8 de Março:

A origem revisitada do Dia Internacional da Mulher

Mulheres samurais

no Japão medieval

Quando Deus era mulher:

sociedades mais pacíficas e participativas

Aserá,

a esposa de Deus que foi apagada da História

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Estatais ganham 40 mil novos funcionários no governo Dilma





















E nós sustentando tudo isso.

Enquanto lucros e investimentos patinam, estatais ganham 40 mil novos funcionários no governo Dilma
Investimentos e lucros caíram em algumas das principais estatais federais, mas a ampliação do quadro de pessoal das empresas mantém, no governo Dilma Rousseff, o ritmo dos anos Lula.

Do final de 2010 até abril deste ano, segundo os dados mais atualizados do Ministério do Planejamento, o número de funcionários das empresas controladas pelo Tesouro Nacional aumentou em 40 mil _como comparação, uma multinacional como a Ambev emprega cerca de 45 mil pessoas no Brasil e em outros países.

A administração petista recebeu críticas, desde seu início, pela política de ampliação da folha de pagamento nos ministérios. No entanto, a expansão nas estatais, menos comentada, foi mais acelerada.

No total, o contingente de empregados nas empresas federais com receita própria se aproxima dos 500 mil, contra 339 mil em 2002, último ano do governo FHC.

A valorização das estatais é uma das bandeiras políticas do PT, que nas eleições presidenciais costuma atacar os adversários tucanos em razão das privatizações dos anos 90. Até o final do ano passado, os governos Lula e Dilma haviam criado dez novas empresas federais.

A expansão do quadro de pessoal, porém, se concentra nas empresas preexistentes, de maior porte. Os maiores empregadoras são Banco do Brasil (que absorveu outras instituições, como o Banco do Estado de Santa Catarina e a paulista Nossa Caixa), Correios, Petrobras, Caixa Econômica Federal e Infraero.

Fonte: Dinheiro Público e Cia, FSP, 15/09/2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Black Blocs: anarquistas de araque que atuam como tropa de choque dos políticos bandidos

Na mesma linha do meu texto Quero game over para os black blocs (ou Batman nunca esteve ao lado de Bane), o jornalista Nelson Motta publicou, em O Globo de 13/09/2013, o artigo abaixo em que também tira a máscara dos revolucionários de araque dos black bostas, ou belas bostas, se preferirem, e mostra o poder de sua ação deletéria sobre a democracia brasileira. Não podia deixar de registrar.

O poder da burrice

Atuando como tropa de choque dos políticos bandidos, esses anarquistas de araque não sabem que são apenas fascistas, e usam as liberdades e garantias da democracia para ameaçá-la

Todos os governantes, políticos, empresários, juízes, policiais e burocratas corruptos estão aliviados e serão eternamente gratos aos black blocs e vândalos em geral, que lhes prestaram o grande serviço de expulsar das ruas as manifestações populares que exigem mudanças urgentes e têm neles os seus principais alvos. Por ignorância e estupidez, fazem de graça o trabalho sujo em favor do que há de pior no Brasil. E ainda se acham revolucionários… rsrs

Em São Paulo, um idiota mascarado dizia na televisão que o seu objetivo era dar prejuízos a empresas multinacionais do bairro. Se fosse o repórter, eu lhe perguntaria se ele nunca imaginou que a única consequência de uma vitrine de banco quebrada é o seguro pagar uma nova. E, se o seguro ficar mais caro, os bancos repassam o aumento para todos os seus clientes. Mas a anta encapuzada acha que está combatendo o capitalismo… rsrs

Outro bobalhão, no Rio, encurralado por um policial, exibia o cartaz “não há revolução sem violência”, mas não quer que o Estado democrático se defenda da revolução dele com todos os meios, inclusive a violência. As cenas das turbas desembestadas escoiceando vitrines, pulando em cima de carros, derrubando e incendiando latas de lixo, não evocam a queda da Bastilha ou as revoltas de maio de 68, mas as imagens grotescas e os grunhidos do “Planeta dos macacos”.

A violência é humana e pode ser legítima, criminosa, doentia, perversa, criadora, gratuita, justa ou inevitável, pode até ser o motor da história, e a sociedade democrática tem que conviver com ela e encontrar um equilíbrio entre os direitos individuais e coletivos. Mas nunca foi tão burra como agora no Brasil.

Atuando como tropa de choque dos políticos bandidos, esses anarquistas de araque não sabem que são apenas fascistas, e usam as liberdades e garantias da democracia para ameaçá-la, impedindo que a população ocupe as ruas duramente reconquistadas da ditadura e livrando os verdadeiros inimigos do povo da pressão popular. Nunca tão poucos, e tão burros, deram tanto prejuízo a tantos, não a bancos e seguradoras, mas à democracia no Brasil.

Nelson Motta é jornalista

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quero game over para os black blocs (ou Batman nunca esteve ao lado de Bane)

Batman nunca esteve ao lado de Bane
Depredações de pontos de ônibus, bancas de jornal, sinais de trânsito, orelhões, semáforos, lixeiras, vitrines de lojas e agências bancárias, etc. afetam apenas a vida da população e não a qualquer “sistema”. Os “eike batista” não pegam ônibus, não pagam contas em caixa eletrônico, são amigos do rei, e ficam tão incomodados com as ações dos revolucionários de araque quanto ao ser picados por um mosquito.

Pela imprevisibilidade de suas consequências, ações violentas só se justificam em situações muito específicas, contra alvos muito focados, com objetivos bem determinados e logística precisa. Senão são mera expressão de indignação irracional que frequentemente se torna tiro no pé. É a velha história do pessoal que incendia ônibus em protesto pela precariedade do transporte público tornando o transporte ainda mais deficiente.

O resultado da “estratégia” violenta dos black blocs é um desastre:

· Onera ainda mais a população (usuária dos serviços quebrados a ser recuperados com o dinheiro dos “contribuintes” via impostos) e dá mais trabalho ao garis;

· Afasta a população das manifestações de rua, isso num momento do país quando elas precisariam virar rotina. (Os coxinhas não querem ficar no fogo cruzado entre a polícia e os anarcotários e correr o risco de levar na coxinha, nos olhinhos, na cabecinha, como costuma acontecer. E foram os coxinhas que fizeram das manifestações de junho um fato memorável, para ficar nos anais da História);

· Prejudica a economia (calcula-se já em 15 bilhões de reais o prejuízo causado pelas manifestações de rua desde junho), levando os comerciantes a buscar empréstimos nos bancos para arcar com as perdas inesperadas, ironicamente contribuindo com o sistema capitalista que os BB dizem combater;

· Mela a imagem de todos os libertários, pois reforça o estereótipo do anarquista como meramente um desordeiro acéfalo e violento que quer espalhar o caos. É a anarquia na acepção popular e pejorativa do termo;

. Leva a medidas repressivas, como a recente proibição do uso de máscaras em manifestações, sendo que algumas máscaras, como a do Anonymous (V de Vingança), já eram até marca registrada dos últimos protestos de rua. Naturalmente que as máscaras não são o problema, mas quando usadas para esconder a identidade de quem pratica vandalismo, tudo muda de figura;

· Dá munição aos conservadores que, por causa das depredações, desde junho, procuram desqualificar todos os protestos, embora a princípio estes tenham sido majoritariamente pacíficos. A cada vandalismo dos black bostas, os conservadores marcam um ponto.

Concluindo, em um texto sobre os black blocs, li que os ditos, considerando que a estratégia da não-violência empregada por Gandhi, Luther King, Mandela, etc., não chamaria mais a atenção da grande imprensa (?), decidiram partir para campanhas de destruição de propriedade privada a fim de resgatar a atenção dos meios de comunicação e demonstrar simbolicamente seu repúdio a alguns símbolos do avanço do capitalismo transnacional.

Primeiro, há que se questionar de onde tiraram a ideia de que ações não-violentas não chamam mais a atenção da mídia. As grandes paradas gays, mundo afora, festivas e pacíficas, atraem permanente atenção da mídia e cumprem seu propósito de combater o preconceito contra as pessoas homossexuais. As próprias manifestações de junho, majoritariamente pacíficas, atrairam a atenção da imprensa por sua grandeza, por serem fato notável, e não por causa do vandalismo que, aliás, a maioria da população repudia.

Segundo, Gandhi, Luther King e Mandela, com ações não-violentas e conciliatórias, tinham propósitos claros e foram muito bem sucedidos. Tiraram o império britânico da Índia, acabaram com a segregação e o apartheid raciais em seus países sem banhos de sangue. Sua intenção não era chamar a atenção da mídia e sim combater o colonialismo e o racismo e libertar seus povos com o mínimo de perdas humanas. A mídia foi apenas um instrumento a mais para a multiplicação dos ideais desses grandes homens. Qual o objetivo dos black bostas? Chamar a atenção da mídia para seu repúdio ao capitalismo transnacional? Tenham dó! Já imaginou se todos fossem para as ruas demonstrar de forma violenta seu repúdio contra todas as mazelas do país e do mundo? Estaríamos numa guerra civil, o que ninguém duvide ser o sonho de muitos desses psicopatas.

Os black bostas apenas jogam um game violento com os robocops do Estado para ver quem ganha o troféu da estupidez e da truculência. Ao que tudo indica, buscam uma vítima fatal para ostentar como prova da brutalidade da polícia e do sistema, em um cenário por eles mesmos armado com atos de violência que a polícia se vê obrigada a reprimir, pois para isso é paga. Dada à deficiência de formação democrática da polícia brasileira (inclinada à truculência e ao autoritarismo, fora a inépcia estratégica das ações de contenção de arruaceiros), do resultado atual das manifestações, com gente ferida, atropelada, cega por balas de borracha, intoxicada por sprays de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo, pode-se passar, se essa rotina de depredações continuar, para a produção de um cadáver a ser debitado unicamente na conta dos robocops, como se os black bostas fossem apenas vítimas e não também protagonistas e cúmplices desse cenário explosivo.

Quero game over para os black bostas, esses paladinos do niilismo que, embora se digam anarquistas, apenas reforçam o poder do Estado, legitimando sua necessidade e suas ações mais repressivas.

E antes que me esqueça. Batman nunca esteve do mesmo lado que Bane!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Fernando Gabeira: A esquerda sensata!

CORRUPÇÃO O jornalista Fernando Gabeira. “A condenação dos acusados
 no mensalão foi uma advertência” (Foto: André Arruda/ÉPOCA)
A entrevista de Gabeira à Época merece registro por ser exemplo de uma esquerda sensata, com o pé na realidade, que pode ser a interlocutora privilegiada das vozes liberais-libertárias que começam a se expandir no Brasil. 

Sublinho os trechos que me pareceram mais relevantes na versão impressa (se bem que a entrevista toda valha a pena) e destaco o seguinte trecho da fala do vídeo que segue ao fim da postagem.
"O que é uma atividade pedagógica para um black bloc? É quebrar, queimar, entende?, na perspectiva de que todo o mundo vá quebrar e queimar também. Na verdade, é uma expectativa equivocada porque a maioria da população brasileira desde aquela época (se refere à época da luta armada nos anos 60/70) rejeita as soluções violentas para a política."
Fernando Gabeira: "O Estado se tornou uma extensão do PT"
Afastado da política, o jornalista e escritor diz que ainda se considera de esquerda, critica os governos petistas e não vê mais o socialismo como alternativa viável

JOSÉ FUCS
Ex-guerrilheiro, ex-deputado federal, jornalista e escritor, Fernando Gabeira já se reinventou várias vezes. Aos 72 anos, decidiu deixar a política – embora continue filiado ao PV e ainda dê palestras ocasionais para militantes do partido – e voltar ao jornalismo. Em seus artigos, publicados quinzenalmente no jornal O Estado de S. Paulo, tem batido no PT, no governo e no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Gabeira lançará um programa de reportagens na GloboNews, com estreia prevista para domingo dia 8. Nesta entrevista a ÉPOCA, ele afirma que o socialismo deixou de ser uma opção viável de poder e critica o aparelhamento do Estado pelo PT. 

ÉPOCA – Ao longo de sua trajetória política, o senhor passou pela luta armada, pelo PT e pelo PV. Hoje tem sido um crítico do PT, do governo e da esquerda. O que aconteceu?
Fernando Gabeira – O que mais me incomoda é a sensação de que você é detentor de uma verdade importantíssima e de que todos os seus atos devem ser relevados por isso. O que me distingue dessa esquerda é que, para mim, os fins não justificam os meios. É preciso trabalhar dentro dos critérios democráticos. Também me incomoda que, uma vez no poder, eles se sentem os donos do Estado. O Estado brasileiro passou a ser uma extensão do PT. A política externa brasileira é do partido, e não nacional. Isso também me incomoda muito. O Brasil se apresenta ao mundo com as limitações mentais, ideológicas, do PT. Tenho vergonha de um presidente da República, como o Lula, que diz que a oposição no Irã parece uma torcida de futebol. Tenho vergonha de um presidente que diz que os presos políticos em Cuba são semelhantes aos presos comuns no Brasil. Ao se atrelar a alguns países da América do Sul, abandonando a possibilidade de relações com o resto do mundo, eles prestam um desserviço. Não que a integração regional não seja importante, mas o Brasil precisa se abrir também para outros centros, com uma capacidade tecnológica maior. Você não pode associar seu destino a esse grupo de países, como eles fizeram, por causas ideológicas.

ÉPOCA – Como o senhor analisa os 12 anos do PT no poder, com Lula e Dilma, do ponto de vista político?
Gabeira – Politicamente, o grande problema do PT foi ter prometido uma renovação ética no Brasil – e, ao chegar ao governo, aliar-se aos políticos que eles criticavam, recorrer aos mesmos métodos usados antes e incorporar outros igualmente condenáveis. Nesse aspecto, o PT significou algo muito negativo para o Brasil, porque, no fundo, dizia que quem propõe mudar ou traz a esperança está apenas enganando a população, e que os artífices da esperança são os mesmos que construirão uma nova armadilha. Isso acaba se transformando em aumento do voto nulo e do voto em branco. Leva a um rebaixamento da legitimidade do poder constituído.

ÉPOCA – Em sua opinião, a condenação dos réus no processo do mensalão poderá levar a uma mudança na forma de fazer política no Brasil?
Gabeira – Considero a condenação dos acusados no mensalão uma grande advertência. Primeiro, porque ataca a corrupção política. Segundo, porque mostra ao homem comum que o acesso à Justiça não é impossível. Eles gastaram mais de R$ 60 milhões com honorários de advogados e perderam. Isso traz uma expectativa de que haja mais cuidado na prática política e de que a Justiça seja feita com mais frequência. Agora, pelo que conheço do Congresso, jamais haverá mudança que não seja imposta. Eles só mudarão forçados pelo instinto de sobrevivência. Existe no Brasil uma tendência de o eleitor esquecer em quem votou. Esquecendo em quem votou, você não tem a quem cobrar. A população precisa ter o nível de vigilância e de cobrança permanente que os americanos têm em relação a seus congressistas."O brasileiro precisa cobrar seu congressista como os americanos cobram"

ÉPOCA – Até que ponto as manifestações de junho devem contribuir para essa mudança?
Gabeira – Essas manifestações foram muito positivas. Elas desfizeram a sensação de que tudo ia bem, de que vivíamos numa prosperidade e estávamos supersatisfeitos. Mostraram que a população está insatisfeita com os serviços que recebe pelos impostos que paga, com a corrupção e com o governo. Essa demonstração alterou muito o quadro, inclusive a psicologia e o comportamento dos próprios políticos. Pelo menos, aquela arrogância, aquela distância em relação à população, desapareceu. Isso tudo constituiu algo novo e bom no Brasil. Como todas as manifestações de massa, há um momento em que elas refluem. As pessoas não podem ficar permanentemente na rua, a não ser que haja um objetivo claro, que você esteja prestes a derrubar um governo. Não era esse o caso, uma vez que, no Brasil, vivemos numa democracia, e os governos se sucedem por eleições.

ÉPOCA – Como o senhor analisa a violência que tomou conta das manifestações?
Gabeira – Desde o princípio, houve atos de violência, contrapostos pela imensa maioria que participava da manifestação de forma pacífica. Uma vez que os grupos que se manifestavam pacificamente refluíram, sobrou o território para a violência. Hoje, você continua vendo as manifestações como se fossem uma continuidade daquelas que aconteceram em junho, mas não há vínculo real entre esse pessoal que está nas ruas e as multidões que, dois meses atrás, saíram às ruas das principais cidades do país.

ÉPOCA – Durante as manifestações de junho, surgiu o fenômeno da Mídia Ninja. Eles afirmam que a imprensa profissional é parcial. Como o senhor vê essa questão?
Gabeira – Se examinar friamente as manifestações, todos os temas levantados ali nasceram do trabalho da grande imprensa. Queiram ou não, as redes sociais metabolizam o material que vem da grande imprensa. Dentro de suas limitações, a grande imprensa tem de estar atenta a tudo. Se houver alguma coisa nas redes sociais para ela metabolizar, ela metaboliza também. Não tem espaço proibido. Então, não é justo dizer que a grande imprensa manipulou as informações sobre o que aconteceu nesse período. A grande imprensa denunciou insistentemente os fatos que indignaram as pessoas.

ÉPOCA – Parte do PT e outros grupos de esquerda têm uma visão semelhante da imprensa profissional e defendem o “controle social da mídia”. O que o senhor pensa disso?
Gabeira – Na Inglaterra, a partir da experiência dos tabloides, que romperam certos limites e invadiram a privacidade de autoridades e de cidadãos comuns para obter informações, caminhou-se no sentido de equacionar a questão. Só que lá quem comandou o processo foi um governo conservador, nitidamente desinteressado em controlar a imprensa. No Brasil, todas as manifestações em defesa do controle social da mídia surgem do PT, num contexto latino-americano em que os controles são, na verdade, tentativas de censura – com o uso de instrumentos clássicos da esquerda, chamados de “sociais”, mas que são aparelhados pela própria esquerda. Quando o PT diz “é preciso o controle social da mídia”, está dizendo “é preciso o controle social da mídia, sobretudo o controle social por parte de entidades que nós controlamos”.

ÉPOCA – Hoje, 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, o socialismo ainda faz algum sentido? O capitalismo venceu?
Gabeira – Não há dúvida de que o capitalismo predominou e o socialismo deixou de ser uma alternativa desejável. Isso não significa que algumas ideias de esquerda e de direita não continuem presentes no universo político. Certas ideias de que as pessoas são culpadas pela própria pobreza continuam existindo. Certas ideias de que as pessoas precisam ser protegidas na velhice, ter uma aposentadoria digna, também continuam aí. Hoje, não se fala mais tanto em capitalismo versus socialismo. Fala-se mais numa forma de modernizar e democratizar o capitalismo.

ÉPOCA – Vários de seus artigos recentes geraram críticas duras da esquerda. Até de “reacionário” já o chamaram. O senhor ainda se considera alguém de esquerda?
Gabeira – Considero-me uma pessoa de esquerda. Não me importo muito com as críticas, vejo como algo normal na política. Pessoas que admiro muito, como o poe­ta Octavio Paz, também foram chamadas de reacionárias em vários contextos. Às vezes, também chamo o pessoal do PT de reacionário, porque, no meu entender, tudo o que detém o avanço é um gesto reacionário. Tudo depende do ponto de vista.

ÉPOCA – O senhor ainda acredita na transformação do homem, no surgimento de um “novo homem”?
Gabeira – Não acredito mais nisso. Não acredito em “novo homem”. Aliás, essa coisa de criar o “novo homem” serviu para muita repressão. Os homens que não cabiam nesse modelo costumavam ser fuzilados. Entre os obstáculos para o Brasil atual está uma série de ideias e de comportamentos que seguram o país. Existe uma vontade normal de, pelo menos, sintonizar o país com o que ele tem de mais moderno. Hoje, a província da política não está sintonizada com o que o Brasil tem de mais moderno. Acredito hoje em ajustar esse polos.

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