domingo, 26 de outubro de 2014

Aécio Neves já ganhou. Só precisamos entregar-lhe o prêmio por sua luta que também é nossa


O presidenciável tucano Aécio Neves já se tornou moralmente o grande vencedor deste eletrizante pleito. Só falta receber o prêmio de fato. Passou de liderança regional, pouco conhecida no Brasil, à liderança nacional em condições de chegar ao Palácio do Planalto. Encarnou um pouco o mito do herói que, desde os gregos até aos americanos, cativa o imaginário das pessoas. 

O herói, ou a heroína, se impõe um desafio ou se vê forçado pelas circunstâncias a enfrentá-lo porque algo lhe foi usurpado ou algo lhe falta, e ele, ou ela, busca recuperar ou conquistar esse algo. Inicia-se então sua aventura, contando às vezes com a ajuda de um conselheiro, alguém mais velho e mais sábio para orientá-lo(a). Em sua trajetória, encontra vários obstáculos a transpor e um momento de crise maior que o/a leva perto da morte ou mesmo à morte da qual, contudo, ressurge, para surpresa geral. Ao renascer, após o momento de crise maior, representado pela derrota temporária diante de uma tragédia, um inimigo (monstro, diabo ou vilão), ele, ou ela, reafirma sua fé na vitória, mesmo quando ninguém mais crê nela. Com determinação, contudo, dá a volta por cima e segue em busca do prêmio por sua luta. Nesse ponto, ele ou ela já mobiliza outras pessoas com sua coragem, mensagem e realização. Ao fim de sua missão, retorna à sua condição inicial, mas transmutado em alguém melhor, elevado a um nível superior. E sua saga passa a servir de exemplo, de caminho de esperança e reconstrução passível de ser trilhado por todos.

Aécio se impôs o desafio de ser presidente do Brasil, colocando-se como agente de mudança diante de um cenário de crise e desalento. Encontrou no presidente de honra de seu partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o conselheiro mais velho e mais sábio para orientá-lo, digamos, politicamente. No meio do caminho, deparou-se com a morte de um colega (um amigo, segundo dizem) que, além da perda pessoal, trouxe-lhe uma rival inesperada que o botou temporariamente de escanteio. 

A construção de sua candidatura, que passava pela necessidade de se fazer conhecido no Brasil, sofreu um enorme baque e até mesmo seus correligionários esmoreceram. Muita gente chegou a dizer que deveria desistir de sua campanha para apoiar a de Marina contra o vilão maior dessa nossa história em quadrinhos, o famigerado PT. Outros tantos chegaram a declarar sua morte e a de seu partido. Mas o tucano ressurgiu dessa morte e, com fé e determinação, reafirmou que passaria ao segundo turno. E passou. No segundo turno, diante de um inimigo baixo, vil e muito poderoso, porque de posse do estado brasileiro, o qual usa inescrupulosamente, chegou par a par com a candidata-vilã à linha de chegada da corrida presidencial, inclusive em condições de vencê-la.

Nesse ponto, ele já conseguiu mobilizar boa parte do eleitorado por sua realização e em torno de sua pessoa que nele identifica o agente de mudança, a esperança da reconstrução de um país dividido, em crise moral, política e econômica. Só falta, para completar a saga desse nosso herói improvisado, a recompensa final por sua luta. Depois, ele retornará ao seus status original, mas elevado a um nível superior, no caso a presidente da República.

Vamos ajudar o candidato tucano a terminar seu périplo, dando-lhe a recompensa por sua coragem e determinação em lutar contra inimigo tão poderoso quanto sórdido. Moralmente, Aécio já é vencedor. Só falta torná-lo vencedor de fato para que possamos, todos nós que queremos de volta um Brasil livre, democrático e fraterno, sermos vencedores. Vote 45.


4 comentários:

Belo texto, Miriam! Estou um tanto emotivo, hoje, lembrando de muita coisa. E só quero te dizer uma coisa: Muito Obrigado! Nestes últimos anos a sua lucidez ajudou a gente em muita coisa, você nem imagina quanto.

Obrigada, Ricardo. Infelizmente, não pudemos dar ao nosso herói improvisado o prêmio final. Mas ele foi o grande vitorioso moral da história. Mas, nós, infelizmente, perdemos. O momento é de luto.

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