8 de Março:

A origem revisitada do Dia Internacional da Mulher

Mulheres samurais

no Japão medieval

Quando Deus era mulher:

sociedades mais pacíficas e participativas

Aserá,

a esposa de Deus que foi apagada da História

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Passado, presente, futuro!

Me interessei pelo Budismo tempos atrás - já faz um tempo – meio por acaso meio por destino (quem sabe?). O primeiro mel que atraiu a abelha existencialmente indagadora foi o filme O Pequeno Buda, do Bertolucci. À parte a beleza do filme em si mesmo – que recomendo - e mais do que a trajetória "maravilhosa" do Sidarta Gautama, do nascimento à Iluminação, o que mais me impressionou foi a forma como morre o monge tibetano, que busca, no roteiro, em algumas crianças, seu mestre renascido.

Ele vinha doente e tinha como sua última missão encontrar a criança em que reconheceria seu mestre. Como o mestre era brincalhão, 3 crianças mostraram suas características, e o monge as apresentou (as crianças), em seu monastério, como o lama renascido. Cumprida sua missão, ele sentou para meditar e se foi, sem drama, como se estivesse apenas dormindo.

Fiquei impressionada, pensando se realmente alguém poderia morrer assim, tão placidamente. Tempos depois comprei um livro chamado Conhecimento da Liberdade, sem reparar que era de outro monge tibetano. Gostei do livro, das questões que abordava e me dei conta, ao fim, de que as idéias levantadas pelo autor refletiam sua formação budista. Curiosa, passei a ler sobre o Budismo, suas diferentes escolas, e, por fim, acabei indo parar num templo Zen no bairro da Liberdade, em São Paulo capital, por indicação de uma conhecida.

E foi com o Zen que acabei me relacionando mais intimamente, apesar de inúmeras idas e vindas, intermitências que por certo não contribuíram para minha imagem na avaliação da mestra. Apesar de discípula um tanto indisciplinada do zen-budismo (o que não deixa de ser uma ironia), as idéias budistas calaram fundo em minha mente e mudaram muita coisa na minha maneira de ver o mundo, a sociedade, as pessoas, a vida.

Mais para ser vivido do que entendido, o Zen é prático, não teórico, tanto que busca desligar o piloto automático, em que a maioria de nós leva a vida, não só através da meditação propriamente dita mas também da sacralização de todo o cotidiano. Sua proposta, como a de todo o Budismo, é de que se viva a vida aqui e agora porque o presente é o único tempo real de que dispomos. Fácil de dizer, dificílimo de fazer, tal proposição encerra, contudo, uma sabedoria que se aplica a todo mundo, independente de sexo, etnia, orientação sexual ou seja qual for a especificidade.

Por isso, para começar o ano, resolvi transcrever aqui uma das anedotas filosóficas Zen (que é pródigo nelas) que mais expressam essa verdade, verdade que, se apreendida, poderá fazer de nossos 2009 um ano bem melhor do que os anteriores.

Um dia, caminhando pela selva, um homem encontrou um tigre feroz.

Ele correu, mas logo chegou à beira de um penhasco. Descendo por um cipó, viu outro tigre lá embaixo.

Então apareceram dois ratos e começaram a roer o cipó...
Subitamente, ele viu um morango maduro e apetitoso.

Ele o colheu e colocou na boca...

Delicioso!

Não viva no passado. Não se preocupe com o futuro. Aproveite o momento. Ser feliz é agir conforme as circunstâncias, sejam elas quais forem.
Feliz 2575!

Imagem e texto: Zen em Quadrinhos, Tsai Chih Chung, Ediouro, 3 edição.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Boas Festas e Feliz 2009


Cartão Virtual de Boas Festas e Feliz Ano Novo do site Um Outro Olhar On-line que administro.

"Mais um ano se passou com suas dores e delícias, seus espinhos e carícias, suas derrotas e conquistas.

Mais um ano se aproxima com suas inúmeras perspectivas que se abrirão para novos horizontes, desde que possamos vê-las com um outro olhar.

Boas Festas e Feliz 2009!
Saúde, paz, e um pouco de tudo que de melhor a vida pode oferecer!"

http://www.umoutroolhar.com.br/.


Imagem: Mark Marek

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ativismo lésbico com síndrome de Mister Magoo


O Fantástico do outro domingo (07/12/08) entrou na atual moda da Rede Globo de combater o preconceito contra lésbicas, quem sabe para se redimir dos tempos em que as sáficas iam pro espaço em seus folhetins do horário nobre.

A propósito da novela A Favorita, onde a personagem Catarina (Lilia Cabral) se torna amiga da lésbica Estela (Paula Burlamaqui) e sofre por tabela o preconceito e a discriminação direcionados à colega, o Fantástico elaborou um quadro para mostrar que a arte de fato imita a vida.

O quadro, chamado de Amiga Gay, entrevistou mulheres que, na vida real, são héteros mas têm amigas lésbicas e são discriminadas por isso. Mostra também o preconceito sofrido por duas atrizes que se fazem passar por namoradas num passeio pelos corredores de um shopping. O tom do programa é todo de condenação ao preconceito.

Pois, é! Mas não é que apareceu ativista lésbica dizendo que o Fantástico estava prestando um desserviço às lésbicas com o quadro em questão?!? E por quê? Porque em vez de chamar o quadro de Amiga Lésbica, o Fantástico o intitulou de Amiga Gay. Porque pinçaram uma frase da novela onde a filha da personagem Catarina diz para a mãe: “A senhora não é lésbica, não pode deixar que falem mal de você assim”. Porque as atrizes que se fizeram passar por namoradas, impressionadas com o que ouviram dos transeuntes no shopping, disseram que era melhor fingir não ser lésbica, não dar a cara à tapa. Houve ainda quem dissesse que o Fantástico perdeu a chance de defender o projeto de lei contra a homofobia que tramita no Senado em Brasília!

Gente confusa. A luta é contra o preconceito e não para afirmar identidades políticas. Isso sem falar que a turma das mulheres que se relacionam com mulheres tem um leque amplo de identidades que não se resume à palavra lésbica, à identidade lésbica. Há várias outras. À parte ainda que o Fantástico usou a palavra gay como adjetivo e, durante o quadro, também a palavra lésbica, portanto, dando visibilidade a ambas.

Por outro lado ainda de novo, programas de TV não são militantes, não tem que seguir a cartilha militante, fazer uma espécie de realismo socialista da questão lésbica. A abordagem é outra e só pode ser. A linguagem das novelas e dos programas de TV não pode ser panfletária. Talvez um Globo Repórter, tocando em várias facetas da questão, até incluísse falas mais militantes, mas também sem obrigação de fazê-lo.

O que importa é que a maior rede de televisão do Brasil vem exibindo, em horário nobre, um verdadeiro show contra o preconceito sofrido pelas mulheres que se relacionam com outras mulheres. As novelas da Globo conformam a opinião popular em um nível que a militância jamais conseguiu e duvido que consiga algum dia, entre outras coisas, porque não tem poder para isso.

Além do mais, por fim, identidades políticas só tem sentido se usadas de forma funcional, estratégica e não essencialista. Quando as pessoas começam a achar que é mais importante dar visibilidade à palavra lésbica do que lutar contra o preconceito, é o caso de consultar o oculista, pois estão todas com síndrome de Mister Magoo, aquele antigo e célebre personagem dos desenhos animados que arrumava as maiores trapalhadas por causa de sua visão prá lá de curta.

Postei uma das historinhas do Magoo para a gente lembrar os problemas que uma miopia acentuada pode causar...rsss

sábado, 6 de dezembro de 2008

Sandálias da miséria

Esta foto dos pés negros assentados em sandálias improvisadas com garrafas de água e tiras de trapos de pano, faz jus ao velho ditado de que uma imagem vale mais do que mil palavras. É aparentada àquela foto, do fotógrafo Kevin Carter, da criança morrendo na África sob o olhar atento e ávido de um urubu.

A diferença entre ambas, embora falem dos extremos a que a miséria pode levar o ser humano, é que a foto de Carter reflete uma situação inexorável enquanto a outra aponta ainda para alguma esperança, apesar dos pesares.

A despeito de descrever uma situação de penúria que viola o direito de qualquer pessoa de ter condições de se prover com vestuário básico (uma sandália de verdade, um sapato) e manter condições de higiene necessárias à saúde, a imagem também apresenta a capacidade criativa do ser humano mesmo diante de grande adversidade. Não deixa de surpreender, à parte a tristeza que a imagem evoca, a engenhosidade do portador daqueles pés pretos de compor um “pisante” com o lixo não-reciclável de garrafas pet.

Desta engenhosidade se pode tirar a lição de que sempre existem alternativas possíveis para os problemas relativos à saúde, alimentação, educação, etc...já que, muitas vezes, dada à permanência desses problemas, somos inclinados a vê-los até como naturais. Pobreza, miséria, violência, corrupção são fatos tão corriqueiros, sobretudo no Brasil, que acabamos acreditando que sejam mesmo insolúveis, numa concepção perigosa que não confere com a realidade.

A bem da verdade, bastaria que se aplicassem simplesmente alguns dos artigos da Declaração dos Direitos Humanos ou mesmo da constituição do país para que essas imagens dantescas de fome, miséria e pobreza não mais viessem a nos assombrar, envergonhar. Um bom passo é sem dúvida o conhecimento dos direitos humanos, dos mecanismos já existentes para garanti-los e o que ainda se pode fazer para ampliá-los.

Música Milagres/Misérias com Adriana Calcanhoto

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