jessica vai oscilar várias vezes, durante o restante da temporada, entre o anseio de conhecer e ficar com a mãe e a necessidade de aprisioná-la porque, em consequência dos procedimentos a que fora submetida, a mulher não tinha controle sobre seus impulsos violentos. Assim, ainda na casa de Malus e da mãe, Jessica consegue chamar a polícia, Malus foge, mas Alisa fica com ela. Enquanto, aguardam a chegada das viaturas, entre conversas sobre o passado da família Jones, Jessica decide fugir com a mãe para seu apartamento na cidade enquanto não decidia o que fazer definitivamente. Após um novo episódio onde a mãe demonstra seu instinto assassino, Jessica decide entregá-la à polícia, mas tenta um acordo, com auxílio da advogada Jeri Hogart, para que a mãe não fosse enviada à prisão de máxima segurança, chamada a Balsa, para onde eram enviados criminosos com superpoderes. A mãe aceita assinar o acordo desde que Jessica consiga tirar Karl Malus, o cientista que a tratara e com quem casara, do país. Jessica promete fazê-lo e localiza Malus, em um quarto de hotel, onde lhe diz que lhe arrumará passaporte falso para que pudesse fugir para Montevidéu. Busca então Oscar, um seu ficante, para falsificar os documentos de Malus.

De volta à narrativa de Trish, vemos que recebe convite de um programa de rádio do qual sempre quisera participar, graças ao seu discurso pilhado no Trish Talk, mas descobre que a droga acabara e toda a pilhação que a levara a chamar atenção do produtor se fora. Falha no teste, mas ouve no estúdio que a assassina superpoderosa fora presa por Jessica. Decidida a dar um furo de reportagem, liga para a irmã, que a convida a ir a seu apartamento, onde também se encontra com Malcom. Jessica conta a eles que a assassina era sua mãe, e Trish desiste de fazer a matéria, mas não de encontrar o Dr. Malus, apesar da amiga dizer-lhe que o assunto estava encerrado. 

Trish informa que estava limpa, inclusive porque a droga acabara, mas de fato vai buscar o resultado da análise dos resíduos da droga do inalador, que queria replicar, num laboratório. Descobre que a droga era altamente tóxica, mas que não havia como rastrear sua origem. Trish então consegue autorização para falar com Alisa na cadeia, em busca de informações sobre Karl, porque supostamente queria impedi-lo de repetir suas experiências. Numa óbvia disputa pelo afeto de Jessica que terá consequências fatais posteriormente, Alisa diz que Trish tem inveja dos poderes de sua filha e de que Jessica sempre escolheria a mãe e não a irmã adotiva. 

Trish volta a conversar com Jessica e percebe que ela estava trabalhando para tirar Karl do país. Resolve então transar com Malcom a fim de convencê-lo a invadir o PC de Jessica em busca da localização do cientista. Encontra as fotos de Karl tiradas a fim de falsificar seu passaporte e, através delas, localiza seu endereço e diz que vai atrás dele. Não contava que Malcom quisesse ir com ela, porque, de fato, Trish queria encontrar o cientista para que ele reproduzisse nela o experimento que dera superpoderes a Jessica. Por isso, quando chegaram ao hotel onde estava Karl, Trish golpeia Malcom na cabeça, e o coloca no porta-malas do carro. Convence o Dr. Malus a operá-la, o que ele aceita sem maiores problemas. Saem em busca de material do cientista e outros ingredientes para fazer a fórmula que seria utilizada na cirurgia de Trish. Nesse ínterim, Malcom consegue escapar do porta-malas e Jessica também aparece para tentar em vão impedir Trish de fugir com Malus.

Aparelho agulha a droga criada por Malus ao longo da coluna de Trish

Malcom lembra do logo da loja que vira no saco que Malus carregava, e ele e Jessica correm para o estabelecimento. Lá descobrem com a atendente que Malus comprara vacina contra cinomose felina (outro indício de que Trish viria a ser a Felina) e Telazol, um anestésico. Jessica cai em si de que a irmã não estava tentando replicar a droga do inalador e sim o experimento que lhe dera superpoderes. Desesperada corre para a fábrica abandonada da IGH, onde consegue impedir a cirurgia a tempo de salvar Trish que já estava com convulsões e sangrando pela boca na mesa cirúrgica. Diz então para Malus que ele estava acabado, o que o leva a cometer suicídio atirando nos balões de oxigênio do local, não sem antes permitir que Jessica carregue Trish para fora do local. Vale destacar o diálogo que Trish teve com Malus antes do início da cirurgia por ser definidor da escolha existencial da personagem. Malus alerta Trish sobre os riscos do procedimento e pergunta se ela não queria mudar de ideia. Ela responde: “Você sabe o que é se sentir impotente?” Ele responde: “todo o mundo sabe”. Ela retruca: “nem todo o mundo teve uma mãe abusiva e uma irmã superpoderosa. Só quero ajudar pessoas que não podem se ajudar.”

Jessica leva Trish para o hospital em estado crítico. Dorothy também aparece para cuidar da filha. Nesse ínterim, na cadeia, Alisa, que assistia de sua cela a televisão da guarda da prisão, ouve a notícia de que Karl havia morrido na explosão da fábrica abandona da IGH e que a última pessoa a tê-lo visto era apresentadora Trish Walker, conforme foto tirada por uma fã. Alisa, fica fora de si, começa a gritar e a chorar dentro da cela. Quando a guarda resolve entrar na cela pra lhe perguntar o que se passava e se queria alguma medicação. Alisa a joga contra a parede (não dá pra saber se a mata) e consegue fugir da cadeia. Transtornada, procura Trish primeiro na rádio onde ela fazia seu Talk Show e ataca alguns participantes do programa. No estúdio, vê pela TV que Trish estava num hospital e se encaminha para lá. No quarto de Trish, tenta mata-la no que é impedida por Jessica, mais na base da súplica do que da força. A polícia chega e Alisa se atira pela janela levando uma das detetives que viera prendê-la na queda. Foge para o trailer que havia roubado, mancando pelo tiro, na perna, que levara da detetive. Jessica conversava com Trish que recuperara a consciência, quando recebe chamada da mãe que quer se encontrar com ela. Trish diz que poderiam usar seu apartamento, onde estava o armamento de Simpson, guardado em seu armário, e que Jessica precisava matar a mãe, pois era a única poderosa o suficiente para conseguir o feito.
Jessica vai encontrar a mãe, dizendo-lhe que ia manda-la para a Balsa, mas acaba raptada por ela. Quando acorda, está no meio de uma rodovia já distante de Nova York. Novamente, aqui Jessica se torna ambivalente em relação a mãe que lhe convence de que podia ter seus surtos de cólera controlados pela filha. Decide então não só acobertar a fuga da mãe quanto acompanhá-la na escapada. Encontra-se com Oscar, a quem decide pedir documentos falsos para ambas, mas acaba perseguida pela polícia de quem foge para se reencontrar com a mãe. De volta ao trailer, Jessica recebe chamada de Costa pelo celular do garoto de uma família que ela e a mãe haviam ajudado num acidente e ficara no trailer. Costa diz que Jessica devia entregar a mãe, pois esta já havia cruzado uma linha sem volta, mas que  Jessica ainda não. Que estava sendo cúmplice da mãe e que ele não queria que ela se machucasse. Jessica quebra o aparelho, mas Alisa se dá conta de que não poderia deixar Jessica ser morta por causa dela, embora Jessica insista em encontrar outra solução.

Enquanto isso, no hospital, Trish começa a passar mal e a dizer que estava morrendo. Pede para a mãe segurar sua mão porque estava com medo e, repentinamente, parece morrer realmente. Logo em seguida, porém, começa a ter convulsões, para desespero da mãe que chama os médicos. Quando volta a si, pede água à mãe e em seguida pergunta sobre Jessica. Diz que precisa ir ajudá-la, e a mãe a repreende com dureza. A médica diz que sua pulsação estava forte e que o vírus havia desaparecido de seu corpo, mas ainda era necessário colher exame de urina e fezes. 

Logo depois, Trish recebe visita do detetive Costa que queria ver se Trish sabia de algum lugar em Westchester onde Jessica poderia estar escondida. Trish não acredita quando Costa diz que Jessica estava ajudando a mãe a fugir, pois a irmã não poderia estar ajudando uma psicopata que tinha tentado matá-la, que Jessica simplesmente não a deixaria. Costa diz que a ligação com as mães era poderosa, não importando quão maluca pudesse ser. Trish mente então sobre o possível paradeiro de Jessica, pois de fato sabia que o parque de diversões de Westchester, chamado Playland, era onde Jessica e a mãe iam brincar na roda-gigante antes do acidente que acabara com a família Jones. Costa então diz que vai tentar trazer Jessica de volta a salvo. Trish pergunta: “vai tentar?” Temendo perder Jessica fosse para a mãe ou para um tiro da polícia, Trish levanta da cama e vai tentar encontrar a amiga.

Em Westchester, enquanto Jessica diz que havia encontrado um veleiro no píer próximo que poderiam tomar para escapar da polícia, Alisa deixa claro que desistira da fuga porque não podia arriscar que Jessica fosse morta por causa dela. Invade o parque Playland e sobe num dos bancos da roda-gigante que coloca para funcionar. Jessica a acompanha, tentando fazê-la mudar de ideia, e Alisa a aconselha a abraçar o papel de heroína porque, por mais duro e doloroso que pudesse ser, alguém precisava se incomodar com as coisas e fazer algo a respeito. E que Jessica fora a coisa mais importante que fizera. Mal acabara de dizer isso e cai morta por um tiro disparado por Trish.

Chocada, Jessica salta do banco da roda-gigante e parte pra cima de Trish, derrubando-a. Pega o revólver que matara sua mãe e o aponta para a amiga. Trish pede para Jessica poupá-la porque teve que atirar antes que Alisa a matasse, que a polícia teria atirado nas duas. E que ela tinha que salvá-la. Controlando a raiva e a dor, Jessica diz para Trish correr. Depois, a polícia a encontra junto ao corpo da mãe, com a arma de Trish na mão e supõe que fora ela a executar Alisa.

Posteriormente, Jessica encontra Trish na porta de seu apartamento. Ela se desculpa pelo que fez, embora insistisse que não tinha havido outro jeito, que, se não fosse ela, teria sido outra pessoa. Jessica então responde que não tinha que ter sido ela, Trish, a matar sua mãe. Que ela, Jessica, havia perdido a única família que tinha, que agora olhava para Trish e não via mais a irmã e sim a pessoa que havia matado sua mãe. Trish vai embora, secando uma lágrima, mas, enquanto esperava o elevador, uma moradora que sai dele de costas bate nela sem querer e Trish derruba o celular que tinha nas mãos, mas consegue apará-lo com o dorso do pé. Indicação de que a cirurgia do Dr. Karl talvez não tivesse fracassado afinal.


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Curtas de animação para aprender filosofia, sociologia e política

De Platão a Foucault: 136 curtas de animação para aprender tudo sobre filosofia, sociologia e política

A empresa especializada em educação online Macat produziu uma série de animações curtas sobre as principais teorias de grande pensadores da humanidade. Ao todo, são 136 vídeos com duração de aproximadamente três minutos cada. Todos eles foram disponibilizados gratuitamente no canal da instituição no Youtube. Os temas abordados são bastante amplos, contemplando desde filosofia clássica, com os pensamentos de Platão e Aristóteles, até a filosofia moderna, de Foucault e Judith Butler.

Além deles, as animações abordam também os principais pensamentos de Charles Darwin, em “A Origem das Espécies”; Sun Tzu, “Arte da Guerra”; Aristóteles, “Política”; Henry David Thoreaus, “A Desobediência Civil”; Sigmund Freud, “A Interpretação dos Sonhos”; Virgina Woolf, “Um Teto Todo Seu”; Max Weber, “A Política como Vocação”; Thomas Hobbes, “Leviatã”; Immanuel Kant, “Crítica da Razão Pura”; Friedrich Hegel, “Fenomenologia do Espírito”; Levy Strauss, “Antropologia Estrutural”; Karl Marx, “O Capital”; Friedrich Nietzsche, “Para Além do Bem e do Mal”; Hannah Arendt “A condição Humana”; Simone de Beauvoir, “O Segundo Sexo”; entre outros.

Os vídeos estão disponíveis apenas em inglês, no entanto é possível utilizar o serviço de legendas automáticas do Youtube, que pode ser ativada no canto inferior direito da tela de reprodução.

Exemplo:


Fonte: Revista Bula, Web Stuff, por Jéssica Chiareli

sábado, 27 de janeiro de 2018

Márcia Tiburi não quis papo com Kim Kataguiri embora tenha escrito livro "Como conversar com um fascista"


Márcia Tiburi conseguiu aparecer na semana em que Lula foi condenado a 12 anos de cana. Ela abandonou uma entrevista na Rádio Guaíba, pelo radialista Juremir Machado da Silva, na quarta (24), após saber que teria que dividir o programa com Kim Kataguiri, um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL). Ao ver o ativista chegando ao estúdio, deu piti:
Credo! Eu não vou sentar com este cara, Juremir. Gente, acabei de encontrar Kim Kataguiri. Estou fora, meu! Tá louco, vou embora, Juremir“, reclamou Márcia.
Vou chamar um psiquiatra. Desculpa, não dá para mim. Me avisa da próxima vez quem tu convida para teu programa. Tenho vergonha de estar aqui. Que as deusas me livrem. Não falo com pessoas assim que são indecentes, perigosas. Tenho até medo de estar aqui.“
Surgiu uma oportunidade de trazê-lo. Cometemos um erro, deveríamos tê-la avisado“, justificou o apresentador.
Eu também não ia querer debater com o Kim Kataguiri, ainda mais sem ser avisada. Kataguiri é um oportunista que joga pra plateia conservadora a fim de que ela o eleja. Alimenta o que há de mais reacionário e obscurantista no país com esse objetivo. É fundamentalmente um desonesto.

Problema que, ao contrário da Tiburi, eu não escrevi livro intitulado "como conversar com um fascista" nem apoio ninguém com 6 processos nas costas em andamento, já condenado em duas instâncias, o que na visão de muitos é um bocado indecente. Tiburi se enforcou com a própria corda. Devia tomar mais cuidado com o que diz.




Compartilhe

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites