"Neurosexismo":

contra o progresso da igualdade de gênero - e da própria ciência

O sequestro do termo "gênero":

uma perspectiva feminista do transgenerismo

Mulheres na Ciência

Estudantes criam bactéria que come o plástico dos oceanos

Mulheres na Ciência:

Duas barreiras que afastam as mulheres da ciência

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Boas Festas e Feliz 2009


Cartão Virtual de Boas Festas e Feliz Ano Novo do site Um Outro Olhar On-line que administro.

"Mais um ano se passou com suas dores e delícias, seus espinhos e carícias, suas derrotas e conquistas.

Mais um ano se aproxima com suas inúmeras perspectivas que se abrirão para novos horizontes, desde que possamos vê-las com um outro olhar.

Boas Festas e Feliz 2009!
Saúde, paz, e um pouco de tudo que de melhor a vida pode oferecer!"

http://www.umoutroolhar.com.br/.


Imagem: Mark Marek

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ativismo lésbico com síndrome de Mister Magoo


O Fantástico do outro domingo (07/12/08) entrou na atual moda da Rede Globo de combater o preconceito contra lésbicas, quem sabe para se redimir dos tempos em que as sáficas iam pro espaço em seus folhetins do horário nobre.

A propósito da novela A Favorita, onde a personagem Catarina (Lilia Cabral) se torna amiga da lésbica Estela (Paula Burlamaqui) e sofre por tabela o preconceito e a discriminação direcionados à colega, o Fantástico elaborou um quadro para mostrar que a arte de fato imita a vida.

O quadro, chamado de Amiga Gay, entrevistou mulheres que, na vida real, são héteros mas têm amigas lésbicas e são discriminadas por isso. Mostra também o preconceito sofrido por duas atrizes que se fazem passar por namoradas num passeio pelos corredores de um shopping. O tom do programa é todo de condenação ao preconceito.

Pois, é! Mas não é que apareceu ativista lésbica dizendo que o Fantástico estava prestando um desserviço às lésbicas com o quadro em questão?!? E por quê? Porque em vez de chamar o quadro de Amiga Lésbica, o Fantástico o intitulou de Amiga Gay. Porque pinçaram uma frase da novela onde a filha da personagem Catarina diz para a mãe: “A senhora não é lésbica, não pode deixar que falem mal de você assim”. Porque as atrizes que se fizeram passar por namoradas, impressionadas com o que ouviram dos transeuntes no shopping, disseram que era melhor fingir não ser lésbica, não dar a cara à tapa. Houve ainda quem dissesse que o Fantástico perdeu a chance de defender o projeto de lei contra a homofobia que tramita no Senado em Brasília!

Gente confusa. A luta é contra o preconceito e não para afirmar identidades políticas. Isso sem falar que a turma das mulheres que se relacionam com mulheres tem um leque amplo de identidades que não se resume à palavra lésbica, à identidade lésbica. Há várias outras. À parte ainda que o Fantástico usou a palavra gay como adjetivo e, durante o quadro, também a palavra lésbica, portanto, dando visibilidade a ambas.

Por outro lado ainda de novo, programas de TV não são militantes, não tem que seguir a cartilha militante, fazer uma espécie de realismo socialista da questão lésbica. A abordagem é outra e só pode ser. A linguagem das novelas e dos programas de TV não pode ser panfletária. Talvez um Globo Repórter, tocando em várias facetas da questão, até incluísse falas mais militantes, mas também sem obrigação de fazê-lo.

O que importa é que a maior rede de televisão do Brasil vem exibindo, em horário nobre, um verdadeiro show contra o preconceito sofrido pelas mulheres que se relacionam com outras mulheres. As novelas da Globo conformam a opinião popular em um nível que a militância jamais conseguiu e duvido que consiga algum dia, entre outras coisas, porque não tem poder para isso.

Além do mais, por fim, identidades políticas só tem sentido se usadas de forma funcional, estratégica e não essencialista. Quando as pessoas começam a achar que é mais importante dar visibilidade à palavra lésbica do que lutar contra o preconceito, é o caso de consultar o oculista, pois estão todas com síndrome de Mister Magoo, aquele antigo e célebre personagem dos desenhos animados que arrumava as maiores trapalhadas por causa de sua visão prá lá de curta.

Postei uma das historinhas do Magoo para a gente lembrar os problemas que uma miopia acentuada pode causar...rsss

sábado, 6 de dezembro de 2008

Sandálias da miséria

Esta foto dos pés negros assentados em sandálias improvisadas com garrafas de água e tiras de trapos de pano, faz jus ao velho ditado de que uma imagem vale mais do que mil palavras. É aparentada àquela foto, do fotógrafo Kevin Carter, da criança morrendo na África sob o olhar atento e ávido de um urubu.

A diferença entre ambas, embora falem dos extremos a que a miséria pode levar o ser humano, é que a foto de Carter reflete uma situação inexorável enquanto a outra aponta ainda para alguma esperança, apesar dos pesares.

A despeito de descrever uma situação de penúria que viola o direito de qualquer pessoa de ter condições de se prover com vestuário básico (uma sandália de verdade, um sapato) e manter condições de higiene necessárias à saúde, a imagem também apresenta a capacidade criativa do ser humano mesmo diante de grande adversidade. Não deixa de surpreender, à parte a tristeza que a imagem evoca, a engenhosidade do portador daqueles pés pretos de compor um “pisante” com o lixo não-reciclável de garrafas pet.

Desta engenhosidade se pode tirar a lição de que sempre existem alternativas possíveis para os problemas relativos à saúde, alimentação, educação, etc...já que, muitas vezes, dada à permanência desses problemas, somos inclinados a vê-los até como naturais. Pobreza, miséria, violência, corrupção são fatos tão corriqueiros, sobretudo no Brasil, que acabamos acreditando que sejam mesmo insolúveis, numa concepção perigosa que não confere com a realidade.

A bem da verdade, bastaria que se aplicassem simplesmente alguns dos artigos da Declaração dos Direitos Humanos ou mesmo da constituição do país para que essas imagens dantescas de fome, miséria e pobreza não mais viessem a nos assombrar, envergonhar. Um bom passo é sem dúvida o conhecimento dos direitos humanos, dos mecanismos já existentes para garanti-los e o que ainda se pode fazer para ampliá-los.

Música Milagres/Misérias com Adriana Calcanhoto

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Nós somos campeões do mundo

Pra levantar a moral quando o inimigo interno ou externo parece grande demais, é bom lembrar que somos campeões do mundo, como dizia Fred Mercury, tão gay, na antológica We are the champions. Letra e vídeo abaixo.

I've paid my dues -
Time after time -
I've done my sentence
But committed no crime -
And bad mistakes
I've made a few
I've had my share of sand kicked in my face -
But I've come through

We are the champions - my friends
And we'll keep on fighting - till the end -
We are the champions -
We are the champions
No time for losers
'Cause we are the champions - of the world -

I've taken my bows
And my curtain calls -
You brought me fame and fortuen and everything that goes with it
-
I thank you all -

But it's been no bed of roses
No pleasure cruise -
I consider it a challenge before the whole human race -
And I ain't gonna lose -

We are the champions - my friends
And we'll keep on fighting - till the end -
We are the champions -
We are the champions
No time for losers
'Cause we are the champions - of the world -

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Crimes da paixão: entre a defesa da honra e a síndrome de Medéia.

Embora não tenha acompanhado diretamente o seqüestro da menina Eloá, de 15 anos, mantida refém pelo ex-namorado, no próprio apartamento, durante 5 dias, mais ocupada que estava com a disputa eleitoral, não pude, por fim, deixar de me inteirar do assunto e lamentar o trágico desfecho.

Não se sabe ainda ao certo o que de fato ocorreu quando a polícia invadiu o apartamento (estão para fazer a reconstituição do crime) que redundou na morte de Eloá (com um tiro na virilha e outro na cabeça), no ferimento da amiga Nayara (levou um tiro no rosto) e na prisão do agressor Lindemberg Alves, 22.

Até agora, a tendência é apontar enorme incompetência da polícia numa ação que tirou do prédio o criminoso vivo e as duas reféns feridas, uma de morte. Isso sem falar nas desastradas declarações do comandante da ação policial que disse à imprensa não ter optado por atingir o agressor, antes da invasão, por ele ser um jovem apaixonado.

Análises sobre o crime pipocaram por todos os lados e, naturalmente, as feministas culparam o machismo do jovem e da própria sociedade brasileira que engendra este tipo de solução masculina para amores rejeitados. Foram acompanhadas nessa linha por psicólogos e psiquiatras. Apenas em algumas opiniões se levantou também a questão da profunda perturbação emocional em que se encontrava o rapaz.

Como sigo a perspectiva de desafinar o coro dos contentes, queria fazer uma análise um pouco diferente do já dito. Primeiro que, claro, no caso de Eloá, considerando a diferença de idade entre os ex-namorados, responsabilizar a vítima adolescente pelo ocorrido, em qualquer nível, é inadequado, para dizer o mínimo.

Mas e se fosse uma mulher adulta em outro caso passional? Realmente seria possível tachar a agredida apenas como vítima, sem ao menos considerar a possibilidade de ela também ter sido inábil na administração da separação? Sem considerar o estado de perturbação emocional, por exemplo, de um homem que se descobre traído, lembrando inclusive o que ainda pensa a sociedade sobre os “cornos”? Seria sempre a mulher apenas a vítima indefesa nas mãos do sempre brutal algoz masculino?

Mulheres também são passionais e igualmente buscam vingar-se de seus/suas ex-parceir@s (lésbicas sabem bem disso). A diferença é que, privadas em geral da possibilidade de expressar o ressentimento pela via da violência física, dadas às diferenças de poder existentes entre homens e mulheres, as mulheres em geral se utilizam de outros artifícios para reparar o ego ferido.

Se os homens ainda atacam de defesa da honra, como desculpa para seus tresloucados gestos, as mulheres atacam de síndrome de Medéia, a célebre personagem da mitologia grega que, abandonada por Jasão, mata os próprios filhos para vingar-se do esposo que a trocara por outra. Isso sem falar de outros expedientes não menos dramáticos de que se utilizou essa personagem nessa tragédia grega que expressa tão bem o lado sombrio do feminino.

Nos versos de Sêneca (Medéia):
Nenhuma força no mundo
nenhum incêndio, nenhum ciclone
Ou máquina de guerra
Possui a violência de uma mulher abandonada
Nem sua violência, nem seu ódio.

Ou nos versos de Chico Buarque: “dei para maldizer o nosso lar/ para sujar teu nome, te humilhar/ e me vingar a qualquer preço/ te adorando pelo avesso/só para mostrar que ainda sou tua/ até provar que ainda sou tua (Atrás da Porta)". Casos de mulheres que buscam “matar” @s parceir@s atacando a imagem e a credibilidade d@s ex até mesmo em nível de trabalho não são raros. Há as que passam uma vida inteira purgando o despeito, colocando-se inclusive na situação patética de buscar vingança contra um fantasma, já que as pessoas não ficam – como fotografias – estáticas no tempo. Algumas Medéias conseguem inclusive arruinar a vida de seus desafetos. E saem impunes de seus malfeitos.

Claro, não estou defendendo a impunidade para crimes passionais, que, na verdade, é o x desta questão. Apenas me desagrada, pelo maniqueísmo, a visão da mulher sempre como vítima e do homem sempre como algoz. Querer que Lindemberg Alves pague pelo crime que cometeu é uma coisa. Negar que ele possa ter feito o que fez tomado por profunda perturbação emocional, reduzindo-o a um machista sádico, é outra. Afinal também arruinou a própria vida.

O sentimento da separação é comparado por especialistas com o sentimento de luto, como uma espécie de experiência de morte. Dependendo de como se dá a separação pode ocorrer uma ferida narcísica que personalidades mais frágeis tentam sarar com a morte daquela/daquele que cometeu o crime do abandono. Dizer então que é somente questão de machismo não seria muito simplista?

E não, não estou me contradizendo, já que afirmei acima que o comandante da operação de resgate de Eloá deu a declaração desastrada de que não atingira Lindemberg porque tratava-se de um rapaz apaixonado. Se atingir Lindemberg fosse a única solução possível para pôr fim àquela situação – o que é bastante discutível do ponto de vista técnico – era a ação que deveria ter sido tomada, pois independente de estar “apaixonado“, ele estava armado e ameaçava a vida de duas meninas desarmadas. O indiscutível agressor era ele, e empatia com o coração partido do rapaz não cabia na situação. Aqui parece ter mesmo rolado sexismo, ainda que inconsciente.

Mas enfim, nestes assuntos de amores rejeitados e corações partidos, todo cuidado é pouco de modo que a sede de justiça não leve a análises simplistas e maniqueístas e não vire apenas sede de sangue da mesma forma que a perturbação emocional dos agressores, ainda que não deva ser desconsiderada, não se torne desculpa para a impunidade.

Foto: Nayara e Eloá
Música: Atrás da Porta, Chico Buarque de Holanda,
com Elis Regina

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Canção da tarde no campo




















Caminho do campo verde
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a tarde é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vais fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
Subo monte, desço monte.
meu peito é puro deserto.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.

©Cecília Meireles

Imagem: Márcio Camargo

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sympahty for the devil - Simpatia pelo Diabo

A invenção de Deus

A humanidade inventou Deus
porque existe o desespero
porque existe a incerteza
porque existe o imponderável.

Por causa dessa incomensurável solidão
Que é a única coisa que nos acompanha
até a hora da nossa morte. Amém!
--------------------------------
Daí que minha simpatia vai para Lucífer ou Lilith (como queiram)!

Sympathy for the devil - Rolling Stones



(M. Jagger/K. Richards)

Please allow me to introduce myself
I'm a man of wealth and taste
I've been around for long, long years
Stole many man's soul and faith

And I was 'round when Jesus Christ
Had his moment of doubt and pain
Made damn sure that Pilate
Washed his hands and sealed his fate

Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what's puzzling you
Is the nature of my game

I stuck around St. Petersburg
When I saw it was a time for a change
Killed the Czar and his ministers
Anastasia screamed in vain

I rode a tank
Held a general's rank
When the blitzkrieg raged
And the bodies stank

Pleased to meet you
Hope you guess my name, oh yeah
Ah, what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah
(woo woo, woo woo)

I watched with glee
While your kings and queens
Fought for ten decades
For the gods they made
(woo woo, woo woo)

I shouted out,
"Who killed the Kennedys?"
When after all
It was you and me
(who who, who who)

Let me please introduce myself
I'm a man of wealth and taste
And I laid traps for troubadours
Who get killed before they reached Bombay
(woo woo, who who)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah, get down, baby
(who who, who who)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
But what's confusing you
Is just the nature of my game
(woo woo, who who)

Just as every cop is a criminal
And all the sinners saints
As heads is tails
Just call me Lucifer
'Cause I'm in need of some restraint
(who who, who who)

So if you meet me
Have some courtesy
Have some sympathy, and some taste
(woo woo)
Use all your well-learned politesse
Or I'll lay your soul to waste, um yeah
(woo woo, woo woo)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, um yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, um mean it, get down
(woo woo, woo woo)

Woo, who
Oh yeah, get on down
Oh yeah
Oh yeah!
(woo woo)

Tell me baby, what's my name
Tell me honey, can ya guess my name
Tell me baby, what's my name
I tell you one time, you're to blame

Oh, who
woo, woo
Woo, who
Woo, woo
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah

What's my name
Tell me, baby, what's my name
Tell me, sweetie, what's my name

Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah
Woo woo
Woo woo

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

ANIMA ANIMUS


























Mora em mim
Um menino tímido,
Um malandro sacana,
Um Brad Pitt sem fama
Que quer na cama
Uma mulher de seios à espreita,
Numa camisola branca,
De dedos frágeis, boca rubra,
De pernas longas entreabertas,
Com uma vulva ávida e agridoce,
Com seu mar negro onde mergulho fundo
Como quem não quer mais voltar para esse mundo
Onde tudo me atordoa.

Míriam Martinho

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

F comme Femme - M de Mulher

F comme Femme foi um sucesso do cantor e compositor belga-italiano Salvatore Adamo no fim dos anos 60, em 1968 mais precisamente. Eu estava entrando na adolescência e não entendia nada de francês nem de mulher, mas já achava ambos lindos.

Continuo não entendendo nada de francês, só o instrumental, e embora meu conhecimento de mulheres tenha melhorado bastante com o tempo, não saberia dizer o quanto entendo destes meus inesgotáveis objetos de desejo. Quem sabe não sempre fui um homem preso no corpo de uma mulher... rsss

De qualquer forma, continuo achando ambos lindos: o idioma francês e a mulher. Por isso, num momento sessão nostalgia, postei um vídeo com a música (com cenas do Adamo), a letra original e uma tradução que parece apropriada.

Como também femme para nós, por um empréstimo via inglês, é aquela senhorita que faz par com a butch, quem quiser encarar uma dupla leitura da chanson que fique à vontade. Bon appetit!

F comme Femme

Elle est éclose un beau matin
Au jardin triste de mon coeur
Elle avait les yeux du destin
Ressemblait-elle à mon bonheur ?
Oh, ressemblait-elle à mon âme ?
Je l'ai cueillie, elle était femme
Femme avec un F rose, F comme fleur

Elle a changé mon univers
Ma vie en fut toute enchantée
La poésie chantait dans l'air
J'avais une maison de poupée
Et dans mon coeur brûlait ma flamme
Tout était beau, tout était femme
Femme avec un F magique, F comme fée

Elle m'enchaînait cent fois par jour
Au doux poteau de sa tendresse
Mes chaînes étaient tressées d'amour
J'étais martyre de ses caresses
J'étais heureux, étais-je infâme ?
Mais je l'aimais, elle était femme

Un jour l'oiseau timide et frêle
Vint me parler de liberté
Elle lui arracha les ailes
L'oiseau mourut avec l'été
Et ce jour-là ce fut le drame
Et malgré tout elle était femme
Femme avec un F tout gris, fatalité

À l'heure de la vérité
Il y avait une femme et un enfant
Cet enfant que j'étais resté
Contre la vie, contre le temps
Je me suis blotti dans mon âme
Et j'ai compris qu'elle était femme
Mais femme avec un F aîlé, foutre le camp

Salvatore Adamo

M de Mulher
Ela desabrochou numa bela manhã
No jardim triste de meu coração.
Trazia os olhos do destino,
Assemelhava-se a minha felicidade?
Oh, ela se parecia com minha alma?
Eu a colhi, ela era mulher,
Femme como "f" rosa, como flor.

Ela transformou meu universo,
Encantou toda a minha vida,
A poesia cantava no ar,
Eu tinha uma casa de bonecas.
E em meu coração ardia minha chama,
Tudo era belo, tudo era mulher," femme" com um "f" mágico,
"f" de fada.

Ela encantava-me cem vezes por dia
Com o doce arrimo de sua ternura.
Minhas cadeias estavam trançadas pelo amor,
Eu era mártir de suas carícias.
Eu era feliz... e seria eu um infame?
Mas eu a amava, ela era mulher.

Um dia, o pássaro tímido e débil
Veio falar-me de liberdade.
Ela arrancou-lhe as asas,
O pássaro morreu com o verão.
Naquele dia fez-se o drama
E, apesar de tudo, ela era mulher,
Femme com um "f" todo cinzento, de fatalidade.

Na hora da verdade
Havia uma mulher e uma criança,
Aquele menino em que eu me convertera
Contra a vida, contra o tempo.
Estou encolhido dentro de minha alma
E compreendi que ela era mulher.

tradução de Marysa Alfaia

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sexo pago: você faria?

A propósito de uma matéria sobre saunas para lésbicas, rolou uma divertida e significativa discussão, na lista gls, uma das mais freqüentadas do meio lgbt, sobre sexo casual entre mulheres, que acabou terminando num papo sobre dstês e sexo pago.

Me chamou a atenção o fato de as mulheres mais velhas serem mais abertas quanto a possibilidade de sexo casual, sexo entre desconhecidas e mesmo sexo pago enquanto as mais jovens, em geral, mais ligadas ao ideal do amor romântico.

Por medo da transmissão de dstês, em relação as quais as mulheres seriam mais vulneráveis inclusive por questões anatômicas, ou por considerarem que, para fazer sexo, é imprescindível haver ligação afetiva também, a maioria disse que dispensaria as saunas para éLes.

Sexo pago então, nem pensar pelo visto. Mas por que não? Mulheres não teriam simples necessidades físicas também? O que haveria de tão problemático em pagar por sexo? Não seria uma relação às vezes mais honesta e igualitária do que muitas relações amorosas onde falta sinceridade e sobra manipulação?

O que você acha?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Imagine eu e você - Imagine Me and You

Imagine Me and You é uma gracinha de filme. Uma comédia romântica lésbica, com duas mulheres bonitas, todo o mundo compreensivo, e uma cena de reecontro, em meio a um trânsito congestionado, de amolecer o mais empedernido dos corações.




Imagine Me & You
(Imagine Me & You, EUA, Inglaterra, Alemanha, 2005)
Gênero: Comédia
Duração: 94 min.
Produtora(s): BBC Films, Cougar Films Ltd., Ealing Studios, Focus Features, Fragile Films, X-Filme Creative Pool
Diretor(es): Ol Parker
Roteirista(s): Ol Parker
Elenco: Piper Perabo, Lena Headey, Matthew Goode, Celia Imrie, Anthony Head, Darren Boyd, Sue Johnston, Boo Jackson, Sharon Horgan, Eva Birthistle, Vinette Robinson, Ben Miles, John Thompson (5), Mona Hammond, Ruth Sheen

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A implosão da Mentira - Affonso Romano de Sant'Anna

Fragmento 1
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente.
Mentem de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes.
Alegremente mentem.
Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem e calam.
Mas suas frases falam.
E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade pela mentira,
nem à democracia pela ditadura.

Fragmento 2
Evidente/mente
a crer nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo permanente.

Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.

Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho.
Mentem com a cara limpa
e nas mãos o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre. Mentem
fabulosa/mente
como o caçador que quer passar
gato por lebre. E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.

E assim cada qual
mente industrial?mente,
mente partidária? mente,
mente incivil? mente,
mente tropical? mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.

E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país de mentira
—diária/mente.

Fragmento 3

Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.

Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.

Mentem como se Colombo
partindo do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.

Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.

Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.

Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.

Penso nas flores cuja verdade das cores
escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre
diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.

Fragmento 5
Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.

Para tanta mentira
só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.

E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.

Poema publicado em 1980, pelo autor, em vários jornais, mas também em algumas antologias como A Poesia Possível, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1987.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Poema da MENTE - Paródia do poema A Implosão da Mentira de Affonso Romano de Sant`Anna


Há um presidente que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,

Mais que mente, sobretudo, impune/mente...

Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
Vai nos enganar eterna/mente.

Um passarinho verde me repassou e resolvi postá-lo. Depois vou postar o poema original, A Implosão da Mentira, pois é tão pertinente ao momento atual do país quanto o foi na época de sua publicação ainda na década de oitenta.

sábado, 6 de setembro de 2008

Ridendo Castigat Mores - Rindo se Criticam os Costumes

Após ler um manifesto onde 8 integrantes de grupos lésbico-feministas, em 5 parágrafos, de uma a duas frases cada, se propõem a substituir a machista e patriarcal Declaração Universal dos Direitos Humanos pela feminista e revolucionária Declaração das Esquerdas Humanas, não sei porque me veio a cabeça o genial Charles Chaplin em O grande Ditador.

Acho que porque dizem que só se faz política seriamente, assim em tom de queda da Bastilha, esquecendo-se que de fato o grande feito dos feitos da geração de maio de 68, da revolução sem sangue que mudou tantos os costumes nos últimos 40 anos, foi colocar a política nos muros, na poesia, no humor.

O Grande Ditador é uma obra-prima do lema Ridendo Castigat Mores (Rindo se Criticam os Costumes), feita antes que o mundo viesse a saber dos horrores da perseguição aos judeus, dos campos de concentração, da loucura nazista. Difícil escolher qual cena é mais engraçada na impagável imitação de Hitler ou de Mussolini, respectivamente Adenoid Hynkel e Bonito Napoloni.

Escolhi o discurso que Hynkel, ditador da Tomânia, dirige a seus asseclas, para ilustrar o tema deste post, já que há momentos em que - realmente - só rindo. Acrescentei um outro vídeo que compara o discurso de Hynkel com o de Hitler (o próprio). Vejam que impressionante.



Gosto não se discute

Rachel Weisz, de A Múmia e o Jardineiro Fiel, foi eleita a atriz mais sexy numa lista de 10 atrizes, segundo pesquisa do tablóide “The Sun”. Votaram 4000 sapatas britânicas na enquete chamada “ As mulheres que amaríamos amar”.

As 10 mais quentes foram: 1- Rachel Weisz 2- Nicole Kidman 3- Minnie Driver 4- Kate Winslet 5- Naomi Watts 6- Keira Knightley 7- Thandie Newton 8- Emily Blunt 9- Catherine Zeta-Jones 10- Cate Blanchett
Beeem, gosto da Rachel. Ela está ótima em A Múmia 1 e 2, porém, a mais sexy, numa lista onde está a Catherine Zeta-Jones? Acho que o fog londrino confundiu nossas manas inglesas.

Claro que eu jamais dispensaria a gracinha da Rachel da minha cama, mas sem dúvida a Nicole Kidman, a Naomi Watts e a Catherine Zeta-Jones me parecem bem mais apetitosas.

Agora, contudo, como diz o título dessa postagem, gosto realmente não se discute. E que viva a democracia na sapatolândia internacional!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Realidade














Em ti o meu olhar fez-se alvorada
E a minha voz fez-se gorgeio de ninho…
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura pálida do linho…

Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada…
E a minha cabeleireira desatada
Pôs a teus pés a sombra dum caminho…

Minhas pálpebras são cor de verbena,
Eu tenho os olhos garços, sou morena,
E para te encontrar foi que eu nasci…

Tens sido vida fora o meu desejo
E agora, que te falo, que te vejo,
Não sei se te encontrei… se te perdi…

(Florbela Espanca )

domingo, 17 de agosto de 2008

Agosto: Mês da Palhaçada Lésbica

Todo ano, desde 2003, quando foi lançado do Dia do Orgulho Lésbico, em homenagem a primeira manifestação lésbica contra o preconceito ocorrida no Brasil, em 19 de agosto de 1983, em São Paulo, o mês de agosto virou uma palhaçada lésbica.

Explico. É que, em 1996, algumas ativistas lésbicas (na época havia uns 5 grupos no máximo no Brasil) se reuniram no que veio a ser chamado Seminário Nacional de Lésbicas, na cidade do Rio de Janeiro. Uma das propostas desse seminário foi lançar o dia da visibilidade lésbica que calhou de ser 29 de agosto.

Como as outras decisões desse seminário, a proposta de se comemorar o tal dia da visibilidade lésbica não saiu do papel, durante os 6 anos seguintes a seu lançamento, limitando-se a alguma atividade intramuros de um grupo ou outro, algo bem surreal considerando tratar-se de um dia da visibilidade.

De fato, a idéia dos Seminários Nacionais de Lésbicas foi uma boa idéia, naufragada pelo clima de clube de comadres que se estabeleceu nesses eventos, por causa principalmente da presença de algumas lésbicas ligadas ao movimento feminista, movimento onde as lésbicas formaram uma espécie de guetão de mulheres de classe média, autocentrado, autoreferencial e ironicamente enrustido.

Em 2003, quando o SENALE teve sua versão paulistana, no período de realização da Parada do Orgulho, o clima de clube de comadres ficou ainda mais acentuado e a postura mais excludente. Inclusive para tentar estabelecer outras vias mais democráticas para a organização lésbica brasileira e/ou simplesmente para ter um dia para comemorar, a Rede de Informação Um Outro Olhar e a Secretaria de Lésbicas da Associação da Parada GLBT de SP, lançaram o Dia do Orgulho Lésbico publicamente, em junho de 2003, e passaram a celebrá-lo no mesmo ano, em agosto.

Essa data já era uma data referencial desde 1991, quando foi dedicada à memória de Rosely Roth, que encabeçou o protesto no Ferro’s Bar, local da manifestação citada, e reiterada em outubro de 2000, como Dia do Orgulho Lésbico Brasileiro, embora só tenha sido lançada publicamente em 2003. A projeção que o dia ganhou, pela divulgação na imprensa, por ocasião de seu lançamento público, contudo, provocou a sanha competitiva da turma do dia da visibilidade, o tal que nunca havia sido comemorado, cujo apelido era inclusive dia da invisibilidade.

Na guerra suja que se seguiu, uniram-se à turma do dia da visibilidade seus congêneres políticos, como os ativistas glpetistas (lembrando que o lulo-petismo estava chegando ao poder em 2003) e as feministas homossexuais e de outras orientações, agora em maior número. Estas, desde 2002, estavam buscando uma brecha por onde se infiltrar na mal-alinhavada organização lésbica brasileira e se encarrapatar na evidência da questão homossexual e lésbica que as Paradas do Orgulho GLBT conseguiam, cada vez mais, no cenário social e político do país, sem falar no resto do mundo. A disputa dos dias caiu como uma luva para elas. Inflado artificialmente por essas duas forças, que antes nunca haviam dado a mínima para a questão lésbica, o dia da visibilidade ganhou volume, vendendo-se com base na história da carochinha de que teria sido lançado por uma plenária de 100 ativistas lésbicas em 1996 (sic) e sido comemorado desde então (sic).


Paralelamente a isso, essa turma lançou uma ofensiva pesada contra o dia do orgulho lésbico como detalho no texto Dia da Visibilidade: 12 anos de história mal contada , onde se incluíram expedientes como difamação, pressão para que as pessoas não o apoiassem (a ponto de um rapaz que até fez doações a uma das versões da celebração do evento pedir para não ser identificado), a extensão da data da visibilidade para todo o mês de agosto, que virou mês da visibilidade, e o mantra autoritário de que esse dia é o que teria validade porque seria comemorado desde 1996 (sic) em todo o país. Isso sem falar nas mais xiitas que tem a cara-de-pau de dizer que “são do movimento e não reconhecem essa data (em referência ao dia do orgulho)”. Estou há 29 anos na organização lésbica brasileira e acho muita graça dessas que apareceram nos últimos 5 e se acham donas de um movimento cuja história desconhecem.

Na verdade, inconformadas com a manutenção das celebrações do dia do orgulho lésbico, apesar de toda a pressão em contrário, pois elas não conseguem conviver com a diversidade, embora cobrem isso da sociedade, a turma da visibilidade vem se esmerando a cada ano nas formas de tentar invisibilizar a data do orgulho, em ações que até parecem um contrasenso.

Neste ano de 2008, por exemplo, não se sabe se por confusão de alguns ou de algumas ou só por má-fé mesmo, a nova foi citar o histórico do dia 19 de agosto mas apontá-lo como dia da visibilidade ou, numa outra variante, dizer que se está comemorando, no dia 29 de agosto, o dia do orgulho e da visibilidade e assim vai. Como as datas são parecidas e se são dão no mesmo mês, a história, a cada ano, vem descambando, mais e mais, para o circo pura e simplesmente. Claro, haveria alternativas para nos poupar do ridículo crescente, mas não há gente séria para entender isso.

Daí, agosto, que sempre foi o mês do desgosto, também ter virado, o mês da palhaçada lésbica no Brasil.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

SONETO DE DEVOÇÃO - Vinicius de Moraes

Sambesi - Joachim Schneider
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez... — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

And the L Oscar goes to...

Recebi a indicação do blog Não Memórias de Uma Lésbica. Clique na imagem para ir até lá. Thanks, Márcia.

Regras
O prêmio deve ser atribuído aos blogs que vocês considerem ser bons. Entende-se como bons blogs aqueles que vocês costumam visitar regularmente e deixar comentários.

- Se você recebeu o “Diz que até não é um mau blog”, deve escrever um post indicando a pessoa que lhe deu o prêmio com um link para o respectivo blog. Neste post devem aparecer o selo e as regras.

- Indique outros nove blogs ou sites para receberem o prêmio.

- Exibir orgulhosamente o selo do prêmio no seu blog, de preferência com um link para o post em que fala dele e de quem te presenteou.

And my Oscars go to:

Duas
Cheia de Manha

Lésbica Disléxica
Meninas Supersapatosas
Não Memórias de uma Lésbica

Queer Girls
Uvanavulva


Veja os links no Línks Legais

E sempre quase todo dia acrescento mais um bem legal...

domingo, 20 de julho de 2008

Batman - O cavaleiro das Trevas

domingo, 13 de julho de 2008

Algum dia você poderia

Manchei o mapa cotidiano
jogando-lhe a tinta de um frasco.
E mostrei oblíquas num prato
As maçãs do rosto do oceano.

Nas escamas de um peixe de estanho
li lábios novos chamando.

E você? Poderia algum dia
por seu turno
tocar um noturno louco
na flauta dos esgotos?

Maiakóvski, 1913 (tradução Haroldo de Campos)

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Devolva-me - Adriana Calcanhoto

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Entrevista de João Silvério Trevisan ao Instituto Humanitas Unisinos


O movimento homossexual brasileiro já milita pelos direitos dos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis há mais de 30 anos. Inúmeros encontros, debates e manifestações foram feitos para reivindicar os direitos dos homossexuais, mas apenas agora, a partir do chamado do Estado, foi feita a 1ª Conferência do Movimento Homossexual do Brasil. Por que esse ineditismo nesse momento? Segundo João Silvério Trevisan, “todo organismo centralizador tende a concentrar poder, para melhor exercê-lo”, e aí inclui também a ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros), que organizou o evento. Nesta entrevista, concedida por e-mail, Trevisan dá a sua opinião sobre a conferência, fala da proposta de mudança da sigla e das políticas públicas para os homossexuais. “Sem fazer nenhuma propaganda direta, a ABGLT sagrou a modernidade do Presidente, colocando uma auréola de tolerância em torno da sua cabeça. Politicamente, foi um presentão que lhe deram, com rendimento de prestígio a médio e longo prazo, tanto no Brasil quanto no exterior”, afirma na entrevista concedida à IHU On-Line.

João Silvério Trevisan é escritor, jornalista e ativista GLBT brasileiro. Na década de 1970, fundou o grupo Somos, com o intuito de defender os direitos dos homossexuais. Estudou filosofia. É autor de diversos livros, tais como: Seis balas num buraco só: a crise do masculino (Rio de Janeiro: Record, 1999) e Pedaço de mim (Rio de Janeiro: Record, 2002).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual é a sua análise sobre a 1ª Conferência do Movimento LGBT? E qual a influência que tem para o movimento o fato de o Estado ter convocado a conferência?
João Silvério Trevisan – Como alguém de fora, minha primeira questão é saber o motivo de nomear o evento como 1ª Conferência. Desde 1980, já tivemos inúmeros Encontros Nacionais de Homossexuais, nos quais se debatiam questões vitais para o movimento GLBT. Por isso, tenho dificuldade de entender a razão desse autoproclamado ineditismo. Seria um esforço em acrescer prestígio, para reforçar seu poder? Todo organismo centralizador tende a concentrar poder, para melhor exercê-lo. A ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros) não é exceção, muito pelo contrário. Sempre se mostrou uma pequena confraria fechada em si mesma, preferindo resolver os problemas em diálogo direto com o poder central, ao outorgar-se o papel de porta-voz dos homossexuais brasileiros. Em outras palavras, importa-lhe estar o mais perto possível do poder. Isso corresponde a uma postura típica da esquerda brasileira mais tradicional, de realizar as mudanças (ou a "revolução") de cima para baixo.

A raiz está na crença leninista de que um partido (e seu comitê central) deverá conduzir a revolução em nome de uma classe eleita (o proletariado), e impô-la a uma "sociedade sem classes". Com isso, sindicatos e movimento sociais acabaram sendo não apenas dispensáveis, mas "contrários ao socialismo", caso se desviem dos objetivos impostos pelo Partido Comunista. A situação política de Cuba é bem ilustrativa desse clima, com suas associações e sindicatos que, no máximo, são correias-de-transmissão partidária. É inevitável que esse comitê central irá criar um novo núcleo de privilegiados, uma nova classe dirigente que está acima da verdade.

Autonomia

Em paralelo com as "revoluções" socialistas, algo semelhante vem acontecendo com o movimento homossexual brasileiro, desde seus primórdios, quase 30 anos atrás, quando um núcleo marxista coeso deu um golpe no Somos (o primeiro grupo de liberação homossexual brasileira), para agregá-lo ao então nascente Partido dos Trabalhadores, no início da década de 1980. O princípio da autonomia dos movimentos da sociedade civil, sempre fundamental dentro do Somos, foi o estopim que opôs os marxistas centralizadores a autonomistas de tendência libertária. E os centralizadores ganharam a parada.

IHU On-Line – O que você tem a dizer da proposta de mudança da sigla?
João Silvério Trevisan – Decidiu-se que agora se deverá dizer LGBT, para falar da comunidade homossexual. Ao invés de ABGLT, talvez tenhamos a "nova" ALGBT. Aparentemente, tudo bem. Quer dizer, para mim tanto faz se o L das lésbicas esteja na frente. Mas, como velho guerreiro do movimento homossexual, eu sei muito bem que mudanças como essa são reflexo das lutas transcorridas não tão surdamente entre as lideranças, na disputa de poder. Se continuar essa luta entre poderes manifestos nas letrinhas, logo mais talvez se decida que o mais correto será TLGB, e assim por diante – sempre de acordo com as pressões exercidas, à medida que um grupo ganhe mais poder sobre os demais.

Tudo isso mostra como o movimento homossexual brasileiro é antes de tudo um saco-de-gatos, cada vez mais complicado, quanto mais proximidade houver com o poder central e envolvimento com a distribuição de verbas. Em resumo, o que tenho visto nessas três décadas de luta pelos direitos homossexuais é um distanciamento cada vez maior da solidariedade fundamental para um movimento social, e cada vez mais um amontoado de ressentimentos que se multiplicam quanto mais o sentimento de solidariedade desaparece. Basta participar de um desses Encontros Nacionais de Homossexuais para constatar como as lutas pelo poder levaram a um vale-tudo, onde imperam "conchavos", mentiras, tapetadas, calúnias, traições, trocas públicas de ofensas e até ataques físicos.

IHU On-Line – Como o senhor analisa o posicionamento do presidente junto ao movimento? O que achou do discurso dele durante a Conferência?
João Silvério Trevisan – O presidente Lula parece que evoluiu muito, desde os velhos tempos em que manifestava posições canhestras e constrangedoras – como no caso da "cidade que exporta viados", quando do seu infeliz comentário em Pelotas. Tal mudança mostra que ele tem assessores competentes, que o ajudaram a evoluir para uma postura mais crítica diante do machismo e do preconceito homossexual. Não tenho nada a reclamar sobre a sagacidade e timing dessa assessoria. Acho até legal que um presidente apóie o movimento. Mas que ele seja mais um ator, e não o líder, que foi o papel a ele delegado.

Sem fazer nenhuma propaganda direta, a ABGLT sagrou a modernidade do presidente, colocando uma auréola de tolerância em torno da sua cabeça. Politicamente, foi um presentão que lhe deram, com rendimento de prestígio a médio e longo prazo, tanto no Brasil quanto no exterior. De um modo ou de outro, a cena política foi muito bem calculada pelo petismo presente no movimento homossexual. Mas, infelizmente, outra vez a comunidade homossexual acabou perdendo, de um ponto de vista político. Mesmo ocorrendo conferências preparatórias (em nível municipal e estadual) do encontro nacional, é importante considerar a estratégia escolhida pela ABGLT para viabilizar essa 1ª Conferência GLBT. Concordou-se que todas as ações, inclusive estaduais e municipais, deveriam ser convocadas pela Presidência da República.
Papel de Lula perante o movimento

Antes de tudo, colocar o presidente do país como o motor de um encontro nacional de homossexuais significa dar a ele um papel muito maior do que lhe cabe. Claro que essa estratégia política amealhou poder (inclusive financeiro) para viabilizar as várias fases do evento. Pode ser mesmo que os resultados sejam bons, em nível de políticas públicas para a comunidade homossexual brasileira. Mas certamente as lideranças presentes nos debates não se deram conta do que se perdeu, com essa estratégia de barganha entre poderes. Por um lado, reforçou-se politicamente a figura do presidente como um homem que luta pelos direitos homossexuais. E, por mais que Lula de fato tenha deixado para trás suas posições preconceituosas (e só algumas vezes tornadas públicas), quem mais saiu ganhando foi ele, seu governo e seu partido.

Desde os primórdios, o PT apoiou causas modernas para ganhar prestígio como partido moderno, entre amplos setores da população brasileira, sobretudo à esquerda. Para a ABGLT, acostumada a trabalhar nos corredores do poder e em contato direto com o PT, não há nenhum problema. Mas o que sobra da experiência é que tal aliança entre políticos e líderes homossexuais reforça ambos os pólos de poder. Não importa que a comunidade representada pela ABGLT tenha sido alijada dessa estratégia. O raciocínio da ABGLT é, certamente, que a população homossexual será beneficiada e ficará agradecida. Com isso, reforçamos o paternalismo perenizado na vida política brasileira. Pode ser que a Conferência GLBT e tantas outras ações de diálogo entre poderes tenham frutos bons, de algum modo, mudando leis e conscientizando autoridades. Mas repito: o grande perdedor acaba sendo a consciência coletiva dos homossexuais, por estar ausente dessas lutas. Aliás, no caso do poder concentrado da ABGLT, o menos importante parece ser a comunidade homossexual.

Política e movimento homossexual brasileiro
A idéia de promover um crescimento da consciência política de homossexuais só aparece como corolário das leis impostas e das transformações vindas de cima. Como resultado político, a última coisa que se poderá ver, no caso brasileiro, é a população homossexual assumindo sua própria voz e tomando atitudes coletivas para lutar por seus direitos. Assim, não é de estranhar que a comunidade homossexual brasileira tenha um nível de consciência política lamentável sobre seus direitos e sobre si mesma. E apresente condição ínfima de se mobilizar enquanto movimento social, para lutar pelos seus direitos, confinada que está a um purgatório de desinformação. Um dos sintomas de sua falta de consciência política é que ainda não temos representantes da comunidade homossexual eleitos por ela para o Congresso Nacional e raramente para as Assembléias estaduais.

Na última Feira Cultural da Parada GLBT de São Paulo, vários homossexuais foram até a barraca dos organizadores perguntar sobre o sentido do termo "homofobia" (presente no tema político deste ano). Tal ignorância é mais um sintoma de como anda a consciência da população homossexual. Como conseqüência, as lutas pelos direitos homossexuais são levadas adiante por pequenos grupos de lideranças, o que torna essa luta invisível, enquanto movimento social, e dá aos líderes amplos poderes de manipulação. Politicamente, a estratégia de concentrar poder é lamentável e perigosa. Durante séculos, homossexuais foram calados por autoridades eclesiásticas, jurídicas e médicas, que os definiam e interpretavam. Atualmente, parece que os sucessores dessas autoridades são as próprias lideranças homossexuais, impotentes ou inconscientes da importância de dar voz a cada um/a daqueles/as que são oprimidos e deveriam gritar por seus direitos.

Por isso, o movimento homossexual no Brasil se concentra na classe média, ou seja, numa verdadeira elite homossexual, conseguindo atingir a comunidade só muito indiretamente e com capacidade nula de mobilização comunitária. Basta estar presente a qualquer evento ligado aos direitos homossexuais para constatar uns poucos gatos-pingados – e quase sempre os mesmos. A ausência da comunidade GLBT, substituída por líderes, é o efeito lógico de uma linha política copiada dos movimentos de esquerda tradicional e já consagrada no movimento homossexual brasileiro: o poder gay em diálogo direto com o poder político da vez, prescindindo da pressão coletiva.

Parada gay
A grande e honrosa exceção à estratégia elitista são as Paradas GLBT, que se multiplicam por todo o país. Politicamente, elas são um fato importantíssimo, mesmo que muita gente as ataque como mero carnaval fora de época. Apesar de serem uma afirmação isolada no ano, acredito que sejam o único evento em que homossexuais de todo o país vão às ruas com uma atitude de afirmação do seu direito de amar, propiciando um importantíssimo fator de visibilidade para a sociedade democrática. Com todas as ressalvas que possam apresentar, as Paradas são o único movimento de luta direta e autônoma da população homossexual brasileira, em que cada qual solta sua própria voz. Acho que o florescimento de uma consciência homossexual dentro da população GLBT brasileira só ocorrerá quando incontáveis lideranças se disseminarem e pipocarem por todo o país, até o ponto de não haver mais necessidade de porta-vozes. Ou seja, diluindo o poder concentrador de órgãos como a ABGLT.

IHU On-Line – As políticas públicas que envolvem os direitos dos homossexuais no Brasil estão de acordo com os anseios do movimento gay? Há muito ainda a se fazer?
João Silvério Trevisan – Essas políticas públicas, extremamente necessárias, apenas começam a ser pensadas, no Brasil. Está tudo por fazer. Obviamente, o Congresso GLBT em Brasília não inaugurou tal discussão. Em 2002, no início do governo da Marta Suplicy em São Paulo, um grupo supra-partidário GLBT, do qual eu fazia parte, organizou autonomamente por três dias, na Câmara dos Vereadores, um Seminário de Políticas Públicas Homossexuais, quando ainda nem se pensava nisso. Pela primeira vez em São Paulo, inúmeros grupos da sociedade civil se juntaram aos grupos de ativismo homossexual, na promoção e apoio a esse evento. Entre associações profissionais e instituições universitárias, contavam-se mais de 20 entidades, sem contar participantes independentes.

Nos três dias de intensos debates sobre políticas públicas voltadas para homossexuais, apontamos ações necessárias nas áreas de saúde, educação, profissionalização, leis e atendimento legal e psicológico à população GLBT. Ao final, elaboramos um documento, que posteriormente foi apresentado a então prefeita Marta Suplicy. Um dos organizadores do seminário era o Carlos Giannazzi, um vereador então rebelde a várias diretrizes do PT. A prefeita simplesmente recusou-se a receber nossas conclusões, pensadas justamente para ajudar um governo que, pensávamos, iria contemplar as necessidades da população homossexual. Boicotado pelas lideranças que apoiavam a então prefeita, nosso documento e suas conclusões caíram no esquecimento.

A concentração de poder nas mãos de petistas ortodoxos, dentro do movimento homossexual, não permite que algo se realize fora dos círculos partidários do PT. O silêncio em torno das conclusões do Seminário de Políticas Homossexuais foi apenas mais uma evidência de como o governo do PT na cidade de São Paulo foi um dos mais avessos à comunidade homossexual paulistana, por incrível que pudesse parecer a todos/as nós que lutamos para eleger Marta. Ambiciosa por uma carreira política de longo alcance, a então prefeita preferiu nos dar as costas e mostrar-se mais palatável aos eleitores evangélicos e conservadores.

Para quem pôde e quis entender, foi um exemplo acabado de como as razões partidárias se sobrepõem, indiscutivelmente, às razões dos movimentos sociais. Foi o que sentiram os militantes GLBT diante dos policiais da Guarda Civil que barraram sua entrada na Prefeitura, enquanto as portas do prédio se fechavam para evitar que eles fossem falar com a então prefeita, como pretendiam. Muitos deles/as choraram inconsoláveis diante da cena. Foi um dos últimos gestos anti-homossexuais do governo Marta Suplicy, já no apagar das luzes da sua gestão em São Paulo. Acho difícil esquecer tal desfaçatez. Sobretudo porque ela é uma clara evidência de que a luta homossexual serve enquanto não atrapalha as pretensões do partido.

terça-feira, 8 de julho de 2008

L de Liberdade

Como já é de conhecimento geral, uma das propaladas conquistas da I Conferência Nacional GLBT (no início de junho deste ano em Brasília), convocada pelo governo federal (algo irônico em si mesmo), foi a inversão na ordem da sopa de letrinhas onde se junta o verdadeiro saco de gatos conformado pelos deserdados da sociedade hetero-compulsória, ou seja, transexuais, travestis, bissexuais, lésbicas, gays e etcetera.

Agora todo mundo está convocado a utilizar a sigla LGBT, com as lésbicas puxando o carro. A proposta, tirada da cartola do recém-formado grupo de mulheres feministas (?!) da ABGLT tem rendido falsas polêmicas e irritações.

Na verdade, tudo soa falso em toda essa história seja pelo arrazoado, cheio de clichês em feministês, utilizado por algumas supostas líderes de lésbicas para justificar a mudança, seja pelo simples fato de que o uso da sigla LGBT já é uma convenção de séculos em outras partes do mundo e mesmo no Brasil. Ainda que travestis e alguns gays tenham chiado com essa prioridade lésbica, no geral tudo foi tão fácil quanto cortar manteiga.

Ao que tudo indica, embora o L na frente da sigla tenha sua simbologia (eu mesma o utilizo assim), pelo exposto acima, a mudança teve mesmo mais a ver com a necessidade do tal grupo de mulheres feministas da ABGLT de "mostrar serviço". Como todos sabem a troca não representa nenhuma mudança real na situação das lésbicas dentro do movimento sopa de letrinhas. Aliás, em lugar algum.

As ativistas lésbicas brasileiras parecem bolinhas de pingue-pongue numa eterna partida entre gays e feministas, com cada set sendo ganho por um dos jogadores em questão. De 2003 para cá, ansioso por pegar carona na evidência da questão homossexual em geral e lésbica em particular, para a qual nunca contribuiu em nada, o Movimento Feminista tem movido um dos mais impressionantes processos de (re)cooptação e (re)aparelhamento do ativismo lésbico brasileiro de que se tem notícia (igual só o que o PT fez com os movimentos sociais), chegando ao ponto de, na última caminhada de lésbicas, o aborto já estar sendo inclusive colocado como reivindicação lésbica (sic) na área de saúde, embora todo mundo saiba que lésbicas não fazem aborto.

Na mesma linha, o tal grupo de mulheres da ABGLT tem um projeto feminista para a entidade, cujo fundamento ideológico não sabe ou não quer esclarecer (considerando o feminismo se dividir em numerosas correntes até mesmo antagônicas), que, além de certas obviedades, como maior espaço e poder para as mulheres na associação, prevê apoio as campanhas do movimento feminista e seminários sobre feminismo.

A palavra feminista vem inclusive sendo utilizada de forma descaradamente essencialista como uma espécie de bálsamo contra os males da sociedade patriarcal, uma oposição inteiramente positiva à sociedade machista inteiramente negativa. Só podem concordar com isso as ingênuas, as mal-informadas ou as de má-fé. Uma das lições de vida que se aprende ao conhecer o movimento feminista é de que as diferenças entre homens e mulheres se resumem ao poder que uns têm e outras não têm. Tendo poder, como naquele velho ditado de que a ocasião faz o ladrão, essas diferenças desaparecem, e as mulheres têm se revelado capazes das mesmas cruezas que sempre caracterizaram o exercício do poder masculino.

Então, se é para pôr o L na frente, que seja na frente dos olhos e do coração das lésbicas, tendo na frente as nossas prioridades, a nossa agenda, as nossas vidas. Que seja o L de Liberdade.

sábado, 5 de julho de 2008

Palavras de ordem lésbicas sexuais, reprodutivas, políticas, insurgentes e transgressoras


- As amazonas sabiam como controlar a natalidade. As lésbicas também sabem.
- Pelo direito à inseminação artificial. Pelo direito as gravidezes desejadas. Pelo direito de ser mãe.
- Lésbicas não fazem aborto. As amazonas sabiam como evitá-lo. As lésbicas também sabem.
- Minha companheira e eu tivemos uma filha. Ela tem o nosso nome.
- Uma sociedade feminista é a sociedade atual de batom.
- Gosto de ver minha mulher de quatro. Gosto de ver minha mulher embaixo de mim. Gosto de penetrá-la. Gosto de papéis sexuais.
- Os opressores de todos os tempos, inclusive aqueles que usam saias (não me refiro aos escoceses) sempre tentam nos impor a lei do silêncio. Falemos muito. Desafinemos o coro dos contentes.
Ancien Terrible

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Declaração dos Direitos Sexuais

Durante o XV Congresso Mundial de Sexologia, ocorrido em Hong Kong (CHINA), entre 23 e 27 de agosto p.p., a Assembléia Geral da WAS - World Association for Sexology) aprovou as emendas para a Declaração de Direitos Sexuais, decidida em Valência, no XIII Congresso Mundial de Sexologia, em 1997.

Sexualidade é uma parte integral da personalidade de todo ser humano. O desenvolvimento total depende da satisfação de necessidades humanas básicas, como desejo de contato, intimidade, expressão emocional, prazer, carinho, amor.

Sexualidade é construída através da interação entre os indivíduos e as estruturas sociais. O total desenvolvimento da sexualidade é essencial para o desenvolvimento individual, interpessoal e social. Os direitos sexuais são direitos humanos universais baseados na liberdade inerente, dignidade e igualdade para todos os seres humanos.

Saúde sexual é um direito fundamental, então saúde sexual deve ser um direito humano básico. Para assegurarmos que os seres humanos e a sociedade desenvolvam uma sexualidade saudável, os seguintes direitos sexuais devem ser reconhecidos, promovidos, respeitados, defendidos por todas as sociedades de todas as maneiras. Saúde sexual é o resultado de um ambiente que reconhece, respeita e exercita estes direitos sexuais.

O DIREITO À LIBERDADE SEXUAL - A liberdade sexual diz respeito à possibilidade dos indivíduos em expressar seu potencial sexual. No entanto, aqui se excluem todas as formas de coerção , exploração e abuso em qualquer época ou situação da vida.

O DIREITO À AUTONOMIA SEXUAL - INTEGRIDADE SEXUAL E À SEGURANÇA DO CORPO SEXUAL - Este direito envolve habilidade de uma pessoa em tomar decisões autônomas sobre a própria vida sexual num contexto de ética pessoal e social. Também inclui o controle e o prazer de nossos corpos livres de tortura, mutilações e violência de qualquer tipo.

O DIREITO À PRIVACIDADE SEXUAL - O direito de decisão individual e aos comportamentos sobre intimidade desde que não interfiram nos direitos sexuais dos outros.

O DIREITO À IGUALDADE SEXUAL - Liberdade de todas as formas de discriminação, independentemente do sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social, religião, deficiências mentais ou físicas.

O DIREITO AO PRAZER SEXUAL - prazer sexual, incluindo auto-erotismo, é uma fonte de bem estar físico, psicológico, intelectual e espiritual.

O DIREITO À EXPRESSÃO SEXUAL - A expressão sexual é mais que um prazer erótico ou atos sexuais. Cada indivíduo tem o direito de expressar a sexualidade através da comunicação, toques, expressão emocional e amor.

O DIREITO À LIVRE ASSOCIAÇÃO SEXUAL - Significa a possibilidade de casamento ou não, ao divórcio e ao estabelecimento de outros tipos de associações sexuais responsáveis.

O DIREITO ÀS ESCOLHAS REPRODUTIVAS LIVRES E RESPONSÁVEIS - É o direito em decidir ter ou não filhos, o número e o tempo entre cada um, e o direito total aos métodos de regulação da fertilidade.

O DIREITO À INFORMAÇÃO BASEADA NO CONHECIMENTO CIENTÍFICO - A informação sexual deve ser gerada através de um processo científico e ético e disseminado em formas apropriadas e a todos os níveis sociais.

O DIREITO À EDUCAÇÃO SEXUAL COMPREENSIVA - Este é um processo que dura a vida toda, desde o nascimento, e deveria envolver todas as instituições sociais.

O DIREITO À SAÚDE SEXUAL - O cuidado com a saúde sexual deveria estar disponível para a prevenção e tratamento de todos os problemas sexuais, preocupações e desordens.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Tangos entre mulheres II

Outra cena de tango entre mulheres, esta do filme Tango de Carlos Saura, de 1998.

Tangos entre mulheres

Se o tango já é bonito de natureza, com sua mescla de sensualidade e melancolia, uma espécie de blues de brancos, quando dançado por mulheres parece ainda melhor. Abaixo cena de tango em O Conformista, filme de Bernardo Bertolucci de 1970 que se passa na Itália fascista.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Partida de Dona Ruth Cardoso deixa o Brasil mais pobre

O falecimento de Dona Ruth Cardoso, antropóloga e intelectual, mulher digna e brilhante, esposa do presidente Fernando Henrique Cardoso, na noite do dia 24/06/08, vítima de uma arritmia grave, deixou o país mais pobre de espírito, menos elegante em todos os sentidos. A fala da Lúcia Hipólito da CBN, sobre Ruth Cardoso, não está mais no ar. No blog da cientista política, pode-se fazer uma pesquisa sobre o assunto.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Dia do Orgulho Lésbico aprovado pela Assembléia Legislativa de São Paulo


Os deputados que integram a Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa paulista aprovaram, em reunião desta quinta-feira, 19/6, o Projeto de Lei 496/2007, do deputado Carlos Giannazi (PSOL), que institui o Dia do Orgulho Lésbico no Estado, a ser comemorado anualmente em 19 de agosto (clique na imagem ao lado para saber mais). A proposta, que recebeu o voto contrário do deputado André Soares (DEM), prevê que a comemoração passe a fazer parte do Calendário Oficial de Eventos do Estado. Por ter sido acolhida em deliberação conclusiva, a matéria não precisa ir a Plenário e a nova lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Pois, é, o dia do orgulho lésbico, uma homenagem a primeira manifestação organizada e protagonizada por mulheres lésbicas no Brasil contra o preconceito e a discriminação, ocorrida em 19 de agosto de 1993 (foto ao lado do Jornal da Tarde), virou dia oficial de comemoração na cidade e no estado que a viu nascer.

Mais uma vez essa data tão importante, mas tão mal reconhecida, vence uma batalha contra a opressão não só dos inimigos de sempre (fundamentalistas religiosos, conservadores em geral) mas também daqueles e daquelas que - como diria o Renato Russo - estão do nosso lado, mas deveriam estar do lado de lá.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Vambora - Adriana Calcanhotto

Composição: Adriana Calcanhotto

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida

Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro

Dentro de um livro
Na cinza das horas...

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