Curso de extensão da USP

sobre Judith Butler e Michel Foucault

O sequestro do termo "gênero":

uma perspectiva feminista do transgenerismo

Mulheres na Ciência

Estudantes criam bactéria que come o plástico dos oceanos

Mulheres na Ciência:

Duas barreiras que afastam as mulheres da ciência

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Pulmão artificial vai substituir animais em testes de medicamentos

O pulmão artificial replica as condições de um pulmão humano, em condições saudáveis ou com condições patológicas específicas, melhor do que qualquer animal de laboratório. [Imagem: Wyss Institute/Harvard University]
Chip que respira

Um "pulmão em um chip", apresentado por cientistas norte-americanos em Novembro passado, acaba de receber reconhecimento internacional pelo seu potencial para substituir os experimentos de medicamentos em animais.

O pulmão artificial, do tamanho de um pendrive, foi criado pela equipe do professor Donald Ingber, da Universidade de Harvard (EUA).

Nesta semana, ele recebeu o Prêmio 3RS, concedido por uma entidade internacional, com sede no Reino Unido, voltada para reduzir o uso de animais em experimento de remédios para uso humano.

O prêmio reconhece e auxilia a adoção dos avanços científicos e desenvolvimentos tecnológicos mais promissores para substituir, reduzir ou aperfeiçoar a utilização de animais em pesquisas e testes de novos medicamentos e cosméticos.


Pulmão em um chip

O pulmão artificial replica com precisão as condições de um pulmão humano, em condições saudáveis ou com condições patológicas específicas.

O biochip contém canais ocos recobertos com células humanas, imitando tanto a interface entre os tecidos quanto o ambiente físico único encontrado em um pulmão real.

A aplicação de vácuo em sua entrada permite que ele "respire", recriando o modo pelo qual os tecidos fisicamente se expandem e contraem durante a respiração.

Alternativa aos modelos animais

Nos primeiros testes, o aparelho foi capaz de reproduzir as condições observadas no edema pulmonar (acúmulo de líquido nos pulmões), e prever os resultados de um novo medicamento para esta condição que é fatal.


Além disso, o biochip já está permitindo aos pesquisadores obter imagens das células em funcionamento, com alta resolução e em tempo real, além de fazer medições precisas do fluxo de fluidos e a formação de coágulos de sangue.
Nada disso pode ser feito facilmente usando cobaias.


"Esse é exatamente o tipo de progresso que as agências reguladoras do governo, como a FDA (Food and Drug Administration) nos EUA, e as empresas farmacêuticas precisam ver a fim de considerar seriamente uma abordagem alternativa aos modelos animais," disse o professor Ingber.

Fonte: Diário da Saúde, 28/02/2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Black Blocs agora não só depredam como também espancam

Covardia de gente com farda ou sem farda é inadmissível
E os black bostas continuam disseminando o caos. Agora, além dos usuais objetos quebrados, já estão quebrando gente também. Esses caras são fascistoides travestidos de anarquistas, como já cansei de dizer aqui e o desenrolar dos eventos me confirma. São parasitas das manifestações de causas verdadeiras, onde se grudam, aparentemente dando apoio às bandeiras do evento (e os ativistas das causas várias tendem a simpatizar com eles por isso), mas o que, de fato, querem é depredar as cidades e entrar em confronto com a polícia. Brigar com a polícia é a real grande causa dos black bostas.

A desculpa pra lá de esfarrapada para toda a destruição que provocam é a luta contra o capitalismo (sic). Por isso atacam seus símbolos. Primeiro, há de se convir que esse bando de idiotas não tem qualquer ideia de sistema alternativo ao capitalismo. Aliás, ninguém tem, portanto, o mais sensato é tentar reformar o capitalismo. Na base da porrada não se reforma nada, pois não? Depois, que eles depredam de forma generalizada não só agências bancárias como serviços públicos, fora lojas e bancas de jornal. Então, no capitalismo, suas ações não causam nem cócegas, mas, na rotina da população usuária dos serviços destruídos, causam um grande transtorno.

Outra desculpa constante para justificar sua violência é a violência da polícia.  Ninguém duvida que a polícia cometa abusos, a serem sempre investigados e punidos, mas justificar quebrar as cidades - sustentadas com o dinheiro de todos - tendo como pretexto à violência da PM é muita conserva mole. Olho por olho, e todos terminaremos cegos, diz o ditado. Esses manés vêm numa escalada de violência que precisa ser contida. A tática black bloc consiste apenas em jogar gasolina em fogueira. Tanto as autoridades quanto os movimentos sociais (que, não se enganem, são os mais prejudicados pela estupidez desses vândalos) precisam apagar essa mancha negra na reputação de nossa frágil democracia. Caso contrário, eles bem que podem matá-la.

Transcrevo abaixo texto sobre a agressão ao coronel da PM, outro excelente do Fernando Gabeira e dois vídeos, um específico com a agressão sofrida pelo militar e outro, uma reportagem da Globo mostrando os estragos em São Paulo produzidos pelos black bostas.  

Coronel da PM é espancado por 'black blocs' em protesto
Golpeado com placa de ferro, oficial de SP quebrou clavícula e teve cortes no rosto

"Segura a tropa, não deixa a tropa perder a cabeça", gritou o coronel a colegas antes de seguir para hospital

DE SÃO PAULO

O coronel da Polícia Militar de São Paulo Reynaldo Simões Rossi, comandante da região central da capital, foi espancado na noite de ontem por um grupo de cerca de dez manifestantes mascarados, adeptos à tática "black bloc".

O policial, integrante da cúpula da PM, teve a clavícula quebrada e sofreu cortes no rosto e na cabeça. Ele foi levado para o Hospital das Clínicas, onde permanecia em observação até a conclusão desta edição.

Até o início da madrugada, a polícia tentava identificar os agressores.A agressão ocorreu na entrada terminal de ônibus Parque D. Pedro, o maior da capital, durante um protesto organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre) que reuniu cerca de 3.000 pessoas na região central, segundo a PM.

O comandante foi atacado logo depois de parte dos manifestantes iniciar a depredação do terminal.

Caixas eletrônicos e catracas que dão acesso ao local foram quebrados. Um ônibus foi parcialmente incendiado.

Em meio ao tumulto, um grupo de mascarados cercou o comandante e passou a agredi-lo com socos e pontapés. Ele foi derrubado, mas conseguiu se levantar.

Neste momento, um dos mascarados golpeou o policial na cabeça usando uma placa de ferro.

O coronel foi socorrido por um policial disfarçado, que afastou os agressores com uma arma em punho.

Amparado por colegas, ele seguiu andando até um carro da PM, que o levou para o Hospital Clínicas.

No banco de trás, fez um apelo aos gritos a um subordinado que ficou no local. "Segura a tropa, não deixa a tropa perder a cabeça".

A arma e o rádio de comunicação dele desapareceram.

INTERLOCUTOR

Responsável pelo policiamento do centro, ele acompanhava a manifestação a alguns metros de distância. Ontem, a operação estava a cargo do tenente-coronel Wagner Rodrigues.

Rossi é um oficial conhecido na corporação como "operacional". Gosta de comandar seus homens na rua e não apenas de sua sala, comportamento incomum entre oficiais de sua patente.

Parte de sua carreira foi construída em unidades de elite da polícia, como o Choque e COE (operações especiais). É tido como bom negociador em situações de reféns.

Nos protestos deste ano, muitas vezes sentou-se no chão para dialogar com o organizadores de protestos.

(LEANDRO MACHADO, FELIPE SOUZA E ROGÉRIO PAGNAN)

Ver também Folha de S.Paulo - Cotidiano - 95% desaprovam 'black blocs', diz Datafolha - 27/10/2013 

Biografias inacabadas
Na cadeia se diz: aqui o filho chora e a mãe não ouve. Na política a expressão é outra: a situação está de vaca não reconhecer o bezerro. Ambas denotam uma crise, pela suspensão do amor materno, e revelam um certo desamparo, um mundo de ponta-cabeça.

Às vezes a atmosfera político-cultural do Brasil, neste longo período de dominação do PT, transmite essa sensação, mais evidente nas ruas, onde quase toda manifestação termina em violência, mesmo quando sua bandeira é a defesa dos animais.

Marina Silva lançou a ideia de salvar Dilma Rousseff dos políticos fisiológicos, evitando que deles se torne refém. Não ficou muito claro para mim. Passa a ideia de uma donzela imaculada assediada por experientes chantagistas, como se o governo não fosse também um fator decisivo nesse processo. Onde a proposta de Marina sugere dependência, vejo uma interdependência. Se consideramos o governo refém da fisiologia, é preciso reescrever a história do mensalão, isentando o partido do governo de sua maior responsabilidade.

Também não entendi, no front político-cultural, a defesa da autorização prévia de biografias. Tantas pessoas queridas, entre elas Caetano Veloso - a quem tenho gratidão - embarcam num equívoco por falta de um debate mais amplo.

Para começar, a importância das biografias em nossa formação. Pela trilogia de Isaac Deutscher sobre Trotsky muito se aprendeu sobre a Revolução Russa e os bolcheviques. Sem Rüdiger Safranski não teríamos uma história equilibrada da vida de Martin Heidegger, sem Robert Skidelsky não conheceríamos a vida de lorde Keynes. É um território delicado, pois sem as biografias não conheceríamos a vida de Mao Tsé-tung, nem os pecados dos nossos políticos - que certamente iriam aproveitar-se desses dois artigos inconstitucionais que determinam autorização prévia para publicação de biografias.

Os argumentos também foram defendidos de forma ambivalente. Na maioria das vezes, falava-se em defesa da privacidade. Mas, em outras, surgia a questão do dinheiro, da falsa suposição de que biografias no Brasil rendem fortunas. O artigo de Mário Magalhães contando suas dificuldades para biografar Carlos Marighella é muito mais próximo da realidade, pois revela como ele gastou dinheiro do próprio bolso para completar o seu livro.

Quando surgem de um mesmo núcleo a defesa da privacidade e demandas financeiras, cria-se a falsa impressão de que são intercambiáveis. Quanto custariam, por exemplo, os detalhes da relação com a cunhada numa biografia de Sigmund Freud?

De um ponto de vista existencial, os admiradores dos grandes artistas que participam do movimento ficam preocupados com um debate biográfico. Ainda esperamos deles tantas canções, tantos espetáculos, tantas aventuras políticas, tantos amores... Quem sabe o melhor não virá nos últimos capítulos, nos anos ainda não vividos?

Nas ruas, os black blocs de uma certa forma conseguiram propagar a violência. Isso só é possível por falta de uma certa cartilagem tecida pela política. Tudo vai direto ao osso, termina em incêndio e pancadaria.

Historicamente, essas ondas de violência levam a leis mais rígidas e mais repressão. Quem vem de longe tem o dever de lembrar isso. Mas leis mais rígidas não resolvem sozinhas. O sistema político no Brasil precisa recuperar o mínimo de credibilidade e o sistema repressivo, desenvolver o mínimo de inteligência e capacidade de análise.

No passado os políticos metiam-se no meio dos conflitos com a disposição de atenuá-los. Hoje fogem dos conflito com medo justificado de apanhar da multidão. O Congresso foi incapaz de produzir um debate sobre a violência nas ruas. A sensação é de que as raposas políticas aceitam a explosão de violência porque sabem que ela os ameaça menos que os grandes protestos de massa. Na verdade, ao inibir potenciais manifestações pacíficas os black blocs criam uma camada de proteção útil ao político que se aproveita da confusão para seguir sendo o que é.

O mundo está mesmo virado. Os black blocs consideram-se revolucionários. E no momento em que poderosos instrumentos internacionais devassam a privacidade de bilhões de pessoas, nosso tema central é a biografia de pessoas famosas.

A defesa do aumento do consumo como o único valor político moral nos levou a esse abismo. A gente não quer só comida. Os artistas têm um grande papel na superação dessas ruínas, sobretudo as de Brasília. Grandes momentos nos esperam e Chico Buarque foi bastante simples ao dizer: "Se a lei é esta, perdi".

A lei é a Constituição. Se não for essa, teremos perdido nós. Não deixarei de lamentar uma contradição tão explícita entre a sentença e um dos seus artigos essenciais: o que prevê a ampla liberdade de expressão.

No momento, o filho chora e a mãe não ouve, a vaca não reconhece o bezerro. É a crise. Suspensa a presença materna, temos de enfrentar uma certa solidão na busca pela saída. O caminho será encontrado via diálogo, mas sem a ilusão de considerar o governo refém da picaretagem. Foi o governo, em sua estreiteza e seu materialismo vulgar, que acabou provocando essa crise: a galinha aterrissou do voo econômico e só cacareja no chão suas previsões otimistas.

Estamo-nos acostumando com as chamas urbanas. Uma pedrada aqui, um coquetel molotov ali, produzimos uma rotina burocrática, sintonizada com o pântano político. Nos fronts político, social e cultural o alarme está soando há algum tempo. Conseguimos sobreviver a uma longa ditadura militar. Será que vamos capitular diante de um governo que distribui cestas básicas e Bolsas Família?

O País foi moralmente arrasado pela experiência petista e de todos os cafajestes que o governo conseguiu alinhar. Predadores oficiais e predadores de rua se encontram nessa encruzilhada em que um profundo silêncio político se abate sobre nós, com exceção de vozes isoladas.

Precisamos reaprender a conversar, reafirmar valores políticos que não se resumem a casa e comida. Precisamos viver a vida, cuidar mais da bio que da grafia. Precisamos sair dessa maré.
 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Direitos dos Animais: quando o coração prova que suas razões tem base científica

Não no meu nome
O resgate dos beagles, torturados pelo Instituto Royal, trouxe a questão dos direitos dos animais para o centro da opinião pública (felizmente), provocando muita polêmica. Conservadores - aqueles mesmos opositores de pesquisas com células-troncos e embriões - se unem para chamar de criminosos os que defendem a vida de seres plenamente constituídos com consciência, inteligência, emoções análogas às humanas e, sobretudo, que sentem dor.

Cinicamente dizem que quem é contra pesquisas em animais não deveria usar medicamentos testados em animais, o que abrange praticamente toda a alopatia. Falácia da mais escrota porque sabem que não existe escolha, e essa é uma das razões pela qual se quer acabar com testes nos bichos: para que os medicamentos passem a ser produzidos de outra forma. Enquanto for considerado aceitável que se teste em animais, os psicopatas travestidos de cientistas não procurarão outras alternativas nem utilizarão as já existentes. E todos nós, não só esses conservadores execráveis, ficamos obrigados a ser cúmplices à revelia do horror indescritível feito aos animais.

Não no meu nome
Lembrando que a maioria das doenças que mais afetam os seres humanos (câncer, diabetes, pressão alta, enfartes, derrames) é produzida pelos próprios seres humanos contra si mesmos pela via ambiental e hábitos de consumo insalubres. Basta observar que, apesar de todas as campanhas antitabagistas, muita gente ainda fuma. Animais em laboratório são obrigados a inalar a toxicidade dos componentes do cigarro para ver em quanto tempo adoecem e morrem e projetar a estatística sobre os infames que fumam. Poderia citar outras aberrações, mas deixo para outro texto. Reproduzo abaixo textos e vídeos sobre o tema apontando a verdade atrás dos testes e as alternativas a esse horror (com.links para universidades e centros médicos que produzem alternativas aos testes em animais). O texto é do filósofo Paulo Ghiraldelli, os vídeos com o George Guimarães, o Sérgio Greif e a Luisa Mell (contando todo o histórico da ação que culminou com o resgate dos beagles) . De quebra, também o vídeo 'Si j'avais au moins...' de Mylène Farmer que já havia reproduzido aqui no post Cantora francesa faz tocante vídeo contra o uso de animais em laboratório! 

Destaco o seguinte trecho do texto do Paulo:
Deixaremos de usar animais em teste do mesmo modo que temos procurado nos livrar de agrotóxicos e do mesmo modo que não suportamos ver uma pessoa pertencente a uma minoria ser humilhada. Faremos isso exatamente porque sabemos onde está a mentira, e vamos, em cada luta setorial, conquistar mais gente pelo coração, e integrá-los no trabalho da razão. Essas coisas vão andar mais rápido do que se imagina. E a ciência não vai perder com isso, ao contrário, vai sair ganhando. 
Nietzsche dizia que a ciência não pode ser deixada sozinha, sem comando. É verdade! Temos de tirá-la do comando que hoje está nas mãos da Morte e do Dinheiro. Temos de coloca-la sob o nosso comando, os que não querem que para se criar um esmalte ou um tônico capilar fajuto para uma seborreia fajuta, um cão tenha que ter o fígado inchado durante 6 anos, mantido no cativeiro com dores intensas.
A verdade (e a mentira) sobre a utilidade dos testes com animais

Para filósofo, as pesquisas realizadas com animais servem mais para estimular o mercado de consumo com novos produtos que para melhorias na saúde dos seres humanos

A “revolução dos beagles de São Roque” está rendendo. E muito bem. Já estava mesmo na hora de discutirmos nacionalmente também essa questão, a da utilidade ou não de determinados tipos de pesquisa e o envolvimento com a educação para a crueldade, que pode muito estar atrelada ao modo como se prepara a mão de obra para os laboratórios.

Coloquemos então na mesa a questão objetiva do debate: os testes com animais são mesmo uma necessidade?

Os testes de laboratório com animais, de um modo geral, apontam para uma única “moral da história”: sofrimento atrai sofrimento. Os testes submetem nossos parceiros de vida na Terra a dores e incômodos inauditos. Não se trata de feridas apenas. Muito menos a barbárie é só a de arrancar um olho ou forçar um animal a comer até explodir. O que ocorre é a produção de tumores cancerígenos, deformações internas e externas, mal estar durante toda uma vida. Esse sofrimento todo é pago no altar do bem estar humano? Não! A maior parte dos laboratórios que lidam com testes, no mundo todo, fazem pesquisas encomendadas direta ou indiretamente antes pelos setores militares que pelos ditos setores da saúde.

O que se quer saber é o que é que pode dizimar o homem, fazer o homem sofrer, e quanto o homem pode aguentar tendo ingerido substâncias X ou Y. O que se quer é saber como matar de modo mais eficiente. Isso é tão verdade que, hoje, nenhum cientista responsável arrisca afirmar que o HIV, que provoca a AIDS, não foi produzido em laboratórios ligados a tarefas militares.

Bem, mas uma parte dos laboratórios que se utiliza de testes em animais o faz em função das demandas do setor de saúde, não é verdade? Não! A parte da pesquisa que não é direta ou indiretamente atrelada ao campo militar, serve antes ao dinheiro que à saúde. Os próprios cientistas têm insistido nesse dado: mais de 70% das pesquisas que envolvem testes com animais, e que se diz desligada da área militar, se faz não em torno da busca para curas de doenças, mas em torno da criação de variações de produtos que possam induzir novos consumos. Em muitos casos, até parecem ter a ver com doenças. Mas não tem. O que ocorre é que, criado o produto, aí então se inventa uma deficiência orgânica, ou seja, alguma “doença”, e em seguida mostra-se a cura. Em alguns casos a doença é criada junto com a cura! As drogarias são supermercados - todos sabem disso. Mas os conservadores fingem não ver.

#Doeumconservadorparaoinstitutoroyal
As indústrias de cosméticos e higiene pessoal, alimentos, suplementos alimentares, drogaria para a geriatria e mesmo a indústria da produção de remédios trabalham com a perspectiva de lucro imediato como prioridade, colocando a questão da descoberta da cura de doenças que realmente nos aflige em segundo plano - às vezes em plano nenhum. Mesmo as universidades públicas, no mundo todo, têm trabalhado nesse sistema. Os financiamentos saem antes para a pesquisa que busca criar produtos para a indução de consumo que para a pesquisa que visa a solução de problemas de saúde da população. Nem mesmo as pesquisas para “doenças de ricos” têm prioridade diante da prioridade da criação de produtos que possam ampliar as possibilidades de consumo.

Desse modo, o supérfluo do supérfluo governa de um lado, o necessário para a indústria da morte governa do outro. Os animais sofrem para que nós, depois, possamos sofrer com a ideia da “guerra segura” e com a péssima ideia de que precisamos comprar mais coisas do que necessitamos. Não há lado bom nessa história. Não há mocinho nesse faroeste.

É bobagem dizer “isso é o capitalismo”. Sim, é. E daí? Dizer isso é dizer o nada. Ou melhor, é dizer o tudo em um grau tão genérico que é dizer o nada. O que é necessário é perceber que nenhum dos dois grandes blocos de interesses - o militar e o financeiro - que sustentam os laboratórios que, por sua vez, causam sofrimentos nos animais, diz a verdade sobre a necessidade de testes em animais. Ter animais em laboratórios nem é uma solução “a mais barata”. Os animais estão lá porque o tipo de pesquisa que se faz não é para nos curar de algo, mas para a guerra e para a ampliação inchada do mercado.

Estamos diante da maior mentira do século. Uma mentira contada por gente que está atrelada à fabricação da paz, que é na verdade a indústria da guerra e da morte. Uma mentira também contada por gente que está atrelada à fabricação do bem estar, que é na verdade a indústria do dinheiro e do falso bem estar. Os estudantes que entram nas universidades em cursos que fornecem mão de obra para os grandes laboratórios do mundo todo devem falar a mesma língua. O jogo é duro. Uma única pequena conversa dissidente, questionando o sofrimento dos animais, e o estudante que a promoveu é visto como “não tendo vocação”. É fundamental que o estudante seja antes de tudo um vocacionado para a tortura, caso não, é tido não como uma pessoa sadia mentalmente, mas como um incompetente para as ciências. Os que negam isso são, dentro dos departamentos das universidades, os que mais zelam para isso aconteça. O policiamento nesse ambiente é uma constante.

Não é necessária uma revolução mundial comandada por algum Che Guevara para parar isso de modo a redirecionar tal indústria de horrores. Basta que a cada dia possamos fazer protestos como os que foram feitos contra o Royal, e que apavorou toda a parte da mídia mais à direita (calando a esquerda, que não raro, na sua parte tradicional, é adepta de um iluminismo tacanho). Ali, no protesto contra o Instituto Royal, um nível de consciência pelos direitos dos animais reapareceu em novo patamar. São passos assim que criam níveis diferenciados e ampliados de consciência. É comum que pessoas de formação científica, inteligentes, diante dos protestos, voltem para as suas casas e comecem a pesquisar sobre o assunto, e então entrem para as fileiras dos que já não podem mais admitir o espalhamento da crueldade como algo banal.

Os protestos não clareiam as coisas somente de um lado, mas de todo tipo de lado. E o número de pessoas que acha que sairá ganhando com a indústria da morte e com a indústria do dinheiro-que-falseia-a-felicidade paulatinamente decresce - isso é uma tendência mundial. Nosso desenvolvimento moderno tem sido assim. Temos reformulado e melhorado nossas práticas de vida, em vários setores, dessa maneira.

Deixaremos de usar animais em teste do mesmo modo que temos procurado nos livrar de agrotóxicos e do mesmo modo que não suportamos ver uma pessoa pertencente a uma minoria ser humilhada. Faremos isso exatamente porque sabemos onde está a mentira, e vamos, em cada luta setorial, conquistar mais gente pelo coração, e integrá-los no trabalho da razão. Essas coisas vão andar mais rápido do que se imagina. E a ciência não vai perder com isso, ao contrário, vai sair ganhando.

Nietzsche dizia que a ciência não pode ser deixada sozinha, sem comando. É verdade! Temos de tirá-la do comando que hoje está nas mãos da Morte e do Dinheiro. Temos de coloca-la sob o nosso comando, os que não querem que para se criar um esmalte ou um tônico capilar fajuto para uma seborreia fajuta, um cão tenha que ter o fígado inchado durante 6 anos, mantido no cativeiro com dores intensas.

Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

Fonte: IG, Último Segundo, 22/10/2013

Lista de grupos comprometidos com estudos dos métodos substitutivos, seus métodos, os avanços já realizados.

Para quem se interessar, quiser ler, quiser mostrar por aí que existem cientistas empenhados pela ética e pelo fim da ciência medieval. Compartilhe, divulgue."
  1. Frente Brasileira pela Abolição da Vivissecação http://www.fbav.org.br/
  2. Fund for The Replacement of Animals in Medical Experiments http://www.frame.org.uk/
  3. John Hopkins Center for Animal Alternatives http://caat.jhsph.edu/
  4. New England Anti Vivisection Society http://www.neavs.org/
  5. Scandinavian Society for Cell Toxicology http://www.ssct.se/
  6. Americans for Medical Advancement http://afma-curedisease.org/
  7. Physicians Committe for Responsible Medicine http://www.pcrm.org/


Sérgio Greif - Uma discussão sobre a experimentação animal e métodos substitutivos. Parte 02 from Eric Yabiku on Vimeo.


Em caso de demorar a carregar: Seria a maior piada do País, diz Luisa Mell sobre ser presa por furto de beagles

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Gravidade: saga de superação contada com requinte técnico e imagens deslumbrantes

Sandra Bullock e George Clooney em Gravidade

Estreei no 4D, com o filme Gravidade, bem à altura da nova tecnologia. O filme é uma maravilha técnica de imagens deslumbrantes que só mesmo o 3D ou o 4D podem trazer em sua plenitude ao espectador. Então, havendo a possibilidade, assistir preferencialmente em 4D, para chacoalhar um bocado na poltrona e levar lufadas de ar no rosto ao ritmo da história que rola na tela. Se não, em Imax ou simplesmente 3D.

Quanto ao filme, o roteiro é quase um fio de tão simples. Equipe de astronautas do ônibus espacial Explorer, fazendo consertos no telescópio Hubble, é atingida por onda de destroços de um satélite que mata praticamente a todos. Apenas dois da equipe sobrevivem a princípio. Depois apenas uma, a doutora Ryan Stone (Sandra Bullock em atuação inspirada), lutando desesperadamente pela sobrevivência em meio a percalços sem fim. No começo, à deriva no espaço sideral, em claustrofóbico traje de astronauta, seu objetivo é alcançar uma das estações espaciais, em órbita ao redor da Terra, a partir da qual tomar uma cápsula espacial de volta ao planeta.

Gravidade, portanto, relata uma história comum (quantas histórias de sobreviventes já não se viu?), mas contada com um requinte técnico impressionante, imagens muito belas filmadas de perspectivas inusitadas e um ritmo a um tempo frenético e angustiante. No filme do diretor mexicano Alfonso Cuarón, as imagens são soberanas seja nos grandes planos ou nos detalhes, "falando" bem mais do que seus dois personagens. No aspecto simbólico, apresenta a saga de superação dos dramas pessoais da protagonista através de sua luta renhida pela sobrevivência, por sua vida ameaçada até os últimos minutos da história.

Cenas de 2001 - Uma Odisseia no Espaço e Gravidade
Gravidade faz de quebra referência a duas obras-primas da ficção científica: 2001 - Uma Odisseia no Espaço (1968) e Alien - O Oitavo Passageiro (1979). Há quem fale em outras referências, mas fico com estas duas mais evidentes. Óbvio que 2001 tem uma abordagem cerebral, filosófica, que Gravidade, um filme marcadamente sensorial, não tem. Entretanto, ambos tematizam de forma mais ou menos profunda a solidão e a fragilidade humanas diante das adversidades e da imensidão do espaço sideral. Apesar da distância de décadas e técnicas, ambos têm imagens grandiosas e parecidas da Terra vista do espaço, das naves e estações orbitais, dos astronautas à deriva entre as estrelas. Mesmo uma das cenas internas, quando a doutora Ryan flutua pelo interior de uma das estações orbitais em forma de tubo, me fez lembrar uma cena de 2001.

Protagonistas de Alien e Gravidade em momento relax

A referência a Alien fica por conta do roteiro. Em ambos, quem protagoniza a história é uma mulher, única sobrevivente de uma tripulação atingida por um desastre. Em Alien, o desastre é o monstro. Em Gravidade, o desastre são os destroços de um satélite que se multiplicam no choque com outros satélites e estações espaciais. Ambos os desastres vão exigir das heroínas da história uma coragem e tenacidade capazes de superar o medo e as dúvidas quanto à própria condição de lidar com forças que parecem destinadas a sobrepujá-las.

Também ambos os contextos em que atuam são marcados pela claustrofobia. Pelos corredores escuros e estreitos da nave Nostromo prestes a explodir, a tenente Ripley se arrasta quase sem fôlego, com o alien à espreita, para alcançar a nave auxiliar onde supõe estará livre do monstro. Ironicamente na amplidão do espaço sideral, a doutora Ryan também se vê quase sem ar, pois o oxigênio, em seu traje de astronauta, desce a níveis críticos enquanto ela luta, prestes a desmaiar, para chegar a uma das estações espaciais e abrir sua porta salvadora.

Há até uma cena similar. No porto temporariamente seguro da nave auxiliar ou do módulo espacial, as heroínas vão dar um respiro e se sentir relaxadas o suficiente para despir o macacão ou traje de astronauta e ficar só de calcinha (ou shorts) e camiseta. Nesses trajes mínimos, a doutora Ryan inclusive flutua meio adormecida em posição fetal. Naturalmente, trata-se apenas de um tempinho antes da luta pela sobrevivência recomeçar.

A diferença entre as duas protagonistas de Alien e Gravidade reside no grau ou tipo de feminismo de cada uma. Ripley derrota o Alien e sobrevive unica e exclusivamente graças a sua própria capacidade e determinação. Nenhum homem a ajuda ou orienta. Aliás, pelo contrário, em toda a quadrilogia Alien, as referências ao sexo masculino não são nada lisonjeiras. Em Gravidade, porém, a doutora Ryan conta com a inestimável orientação do comandante Matt Kowalsk, interpretado por George Clooney, astronauta experiente que, até em sonho, dá dicas fundamentais para a sobrevivência da novata Stone. Kowalsk parece até um mestre Zen que, mesmo diante da morte iminente, não deixa de admirar a beleza do pôr-do-sol na Terra visto lá de cima.  

Essas similaridades que aponto entre Gravidade (2013) e as obras-primas de Stanley Kubrick (2001 - Uma Odisseia no Espaço, 1968) e  Ridley Scott (Alien, 1979), contudo, não desmerecem em nada o trabalho do diretor  Alfonso Cuarón. Boas citações engrandecem qualquer obra. Gravidade supera esses dois clássicos da ficção científica na perícia técnica, na plasticidade e na verossimilhança. Tudo no filme parece muito real, a despeito de possíveis, mas mínimas, imprecisões científicas e de descrever uma situação que a maioria das pessoas jamais viverá (quantos são os astronautas no mundo?).

Supera os dois clássicos também no apelo aos sentidos e aos sentimentos. Não tem a racionalidade de 2001 ou o terror literalmente visceral de Alien, mas tem a capacidade de fazer o espectador sentir a vertigem de girar no espaço sem rumo e trombar com detritos e estações espaciais (principalmente em 4D). Sobretudo tem a capacidade de emocionar, ainda que com um leve sentimentalismo. Em Alien, vertem-se lágrimas também, mas de puro terror. Em Gravidade, dentro de um dos módulos espaciais, as lágrimas da doutora Ryan, que flutuam em nossa direção pelo efeito 3D, são daquelas que a gente chora pelas mesmas razões da personagem (por saudades de casa, pelo choro de uma criança, o latido de um cachorro, por nossas perdas, pelo medo da morte). 

Em suma, Gravidade se afirma por seus méritos próprios como um novo patamar técnico e artístico não só para os filmes de ficção-científica como para o cinema em geral. Já pode constar no panteão da sci-fi ao lado dos citados 2001- Uma Odisseia no Espaço, Alien, O Oitavo Passageiro e também de Blade Runner, Matrix, entre outros clássicos do gênero. É forte concorrente ao Oscar 2014 pelos prêmios de melhor filme, melhor diretor e melhor atriz. Comentaristas dizem inclusive que se trata da melhor atuação da carreira de Sandra Bullock. Como não acompanho o trabalho da atriz, não tenho como confirmar ou negar essa análise. Mas que ela está muito bem no papel não resta dúvida. Parece que, assim como sua personagem, vive um caso de superação. Enfim, Gravidade é para se ver e rever. Imperdível. 

À guisa de ilustração desse artigo posto vídeos com imagens de Gravidade naturalmente (com depoimentos do diretor e dos atores inclusive) mas também de 2001 e de Alien. Lamento a edição que fizeram da cena em que a tenente Ripley, em Alien, despe-se, na nave auxiliar, mas não encontrei outra. Um mané se empolgou com a Sigourney Weaver de calcinha e deu conotações eróticas a uma cena onde tal elemento não existe. Só para comparar com a imagem da doutora Ryan em situação análoga.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Novamente black bostas depredam as cidades e "professores" pregam a antimeritocracia


Há muito mais em comum entre os black blocs e os camisas
 negras fascistas do que sonham as vãs democracias

Ontem, dia do professor (15/10), novamente as cidades foram depredadas pela fascistada de esquerda, black bostas à frente. O mesmo de sempre: lojas destruídas e saqueadas, orelhões e agências bancárias idem. E os prejudicados os mesmos de sempre: a população e não o capitalismo, o sistema financeiro, o Estado. 

As autoridades vêm endurecendo com os vândalos, mas muito devagar para o meu gosto. Como é que até agora não se investigou quem financia os black bostas e congêneres, suas roupinhas e cabecinhas que parecem uma mistura dos camisas negras do Mussolini com os terroristas da Al-Qaeda, seus coquetéis molotov e outras bombas caseiras? Quem ganha com a praça de guerra que essa fascistada vem armando nas cidades brasileiras, colando-se a todas manifestações justas ou não para usá-las como pretexto a fim de vandalizar o patrimônio público e privado sob a desculpa esfarrapada de fazer a "revolução contra o sistema"?  

Entre os vídeos que posto abaixo, um é exatamente sobre os camisas negras do fascismo, onde um dos professores entrevistados define essa tropa de choque de Mussolini como grupos para luta de rua e promoção da violência. Não é o que são os black bostas? Ah, mas eles são anarquistas e não fascistas! O preto é cor de várias tribos. Seguramente o preto é cor de diferentes tribos, inclusive minha cor preferida pessoal e politicamente. Mas eu não saio por aí depredando cidades sob a alegação de ser anarquista. Aliás, diga-se de passagem, os black bostas são uma antipropaganda libertária. Eles ratificam o Estado em vez de desconstruí-lo porque, diante de seu comportamento bárbaro, a maioria das pessoas de bom senso passa a ver o Estado e seus agentes de repressão como necessários e até imprescindíveis. Ou vamos deixar esse bando de insanos à solta destruindo o que pagamos para construir (com os impostos mais altos do mundo) porque eles querem fazer a "revolução"? 

O editorial do O Globo do dia 11 último (abaixo) representa minha opinião sobre os black bostas (metástase de frações marxistas radicais europeias) e sobre a manipulação político-eleitoral do movimento dos professores pelo PSOL e PSTU.  Os vídeos que o seguem mostram os black bostas e congêneres em ação, filmados por seus "compas" ou analisados pelo fantástico, e um trecho de um vídeo sobre os camisas negras do fascismo à guisa de comparação. Também seguem links para as manifestações de ontem. 

Educação não rima com black bloc e antimeritocracia
Apoiar vândalos e se opor ao mérito, portanto desacreditar do acúmulo de conhecimentos, entra em contradição com a própria razão de ser do magistério

Os fatos de segunda-feira, no Rio, são emblemáticos. A passeata convocada pelo sindicato de professores (Sepe) ocupou parte importante da Avenida Rio Branco, ao descer da Candelária em direção à Cinelândia, escoltada, como deve ser, pela PM.

Mas, na concentração antes do fim da manifestação, em frente ao Teatro Municipal, cumpriu-se o enredo de sempre: vândalos do Black Bloc, um grupo pequeno em relação aos manifestantes, passaram a provocar a polícia, à margem do comício.

Como era do desejo deles, e tornou-se inevitável, começou a pancadaria, enquanto novamente lojas eram depredadas, algumas saqueadas, coquetéis molotov e pedras voavam, tendo sido um momento de maior tensão a tentativa de invasão e depredação da Câmara de Vereadores, como já ocorrera na Assembleia Legislativa, dois símbolos da democracia representativa.

Embora, na noite de segunda, sindicalistas demonstrassem preocupação com o que poderia acontecer na provocação da PM pelos black blocs, depois, na quarta-feira, o próprio Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação emitiu nota formal de apoio aos vândalos.

Mais este sintoma de radicalização do Sepe criou uma situação bizarra, paradoxal: um sindicato de professores, atividade ligada ao conhecimento e à cultura, estende a mão a um grupo de anarquistas, portanto inimigos da própria civilização, e cuja origem é uma metástase de frações marxistas radicais europeias que conseguiram fincar raízes na Alemanha na década de 80.

São conhecidas várias evidências de que o movimento grevista, no município e no estado, tem forte contaminação político-eleitoral, com o PSOL e o PSTU à frente da mobilização. Prova de que o objetivo primordial não é, ou não era, chegar a um acordo sobre condições de trabalho está nas primeiras propostas do Sepe: em fim de carreira, professores chegariam a ganhar mais de R$ 100 mil mensais. Nada sério, portanto.

Apoiar depredações do patrimônio público, incluindo o cultural, e privado foi um passo a mais na mesma direção. O processo de radicalização passa também por outra questão contraditória com o magistério: o sindicato é contra a meritocracia.

Vale dizer, não acredita que acumular conhecimentos deva ser valorizado. Contraria, portanto, a razão de ser da atividade do professor e a própria sistemática de evolução da Humanidade desde os primatas — o acúmulo, transmissão e produção de conhecimentos.Há, sem dúvida, algo muito fora do eixo em todo este movimento numa categoria essencial para qualquer sociedade evoluir. É claro que o principal alvo é a modernização do ensino nas duas redes escolares. Infelizmente, não há registro de sindicatos mobilizados contra o uso político-partidário do ensino público.



Fonte: Editorial do O Globo, 11/10/2013

Ver mais:
Confrontos no Centro terminam com mais de 200 detidos, diz OAB
PM paulista prende quase 60 manifestantes após confronto na Marginal Pinheiros

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Beleza continua sendo fundamental

A beleza é baseada na simetria e proporcionalidade
das formas que geram harmonia na composição do real
.

Não costumo ter simpatia por conservadores, bem pelo contrário. Sobretudo não gosto da mania conservadora de querer que todos vivam em seu eterno pretérito presente. Em geral, conservadores são como uma âncora que não se consegue içar, mantendo o navio preso ao porto da rotina, da segurança e da estagnação.

Entretanto, como toda a regra tem exceção, eis que me vejo, em boa parte, de acordo com Roger Scruton, filósofo conservador inglês, em seu documentário Why Beaty Matters (Porque a beleza importa) que foi veiculado em 28/11/2009 pela BBC.  Neste documentário (ver após o post), Scruton questiona as razões pelas quais a humanidade perdeu o senso ético e estético de Beleza e hoje até cultua a feiura.


Verdade. Existe de fato um culto à feiura nos dias atuais. Por exemplo, sob pretexto de se questionar os padrões de beleza, sobretudo feminina, volta e meia rolam postagens, nas redes sociais,  com imagens de pessoas obesas e mesmo disformes sendo definidas como "bonitas" ou "sexy". Questionar os padrões de beleza, contudo, significa apenas apresentar os diferentes tipos de beleza humana distintos do padrão comercial, pasteurizado, da indústria da moda e dos cosméticos. Significa apresentar a diversidade da beleza natural das mulheres em oposição ao modelo meio anoréxico das top models ou photoshopado das celebridades.  

Não significa cultuar a feiura e querer que todos embarquem nessa com a desculpa esfarrapada de rebeldia contra a ditadura da beleza ou de promoção da inclusão social dos desvalidos estéticos. Inclusão social não passa por uma deturpação do conceito de beleza a ponto deste passar a significar seu antônimo. Quando até o grotesco começa a ser tido como belo é porque as coisas estão bem feias.

Os cultores e as cultoras da feiura que me perdoem, mas a beleza continua sendo fundamental. E a melhor definição de beleza também continua sendo SIM a estabelecida pelas culturas greco-romanas e renascentistas. Ela é baseada na simetria e proporcionalidade das formas que geram harmonia na composição do real É essa harmonia que nos permite identificar o que é belo nos humanos ou na natureza em geral. Qualquer coisa ou criatura que fuja demais desses parâmetros não pode passar por bela, a não ser se vista de uma perspectiva muito distorcida.

A vida já nos oferece muita feiura e muito sofrimento. Não faz sentido, ainda por cima, cultuar esse tipo de coisa. E não percam o vídeo porque vale a audiência.


Por que a Beleza Importa (Why Beauty Matters). Legendado from O Godzilla on Vimeo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Bill Gates prova a versatilidade do mercado investindo em carne de frango vegetal

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Enquanto esquerdistas culpam o "capitalismo" pela destruição ambiental ("esquecendo" que o capitalismo somos nós mesmos) e os conservadores consideram preocupações com a natureza e os animais coisa de ecochato e da esquerda caviar, Bill Gates, o bilionário da Microsoft, um dos ícones do empreendedorismo internacional, investe em empresa produtora de uma proteína vegetal absolutamente idêntica à carne de frango com a qual se pretende reduzir drasticamente o número de animais mortos para consumo humano. As “tiras de frango vegetal” da Beyond Meat já estão à venda em diversas partes dos Estados Unidos (confira aqui). E leia mais sobre o assunto no artigo abaixo.

Bill Gates e Biz Stone (co-fundador do Twitter) estão entre os investidores da “carne de frango vegetal”

Idêntica à carne de frango convencional no sabor e textura, porém, sem nada de origem animal, mais barata e mais saudável.

Segundo uma matéria publicada na Revista Fortune (leia aqui, em inglês), o bilionário Bill Gates, um dos fundadores da Microsoft, é um dos entusiasmados investidores da empresa vegana “Beyond Meat” (Além da Carne). Com sede na Califórnia, nos Estados Unidos, a empresa criou uma proteína vegetal absolutamente idêntica à carne de frango e pretende com isso reduzir drasticamente o número de animais mortos para consumo humano.

Fundada pelo vegano Ethan Brown, a “Beyond Meat” surpreendeu Gates, que não é declaradamente vegano mas admite que este é o futuro da alimentação humana. Em seu site, Bill Gates não poupou elogios à empresa de Ethan e disse que simplesmente não conseguiu perceber a diferença entre a carne de frango real e a que foi produzida pela “Beyond Meat” (leia aqui, em inglês). Desde então, Gates investe uma quantia não revelada para que a empresa cresça ainda mais.

Outro entusiasta da “Beyond Meat” é o vegano e co-fundador da rede social Twitter Biz Stone. Diferente de Gates, Stone é declaradamente vegano e faz questão de ajudar santuários como o “Farm Sanctuary” (Fazenda Santuário), a quem atribui seu primeiro passo dentro do veganismo. Segundo ele, o trabalho de dezenas de voluntários resgatando animais que iriam para o matadouro e cuidando deles o sensibilizou. Hoje, ele e sua família são veganos.

As “tiras de frango vegetal” da “Beyond Meat” já estão à venda em diversas partes dos Estados Unidos, confira o site da empresa, clique aqui.

A “Beyond Meat” ainda não é mais barata que a carne de frango, mas, segundo Ethan, será em breve. Quando o produto for idêntico, mais barato e mais saudável, as pessoas provavelmente optarão por ele, fazendo com que as indústrias deixem de criar frangos para o abate.

Fonte: Vista-se, 04/10/2013

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Socialismo gosta tanto de deixar o povo na merda que onde se instala sempre falta papel higiênico

Pra manter o povo na merda, o socialismo provoca escassez de papel higiênico
No vídeo abaixo o correspondente do Estadão em Buenos Aires, Ariel Palacios, descreve a operação militar para ocupar a maior fábrica de papel higiênico da Venezuela por ordem do presidente “bolivariano” Nicolás Maduro. Como em Cuba, os venezuelanos enfrentam escassez de alimentos, de papel higiênico e de liberdade. Sobram, contudo, corrupção, violência endêmica e uma das taxas de inflação mais altas do mundo. Tudo isso apesar do país ter uma das maiores jazidas de petróleo do mundo. Todo esse potencial para riqueza trombou com o socialismo do século XXI do finado Hugo Chávez agora continuado por seu herdeiro político Nicolás Maduro. E o socialismo é uma máquina de destruição, seja ele do século XX ou XXI, bolivariano ou de qualquer denominação. 
Socialismo é um bom nome para uma empresa de demolição: Precisando destruir um país em pouco tempo? Ligue Demolição Socialismo. Serviço rápido e garantido. Mais de um século de experiência . 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Para receber moradia do Minha Casa Minha Vida, o pobre tem que ser do PT

De presidente da Associação dos Trabalhadores Sem Teto
da Zona Noroeste,  Verinha (abraçada com Haddad) 
ganhou cargo
 comissionado  na Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab)
Militância vira critério para receber moradia do Minha Casa Minha Vida
Onze das 12 entidades com projetos aprovados pelo Ministério das Cidades são dirigidas por filiados ao PT; quem marca presença em protestos e até ocupações ganha prioridade na fila da casa própria em São Paulo

Líderes comunitários filiados ao PT usam critérios políticos para gerir a maior parte dos R$ 238,2 milhões repassados pelo programa Minha Casa Minha Vida Entidades para a construção de casas populares na capital. Onze das 12 entidades que tiveram projetos aprovados pelo Ministério das Cidades são dirigidas por filiados ao partido. Suas associações privilegiam quem participa de atos e manifestações de sem-teto ao distribuir moradias, em vez de priorizar a renda na escolha. Entre gestores dos recursos, há funcionários da gestão de Fernando Haddad (PT), candidatos a cargos públicos pela sigla e até uma militante morta há dois anos.

A partir de repasses diretos, as associações selecionadas pelo governo federal escolhem quem vai sair da fila da habitação em São Paulo. Os critérios não seguem apenas padrões de renda, mas de participação política. Quem marca presença em eventos públicos, como protestos e até ocupações, soma pontos e tem mais chance de receber a casa própria.

Para receber o imóvel, os associados ainda precisam seguir regras adicionais às estabelecidas pelo programa federal, que prevê renda familiar máxima de R$ 1,6 mil, e prioridade a moradores de áreas de risco ou com deficiência física. A primeira exigência das entidades é o pagamento de mensalidade, além de taxa de adesão, que funciona como uma matrícula. Para entrar nos grupos, o passe vale até R$ 50.

Quem paga em dia e frequenta reuniões, assembleias e os eventos agendados pelas entidades soma pontos e sai na frente. O sistema, no entanto, fere o princípio da isonomia, segundo o advogado Márcio Cammarosano, professor de Direito Público da PUC-SP.
“Na minha avaliação, esse modelo de pontos ainda me parece inconstitucional, além de escandaloso e absolutamente descabido. Ele exclui as pessoas mais humildes, que não têm condições de pagar qualquer taxa ou mesmo de frequentar atos públicos”, afirma.
50 mil pessoas. Os empreendimentos são projetados e construídos pelas associações, que hoje reúnem uma multidão de associados. São mais de 50 mil pessoas engajadas na luta pelo direito à moradia. Além das entidades dos petistas, há ainda uma outra dirigida por um filiado ao PCdoB.

A força política dos movimentos de moradia, que só neste ano comandaram mais de 50 invasões na cidade, pressionam não só o governo federal, mas a Prefeitura. Em agosto, Haddad publicou um decreto no qual se comprometeu a permitir que entidades possam indicar parte das famílias que serão contempladas com moradias em sua gestão. A promessa de campanha é entregar 55 mil até 2016 – as lideranças querem opinar sobre 20 mil desse pacote.

O cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, ainda alerta para o um efeito colateral do esquema implementado na capital pelas entidades, que é a cooptação política dos associados, com fins eleitorais.
“O governo deve imediatamente intervir nesse processo e rediscutir as regras. Isso remete ao coronelismo. Além disso, a busca pela casa própria não pode ser um jogo, onde quem tem mais pontos ganha.”
Quem é quem. A maior parte das entidades é comandada por lideranças do PT com histórico de mais 20 anos de atuação na causa. É o caso de Vera Eunice Rodrigues, que ganhou cargo comissionado na Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) após receber 20.190 votos nas últimas eleições para vereador pelo partido.

Verinha, como é conhecida, era presidente da Associação dos Trabalhadores Sem Teto da Zona Noroeste até março deste ano – em seu lugar entrou o também petista José de Abraão. A entidade soma 7 mil sócios e teve aval do Ministério das Cidades para comandar um repasse de R$ 21,8 milhões. A verba será usada para construir um dos três lotes do Conjunto Habitacional Alexius Jafet, que terá 1.104 unidades na zona norte.

No ano passado, Verinha esteve à frente de invasões ocorridas em outubro em prédios da região central, ainda durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD), e em pleno período eleitoral. Em abril, foi para o governo Haddad, com salário de R$ 5.516,55. A Prefeitura afirma que ela está desvinculada do movimento e foi indicada por causa de sua experiência no setor.

Outra entidade com projeto aprovado – no valor de R$ 14 milhões –, o Movimento de Moradia do Centro (MMC), tem como gestor Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, filiado ao PT há mais de 30 anos e atual candidato a presidente do diretório do centro. Com um discurso de críticas à gestão Kassab e de elogios a Haddad, ele também nega uso político da entidade. “Qualquer um pode se filiar a nós e conseguir moradia. Esse é o melhor programa já feito no mundo”, diz sobre o Minha Casa Minha Vida Entidades.

Ministério diz que desconhece esquema de pontuação. O Ministério das Cidades afirmou desconhecer que a presença em atos públicos, como protestos e ocupações, renda pontos às pessoas que lutam por uma moradia na capital. A pasta informou apenas que as entidades podem criar regras adicionais às estabelecidas pelo Minha Casa Minha Vida, sem a necessidade de aprová-las no governo.

Da mesma forma, o ministério disse que não pode interferir em regras internas dos movimentos de moradia e, por isso, não tem como impedir a cobrança de taxas e mensalidades.

O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP), não quis dar entrevista. Por meio de nota, sua assessoria ressaltou que as entidades não são selecionadas, mas habilitadas a receber verba mediante o cumprimento de uma série de atribuições, como dar apoio às famílias no desenvolvimento dos projetos, assim como na obtenção da documentação necessária. O processo não segue, segundo a pasta, critérios políticos. Além disso, as associações devem se submeter a uma prestação de contas, feita pela Caixa Econômica Federal, que financia as unidades.

Fonte: O Estado de S.Paulo, 28/09/2013 por Adriana Ferraz e Diego Zanchetta, 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Porque os Estados Unidos espionam o Brasil

Carlos Alberto Montaner
(Foto: alfaguara.com.es)
O texto  abaixo é de Carlos Alberto Montaner, jornalista, escritor cubano e professor universitário radicado desde 1972 na Espanha. Foi publicado em sua coluna semanal no jornal norte-americano Miami Herald e em seu blog sob o título Why we spy on Brazil  A tradução recolhi do blog do Ricardo Setti.


Destaco o seguinte trecho:
“Basta ler os papéis do Foro de São Paulo e observar a conduta do governo brasileiro. Os amigos de Luiz Inácio Lula da Silva, de Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores são inimigos dos Estados Unidos: a Venezuela chavista, primeiro com Chávez e agora com Maduro, a Cuba de Raúl Castro, o Irã, a Bolívia de Evo Morales, a Líbia na época de Kadafi, a Síria de Bashar al-Asad”. 
“Em quase todos os conflitos [na área internacional], o governo do Brasil coincide com a linha política da Rússia e da China, em oposição à perspectiva do Departamento de Estado e da Casa Branca. A família ideológica com que tem mais afinidade é a dos BRICS, com os quais tenta conciliar sua política externa”. (Os BRICS são Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

POR QUE NÓS ESPIONAMOS O BRASIL

A presidente brasileira Dilma Rousseff cancelou sua visita a Barack Obama. Estava ofendida porque os Estados Unidos espionavam seu correio eletrônico. Isso não se faz a um país amigo. A informação, provavelmente fidedigna, foi brindada por Edward Snowden desde seu refúgio em Moscou.

Intrigado, perguntei a um ex-embaixador norte-americano: por que fizeram isso?

Sua explicação foi absolutamente franca: “Da perspectiva de Washington, o [governo] brasileiro não é exatamente um governo amigo. O Brasil, por definição e pela história, é um país amigo que nos acompanhou na II Guerra Mundial e na Guerra da Coreia, mas seu atual governo não é”.

Somos [o embaixador e eu] velhos conhecidos.

– Posso publicar seu nome? — pergunto-lhe.

– Não — me responde. — Isso me criaria um imenso problema, mas pode transcrever esta nossa conversa.

É o que faço.

“Basta ler os papéis do Foro de São Paulo e observar a conduta do governo brasileiro. Os amigos de Luiz Inácio Lula da Silva, de Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores são inimigos dos Estados Unidos: a Venezuela chavista, primeiro com Chávez e agora com Maduro, a Cuba de Raúl Castro, o Irã, a Bolívia de Evo Morales, a Líbia na época de Kadafi, a Síria de Bashar al-Asad”.

“Em quase todos os conflitos [na área internacional], o governo do Brasil coincide com a linha política da Rússia e da China, em oposição à perspectiva do Departamento de Estado e da Casa Branca. A família ideológica com que tem mais afinidade é a dos BRICS, com os quais tenta conciliar sua política externa”. (Os BRICS são Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

“A enorme nação sul-americana não tem, nem manifesta, o menor interesse em defender os princípios democráticos sistematicamente violados em Cuba. Pelo contrário: o ex-presidente Lula da Silva costuma levar investidores à ilha para fortalecer a ditadura dos Castro. Calcula-se em 1 bilhão de dólares a cifra enterrada por brasileiros no desenvolvimento do superporto de Mariel, perto de Havana”.

“A influência cubana no Brasil não se dá de forma escancarada, mas é muito intensa. José Dirceu, o ex-chefe da Casa Civil de Lula da Silva e seu mais influente ministro, havia sido um agente dos serviços de inteligência cubanos”.

“Exilado em Cuba, alterou seu rosto por meio de uma cirurgia plástica e voltou ao Brasil com uma nova identidade (Carlos Henrique Gouveia de Mello, comerciante judeu) e assim funcionou até que se restaurasse a democracia. De mãos dadas com Lula, colocou o Brasil entre os grandes colaboradores da ditadura cubana. Caiu em desgraça por corrupção, mas sem recuar um milímetro de suas preferências ideológicas e sua cumplicidade com Havana”.

“Algo parecido ao que sucede com o professor Marco Aurélio Garcia, atual assessor de política externa de Dilma Rousseff. É um antiamericano contumaz, pior até do que Dirceu porque é mais inteligente e tem melhor formação. Fará tudo o que puder para prejudicar os Estados Unidos”.

Dilma com o ditador de Cuba, Raúl Castro: "o governo brasileiro não tem nem  manifesta
 o menor desejo de defender os princípios democráticos sistematicamente
violados em Cuba" (Foto: Adalberto Roque / Pool / EFE)
“Para o Itamaraty — um Ministério de Relações Exteriores que ostenta tanto prestígio pela qualidade de seus diplomatas, geralmente poliglotas e com boa formação –, a Carta Democrática assinada em 2001 em Lima é um apenas um pedaço de papel sem nenhuma importância. O governo simplesmente ignora as fraudes eleitorais levadas a cabo na Venezuela ou na Nicarágua, e é totalmente indiferente diante aos abusos contra a liberdade de imprensa [em tais países].

“Mas isso não é tudo. Há outros dois temas a respeito dos quais Washington quer estar informada de tudo o que ocorre no Brasil porque, de uma ou outra maneira, afetam a segurança dos Estados Unidos: a corrupção e as drogas”.

“O Brasil é notoriamente um país corrupto, e essas práticas nefastas afetam as leis dos Estados Unidos de duas maneiras: quando brasileiros utilizam o sistema financeiro norte-americano e quando competem de forma ilegítima com empresas dos Estados Unidos, recorrendo a subornos e comissões ilegais”.

“A questão das drogas é diferente. A produção de coca na Bolívia quintuplicou desde que Evo Morales ocupa o poder, e a rota de saída dessa substância é o Brasil. Quase tudo vai parar na Europa, e nossos aliados nos vêm pedindo informações a respeito. Essas informações às vezes estão em mãos de políticos brasileiros”.

Minhas duas últimas perguntas são inevitáveis. A primeira: Washington vai apoiar a pretensão brasileira de ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU?

“Se você perguntar para mim, a resposta é não” — diz ele. “Já temos dois adversários permanentes no Conselho, a Rússia e a China. Não precisamos de um terceiro”.

E minha última pergunta: os Estados Unidos continuarão espionando o Brasil?

“É claro”, ele me diz. “É nossa responsabilidade para com a sociedade americana”.

Acho que Dona Dilma deve mudar com frequência a senha de seu e-mail.

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