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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Maryam Mirzakhani foi a primeira mulher a receber o Fields Medal, o nobel da matemática

Maryam Mirzakhani: morre jovem as que os deuses amam
Além da matemática: A premiada Maryam Mirzakhani também foi revolucionária
A notícia de sua morte surpreendeu o seu país de origem e os Estados Unidos, onde morava e era professora na Universidade de Stanford.

Em 2014, aos 37 anos, Maryam Mirzakhani recebeu o prêmio de matemática Fields Medal, uma espécie de Nobel do gênero, pelo conjunto da obra de seus estudos. A iraniana foi a primeira mulher da história a vencer tal premiação desde sua criação, em 1936.

Por sua genialidade e representatividade, no última sábado (14) a notícia de sua morte surpreendeu o seu país de origem e os Estados Unidos, onde morava e era professora na Universidade de Stanford. A matemática enfrentava um câncer de mama, de acordo com nota oficial da universidade.
Ela era uma teórica matemática particularmente atraída pela resolução de alguns dos problemas mais difíceis em matemática. Ela foi particularmente excelente no desenvolvimento de formas de calcular as superfícies de objetos curvos com a maior precisão, o que tem muitas implicações na vida cotidiana", descreve a nota.
Mirzakhani descreveu o seu trabalho, que muitas vezes é compreendido como uma nova linguagem, como a necessidade de encontra soluções com um único recurso possível: o seu conhecimento.
Eu não tenho nenhuma receita particular [para desenvolver novas teorias]. É como estar perdido em uma selva e tentar usar todo o conhecimento que você pode reunir para criar novos truques e, com alguma sorte, você pode encontrar uma saída."
Apesar da natureza altamente teórica, as descobertas da iraniana têm impactos sobre os estudos de física da origem do universo, além de aplicações para a engenharia.

Dentro da matemática, teve influências no estudo de números primos e na criptografia.

Para o presidente da Stanford, Marc Tessier-Lavigne, a contribuição da matemática vai muito além das teorias.
Maryam se foi muito cedo, mas seu impacto continuará em torno das milhares de mulheres que ela inspirou para pesquisar a matemática e fazer ciência. Maryam era uma brilhante teórica matemática, e também uma pessoa humilde que aceitou honras apenas com a esperança de encorajar os outros a seguir seu caminho. Suas contribuições tanto como estudiosa quanto como modelo são significativas e duradouras, e ela será muito sentida aqui em Stanford e em todo o mundo."

Uma joia do Irã

Mirzakhani nasceu em Teerã e sonhava em se tornar escritora, mas os números e fórmulas atravessaram o seu caminho.

De acordo com a nota da Stanford, ela frequentou uma escola secundária de meninas na capital iraniana.

Mirzakhani ganhou reconhecimento internacional durante as competições da Olimpíadas Internacionais de Matemática. Ela era uma das poucas mulheres a integrar os times e levou ouro nas edições de 1994 e 1995.

Depois da graduação, foi aceita em Harvard, onde começou a trilhar o caminho de suas teorias. Apesar da barreira linguística, não deixava de interpelar seus professores em inglês, enquanto escrevia suas teorias em persa.

A notícia de sua morte levou os jornais estatais do Irã romperem com as estritas regras do país sobre o uso do hijab pelas mulheres.

Para homenagear a matemática, eles publicaram uma foto dela com a cabeça descoberta.

Até o presidente Hassan Rouhani publicou uma foto de Mirzakhani em seu Instagram.
A grave passagem de Maryam Mirzakhani, a eminente matemática iraniana e de renome mundial, é muito dolorosa", escreveu.
Em uma das raras entrevistas ao Guardian, Maryam Mirzakhani descreveu o momento em que se sentiu atraída pelas fórmulas:
Quando criança, eu sonhava em me tornar uma escritora. Meu passatempo mais emocionante era ler romances; Na verdade, eu leria qualquer coisa que eu pudesse encontrar. Nunca pensei na matemática até meu último ano no ensino médio. Cresci em uma família com três irmãos. Meus pais sempre foram muito solidários e encorajadores. Era importante para eles que tivéssemos profissões significativas e satisfatórias, mas não se importavam tanto com o sucesso e a realização.
Em muitos aspectos, foi um ótimo ambiente para mim, embora estes tenham sido tempos difíceis durante a guerra do Irã-Iraque. Meu irmão mais velho foi a pessoa que me despertou o interesse pela ciência em geral. Ele costumava me dizer o que ele aprendia na escola. Minha primeira lembrança da matemática é provavelmente o momento em que ele me contou sobre o problema de adicionar números de 1 a 100. Eu acho que ele havia lido em um jornal científico popular como Gauss resolveu esse problema. A solução foi bastante fascinante para mim. Essa foi a primeira vez que eu gostei de uma solução bonita, embora não conseguisse encontrá-la sozinha."

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Machismo no Vale do Silício: mulheres contra a "bro culture" ou clube do bolinha

Machismo no Vale do Silício: ativistas defendem mudança na cultura de startup
A luta das mulheres contra o machismo no Vale do Silício
Em universo predominantemente masculino, mulheres relatam assédio sexual e discriminação. Dos investimentos feitos no celeiro das startups americanas, parcela ínfima vai para empresas com líderes do sexo feminino.

No Vale do Silício, o celeiro das startups americanas, cada vez mais mulheres vêm relatando abusos no local de trabalho. Entre as empresas acusadas estão Uber, Twitter, Apple, Oracle, Google e Tesla. Além das queixas, pesquisas conduzidas com mulheres que trabalham na região apontaram que 60% delas são vítimas de assédio no emprego, destacando a necessidade de uma dramática mudança da cultura de startup.
De assédio sexual e toque indesejado a discriminação e retaliação, histórias de mulheres sujeitas a vários tipos de abuso estão surgindo numa proporção alarmante. Das consultadas nas pesquisas, por volta de dois terços disseram ter passado por investidas sexuais indesejadas no trabalho, muitas vezes por parte de superiores.
Muitos atribuem isso ao domínio machista e de homens brancos no Vale do Silício e à a perpetuação da "bro culture", originalmente "brother culture" ou "cultura de irmão". Trata-se de uma cultura de nepotismo em que os fundadores de empresas colocam seus amigos e familiares nas primeiras posições, os investimentos em recursos humanos são quase inexistentes e o coeso grupo de empresários é mantido por meio da ligação entre indivíduos do sexo masculino em oposição ao verdadeiro profissionalismo.
Vê-se esse grupo insular de pessoas com mentalidade e aparência semelhantes a quem são dadas, de repente, imensos privilégios, oportunidade e riqueza", afirmou Jahan Sagafi, advogado do escritório especializado em reivindicações trabalhistas Outten & Golden. "E em pouco tempo, essas pessoas podem se sentir como se estivessem acima da lei."
Enfrentando a "bro culture"

Lakshmi Balachandra, que trabalhou tanto como empresária quanto como investidora, acumulou ampla experiência no assunto na época em que era a única mulher a trabalhar numa startup de investimento de risco.
Escuta-se sobre o Vale do Silício e a 'bro culture', e essa atitude é tão comum na área de tecnologia. Essa é a forma como os homens interagem entre si", aponta. "Se você não quer participar e não consegue lidar com isso, então você está fora do jogo; você não mais faz parte daquela rede e você não recebe as mesmas oportunidades", acrescentou.
Isso enfatiza outro paradoxo de misoginia no local de trabalho – as poucas mulheres que conseguem adentrar esse campo masculino têm de trabalhar em condições questionáveis, e para cada uma delas, há um punhado de outras que nunca conseguiram uma primeira contratação. Essa falta de diversidade está diretamente relacionada ao prolongamento da "bro culture" no local de trabalho.
Acho que quanto mais mulheres existirem nesse campo, mais mudanças haverá e deverá haver", considera Balachandra. "Os problemas transparecem no mundo da tecnologia onde há mais mulheres, e elas falam sobre esse comportamento e conduta inapropriada."
Apple é uma das empresas acusadas de seximo no Vale do Silício
Poucos fundos para firmas comandadas por mulheres

Apesar da ilusão de que a diversidade tem aumentado, a desigualdade entre os sexos no financiamento de capital de risco continua a aumentar, em prol dos homens. Em 2016, investidores de risco aplicaram 58,2 bilhões de dólares em empresas fundadas somente por homens, enquanto empreendedoras mulheres receberam míseros 1,46 bilhão de dólares.

Explicitando essa relação extremamente desigual, observa-se que 5.839 companhias fundadas por homens receberam fundos, enquanto o mesmo aconteceu com somente 359 startups iniciadas por mulheres. Isso significa que as empresas estabelecidas por empresários conseguiram 16 vezes mais fundos que aquelas criadas por empresárias.

Questão complexa

A lógica por trás de por que mulheres recebem menos financiamento é atribuída, geralmente, a estudos mostrando que elas são mais avessas ao risco que os homens. Ou seja, as mulheres seriam mais inclinadas a apoiar investimentos mais baixos, no entanto mais seguros, como também mais hesitantes em apostar em ideias mais arriscadas.

Os investidores de risco estão preocupados em não conseguir rendimentos tão altos se apoiarem uma empresa conduzida por uma mulher. Ao mesmo tempo, pesquisas apontam que 84% das mulheres que trabalham no Vale do Silício seriam "demasiadamente agressivas", indicando que pessoas do sexo feminino são julgadas por lentes mais paradoxais do que aquelas do sexo masculino.

A demanda por uma mudança na cultura de startup vem crescendo, assim como o reconhecimento de que a causa e o efeito da questão não têm um diagnóstico simples.
Alguns reclamam que se trata de um problema estrutural, que não temos um número suficiente de mulheres graduadas nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Outros afirmam que isso se deve a uma diferença na preferência feminina e masculina em relação ao risco", aponta Sahil Raina, especialista financeiro que leciona na Universidade de Alberta.
Eu não acredito que haja uma resposta única para essa questão. Sei de resultados de pesquisas mostrando evidências de que as mulheres podem ter uma menor taxa de participação, parcialmente por saberem que as startups delas estão menos propensas a ter sucesso com o financiamento de risco", diz.
É inevitável que mais mulheres participem da força de trabalho no Vale do Silício. A verdadeira questão é por quanto tempo as startups fundadas por homens vão continuar a operar sem o verdadeiro cuidado e preocupação frente a todos os seus funcionários, e quantos executivos ainda terão de renunciar devido a escândalos de assédio no ambiente de trabalho.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Mulheres têm mais dificuldade do que homens para conseguir emprego no Brasil

Trabalhadora da indústria têxtil
Mulheres têm mais dificuldade que os homens de conseguir emprego


Taxa de participação feminina no mercado de trabalho é 22,1 pontos percentuais menor que a masculina. 

Segundo Organização Internacional do Trabalho, redução dessa lacuna significaria aumento de 3,3% do PIB do país.

Apesar de inferior à média mundial, a desigualdade entre os sexos no mercado de trabalho permanece alta no Brasil, mostra um relatório sobre tendências empregatícias em 2017 divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quarta-feira (14/06).

Para este ano, a OIT estima que a taxa de participação feminina no mercado de trabalho brasileiro seja de 56% – uma diferença de 22,1 pontos percentuais em comparação com a participação masculina, estimada em 78,2%. A diferença média global é de 26,7 pontos percentuais – a participação dos homens alcança 76,1%, enquanto a das mulheres é de 49,4%.

A organização ressaltou que a desigualdade entre os sexos no mercado de trabalho persiste de maneira generalizada e se inicia com o acesso limitado de mulheres a vagas de emprego. Preencher essa lacuna é um dos desafios mais urgentes enfrentados pela comunidade mundial, segundo a OIT.

Globalmente, a taxa de desemprego para mulheres é de 6,2% em 2017, representando uma diferença de 0,7 pontos percentuais em relação à taxa de desemprego masculina, de 5,5%. Para 2018, a organização estima que as taxas de desemprego permaneçam relativamente inalteradas.

Mundialmente, essa diferença não sofreu grandes alterações nos últimos anos, embora tenham sido registradas variações consideráveis em determinadas classes de poder aquisitivo. Por exemplo, em países emergentes a diferença aumentou: de 0,5 para 0,7 pontos percentuais. Em contrapartida, as lacunas em países desenvolvidos e em desenvolvimento diminuíram e atingiram 0,5 e 1,8 pontos percentuais, respectivamente.

Países árabes, norte-africanos e do sul da Ásia com menores taxas

O texto do relatório – intitulado Tendências para Mulheres no Mercado de Trabalho 2017 – afirma que, em 2017, a maior diferença entre os sexos nas taxas de participação no mercado de trabalho, de quase 31 pontos percentuais, é enfrentada por mulheres em países emergentes.

Na sequência, vêm as mulheres de países desenvolvidos – pouco mais de 16 pontos percentuais de diferença com os homens – e de países em desenvolvimento, com uma diferença de 12 pontos percentuais.

Em termos regionais, as lacunas mais amplas entre homens e mulheres são registradas em Estados árabes, no Norte da África e no Sul da Ásia, onde excedem os 50 pontos percentuais. Essas três regiões têm as mais baixas taxas de participação feminina no mercado de trabalho – menos de 30%.

Redução de desigualdade aumentaria PIB brasileiro em 3,3%

A redução dessas diferenças entre os sexos no mercado de trabalho produziriam benefícios econômicos significativos e melhorariam o bem-estar individual, segundo a OIT. Em 2014, os líderes do G20 se comprometeram com o objetivo denominado "25 por 25", ou seja, reduzir a diferença na taxa de participação entre homens e mulheres em 25% até o ano de 2025.

No Brasil, por exemplo, essa diminuição de 25% poderia gerar um aumento de 3,3% do PIB (382 bilhões de reais) e acrescentar 131 bilhões de reais em receitas tributárias. Ou seja, se a participação feminina crescesse 5,5 pontos percentuais, o mercado de trabalho brasileiro ganharia uma mão de obra de 5,1 milhões de mulheres e um aumento considerável no Produto Interno Bruto.

Para a OIT, melhorar a participação feminina no mercado de trabalho requer uma abordagem em campos diversos, que inclui políticas focadas no equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho e na eliminação da discriminação sexual, além de criação e proteção de empregos de qualidade no setor da saúde.

Fonte: DW, 14/06/2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Omitir sexo de criança em documentos não mudará sua forma de se apresentar no mundo

Omitir o sexo da criança não vai fazer qualquer diferença na forma como ela irá
 se apresentar em sociedade. Sua apresentação dependerá da educação que receberá.
Para nós que ainda não enlouquecemos com as insanidades dos adeptos da teoria de gênero, vamos lembrar que sexo é o que vem com o nosso corpo quando nascemos. Gênero é como nos ensinam a nos apresentarmos em sociedade. Sexo é obra da natureza. Gênero é fruto de educação. Nem sexo nem gênero são determinados ao nascer. Sexo é determinado quando da concepção, encontro do óvulo com o espermatozoide (lembram?) Gênero é adquirido por um longo processo de adestramento. Quando a gente nasce, o médico ou a parteira apenas comunica ou reitera aos pais da criança o sexo do bebê. Eles não dizem: "-Parabéns, vocês ganharam uma feminina ou um masculino". Eles dizem que os pais ou a mãe da criança ganharam uma bebê do sexo feminino (menina) ou um bebê do sexo masculino (menino).

Omitir o sexo da criança não vai fazer qualquer diferença na forma como ela se apresentará em sociedade. Sua apresentação dependerá da educação que receberá. Basta ver que o monte de malucos, girando em torno dessa patacoada de gênero, teve seu sexo bem definido na certidão de nascimento. Nem por isso deixam de viver hoje loucos no crack de gênero.

Agora, omitir o sexo das crianças e das pessoas em geral, negando a materialidade dos corpos, terá consequências (aliás, já está tendo) das mais funestas para toda a sociedade.


Bebê terá documento sem identificação de sexo para 'decidir gênero quando crescer'
Segundo imprensa canadense, este pode ser o primeiro caso do mundo de um cartão de saúde de um bebê sem uma definição de gênero.

Um bebê canadense de oito meses é provavelmente o primeiro caso no mundo de recém-nascido que recebeu um cartão de saúde sem um identificador de gênero.

Seu progenitor Kori Doty - uma pessoa transgênero não binária que não se identifica com pronomes nem no masculino nem no feminino - afirma que quer dar oportunidade ao filho de descobrir seu próprio gênero.

O cartão de saúde da criança terá um "U" no espaço reservado para "sexo", letra que simbolizará "indeterminado" ou "não atribuído".

Kori Doty agora está tentando omitir o gênero do filho também da certidão de nascimento.

Doty dey à luz Searyl Atli em novembro no Estado de Colúmbia Britânica. Doty, que se refere à criança com o pronome "they" (que pode ser traduzido como "eles" ou "elas" em português), em vez de "ele" ou "ela", argumenta que não é necessariamente pelo gênero determinado ao nascer que uma pessoa se identificará ao longo da vida.

El quer tirar a categoria sexo de todos o documentos oficiais de Searyl.
Eu estou criando Searyl de modo que até que elx tenha seu senso de si e capacidade de vocabulário para me dizer quem é, eu x reconheço como bebê e tento dar a elx todo o amor e apoio para ser a pessoa mais inteira que puder fora das restrições que vêm com o rótulo menino ou o rótulo menina", disse Doty à rede de TV CBC.
Kori Doty, que trabalha com educação comunitária e é parte da Coalizão de Identidade sem Gênero, disse que aqueles que se sentem diferentes da indicação de gênero feita no momento do nascimento enfrentam vários problemas ao tentar mudar seus documentos mais tarde na vida.
Quando eu nasci, médicos olharam para os meus genitais e fizeram suposições sobre quem eu seria, e essas suposições me seguiram e seguiram minha identificação ao longo da vida", afirma. "Essas suposições estavam erradas e eu acabei tendo que fazer vários ajustes desde então".
No caso de Searyl Atli, Doty diz que as autoridades se negaram a emitir a certidão de nascimento sem uma designação de gênero. O caso foi decidido judicialmente.

A advogada da família, barbara findlay, que prefere escrever seu nome sem maiúsculas, disse ao site Global News que "a designação de gênero nesta cultura é feita quando um(a) médico(a) abre as pernas e olha para os genitais de um bebê. Mas nós sabemos que a identidade de gênero do bebê só será desenvolvida alguns anos após o nascimento".

A imprensa canadense disse que o cartão de saúde do bebê pode ser o primeiro do mundo sem uma definição de gênero.

Fonte: G1, 04/07/2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Inocentada garota mexicana que matou seu estuprador


Uma garota de 15 anos consegue matar seu agressor e ainda é acusada de homicídio? Outra que também matou seu estuprador foi até presa. Depois, ainda há quem diga que não existe cultura do estupro. Nem patriarcado.

Adolescente mexicana é declarada inocente depois de matar estuprador
Procuradoria de Justiça da Cidade do México determinou que a jovem atuou em legítima defesa

Ela foi acusada de homicídio por matar o estuprador. O mesmo que a ameaçou de morte com uma faca em 1º de junho, perto da estação de Taxqueña, ao sul da Cidade do México. Na terça-feira, dia 27/06, quase um mês depois, a Procuradoria de Justiça da Cidade do México determinou que Itzel, de 15 anos, atuou em legítima defesa e a declarou inocente.
Como puderam investigar uma menina que só se defendeu de seu agressor?”, pergunta indignada a advogada da adolescente, Karla Micheel Salas. Foram 27 dias de calvário em que, segundo denuncia a advogada, a família recebeu ameaças por telefone e sofreu pressão constante das autoridades.
Supomos que alguém próximo ao agressor morto entrou em contato com a mãe. Por telefone disseram que sabiam onde mora. Além disso, agentes de investigação da Procuradoria começaram a ir aos trabalhos do pai e da mãe fazendo-se passar por clientes”, conta.
Itzel, que expôs no YouTube (ver vídeo abaixo) a injustiça que estava sofrendo, denunciou o pesadelo que viveu naquele dia depois de sair da escola. Seu agressor, um homem de 30 anos, a rendeu e abusou dela por duas horas em plena rua, enquanto “as pessoas e os carros passavam e ninguém fazia nada”, conta nesta gravação.
Tinha gente que olhava estranho, percebia que havia algo errado. Mas só olhavam. Eu estava com a faca no pescoço e ele me ameaçava para que não gritasse, que não fizesse nada”.
Entre lágrimas, relata como conseguiu tomar a faca do agressor enquanto ele repetia que ia sacar outra faca. Na luta, a arma “se enterrou”.
Empurrei-o com minhas pernas, tirei-o de cima de mim e ele me disse que o tinha furado no peito. Pedi socorro, mas ninguém deu atenção”.
O pesadelo continuou para a adolescente depois que ela conseguiu escapar, denuncia a advogada. “Os protocolos estabelecem que a vítima deve primeiro receber atendimento médico. Mas Itzel, que estava gravemente lesionada, em vez de ser levada a um hospital, foi conduzida ao Ministério Público. A família teve que comprar a pílula do dia seguinte e (as autoridades) não lhe deram imediatamente os antirretrovirais”, conta Salas.

Desde 1º de junho até esta terça-feira, Itzel vivia praticamente trancada em casa. Só saía para ir às consultas médicas e sempre acompanhada pelos pais. “Continuo me perguntando por que há uma investigação aberta por homicídio”, contava a adolescente antes de ser inocentada pela Procuradoria, que não quis dar declarações a este jornal.
Estão me culpando por algo que desconheço. Tudo que ouço são boatos de que podem vir atrás de mim e não entendo por quê”, dizia.
Nesta terça-feira o pesadelo começou a se desfazer e Itzel deixou de sentir que vivia perseguida. A pressão midiática e a enorme repercussão que seu testemunho teve nas redes sociais foram fundamentais para encerrar o caso, esclarece Salas.
Tivemos que recorrer à denúncia pública para expor essas irregularidades. Mas o que acontece com aquelas vítimas que não têm acesso aos meios de comunicação ou a advogados particulares?”, pergunta a advogada.
De fato, o caso de Itzel não é o único que indignou o México. Há mais de três anos, Yakiri Rubio passou três meses na prisão por matar seu estuprador. Acusada de homicídio aos 20 anos, a jovem só foi absolvida um ano e meio depois da agressão.
Não queremos só a minha filha livre, queremos estabelecer um precedente, para que isso não se repita”, dizia o pai em 2013, depois de Yakiri ser presa.

Fonte: El País, por Víctor Usón, 30/06/2017

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