8 de Março:

A origem revisitada do Dia Internacional da Mulher

Mulheres samurais

no Japão medieval

Quando Deus era mulher:

sociedades mais pacíficas e participativas

Aserá,

a esposa de Deus que foi apagada da História

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Vermelhos ou Capitalismo para Todos

Ilustração de Carvall
Haviam me passado o texto abaixo em março deste ano, via e-mail, mas, naquelas limpezas meio afoitas que fazemos de nossas caixas de entrada, acabei deletando a mensagem e não lembrava mais o nome do texto. Do seu conteúdo de fina ironia, contudo, não esqueci. Tanto que adotei o delicioso mote Capitalismo para Todos (que síntese de tanta coisa!) e parafraseei a autora ao dizer que "entre a esquerda e a direita, sou livre para pensar".

Mas, lembrando do nome da autora, a Fernanda Pompeu, escritora e redatora freelancer, consegui resgatar o texto e sua fonte que segue ao fim da postagem. Vale a leitura. Traça também a trajetória de muitos de minha geração.

Vermelhos
por Fernanda Pompeu

Tenho para mim que a filha de um pastor evangélico, por mais ateia que se torne, nunca se sentirá confortável na profissão de stripper. Da mesma forma a filha de uma cozinheira, por mais apressada que esteja, nunca engolirá o slogan dos alimentos de caixinha: "Aqueça e Pronto". A filha de um pedreiro jamais dormirá segura dentro de uma barraca de camping.

É claro, quando adultos, vamos nos desprendendo dessas heranças fundamentais. Muitas vezes até nos insurgimos. Um caso é o do político Carlos Lacerda (1914-1977). Filho de um entusiasta do socialismo, seu nome é Carlos em homenagem ao Karl Marx e Frederico em homenagem ao Friedrich Engels. O Carlos Frederico Lacerda acabou entrando para a eternidade como um feroz anticomunista. 

Cito o Lacerda por conta de uma lembrança anedótica da minha infância carioca. O ano era o fatídico 1964. Numa rádio, Lacerda fazia um discurso lambisgoio e laudatório ao golpe militar. Meu tio, sindicalista da cabeça aos pés, ouvia raivoso. Eu sempre gostei do nome Carlos e também para desafiar o tio Walter, gritei: "Viva o Carlos Lacerda!" 

Então meu tio correu atrás de mim com um chinelão em punho. O alvo era o meu traseiro. Eu me safei daquela. Neta de tenentista, filha e sobrinha de comunistas, o que eu esperava? Ainda tem gente que pergunta se eu sou comunista. Respondo: só de família. Passadas tantas ideologias debaixo do meu nariz, o único ista de que não abro mão é o de flamenguista. Por enquanto.

Mas tal como a filha do pastor, a filha da cozinheira e a do pedreiro, sempre serei filha de um comunista. Sempre desconfiarei dos bancos e dos patrões. Agora se me perguntassem qual o sistema ideal, eu não titubearia: capitalismo para todos! Sonho que cada habitante da Terra, além de moradia, saúde, educação e de quatro refeições por dia, tenha direito a um iPad.

Ser filha de um comunista me trouxe muitas vantagens. Por exemplo, ter lido na adolescência os melhores escribas do século XIX. A brilhante literatura de Dostoiévski, Tolstói, Gogól, Tchecov. Tudo pela casualidade deles serem russos. Soviéticos, segundo meu pai. E desvantagens: só fui ler Borges e Nelson Rodrigues nos anos da faculdade. Meu pai e meu tio os vetavam por reacionários. 

Na Escola de Comunicações e Artes da Usp, em 1977, me tornei ativista da Liberdade e Luta – tendência estudantil monitorada por uma organização trotskista. Entre as tendências, a Liberdade e Luta, Libelu, era a mais aguerrida e determinada no combate à camarilha militar. Porém, o mesmo ódio que dedicava à ditadura, dedicava aos militantes do Partidão – apelido histórico do Partido Comunista Brasileiro. 

O PCB, através do meu pai e do meu tio, havia sido na minha casa tão reverenciado quanto é o Papa nas famílias católicas. Nunca me esqueço do dia que meu pai, com uma imensa mágoa, me mostrou um panfleto assinado pela Liberdade e Luta descendo o cassete nos velhos comunistas, acusando todos eles de stalinistas e traidores da classe operária. 

Eu até que aguentei firme o embate entre a tradição familiar e a minha descoberta de juventude. Acho que o que eu queria, e ainda quero, era pensar livremente. Não demorei para perceber o sectarismo e autoritarismo dos dirigentes da Liberdade e Luta. Um belo dia, a direção decretou que marihuaneros e delirantes seriam expulsos da tendência estudantil. 

Quem me salvou, naquela altura, foi o feminismo. Na época, deliciosamente libertário. Feminismo desprezado tanto pelo Partidão quanto pela Libelu, que insistiam que as reivindicações das mulheres eram blablablá burguês. A filósofa e ativista do movimento negro Sueli Carneiro uma vez me disse uma frase inesquecível: "Entre a esquerda e a direita, eu sou negra". 

Daí parafraseei: Entre Josef Stalin e Leon Trotsky, eu sou mulher.

Hoje admiro as vidas de lutas do meu pai e do meu tio, ambos fiéis ao socialismo. Também trago boas lembranças da minha juventude libelu que, ao menos, me fez gostar de rock and roll e de certa irreverência.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

30 anos do Kid Abelha: Paula Toller pode levar as pessoas a pecar

Paula Toller, possível via do pecado
Achei muita graça ao ler um texto de um desses conservadores religiosos falando sobre o aniversário de 30 anos da banda de pop-rock Kid Abelha. O evento foi pretexto para o religioso dissertar sobre os perigos da música secular no sentido de evocar sentimentos libidinosos e levar o fiel a pecar. 

Não creio que a referência à banda tenha sido casual. Embora o Kid faça um dos pop-rock mais ingênuos do mercado (apesar das letras mais adultas com o envelhecimento do trio), a presença de Paula Toller na banda pode de fato levar algumas pessoas a pensamentos impuros...kkkkk

Daí que, em defesa dos pensamentos impuros e em homenagem à banda por seus 30 anos de estrada, publico a Paulinha desfiando os hits do Kid, com aquela vozinha tão "libidinosa", em dois vídeos. Tem também Multishow ao Vivo - Kid Abelha 30 Anos, no iTunes. E um viva ao prazer dos sentidos!!!  



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Uma reflexão pra lá do ramerrão "esquerda x direita" sobre os rumos do capitalismo

André Lara Rezende
Encontrei o texto abaixo, do André Lara Resende, no blog do professor Roberto Romano e decidi publicá-lo também por aqui pelo sucinto resgate histórico da origem e desenvolvimento do assim chamado, sobretudo pelas esquerdas, capitalismo e pela análise equilibrada do mesmo feita pelo autor. Ele vai bem além da polarização maniqueísta "esquerda x direita" e apresenta questionamentos importantes sobre esse sistema que tem, em seu sucesso, sua maior fraqueza. E conclui, fazendo as perguntas pertinentes ao nosso mundo do século XXI:

"Primeiro, como reduzir a disparidade dos padrões de vida, sem continuar a aumentar a intermediação do Estado e restringir as liberdades individuais. Segundo, como reverter o consumismo, a insaciabilidade material, sem reduzir a percepção de bem-estar. São grandes desafios, sem dúvida. A competição capitalista parece-me imprescindível para que seja possível encontrar as respostas aos problemas criados pelo seu sucesso. Só a pluralidade das ideias, que foi capaz de desmistificar todo tipo de autoritarismo, seja o religioso, o fundamentalista ou o ideológico, e criar a cultura da automomia do indivíduo, será capaz de fazer a revisão cultural que as circunstâncias exigem, sem sacrificar as conquistas do Iluminismo."

Os Rumos do Capitalismo

André Lara Resende
Valor, 01/09/2012

O mundo moderno é muito complexo para ser reduzido a uma fórmula, uma condenação ou uma solução. Deve ser observado sem arroubos de entusiasmo ou de indignação“ - Raymond Aron

É pouco provável que antes da crise financeira de 2008 a proposta de analisar os novos rumos do capitalismo fosse capaz de atrair público. Desde o fim dos anos 1980, depois da queda do Muro de Berlim, o sucesso da economia capitalista globalizada, com a incorporação da China transformada em nova locomotiva, não deixava dúvida: as modernas economias de mercado eram incomparáveis na sua capacidade de criar riqueza, estimular o progresso tecnológico e garantir o crescimento. Onde há consenso, o debate, a análise, não desperta interesse. Toda unanimidade é burra, costumava repetir Nelson Rodrigues. Mas não só as economias, também as convicções são cíclicas.

O termo “capitalismo” data do fim do século XIX. A expressão “o capitalista”, como referência ao dono do capital, aparece antes, já no início do século XIX, utilizada por autores como David Ricardo e outros, mas “o capitalismo”, como um sistema de organização social e econômica, foi cunhado por seus críticos – o mais famoso deles, evidentemente, sendo Karl Marx, em “O Capital”, de 1867. Muitos outros, anarquistas e socialistas, como Pierre-Joseph Proudhon e Werner Sombart, utilizaram o termo para definir uma forma de organização econômica e social, em que a produção e a distribuição de bens e serviços são de propriedade privada e têm fins lucrativos, ou seja, visam a acumulação de capital.

O capitalismo, em várias vertentes, é dominante no mundo ocidental, desde o fim do feudalismo medieval. Inicialmente, sua versão primitiva, mercantilista, baseada no comércio, foi estimulada pelas oportunidades que se abriram com o avanço da navegação e as descobertas do Novo Mundo. Só com a Revolução Industrial do século XIX, quando surge o mercado de trabalho assalariado, o capitalismo adquire as características que seus críticos do fim daquele século – Marx, sobretudo – lhe atribuem. O fato de o termo ter sido cunhado por seus críticos lhe confere uma conotação negativa, atenuada ao longo do tempo, mas que ainda hoje não deixa de suscitar polêmica.

O sistema de preços determinados nos mercados, pela interação da oferta e da demanda, é um dos elementos do capitalismo moderno, mas o capitalismo, nas suas várias formas, não se confunde com o mercado competitivo, que é uma abstração conceitual, um idealtipo. As economias capitalistas observadas na prática, desde o século XIX até hoje, não são homogêneas. Formas muito distintas de organização econômica, tanto em termos de distanciamento do idealtipo competitivo, quanto em relação à propriedade exclusivamente privada do capital, são qualificadas como capitalistas. Daí os inúmeros apostos qualificativos – como mercantil, industrial, monopolista, de Estado, financeiro, corporativo – comumente encontrados quando se fala em capitalismo.

Desde sua introdução com Marx, no fim do século XIX, até o último quarto do século XX, e a derrocada do comunismo soviético, o termo capitalismo esteve sempre associado a uma conotação crítica. Durante quase todo o século XX, a visão progressista dominante sustentou que o capitalismo, embora criador de riquezas, era intrinsecamente injusto, estimulador das desigualdades e desagregador. Por estar baseado na exploração do trabalho, transformado em mercadoria, conduzia à luta de classes, à deterioração da vida comunitária e do espírito público. Mas essa nem sempre foi a visão intelectualmente dominante. A partir do fim do século XVI, durante todo o século XVII e parte do século XVIII, a atividade mercantil – na época ainda não chamada de capitalismo – foi vista como um fator altamente positivo e civilizatório.

Como sustenta Albert Hirschman em “Rival Views of Market Society”, de 1986, a ideia de que o interesse individual, em contraposição às paixões, é socialmente positivo, aparece no fim do século XVI. O duque de Rohan, em “On the Interest of Princes and States”, defende a tese de que o interesse econômico do príncipe, perseguido de forma racional, com prudência e moderação, serve melhor ao interesse comum, ao bem de todos, do que a sociedade deixada ao sabor das paixões, da busca da glória pessoal, de acordo com o ideal heróico medieval. A busca, metódica e ordenada, do interesse econômico individual passou a ser vista como amplamente preferível às ações dirigidas pelas paixões, violentas, desordenadas e imprevisíveis.

Na época, a tese progressista era de que o comércio, conduzido pelos interesses individuais, em busca de ganhos materiais, serviria de freio mais eficiente ao comportamento passional, do que o tradicional apelo à religião, ao dever e à moral. O comércio era visto como elemento civilizador, tanto para os senhores, como para seus súditos. “Le doux commerce”, percebido como indutor do contato entre estrangeiros, estimulador da moderação e da probidade, entre outras virtudes.

A valorização do interesse econômico, em contraponto à paixão, ajudou a legitimar a atividade comercial. Levou à valorização da vida privada, que, desde o mundo clássico até a Renascença, sempre esteve relegada ao nível mais baixo da hierarquia das atividades humanas. A valorização da vida privada, por sua vez, permitiu o aumento do consumo pessoal, que se transformou em elemento-chave do dinamismo capitalista da modernidade.

A valorização intelectual da busca do interesse econômico individual atingiu seu ápice com o Iluminismo escocês, ainda no século XVIII. O fascínio pela a ideia da busca dos interesses indiviuais como elemento de civilização e progresso, levou à formulação da tese da “mão invisível” de Adam Smith. Perseguir interesses individuais seria não apenas racional, como também a melhor forma de atender ao interesse público. O bem-estar de todos estará mais bem atendido se perseguido de forma indireta. Em paralelo, surge a valorização do homem médio, do “middle rank”, do pequeno comerciante, do pequeno empresário, que na segunda metade do século XIX, quando os ventos intelectuais já tinham mudado, são pejorativamente designados de “os burgueses” por Marx.

Os primeiros sinais da mudança dos ventos das ideias aparecem no início do século XIX. Com a Revolução Industrial, os interesses econômicos se tormam dominantes. Surge então o lamento nostálgico pelo “mundo que perdemos”, bem expresso por Edmund Burke: “The age of chivalry is gone, that of sophisters, economists and calculators has succeeded, and the glory of Europe is gone forever”. Numa reversão surprendente, a sociedade feudal, que era vista como “rude e bárbara”, sempre ameaçada pelas paixões de tiranos violentos, passou a ser vista com nostalgia, baseada em valores como a honra, o respeito, a confiança e a lealdade. Valores sem os quais a sociedade movida pelos interesses individuais não poderia funcionar, mas que haviam sido erodidos por ela.

A nostalgia do mundo perdido abre caminho para os novos críticos, mais duros, da sociedade capitalista. A crítica deixa de ser cultural, nostálgica. Passa a denunciar a capacidade destrutiva, desagregadora, das novas forças liberadas numa sociedade integralmente movida pelos interesses materiais. Assim como a valorização dos interesses individuais e do comércio atingiu seu ápice com David Hume e Adam Smith, a mudança de rumo dos ventos intelectuais, a partir do fim do século XVIII, culminou com Karl Marx, na segunda metade do século XIX.

Do fim do século XIX até o último quarto do século XX, a crítica marxista foi intelectualmente predominante. A alternativa marxista ao capitalismo – a revolução proletária e a socialização dos meios de produção – pode ter permanecido sempre polêmica, mas a crítica marxista influenciou de forma decisiva os rumos do capitalismo no século XX.

De forma esquemática, a crítica marxista ao capitalismo tem quatro vertentes:

1. A econômica, segundo a qual o sistema seria instável, sujeito a crises recorrentes, até a crise final, que abriria espaço para a alternativa socialista.

2. A social, segundo a qual o sistema seria injusto, baseado na exploração do trabalho assalariado, levaria à concentração da renda e seria incapaz de erradicar a pobreza, pois ela exerce o papel funcional de “exército industrial de reserva”.

3. A política, segundo a qual a democracia capitalista é uma impostura. A alienação cultural impediria os trabalhadores de compreender que não há interesses comuns, mas sim interesses de classes, que não podem ser reconciliados na democracia representativa capitalista.

4. A cultural, segundo a qual o sistema levaria à alienação dos trabalhadores em relação aos seus verdadeiros objetivos. No capitalismo, a sociedade é consumista, egoísta e alienada.

Ao longo do século XX, a crítica marxista, sempre como referência, foi sendo gradualmente enfraquecida.
A crítica econômica foi desacreditada pela receita de John Maynard Keynes, na “Teoria Geral da Renda e do Emprego”, de 1936. Formulada depois da Grande Crise dos anos 1930, foi refinada durante os anos 50 e 60, até culminar com a chamada “síntese macroeconômica” dos anos 80. A fórmula para evitar as grandes flutuações macroeconômicas das economias capitalistas havia sido encontrada. A receita era ter a dívida pública sob controle, uma política fiscal contracíclica, uma política monetária pautada por metas inflacionárias e a taxa de cambio flutuante. Nas últimas décadas do século XX, consolidou-se a impressão de que os ciclos macroeconômicos haviam sido finalmente eliminados. Uma nova era, “A Grande Moderação”, havia chegado, com a descoberta do remédio para a instabilidade crônica da economia capitalista.

A crítica social foi aplacada pelas reformas tributárias, trabalhistas e sociais do pós-Segunda Guerra. Em todo o mundo ocidental, principalmente na Europa, foi criada uma rede de proteção trabalhista e de assistência social, através do significativo aumento da participação do Estado na economia. A economia capitalista do “Welfare State” parecia ter respondido à crítica social do capitalismo, sem necessidade de suprimi-lo.

A crítica política à democracia representativa capitalista foi desmoralizada pelo autoritarismo, pela violência oficial e pela falta de liberdades cívicas dos regimes comunistas. A começar pelo soviético, mas também pelo dos seus satélites no Leste Europeu, assim como em Cuba, na China e em toda parte onde o comunismo de inspiração marxista foi instaurado.

A crítica cultural, primeiro rompeu com a ortodoxia marxista, através da chamada Escola de Frankfurt, do Institute for Social Research, fundado na década de XX, por onde passaram pensadores como Max Hockheimer, Theodor Adorno, Erich From, Herbert Marcuse e, mais recentemente, Jürgen Habermas. Depois se distancia definitivamente do marxismo e se confunde com a crítica da modernidade, como é o caso do filósofo polonês Lesleck Kolakowski, com “Modernity on Endless Trial” (1990), do historiador americano Daniel J. Boorstin, com o brilhante e pioneiro “The Image: A Guide to Pseudo-events in America” (1961), cuja temática é retomada pelos franceses Guy Debord, em “La Société du Spetacle” (1967) e Jean Baudrillard, em La Société de Consommation” (1970) e “Simulacres et Simulation” (1981).

De forma progressiva, tanto intelectualmente quanto na prática, a crítica marxista foi perdendo força, até ser completamente marginalizada com a derrocada da União Soviética, a queda do Muro de Berlim e a adesão da China ao capitalismo mundial. Nas duas décadas, desde o final dos anos 1980 até a crise de 2008, o sucesso da economia globalizada parecia ter enterrado definitivamente a crítica marxista. Todo um conjunto de ideias, que serviu de pano de fundo para o grande debate intelectual e para a revisão do capitalismo do século XX, parecia ter sido relegado à história do pensamento. Uma nova visão hegemônica teria se consolidado: o que se pode chamar de o otimismo do capitalismo tecnológico. Os extraordinários avanços da tecnologia, estimulados pela competição capitalista de um mundo globalizado, abririam novas e inimagináveis possibilidades.

O quadro mudou com a crise de 2008. A “Grande Moderação”, conquistada com a aplicação da “Síntese Macroeconômica”, revelou-se um equívoco. A sofisticação dos mercados financeiros, com o desenvolvimento dos mercados virtuais, dos chamados “derivativos”, que em tese deveria ter sido capaz de reduzir ou dispersar riscos, mostrou-se apenas mais uma forma de exponenciar o endividamento e a alavancagem. Uma alavancagem impermeável aos olhos, não apenas das autoridades reguladoras, mas também aos olhos dos próprios dirigentes das instituições que a utilizavam.

Quando a crise eclodiu, a escala das instituições financeiras globalizadas obrigou os governos nacionais a socorrê-las. Evitou-se um grande colapso, mas à custa de um aumento expressivo da dívida pública e do passivo dos bancos centrais. Em alguns casos, como na Islândia e na Grécia, o endividamento público superou o limite tolerável e levou à quebra do Estado. Na Europa, a crise bancária está temporariamente reprimida pelo financiamento do Banco Central Europeu de Mario Draghi aos bancos centrais nacionais. Mas ainda ameaça o euro e a própria União Europeia.

Os Estados Unidos, favorecidos pela condição de emissores da moeda reserva mundial, foram capazes de reagir de forma mais radical em relação à atuação do seu banco central. Desde 2008, o Fed expandiu de forma agressiva seu passivo e monetizou grande parte do aumento do endividamento público decorrente do socorro ao setor financeiro. A lição aprendida com a crise dos anos 1930 permitiu que uma nova Grande Depressão fosse evitada. Em contrapartida, a economia americana continua excessivamente endividada. Parte do excesso de dívida privada foi transferido para o setor público, mas o endividamento total, público e privado, continua excessivo.

A depressão tem custos intoleráveis, mas, com a quebra generalizada, elimina-se o excesso de endividamento e abre-se a porta para um novo ciclo de expansão. Ao evitar-se a quebra, impede-se a redução, catastrófica, mas natural, do excesso de dívidas que precisam ser digeridas, antes que o consumo e o investimento possam retomar fôlego. Troca-se um fim horroroso por um horror sem fim.


Diante desse impasse, o autor a ser reestudado é com certeza Joseph Schumpeter. Economista austro-húngaro, com longa carreira na academia e no setor público, primeiro na Europa e depois na academia americana, Schumpeter é o grande teórico dos ciclos econômicos. Já nos anos 1930, era crítico em relação à excessiva formalização matemática da teoria econômica. Segundo ele, a tentativa de mimetizar as ciências naturais, em nome do rigor metodológico, resultava na incapacidade de compreender a economia como um fenômeno social. Defensor entusiasmado do capitalismo e da fecundidade do espírito empresarial – do “entrepreneur” – enfatizou a importância da “destruição criativa” do capitalismo como mola propulsora dos avanços em todas as esferas da sociedade. É provável que, ao se domesticar o capitalismo, ao controlar artificialmente suas forças cíclicas naturais, pode-se ter esclerosado grande parte de suas virtudes, de sua força criativa e renovadora.

A economia americana continua estagnada. Assim como o Japão está estagnado há mais de 15 anos, depois do fim de uma bolha imobiliária, os Estados Unidos também deverão ficar estagnados até que o excesso de dívida seja digerido. A China foi capaz de sustentar altíssimas taxas de crescimento, mesmo depois da crise de 2008. Serviu de locomotiva, principalmente para os países exportadores de matérias-primas, como o Brasil, e impediu que a economia mundial como um todo estagnasse, mas já há sinais de que economia chinesa está em processo de desaceleração.

Quatro anos depois do inicio da crise, ainda não há solução à vista. Não há nem mesmo consenso sobre como proceder. O debate, hoje, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, parece estar polarizado entre o imperativo contraditório de manter o endividamento público sob controle e relançar o crescimento, através do estímulo keynesiano de mais gastos públicos. A ortodoxia fiscal é defendida primordialmente pelos republicanos nos Estados Unidos e pela Alemanha na Europa. A política fiscal anticíclica keynesiana é defendida pelos democratas nos Estados Unidos e pela França de François Hollande.

À primeira vista, crescer parece ser a solução. O crescimento reduz o valor relativo das dívidas. Sem crescimento, ao contrário, as dívidas nunca serão digeridas. A lógica sugere que não se deve tentar controlar a dívida pública enquanto a economia está estagnada, pois o resultado é uma política fiscal pró-cíclica, que pode levar à queda da renda e ao agravamento da relação entre a dívida pública e o produto.

Ocorre que a terapia keynesiana foi concebida para a economia que passou pela depressão e eliminou o excesso de dívidas, para a economia que está paralisada, mas pronta para reagir ao estímulo dos gastos governamentais. Os gastos públicos funcionam então como um motor de arranque, capaz de relançar o consumo e o investimento, numa economia devastada pelas quebras generalizadas. O aumento dos gastos públicos é questionável numa economia ainda com excesso de dívidas públicas e privadas. Consumidores sobre-endividados poupam toda renda adicional para reduzir suas dívidas. Governos sobre-endividados, que gastam mais do que arrecadam, correm o risco de perder a credibilidade e não serem mais capazes de refinanciar suas dívidas. Uma verdadeira sinuca de bico.

A aplicação do remédio keynesiano é hoje questionável. A possibilidade de que estejamos próximos de duas restrições, que eram ainda distantes nos anos 1930, exige, efetivamente, repensar os rumos do capitalismo. A primeira é o limite do tolerável – no sentido de não vir a se tornar disfuncional – da participação do Estado na economia. Em toda parte, até mesmo onde o capitalismo nunca foi seriamente questionado, como nos Estados Unidos, houve, ao longo de todo o século XX, sistemático aumento da carga fiscal e da participação do Estado na renda nacional. As respostas, tanto para a crítica econômica – da instabilidade intrínseca – quanto para a critica social – da desigualdade crônica – ao capitalismo, levaram ao aumento da participação do Estado na economia.

A segunda nova restrição é a proximidade dos limites físicos do planeta. É evidente que não será possível continuar indefinidamente com a série de ciclos de expansão do consumo material, alimentado pela turbina do crédito, até uma nova crise, que só se resolve com mais crescimento. A menos que haja uma radical mudança tecnológica, será preciso encontrar a fórmula do aumento do bem-estar numa economia estacionária. A mudança tecnológica não parece provável, pois a questão do ambiente é um caso clássico de bens públicos, que o mercado não precifica de forma correta. Pode-se dizer que os problemas do capitalismo são decorrentes do seu sucesso. As respostas desenvolvidas para aplacar as críticas, quanto à instabilidade intrínseca e à injustiça social, levaram a um extraordinário aumento do consumo material e da participação do Estado na renda.

Duas críticas, uma à direita e outra à esquerda, depois de um longo período em que ficaram abafadas pelo sucesso do capitalismo de massas, merecem ser reavaliadas. A primeira, à direita, a da chamada Escola Austríaca, é quanto ao risco do aumento crônico da intermediação do Estado na economia. Um de seus expoentes, Hayek, tem sido recentemente contraposto a Keynes na questão das políticas anticíclicas, mas esta não me parece sua contribuição relevante. É no seu papel de defensor do mercado, como insuperável transmissor de informação e estimulador da criatividade, que se pode encontrar a mais coerente e fundamentada análise dos riscos econômicos e sociais do aumento do papel do Estado.

A crítica à esquerda é quanto ao risco do consumismo. A tese da alienação consumista permeia a crítica cultural do capitalismo de massas, desde a Escola de Frankfurt, até os novos teóricos da sociedade do espetáculo.

Já há, neste curto período desde a crise de 2008, sinais de que a crítica cultural ao capitalismo será retomada. Dois livros recém-lançados questionam o capitalismo como uma troca faustiana – “How Much is Enough”, de Robert e Edward Skidelsky, e “What Money Can’t Buy”, de Michael Sandel. Ao transformar todas as esferas da vida numa questão de cálculo financeiro, ganhamos capacidade de criar riqueza, mas, em contrapartida, nos tornamos insaciáveis. A busca desenfreada por crescimento econômico, por mais consumo material, nos levou a esquecer de por que queremos mais. Mais consumo material tornou-se um objetivo em si mesmo. Sandel sustenta que a comercialização de algumas esferas da vida corrompe seu significado. Ecos da crítica marxista à “commoditização” e à alienação capitalista. Robert e Edwar Skidelsky sustentam que o capitalismo moderno levou ao esquecimento do que o mundo clássico definiu como “The Good Life”.

Será preciso superar o fosso profundo do preconceito ideológico – enraizado por um século de debate rancoroso – para encontrar a síntese dessas duas vertentes críticas e encontrar respostas para o que me parecem as duas grandes questões de nosso tempo. Primeiro, como reduzir a disparidade dos padrões de vida, sem continuar a aumentar a intermediação do Estado e restringir as liberdades individuais. Segundo, como reverter o consumismo, a insaciabilidade material, sem reduzir a percepção de bem-estar. São grandes desafios, sem dúvida. A competição capitalista parece-me imprescindível para que seja possível encontrar as respostas aos problemas criados pelo seu sucesso. Só a pluralidade das ideias, que foi capaz de desmistificar todo tipo de autoritarismo, seja o religioso, o fundamentalista ou o ideológico, e criar a cultura da autonomia do indivíduo, será capaz de fazer a revisão cultural que as circunstâncias exigem, sem sacrificar as conquistas do Iluminismo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Dez lições de economia para iniciantes no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil

Para tornar a economia mais acessível, dez lições no IMB
O Instituto Ludwig von Mises - Brasil ("IMB"), associação voltada à produção e à disseminação de estudos econômicos e de ciências sociais na promoção dos princípios de livre mercado e de uma sociedade livre, estará promovendo o curso Dez Lições de Economia Austríaca para Iniciantes nas próximas semanas, em datas a serem anunciadas em breve. Gratuito e dirigido ao público leigo, o curso não é baseado em ideologia, mas num conjunto de ensinamentos básicos do que é a economia no mundo em que vivemos. Fique de olho no IMB para acompanhar as lições.

As dez lições serão sobre: 1. Economia e Instituições; 2. O que é economia, escassez, escolhas e valor; 3. Ação, tempo e incerteza; 4. O que são os mercados e como são determinados os preços; 5. Os efeitos dos controles de preços; 6. Lucros, perdas e empreendedorismo; 7. Capital, juros e estrutura de produção; 8. O papel da competição; 9. Moeda e preços; 10. Bancos, bancos centrais e ciclos econômicos.

De acordo com o IMB, "as dez lições serão publicadas regularmente a cada semana, durante dez semanas consecutivas, no site do IMB e você não precisa se inscrever ou pagar qualquer importância, basta apenas ler com atenção cada uma delas. Ao final, o 'diploma' que você receberá não será um pedaço de papel com o seu nome, mas uma coisa que vai ter valor inestimável em toda a sua vida: entender como funciona a economia no mundo real."

Ainda de acordo com o Instituto, "a importância da economia é enorme, porque, quando a economia de uma pessoa ou de um país vai bem, essa pessoa ou esse país estão melhorando de vida ou, na linguagem dos economistas, crescendo. E quando ela vai mal, isso significa uma só palavra: empobrecimento (da pessoa ou do país).

É importante você entender, então, que existe uma economia no mundo real, prática, que se desenrola a partir da ação de milhões de pessoas no dia a dia, e uma economia mais teórica, aquela que é estudada pelos economistas e que está nos livros. Para a Escola Austríaca de Economia, no entanto, a segunda só faz sentido se for capaz de explicar a primeira. Isto quer dizer que o papel principal da economia teórica deve ser o de explicar a economia do mundo real."

Fonte: Instituto Ludwig von Mises - Brasil (IMB)

sábado, 1 de setembro de 2012

Enquanto a saúde pública brasileira vive na UTI, governo Dilma dá U$200 milhões à ditadura cubana

Que ninguém nos ouça, mas socialismo só funcionacom dinheiro capitalista, hem?
Fora os 800 milhões de doláres para a construção do porto de Mariel, via BNDES, Dilma agora doa mais 200 milhões para programa alimentar de um país falido pelas ideias socialistas. E nós, brasileiros, com tanta pobreza que ainda temos por aqui, com tantos problemas infraestruturais e sociais, financiando as fantasias dessa gente absurda e suas ditaduras. Se ódio matasse, não teria um vivo.

Brasil concede crédito de 200 milhões de dólares ao país

Havana - O presidente cubano, Raúl Castro, e o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, acertaram nesta quinta-feira um crédito de 200 milhões de dólares de Brasília ao programa alimentar de Cuba, informou a TV estatal em Havana.

Raúl Castro e Fernando Pimentel conversaram "sobre o desenvolvimento ascendente das relações bilaterais e reafirmaram o propósito de trabalhar pelo seu contínuo fortalecimento", destacou a TV cubana.

Pimentel firmou com o ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca, o crédito de 200 milhões de dólares para importações do programa alimentar da Ilha.

"Estes recursos serão liberados em três partes - a primeira durante 2012 - e as demais em 2013, para financiar a exportação de máquinas e equipamentos agrícolas brasileiros".

Pimentel também visitou as obras de ampliação do porto de Mariel, 50 quilómetros a oeste de Havana, e ofereceu a Malmierca "assistência jurídica para construir o marco regulatório desta zona especial".

A ampliação do porto de Mariel é a maior obra de infraestrutura empreendida por Raúl Castro. O terminal de contentores não atenderá apenas o comércio cubano, mas a outras nações da bacia do Caribe.

"Temos todo o interesse em colaborar na definição deste modelo para trazer o máximo possível de empresas brasileiras", destacou Pimentel.

Malmierca declarou que a experiência jurídica brasileira é importante para uma maior integração das empresas do Brasil em Cuba.

"Oferecemos transferência tecnológica em troca de investimentos em fábricas e (a zona especial de) Mariel poderá servir para isto", disse o ministro cubano.

As operações portuárias devem começar em Abril de 2013, antes da conclusão das obras, fixada para Outubro do mesmo ano.

O Brasil financia 85 por cento as obras - que totalizam 800 milhões de dólares - por meio do Banco de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).
Fonte: Agência Angola Press 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As 5 fases do socialismo ou a fé é cega!

A imagem abaixo sintetiza como a visão socialista nega a realidade objetiva e se parece mais com uma religião, onde se crê pela fé e não pela razão. Aliás, cai como uma luva no velho ditado de que a religião é o ópio do povo e o marxismo, o ópio dos intelectuais (de esquerda, naturalmente).

O material é do blog português O Insurgente e faz humor com o que os socialistas dizem a sério. E o pior é que muita gente compra. Muita gente jovem naturalmente, esquerdiotizada nas esquerdiotas universidades mundo afora (E o fenômeno parece se dar da mesma forma aqui em banânia e lá na terrinha). Muita gente que não tem nem  conhecimento nem  experiência de vida suficientes para analisar objetivamente o mundo.

Aconteceu comigo também. Embora meu DNA libertário sempre tenha me imunizado dessa versão aguda do vírus esquerdiotizante, o socialismo-comunismo, não posso negar que a cepa menos agressiva desse destruidor de mentes também me afetou em tenra idade. Levei tempo para cair na real e me dar conta que havia passado muito tempo da vida pagando o maior mico.

Como diz ainda outro ditado: "Quem não é socialista aos vinte anos não tem coração. Quem é socialista aos quarenta anos não tem intelecto." 

Segue também um vídeo do fudêncio num acampamento comunista para reforçar a ilustração. Para visualizar melhor a imagem das cinco fases, dê zoom na página ou clique na imagem. Sobre a origem da história de que comunistas comiam criancinhas, acessar Comunista comia mesmo criancinhas? Os macabros fatos que levaram a essa frase! 


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Assista: Julgamento do Mensalão pelo STF

Inicia-se mais uma sessão de julgamento do mensalão pelo STF. Vamos ver se teremos outras boas novas como as de ontem quando o petista João Paulo Cunha foi condenado por vários crimes (ver postagem anterior).

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Dia histórico: petista João Paulo Cunha condenado por corrupção


A essas alturas do campeonato, petistas estão espumando pela boca e já pensando numa forma de reverter o glorioso revés de hoje. Mais uma coisa é certa: não dá mais para a quadrilha dizer que o mensalão não existiu e que seus integrantes, envolvidos no maior desvio de verba pública da história brasileira, são vítimas de calúnias da "direita", do PIG, etcetera e tal.

O senhor João Paulo Cunha foi condecorado oficialmente como corruPTo, e só isso representa a tal luzinha no fim do túnel de que falava na postagem anterior sobre o descrédito da política em nosso país.

Mesmo que só pise na cadeia, sob pretexto de cumprir a sentença, e saia logo com base em algum recurso de advogado picareta, a punição existiu e representa uma quebra do círculo vicioso da impunidade que alimenta a corrupção endêmica que nos assola. Esperemos que outros políticos vigaristas, envolvidos no mensalão, tenham o mesmo destino. Cumprimentos ao STF que, neste caso e no geral, acertou em cheio. Abaixo trecho de artigo do G1 sobre a condenação.

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (29) condenar o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) por corrupção passiva (receber vantagem indevida) e peculato no processo do mensalão. Cunha foi acusado de receber R$ 50 mil no ano de 2003, quando era presidente da Câmara, para beneficiar agência de Marcos Valério.Além de condenar Cunha, a maioria também decidiu pela condenação de Marcos Valério e seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz por corrupção ativa (oferecer vantagem indevida) e peculato em relação aos desvios na Câmara.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Clipping: FHC é eleito o presidente que mais fez pelo Brasil

Aeh, Fernandão, a gente reconhece seu valor!
O tempo fazendo Justiça: FHC eleito o presidente que mais fez pelo Brasil (sem dúvida, o tucano foi um divisor de águas na política brasileira).

E Marta Suplicy eleita a pior prefeita de Sampa. Puxa, conseguiu ganhar do Pitta e do Maluf? E o PT quer que ela assuma a candidatura do Haddad...kkkk? Ah, vai lá, Marta, vai! 

Em enquete inovadora do iG, FHC é eleito o presidente que mais fez pelo Brasil

Tucano, que venceu Lula duas vezes no 1º turno, em 1994 e 1998, teve 116.306 votos e levou a melhor sobre o petista, 2º mais votado; Itamar, Dilma, Collor e Sarney vêm em seguida.

Baseada no conceito de real time, que proporciona uma interação entre todos os usuários do portal iG, a nova plataforma de enquete lançada no final de julho apontou Fernando Henrique Cardoso(PSDB) como o presidente que mais fez pelo País durante seus dois mandatos. O tucano, que governou o Brasil de 1995 a 2002, recebeu 116.306 votos, superando o petista Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), com 63.312. Itamar Franco (1992-1994), a atual presidenta Dilma Rousseff(desde 2011), Fernando Collor de Mello (1990-1992) e José Sarney (1985-1990) apareceram em seguida, nesta ordem. Ao todo, foram computados 195.028 votos em sete dias.



Mais uma vez, a plataforma inovadora do iG teve um grande alcance nas redes sociais, em especial no Twitter e no Facebook. A repercussão da enquete foi imediata e, durante a semana, vários usuários convocaram os amigos para votar na home do portal.

Bem atrás da polarização entre FHC e Lula , o ex-presidente Itamar Franco, que morreu em 2011exercendo o mandato de senador por Minas Gerais, recebeu 5.187 votos. Atual chefe da Nação, Dilma Rousseff, com um ano e oito meses de mandato, teve 4.884 votos e ficou à frente dos ex-presidentes Fernando Collor, alvo de um processo de impeachment em 1992 (4.275 votos), e José Sarney (1.064).

Os anos FHC

Eleito em 1994 após vencer Lula ainda no primeiro turno, FHC ficaria no cargo por oito anos. No meio do mandato, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que instituiu, para os cargos executivos, o mandato de quatro anos com direito a uma reeleição – e FHC soube tirar vantagem da emenda feita sob medida. O tucano foi o primeiro presidente da história brasileira a ser reeleito, ambas as vezes em um turno só. Mas o grande legado de FHC se concentraria no campo econômico.

Em 1994, ele teve papel fundamental na criação do Plano Real, que acabou com a hiperinflação. No ano seguinte, teria de domar a crise bancária gerada pelo fim da era inflacionária, no programa que ficou conhecido como Proer.

Em 1999, contornou mais uma ameaça à moeda, quando a mudança para o câmbio flutuante fez disparar a cotação do dólar, então tido como âncora do real. Para piorar, o período ficou marcado por crises financeiras sucessivas – no México, na Ásia e na Rússia – que também faziam a economia nacional balançar. Ainda que as manobras para segurar o real tenham sido alvo de críticas, no fim elas garantiram a estabilidade da moeda, quando ela foi testada de forma mais decisiva.

Na área social, FHC introduziu os primeiros programas de distribuição de renda, depois ampliados pelos sucessores. Mas enfrentou dificuldades com a crise no setor energético no segundo mandato, que gerou um racionamento de energia no País, o chamado “apagão”. Além disso, a política de aperto fiscal necessária para garantir a estabilidade impediu um crescimento mais acelerado da riqueza nacional, minando a popularidade de FHC. Os dois mandatos tucanos também ficaram marcados pelas privatizações em vários setores da economia, como as telecomunicações. Após oito anos no poder, FHC não conseguiu eleger seu candidato à sucessão, José Serra (PSDB), em 2002.

No início do mês, os internautas do iG já participaram de uma enquete para escolher qual foi o pior prefeito de São Paulo nos últimos 20 anos - Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra ou Gilberto Kassab. A senadora Marta Suplicy (PT) teve o maior número de votos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Áudio clipping: Greve dos sem-vergonha! Lewandowski sem-vergonha!


À parte os comentários positivos sobre Dilma (desde que eleita Jabor se tomou de amores por ela), a opinião do colunista-cineasta sobre as greves dos marajás, do enorme funcionalismo público brasileiro, são bem pertinentes. Uma vergonha como também vergonhoso foi o voto do ministro Lewandowski livrando a cara de João Paulo Cunha, do famigerado PT, no caso do mensalão. Comenta Merval Pereira no segundo áudio.

Este último caso do ministro me fez lembrar os versos de Gregório de Matos, em Epigrama: "Valha-nos Deus, o que custa/O que El-Rei nos dá de graça./Que anda a Justiça na praça/Bastarda, vendida, injusta."


Uma greve política

Manifestação mostra a saudade que os servidores públicos sentem da complacência de Lula para manter a fama de bom.



É estranho que Lewandowski não tenha completado raciocínio sobre dinheiro sacado por João Paulo Cunha
Ministro do STF ignorou vários indícios de que houve corrupção ligada ao saque que a mulher do ex-presidente da Câmara dos Deputados foi buscar em banco, supostamente para pagamento de fornecedores.

sábado, 18 de agosto de 2012

Pussy Riot: Ave Maria, nos livre de Putin!

Pussy Riot: condenadas por pedir a Virgem Maria para livrar a Rússia de Putin
Pessoalmente, não sou favorável que se invada igrejas para fazer protestos. Da mesma forma que considero um acinte antidemocrático esses evangélicos que realizam cultos em dependências governamentais (até no Congresso), acho que protestos contra instituições religiosas são válidos, mas devem ser feitos em frente das igrejas, templos, etc., na via pública.

De qualquer forma, nada justifica a decisão do governo e da igreja russos de sentenciar, com dois anos de cadeia, as jovens da banda punk Pussy Riot porque resolveram protestar, contra o apoio da Igreja à reeleição fraudulenta de Putin, nos degraus do altar da Catedral Ortodoxa de Cristo Salvador, em Moscou.

De fato, segundo analistas, os exageros envolvidos na prisão e julgamento das moças são uma mostra de endurecimento do regime do presidente russo, cada vez mais autoritário. O Estadão fez um bom editorial sobre o assunto que reproduzo abaixo bem como o vídeo da performance das punks na Igreja e a letra da música (em inglês) onde pediam para a Virgem Maria livrar a Rússia de Putin.

Incrível como os autoritários, de todos os tipos, andam a todo vapor!

Um processo agita Moscou

O Estado de S.Paulo

Nem o mais satírico dos escritores russos imaginaria uma cena como a que se passou na última quarta-feira em um tribunal moscovita. Por trás das barras da cela de onde, algemadas, assistem ao seu julgamento, três pessoas acusadas de vandalismo motivado por ódio religioso denunciam "o sistema totalitário-autoritário" do presidente Vladimir Putin, a quem acusam de sufocar as liberdades individuais. Comparam-se às legiões de réus de processos forjados ao longo da história do país para silenciar as críticas ao Estado todo-poderoso. E se declaram mais livres do que os seus acusadores, porque falam o que querem, enquanto aqueles só podem dizer o que o governo autoriza.

A situação parece inverossímil porque os acusados não são dissidentes políticos, intelectuais engajados ou oligarcas em desgraça. Seus nomes são Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alekhina e Yekaterina Samusevich. A primeira, apelidada Nadia, tem 22 anos. A outra, Masha, 24. E a terceira, Katya, 29. Nadia e Masha são casadas e têm filhos. O trio faz parte de uma banda punk chamada Pussy Riot, em inglês mesmo, que dispensa tradução. No dia 21 de fevereiro, acompanhadas por um cinegrafista, além de fãs e jornalistas, instalaram-se nos degraus do altar (vedado a mulheres) da Catedral Ortodoxa de Cristo Salvador, em Moscou. Com capuzes coloridos e roupas berrantes, puseram-se a parodiar um hino religioso e, logo em seguida, iniciaram uma performance.

Interrompidas pelos seguranças da igreja, ao cabo de 51 segundos, foram-se embora sob os olhares indiferentes de um grupo de policiais. Só que a provocação, como pretendiam, foi parar no YouTube, sob o título da sua oração punk "Virgem Maria, jogue Putin fora". O vídeo atraiu milhares de curiosos - entre eles o primaz ortodoxo russo, Patriarca Cirilo I. Ele foi se queixar da "blasfêmia" diretamente ao presidente, cuja terceira eleição, naquele começo de março, havia equiparado a um "ato de Deus". Pouco depois, as roqueiras foram detidas, indiciadas, impedidas de aguardar o julgamento em liberdade e proibidas de receber visitas de familiares e amigos. Os raros correspondentes estrangeiros que já as conheciam falam de jovens cultas, articuladas, decididas - e de boas maneiras. Exemplos, em suma, de parcelas da cosmopolita população jovem das metrópoles russas, que acompanhou, atenta, a explosão libertária da Primavera Árabe.

Em novembro passado, quando o então primeiro-ministro Putin anunciou que se candidataria novamente à presidência da Federação Russa e, se eleito, indicaria o então presidente Dmitri Medvedev, seu apadrinhado, ao posto de primeiro-ministro, o cínico rodízio causou revolta, provocou manifestações de rua e deu a Nadia, Masha, Katya e algumas amigas a ideia de formar uma banda. Ela se distinguiria de tantas outras pelo nome insolente, o mote "a arte contra o poder" e suas duas bandeiras: a defesa do feminismo (anátema para a imensa maioria dos russos) e a denúncia da perenização da autocracia de Putin, corrupta e violenta. O primeiro grande show do grupo, perante 5 mil pessoas em plena Praça Vermelha, alvejou as fraudes que garantiram a vitória do partido do Kremlin no pleito parlamentar de dezembro.

O julgamento do trio começou sob a expectativa de que o promotor pediria a pena máxima para o delito alegado - sete anos de prisão. Eis que a simultânea campanha de difamação das acusadas na TV russa teve efeito bumerangue: muitos moscovitas, antes alheios ao caso ou hostis às rés, passaram a vê-las como vítimas do Estado. Um manifesto em seu favor reuniu 40 mil assinaturas, muitas de figuras públicas. No exterior, o órgão equivalente ao Ministério do Exterior da União Europeia manifestou inquietação. Celebridades como a cantora Madonna, que fará um show em São Petersburgo, encamparam a causa. Em Londres para os Jogos Olímpicos, um constrangido Putin - que vem endurecendo a repressão aos ativistas russos - defendeu que o grupo fosse tratado com "indulgência". O obediente promotor pediu três anos. Para o governo ganhar tempo, o veredicto só sairá no fim da próxima semana.



St. Maria, Virgin, Drive away Putin
Drive away! Drive away Putin!
(end chorus)

Black robe, golden epaulettes
All parishioners are crawling and bowing
The ghost of freedom is in heaven
Gay pride sent to Siberia in chains

The head of the KGB is their chief saint
Leads protesters to prison under escort
In order not to offend the Holy
Women have to give birth and to love

Holy shit, shit, Lord's shit!
Holy shit, shit, Lord's shit!

(Chorus)
St. Maria, Virgin, become a feminist
Become a feminist, Become a feminist
(end chorus)

Church praises the rotten dictators
The cross-bearer procession of black limousines
In school you are going to meet with a teacher-preacher
Go to class - bring him money!

Patriarch Gundyaev believes in Putin
Bitch, you better believed in God
Belt of the Virgin is no substitute for mass-meetings
In protest of our Ever-Virgin Mary!

(Chorus)
St. Maria, Virgin, Drive away Putin
Drive away! Drive away Putin!
(end chorus)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

V de Vingança - Completo e Dublado


Guy Fawkes foi um soldado inglês católico que participou de uma tentativa de levante, em 1605, contra o rei protestante Jaime I e  parlamentares ingleses, que ficou conhecida como Conspiração da Pólvora. Os revoltosos pretendiam implodir o parlamento e seus membros como primeiro passo do levante, e Guy era o sujeito que tomava conta dos barris de pólvora que seriam utilizados no atentado. Entretanto a conspiração foi descoberta e Guy preso, torturado e executado no dia 5 de novembro. Até hoje é tradição, na Inglaterra, malhar e queimar bonecos de Fawkes todo os 5 de novembro de cada ano, como fazemos com os bonecos de Judas nos sábados de aleluia.

Apesar de considerado traidor, Fawkes foi inspirador de mitos libertários, como a graphic novel V de Vendetta (V de Vingança), onde um rebelde, que usa uma máscara baseada em seu rosto, consegue detonar o parlamento inglês, num dia 5 de novembro, numa Inglaterra dominada por um regime fascista. A HQ ganhou, por sua vez, uma versão cinematográfica, entre outros, com HugoWeaving, Natalie Portman, Stephen Rea, John Hurt, em 2006, que ajudou a divulgar a história do católico conspirador.

Abaixo segue o filme completo em versão dublada, já que não encontrei a versão legendada. O filme vale a pena de qualquer jeito. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Comparações inconvenientes: Havana e Hong Kong em 1950 e 2010

Como uma imagem sempre vale mais do que mil palavras, ilustro essa postagem com as imagens de duas cidades, Havana e Hong Kong, em 1950 e 2010, e suas mudanças sob dois sistemas político-econômicos diferentes. Poderíamos comparar também a Coréia do Sul com a do Norte para o quadro se tornar mais dramático: a primeira, capitalista, um dos países mais desenvolvidos do mundo; a segunda, comunista, um bolsão de miséria, onde pessoas, principalmente crianças e idosos, morrem, como moscas, de desnutrição. Poderíamos fazer outras comparações da mesma natureza, e o resultado seria idêntico.

Entretanto, apesar de tantas evidências mostrando a total ineficiência dos regimes comunistas, ou de socialismo real; apesar da maior parte desses regimes terem caído de podres, no início da década de 90 em todo o Leste Europeu e em alguns países da Ásia, os adeptos dessa seita insistem em defendê-la como uma alternativa ao capitalismo, pois o capitalismo é que seria responsável pela pobreza no mundo. Recomendo o texto Carta Aberta a Frei Betto, do João Luiz Mauad, à guisa de resposta a esse mito.

Na América Latina, esses insanos retornaram à cena, via Foro de São Paulo, e estão aí fazendo o que sabem fazer de melhor: detonar os países que caem vítimas de suas garras (A Venezuela é a principal vítima do momento, mas não é a única). Aliás, socialismo é um bom  nome para uma firma de demolição: "Precisando destruir um país rapidamente? Chame Demolidora Socialismo. Garantia de destruição em pouco tempo. Começamos pela economia e concluímos com a escravização do povo."

Mas, falando sério, os remanescentes dessa trágica experiência humana ou trataram de se capitalizar, como a China, razão pela qual virou potência, ou passaram a dar modestos passos nesse sentido. É o caso de Cuba, ou melhor, da ditadura comunista dos Castro, agora sob a regência do irmão de Fidel, Raúl Castro, já que Fidel está para ser recebido nos portões do inferno. Desde 2010, Raúl Castro passou a tomar mínimas medidas liberalizantes na economia local, permitindo aos infelizes cubanos passar a ter algum pequeno negócio próprio, prometendo cortar boa parte do funcionalismo público parasitário, enfim, algumas reformas econômicas para viabilizar a ilha-prisão que sempre dependeu de apoio externo para sobreviver.

Pois não é que o PSOL, o mais orwelliano desses partidecos de esquerda que infestam as universidades e os sindicatos brasileiros (pois Socialismo e Liberdade só tem sentido como Liberdade é Escravidão), considera essas mudanças uma traição ao socialismo e computa, a esses primeiros indícios de capitalismo de Estado, a miséria do povo cubano causada por mais de 50 anos de comunismo!?

Lembrei disso porque o PSOL anda angariando a simpatia dos esquerdiotas brasileiros e outros tantos,   agora desencantados com o PT (hoje também começando a ser considerado de "direita"), que vem abraçando a sigla como uma nova esperança de realização dos seus eternamente fracassados ideais. Pela visão que o partido tem das reformas cubanas, dá para ver o quanto de novo há no que pensa. O PSOL é tão arcaico que considera que os Castro vêm restaurando o capitalismo que se tinha desterrado com o triunfo da revolução (sic)!!!

Deixo abaixo uma primeira parte de um vídeo, de 2009, sobre a miséria cubana que nada tem a ver obviamente com o capitalismo. Podemos terminar dizendo, até como chiste, que, se o mundo é ruim com o capitalismo, mil vezes pior sem ele.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Comunista comia mesmo criancinhas? Os macabros fatos que levaram a essa frase!

E não é que comunista comia mesmo gente?
Todas as vezes que alguém aponta a herança da esquerda que se tornou hegemônica na América Latina nos últimos anos, a saber a do chamado socialismo real, se houver um(a) defensor(a) dessa ideologia por perto, seguramente ouvirá alguma tentativa de desclassificação da lembrança do tipo "ah, e comunista também comia criancinhas, né?

Que comunistas mataram criancinhas de baciada, isso é sabido, mas se também as comiam não se conhece ao certo. Sabe-se, contudo, que essa história tem um fundo verdadeiro e bem macabro, como não poderia deixar de ser considerando de quem se fala. 

Provavelmente surgiu por conta dos episódios de canibalismo que ocorreram nos países socialistas devido às chamadas "grandes fomes" geradas, por sua vez, pela desastrosa economia planificada comunista, a coletivização forçada, os grandes deslocamentos humanos, ou como política genocida de curvar os povos que não queriam se adaptar ao regime.  Como exemplo deste último caso, destaca-se o episódio do Holodomor (matar de fome, em ucraniano) perpetrado por Stálin contra os ucranianos que resistiam a integrar-se à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), durante os anos 1932-33, através do confisco da produção agrícola desse povo. 

Cerca de 5 milhões de ucranianos morreram de fome, incluindo crianças naturalmente, e houve relatos de canibalismo até de pais contra filhos. Enlouquecidas pela fome, as pessoas matam o que lhes vier pela frente ou se alimentam dos mortos. Embora os ucranianos tenham sido as maiores vítimas desse tipo de ação genocida, não foram únicos nem na URSS nem em outros países que caíram sob o jugo dessa ideologia sanguinária. 

No caso da China, o número de mortos pela fome também passou dos vinte milhões segundo os historiadores. Mas, nela, além do canibalismo derivado da situação limite de não se ter nada para comer, ocorreu também o canibalismo oficial como parte das loucuras da época da Revolução Cultural(1966-1976) do presidente Mao Zedong, outro dos grandes psicopatas dessa turma totalitária.

No livro chamado Memorial Escarlate, Contos de Canibalismo da China Moderna, de Zheng Yi, o autor descreve o caso das execuções e canibalizações dos inimigos de classe, do Estado, na província de Guangxi. Cerca de 100.000 pessoas foram mortas e - SIM - literalmente comidas pelos comunistas. Após as execuções, quando os corpos das vítimas se tornavam disponíveis para consumo, a elite local ficava com os corações e fígados enquanto o povo tinha o direito aos braços e solas do pés. Como de praxe em regimes totalitários, a insanidade política e os ressentimentos da turba se uniram para literalmente devorar os inimigos reais ou imaginários. Com certeza, criancinhas devem ter feito parte do cardápio demente, principalmente considerando que suas carnes são mais tenras.

Então, quando um desses sonsos vier com suas piadinhas, ao ser confrontado com a herança da ideologia que defende, responda com os macabros fatos históricos sobre o socialismo real, registrados por estudos acadêmicos e não-acadêmicos, que explicam a origem da história de que "comunistas comiam criancinhas". 

Fora o livro citado, Scarlet Memorial, Tales of Cannibalism in Modern China - Zheng Yi (1996), outros livros disponíveis, em português, que citam a questão do canibalismo, nos chamados países socialistas/comunistas, são o famoso O Livro Negro do Comunismo, escrito por esquerdistas (democráticos pelo visto), e a A Tragédia de um Povo -A Revolução Russa, 1891-1924, de Orlando Figes, da Record. 

Felizmente, na disputa entre militares e os representantes do socialismo real aqui no Brasil, ficamos com o mal menor. Pena que os fardados não tenham feito jus à confiança que o povo lhes depositou e tenham aproveitado o ensejo para implantar também a sua ditadura, pra lá de branda se comparada com as comunas de qualquer forma.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A revolta de Atlas, o filme!

A Revolta de Atlas Parte 1
Em março deste ano, atualizei uma postagem sobre Ayn Rand, Ayn Rand: homenagem a uma mulher notável no dia internacional da mulher!, de onde transcrevo o trecho que se segue à guisa de apresentação da versão cinematográfica da primeira parte da trilogia A Revolta de Atlas (a segunda está prevista para outubro nos EUA).

Ainda que o filme, que posto abaixo, tenha sido muito criticado, por razões várias, ele pode dar uma ideia da obra da autora russa-americana e servir como introdução à leitura (fundamental) da famosa trilogia. Como mais um incentivo à leitura, adianto que o cenário descrito por Ayn Rand, em seu livro, lembra muito o espírito dos tempos que temos vivido no Brasil desde 2003.  Posto ainda outro vídeo sobre as lições de A Revolta de Atlas para nossas sociedades atuais.   

A Revolta de Atlas (Atlas Shrugged, 1957)

A Revolta de Atlas é a obra-prima de Ayn Rand e considerada um dos grandes romances de ideias de todos os tempos. Nela, através de um enredo que mescla suspense e filosofia, a escritora russa-americana expõe seu ideário. Num mundo governado por repúblicas autoritárias coletivistas, os EUA rumam para o mesmo destino, com seu governo criando tantos obstáculos à livre iniciativa das pessoas, sob pretexto de igualitarismo, que os principais líderes da indústria, do empresariado, das ciências e das artes, liderados por um misterioso John Galt, decidem fazer uma greve de cérebros.

Em outras palavras, aqueles que sustentam o país (daí a referência à figura de Atlas, o titã da mitologia grega, que sustenta o mundo nos ombros) somem literalmente do mapa deixando a sociedade à própria sorte. O Estado se apossa de suas propriedades e invenções, mas não é capaz de mantê-las funcionando porque não tem competência para tal, atravancado pela burocracia e pela corrupção e infestado de medíocres e parasitas de toda ordem (qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência). Para saber o resultado dessa greve, é preciso ler os três volumes desse épico da liberdade que é A Revolta de Atlas.

Abaixo link para a segunda e terça partes de A Revolta de Atlas
https://www.dropbox.com/s/u2xikcvoe6j7rss/Atlas.Shrugged.2.2012.avi?dl=0 https://www.dropbox.com/s/dkctn7ojj9co5u1/A%20Revolta%20de%20Atlas%20III.mp4?dl=0
Fonte: Portal Libertarianismo

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diga-me com quem andas que te direi quem és: esquerdistas, islâmicos e nazistas

Imã Hach Amin Al-Husseini e Hitler
Se houver 10% de esquerdistas que possam ser considerados democráticos é muito. Geralmente, esses democráticos são os representantes da social-democracia de fato (não de fachada), à parte possíveis críticas ao estado de bem-estar social. O resto é autoritária de natureza e sempre será. Reuniram-se com Ahmadinejad, em junho, por ocasião da Rio +20 como outrora se reuniram com Hitler, que - por sua vez - teve o apoio do fundador do nacionalismo islâmico Hach Amin Al-Husseini na sua política de extermínio dos judeus durante a segunda guerra mundial.

O objetivo de toda essa gente fina foi e continua sendo a destruição das democracias ocidentais e a instalação de regimes totalitários mundo afora. Unem-se agora, em torno desse objetivo comum, e depois se matam, se for o caso. O objetivo dos islâmicos é exterminar os judeus, os cristãos, os budistas, etc. e islamizar o planeta. Estão destruindo igrejas e matando cristãos a rodo nos países árabes enquanto, na Europa e nos EUA, escudando-se no equivocado  politicamente correto, recusam qualquer tentativa de fazê-los adaptar-se aos valores ocidentais, acusando quem os cobra de racistas, islamofóbicos. Tudo isso sob o silêncio cúmplice da imprensa internacional tomada por alienados de vários matizes. A propósito, matéria da Época sobre o tema: Cristofobia

Os inocentes úteis que apoiam a esquerda do Foro de São Paulo que aí está cavam devagarzinho a própria cova. As democracias ocidentais são cheias de imperfeições, como imperfeitos são os seres humanos, mas, perto do que as viúvas do Muro de Berlim são capazes de produzir, tornam-se o paraíso na Terra.

Posto um vídeo à guisa de ilustração. A imagem está ruinzinha mas a legenda é em espanhol, o que facilita a compreensão. Vejam Hitler com o tal Al-Husseini e as declarações mais recentes de líderes islâmicos, incluindo o famigerado Ahmadinejad. Chama-se Hitler y el líder palestino.

Lembremos ainda que a imprensa internacional (latino-americana em particular) vive acusando o tiranete Hugo Chávez, também do Foro de São Paulo, de financiar o desenvolvimento da bomba nuclear do Irã e de estar abrindo espaço para terroristas islâmicos em nosso continente. Lembre, a respeito do apoio de Chávez ao presidente do Irã, entrevista do embaixador israelense em Montevidéu, Dori Goren, ao jornal uruguaio El País. 

Em outras palavras, fiquem bem espertos nas próximas eleições para não bancar os coveiros de si mesmos.

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