Curso de extensão da USP

sobre Judith Butler e Michel Foucault

O sequestro do termo "gênero":

uma perspectiva feminista do transgenerismo

Mulheres na Ciência

Estudantes criam bactéria que come o plástico dos oceanos

Mulheres na Ciência:

Duas barreiras que afastam as mulheres da ciência

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As 5 fases do socialismo ou a fé é cega!

A imagem abaixo sintetiza como a visão socialista nega a realidade objetiva e se parece mais com uma religião, onde se crê pela fé e não pela razão. Aliás, cai como uma luva no velho ditado de que a religião é o ópio do povo e o marxismo, o ópio dos intelectuais (de esquerda, naturalmente).

O material é do blog português O Insurgente e faz humor com o que os socialistas dizem a sério. E o pior é que muita gente compra. Muita gente jovem naturalmente, esquerdiotizada nas esquerdiotas universidades mundo afora (E o fenômeno parece se dar da mesma forma aqui em banânia e lá na terrinha). Muita gente que não tem nem  conhecimento nem  experiência de vida suficientes para analisar objetivamente o mundo.

Aconteceu comigo também. Embora meu DNA libertário sempre tenha me imunizado dessa versão aguda do vírus esquerdiotizante, o socialismo-comunismo, não posso negar que a cepa menos agressiva desse destruidor de mentes também me afetou em tenra idade. Levei tempo para cair na real e me dar conta que havia passado muito tempo da vida pagando o maior mico.

Como diz ainda outro ditado: "Quem não é socialista aos vinte anos não tem coração. Quem é socialista aos quarenta anos não tem intelecto." 

Segue também um vídeo do fudêncio num acampamento comunista para reforçar a ilustração. Para visualizar melhor a imagem das cinco fases, dê zoom na página ou clique na imagem. Sobre a origem da história de que comunistas comiam criancinhas, acessar Comunista comia mesmo criancinhas? Os macabros fatos que levaram a essa frase! 


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Assista: Julgamento do Mensalão pelo STF

Inicia-se mais uma sessão de julgamento do mensalão pelo STF. Vamos ver se teremos outras boas novas como as de ontem quando o petista João Paulo Cunha foi condenado por vários crimes (ver postagem anterior).

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Dia histórico: petista João Paulo Cunha condenado por corrupção


A essas alturas do campeonato, petistas estão espumando pela boca e já pensando numa forma de reverter o glorioso revés de hoje. Mais uma coisa é certa: não dá mais para a quadrilha dizer que o mensalão não existiu e que seus integrantes, envolvidos no maior desvio de verba pública da história brasileira, são vítimas de calúnias da "direita", do PIG, etcetera e tal.

O senhor João Paulo Cunha foi condecorado oficialmente como corruPTo, e só isso representa a tal luzinha no fim do túnel de que falava na postagem anterior sobre o descrédito da política em nosso país.

Mesmo que só pise na cadeia, sob pretexto de cumprir a sentença, e saia logo com base em algum recurso de advogado picareta, a punição existiu e representa uma quebra do círculo vicioso da impunidade que alimenta a corrupção endêmica que nos assola. Esperemos que outros políticos vigaristas, envolvidos no mensalão, tenham o mesmo destino. Cumprimentos ao STF que, neste caso e no geral, acertou em cheio. Abaixo trecho de artigo do G1 sobre a condenação.

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (29) condenar o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) por corrupção passiva (receber vantagem indevida) e peculato no processo do mensalão. Cunha foi acusado de receber R$ 50 mil no ano de 2003, quando era presidente da Câmara, para beneficiar agência de Marcos Valério.Além de condenar Cunha, a maioria também decidiu pela condenação de Marcos Valério e seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz por corrupção ativa (oferecer vantagem indevida) e peculato em relação aos desvios na Câmara.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A desmoralização da política

Compartilho integralmente da análise do historiador Marco Antonio Villa com quem, aliás, costumo concordar regularmente. Fui das que corri para as ruas a fim de protestar contra a ditadura militar, a fim de participar do comício das diretas reivindicando a tão sonhada democracia.

E tive até esperanças de um país melhor quando Fernando Henrique Cardoso chegou ao poder e, pelo menos, estabilizou a economia nacional. Antes dele, o caos financeiro era total. Entretanto, suas mudanças no sentido de garantir um pouco de ética no trato da coisa pública foram muito tímidas. Não fez a tão imprescindível reforma política e ainda nos legou o estatuto da reeleição. Não que haja algo de errado em reeleições. Em países mais civilizados, ela também ocorre sem prejuízo da democracia. Mas o Brasil não é um país civilizado, a América Latina não é uma região civilizada. Sempre foi um território avesso à democracia real. Por aqui, qualquer chance e já aparece um novo caudilho, coronel, algum autoritário armando uma quartelada ou tentando implantar uma ditadura "popular" (esquerdista).

O segundo mandato de FHC foi marcado por problemas e abriu caminho para a vitória da pior coisa que nos aconteceu desde 64: Lula e sua quadrilha, como uma metástase se espalhando pelo tecido social brasileiro, degenerando tudo e todos. Não por menos o julgamento do mensalão, com seus primeiros condenados, é tão importante. Pode ser uma pequena luz no fim do túnel em que nos metemos e para o qual não estamos encontrando saída.   

A desmoralização da política

por Marco Antonio Villa 

A luta pela democracia marcou o século XX brasileiro. Somente em oito dos cem anos é que não ocorreu nenhum tipo de eleição, de voto popular, para escolher seus representantes. Foi durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945). No regime militar as eleições tiveram relativa regularidade, mas sem a possibilidade de o eleitor escolher o presidente da República e, a partir de 1965, dos governadores e dos prefeitos das capitais e das cidades consideradas de segurança nacional. Nas duas décadas do regime militar (1964-1985), a luta em defesa da eleição direta para o Executivo e da liberdade partidária foram importantes instrumentos de mobilização popular.
Com o estabelecimento pleno das liberdades democráticas, após a promulgação da Constituição de 1988, as eleições passaram a ter uma regularidade de dois anos, entre as eleições municipais e as gerais. Deveria ser uma excelente possibilidade para aprofundar o interesse dos cidadãos pela política, melhorar a qualidade do debate e e abrir caminho para uma gestão mais eficaz nas três esferas do Executivo e, no caso do Legislativo, para uma contínua seleção dos representantes populares.
Para um país que sempre teve um Estado forte e uma sociedade civil muito frágil, a periodicidade das eleições poderia ter aberto o caminho para a formação de uma consciência cidadã, que romperia com este verdadeiro carma nacional marcado pelo autoritarismo, algumas vezes visto até como elemento renovador, reformista, frente à ausência de efetiva participação popular.
Desde 1988, está será a décima terceira eleição consecutiva. Portanto, a cada dois anos temos, entre a escolha dos candidatos e a eleição, cerca de seis meses de campanha. Neste período o noticiário é ocupado pelas articulações políticas, designações de candidatos, alianças partidárias, debates e o horário gratuito de propaganda política. Cartazes são espalhados pelas cidades, carros de som divulgam os candidatos (com os indefectíveis jingles) e é construída uma aparência de participação e interesse populares.
Porém, é inegável que a sucessão das eleições tem levado ao desinteresse e apatia dos cidadãos. A escolha bienal de representantes populares tem se transformado em uma obrigação pesada, desagradável e incômoda. Tudo porque o eleitor está com enfado de um processo postiço, de falsa participação. A legislação partidária permite a criação de dezenas de partidos sem que tenham um efetivo enraizamento na sociedade; são agrupamentos para ganhar dinheiro, vendendo apoio a cada eleição. A ausência de um debate ideológico transformou os partidos e os candidatos em uma coisa só. O excesso de postulantes aos cargos não permite uma efetiva comparação. Há uma banalização do discurso. E o sistema de voto proporcional acaba permitindo o aparecimento dos “candidatos cacarecos”, que empobrecem ainda mais as eleições.
A resposta do eleitor é a completa apatia, com certo grau de morbidez. Vota porque tem de votar. Escolhe o prefeito, como agora, pela simpatia pessoal ou por algo mais prosaico; para vereador, vota em qualquer um, afinal, pensa, todos são iguais e a Câmara Municipal não serve para nada. O mesmo raciocínio é extensivo à esfera estadual e nacional. No fundo, para boa parte dos eleitores, as eleições incomodam, mudam a rotina da televisão, poluem visualmente a cidade com os cartazes e ainda tem de ir votar em um domingo.
Para o político tradicional, este é o melhor dos mundos. Descobriu que a política pode ser uma profissão. E muito rendosa. Repete slogans mecanicamente, pouco sabe dos problemas da sua cidade, estado ou do Brasil, a não ser as frases feitas que são repetidas a cada dois anos. O marqueteiro posa de gênio, de especialista de como ganhar (e lucrar) sem fazer muita força. Hoje é o maior defensor das eleições bienais. Afinal, tem muitos funcionários, tem de pagar os fornecedores, etc, etc. Para ele, a democracia acabou virando um tremendo negócio. E é um devoto entusiástico dos gregos, pois se não fosse eles e sua invenção....
Não é acidental, com a desmoralização da política, que estejamos cercados por medíocres, corruptos e farsantes. O espaço da política virou território perigoso. Perigoso para aqueles que desejam utilizá-lo para discutir os problemas e soluções que infernizam a vida do cidadão.
O político de êxito virou um ator (meio canastrão, é verdade). Representa o papel orquestrado pelo marqueteiro (sempre pautado pelas pesquisas qualitativas). Não pensa, não reflete. Repete mecanicamente o que é ditado pelos seus assessores. Está preocupado com a aparência, com o corte de cabelo, com as roupas e o gestual. Nada nele é verdadeiro. Tudo é produto de uma construção. Ele não é mais ele. Ele é outro. É a persona construída para ganhar a eleição. No limite, nem ele sabe mais quem ele é. Passa a acreditar no que diz, mesmo sabendo que tudo aquilo não passa de um discurso vazio, falso. Fica tão encantado com o personagem que esquece quem ele é (ou era, melhor dizendo).
Difícil crer que toda a heroica luta pelo estabelecimento da democracia, do regime das plenas liberdades, fosse redundar neste beco sem saída. Um bom desafio para os pesquisadores seria o de buscar as explicações que levaram a este cenário desolador, em que os derrotados da velha ordem ditatorial se transformaram em vencedores na nova ordem democrática. Enfim, a política perdeu sentido. Virou até reduto de dançarinos. Tem para todos os gostos, até para os que adornam a cabeça com guardanapo.
Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos..

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Clipping: FHC é eleito o presidente que mais fez pelo Brasil

Aeh, Fernandão, a gente reconhece seu valor!
O tempo fazendo Justiça: FHC eleito o presidente que mais fez pelo Brasil (sem dúvida, o tucano foi um divisor de águas na política brasileira).

E Marta Suplicy eleita a pior prefeita de Sampa. Puxa, conseguiu ganhar do Pitta e do Maluf? E o PT quer que ela assuma a candidatura do Haddad...kkkk? Ah, vai lá, Marta, vai! 

Em enquete inovadora do iG, FHC é eleito o presidente que mais fez pelo Brasil

Tucano, que venceu Lula duas vezes no 1º turno, em 1994 e 1998, teve 116.306 votos e levou a melhor sobre o petista, 2º mais votado; Itamar, Dilma, Collor e Sarney vêm em seguida.

Baseada no conceito de real time, que proporciona uma interação entre todos os usuários do portal iG, a nova plataforma de enquete lançada no final de julho apontou Fernando Henrique Cardoso(PSDB) como o presidente que mais fez pelo País durante seus dois mandatos. O tucano, que governou o Brasil de 1995 a 2002, recebeu 116.306 votos, superando o petista Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), com 63.312. Itamar Franco (1992-1994), a atual presidenta Dilma Rousseff(desde 2011), Fernando Collor de Mello (1990-1992) e José Sarney (1985-1990) apareceram em seguida, nesta ordem. Ao todo, foram computados 195.028 votos em sete dias.



Mais uma vez, a plataforma inovadora do iG teve um grande alcance nas redes sociais, em especial no Twitter e no Facebook. A repercussão da enquete foi imediata e, durante a semana, vários usuários convocaram os amigos para votar na home do portal.

Bem atrás da polarização entre FHC e Lula , o ex-presidente Itamar Franco, que morreu em 2011exercendo o mandato de senador por Minas Gerais, recebeu 5.187 votos. Atual chefe da Nação, Dilma Rousseff, com um ano e oito meses de mandato, teve 4.884 votos e ficou à frente dos ex-presidentes Fernando Collor, alvo de um processo de impeachment em 1992 (4.275 votos), e José Sarney (1.064).

Os anos FHC

Eleito em 1994 após vencer Lula ainda no primeiro turno, FHC ficaria no cargo por oito anos. No meio do mandato, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que instituiu, para os cargos executivos, o mandato de quatro anos com direito a uma reeleição – e FHC soube tirar vantagem da emenda feita sob medida. O tucano foi o primeiro presidente da história brasileira a ser reeleito, ambas as vezes em um turno só. Mas o grande legado de FHC se concentraria no campo econômico.

Em 1994, ele teve papel fundamental na criação do Plano Real, que acabou com a hiperinflação. No ano seguinte, teria de domar a crise bancária gerada pelo fim da era inflacionária, no programa que ficou conhecido como Proer.

Em 1999, contornou mais uma ameaça à moeda, quando a mudança para o câmbio flutuante fez disparar a cotação do dólar, então tido como âncora do real. Para piorar, o período ficou marcado por crises financeiras sucessivas – no México, na Ásia e na Rússia – que também faziam a economia nacional balançar. Ainda que as manobras para segurar o real tenham sido alvo de críticas, no fim elas garantiram a estabilidade da moeda, quando ela foi testada de forma mais decisiva.

Na área social, FHC introduziu os primeiros programas de distribuição de renda, depois ampliados pelos sucessores. Mas enfrentou dificuldades com a crise no setor energético no segundo mandato, que gerou um racionamento de energia no País, o chamado “apagão”. Além disso, a política de aperto fiscal necessária para garantir a estabilidade impediu um crescimento mais acelerado da riqueza nacional, minando a popularidade de FHC. Os dois mandatos tucanos também ficaram marcados pelas privatizações em vários setores da economia, como as telecomunicações. Após oito anos no poder, FHC não conseguiu eleger seu candidato à sucessão, José Serra (PSDB), em 2002.

No início do mês, os internautas do iG já participaram de uma enquete para escolher qual foi o pior prefeito de São Paulo nos últimos 20 anos - Luiza Erundina, Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra ou Gilberto Kassab. A senadora Marta Suplicy (PT) teve o maior número de votos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Áudio clipping: Greve dos sem-vergonha! Lewandowski sem-vergonha!


À parte os comentários positivos sobre Dilma (desde que eleita Jabor se tomou de amores por ela), a opinião do colunista-cineasta sobre as greves dos marajás, do enorme funcionalismo público brasileiro, são bem pertinentes. Uma vergonha como também vergonhoso foi o voto do ministro Lewandowski livrando a cara de João Paulo Cunha, do famigerado PT, no caso do mensalão. Comenta Merval Pereira no segundo áudio.

Este último caso do ministro me fez lembrar os versos de Gregório de Matos, em Epigrama: "Valha-nos Deus, o que custa/O que El-Rei nos dá de graça./Que anda a Justiça na praça/Bastarda, vendida, injusta."


Uma greve política

Manifestação mostra a saudade que os servidores públicos sentem da complacência de Lula para manter a fama de bom.



É estranho que Lewandowski não tenha completado raciocínio sobre dinheiro sacado por João Paulo Cunha
Ministro do STF ignorou vários indícios de que houve corrupção ligada ao saque que a mulher do ex-presidente da Câmara dos Deputados foi buscar em banco, supostamente para pagamento de fornecedores.

sábado, 18 de agosto de 2012

Pussy Riot: Ave Maria, nos livre de Putin!

Pussy Riot: condenadas por pedir a Virgem Maria para livrar a Rússia de Putin
Pessoalmente, não sou favorável que se invada igrejas para fazer protestos. Da mesma forma que considero um acinte antidemocrático esses evangélicos que realizam cultos em dependências governamentais (até no Congresso), acho que protestos contra instituições religiosas são válidos, mas devem ser feitos em frente das igrejas, templos, etc., na via pública.

De qualquer forma, nada justifica a decisão do governo e da igreja russos de sentenciar, com dois anos de cadeia, as jovens da banda punk Pussy Riot porque resolveram protestar, contra o apoio da Igreja à reeleição fraudulenta de Putin, nos degraus do altar da Catedral Ortodoxa de Cristo Salvador, em Moscou.

De fato, segundo analistas, os exageros envolvidos na prisão e julgamento das moças são uma mostra de endurecimento do regime do presidente russo, cada vez mais autoritário. O Estadão fez um bom editorial sobre o assunto que reproduzo abaixo bem como o vídeo da performance das punks na Igreja e a letra da música (em inglês) onde pediam para a Virgem Maria livrar a Rússia de Putin.

Incrível como os autoritários, de todos os tipos, andam a todo vapor!

Um processo agita Moscou

O Estado de S.Paulo

Nem o mais satírico dos escritores russos imaginaria uma cena como a que se passou na última quarta-feira em um tribunal moscovita. Por trás das barras da cela de onde, algemadas, assistem ao seu julgamento, três pessoas acusadas de vandalismo motivado por ódio religioso denunciam "o sistema totalitário-autoritário" do presidente Vladimir Putin, a quem acusam de sufocar as liberdades individuais. Comparam-se às legiões de réus de processos forjados ao longo da história do país para silenciar as críticas ao Estado todo-poderoso. E se declaram mais livres do que os seus acusadores, porque falam o que querem, enquanto aqueles só podem dizer o que o governo autoriza.

A situação parece inverossímil porque os acusados não são dissidentes políticos, intelectuais engajados ou oligarcas em desgraça. Seus nomes são Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alekhina e Yekaterina Samusevich. A primeira, apelidada Nadia, tem 22 anos. A outra, Masha, 24. E a terceira, Katya, 29. Nadia e Masha são casadas e têm filhos. O trio faz parte de uma banda punk chamada Pussy Riot, em inglês mesmo, que dispensa tradução. No dia 21 de fevereiro, acompanhadas por um cinegrafista, além de fãs e jornalistas, instalaram-se nos degraus do altar (vedado a mulheres) da Catedral Ortodoxa de Cristo Salvador, em Moscou. Com capuzes coloridos e roupas berrantes, puseram-se a parodiar um hino religioso e, logo em seguida, iniciaram uma performance.

Interrompidas pelos seguranças da igreja, ao cabo de 51 segundos, foram-se embora sob os olhares indiferentes de um grupo de policiais. Só que a provocação, como pretendiam, foi parar no YouTube, sob o título da sua oração punk "Virgem Maria, jogue Putin fora". O vídeo atraiu milhares de curiosos - entre eles o primaz ortodoxo russo, Patriarca Cirilo I. Ele foi se queixar da "blasfêmia" diretamente ao presidente, cuja terceira eleição, naquele começo de março, havia equiparado a um "ato de Deus". Pouco depois, as roqueiras foram detidas, indiciadas, impedidas de aguardar o julgamento em liberdade e proibidas de receber visitas de familiares e amigos. Os raros correspondentes estrangeiros que já as conheciam falam de jovens cultas, articuladas, decididas - e de boas maneiras. Exemplos, em suma, de parcelas da cosmopolita população jovem das metrópoles russas, que acompanhou, atenta, a explosão libertária da Primavera Árabe.

Em novembro passado, quando o então primeiro-ministro Putin anunciou que se candidataria novamente à presidência da Federação Russa e, se eleito, indicaria o então presidente Dmitri Medvedev, seu apadrinhado, ao posto de primeiro-ministro, o cínico rodízio causou revolta, provocou manifestações de rua e deu a Nadia, Masha, Katya e algumas amigas a ideia de formar uma banda. Ela se distinguiria de tantas outras pelo nome insolente, o mote "a arte contra o poder" e suas duas bandeiras: a defesa do feminismo (anátema para a imensa maioria dos russos) e a denúncia da perenização da autocracia de Putin, corrupta e violenta. O primeiro grande show do grupo, perante 5 mil pessoas em plena Praça Vermelha, alvejou as fraudes que garantiram a vitória do partido do Kremlin no pleito parlamentar de dezembro.

O julgamento do trio começou sob a expectativa de que o promotor pediria a pena máxima para o delito alegado - sete anos de prisão. Eis que a simultânea campanha de difamação das acusadas na TV russa teve efeito bumerangue: muitos moscovitas, antes alheios ao caso ou hostis às rés, passaram a vê-las como vítimas do Estado. Um manifesto em seu favor reuniu 40 mil assinaturas, muitas de figuras públicas. No exterior, o órgão equivalente ao Ministério do Exterior da União Europeia manifestou inquietação. Celebridades como a cantora Madonna, que fará um show em São Petersburgo, encamparam a causa. Em Londres para os Jogos Olímpicos, um constrangido Putin - que vem endurecendo a repressão aos ativistas russos - defendeu que o grupo fosse tratado com "indulgência". O obediente promotor pediu três anos. Para o governo ganhar tempo, o veredicto só sairá no fim da próxima semana.



St. Maria, Virgin, Drive away Putin
Drive away! Drive away Putin!
(end chorus)

Black robe, golden epaulettes
All parishioners are crawling and bowing
The ghost of freedom is in heaven
Gay pride sent to Siberia in chains

The head of the KGB is their chief saint
Leads protesters to prison under escort
In order not to offend the Holy
Women have to give birth and to love

Holy shit, shit, Lord's shit!
Holy shit, shit, Lord's shit!

(Chorus)
St. Maria, Virgin, become a feminist
Become a feminist, Become a feminist
(end chorus)

Church praises the rotten dictators
The cross-bearer procession of black limousines
In school you are going to meet with a teacher-preacher
Go to class - bring him money!

Patriarch Gundyaev believes in Putin
Bitch, you better believed in God
Belt of the Virgin is no substitute for mass-meetings
In protest of our Ever-Virgin Mary!

(Chorus)
St. Maria, Virgin, Drive away Putin
Drive away! Drive away Putin!
(end chorus)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

V de Vingança - Completo e Dublado


Guy Fawkes foi um soldado inglês católico que participou de uma tentativa de levante, em 1605, contra o rei protestante Jaime I e  parlamentares ingleses, que ficou conhecida como Conspiração da Pólvora. Os revoltosos pretendiam implodir o parlamento e seus membros como primeiro passo do levante, e Guy era o sujeito que tomava conta dos barris de pólvora que seriam utilizados no atentado. Entretanto a conspiração foi descoberta e Guy preso, torturado e executado no dia 5 de novembro. Até hoje é tradição, na Inglaterra, malhar e queimar bonecos de Fawkes todo os 5 de novembro de cada ano, como fazemos com os bonecos de Judas nos sábados de aleluia.

Apesar de considerado traidor, Fawkes foi inspirador de mitos libertários, como a graphic novel V de Vendetta (V de Vingança), onde um rebelde, que usa uma máscara baseada em seu rosto, consegue detonar o parlamento inglês, num dia 5 de novembro, numa Inglaterra dominada por um regime fascista. A HQ ganhou, por sua vez, uma versão cinematográfica, entre outros, com HugoWeaving, Natalie Portman, Stephen Rea, John Hurt, em 2006, que ajudou a divulgar a história do católico conspirador.

Abaixo segue o filme completo em versão dublada, já que não encontrei a versão legendada. O filme vale a pena de qualquer jeito. 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Comparações inconvenientes: Havana e Hong Kong em 1950 e 2010

Como uma imagem sempre vale mais do que mil palavras, ilustro essa postagem com as imagens de duas cidades, Havana e Hong Kong, em 1950 e 2010, e suas mudanças sob dois sistemas político-econômicos diferentes. Poderíamos comparar também a Coréia do Sul com a do Norte para o quadro se tornar mais dramático: a primeira, capitalista, um dos países mais desenvolvidos do mundo; a segunda, comunista, um bolsão de miséria, onde pessoas, principalmente crianças e idosos, morrem, como moscas, de desnutrição. Poderíamos fazer outras comparações da mesma natureza, e o resultado seria idêntico.

Entretanto, apesar de tantas evidências mostrando a total ineficiência dos regimes comunistas, ou de socialismo real; apesar da maior parte desses regimes terem caído de podres, no início da década de 90 em todo o Leste Europeu e em alguns países da Ásia, os adeptos dessa seita insistem em defendê-la como uma alternativa ao capitalismo, pois o capitalismo é que seria responsável pela pobreza no mundo. Recomendo o texto Carta Aberta a Frei Betto, do João Luiz Mauad, à guisa de resposta a esse mito.

Na América Latina, esses insanos retornaram à cena, via Foro de São Paulo, e estão aí fazendo o que sabem fazer de melhor: detonar os países que caem vítimas de suas garras (A Venezuela é a principal vítima do momento, mas não é a única). Aliás, socialismo é um bom  nome para uma firma de demolição: "Precisando destruir um país rapidamente? Chame Demolidora Socialismo. Garantia de destruição em pouco tempo. Começamos pela economia e concluímos com a escravização do povo."

Mas, falando sério, os remanescentes dessa trágica experiência humana ou trataram de se capitalizar, como a China, razão pela qual virou potência, ou passaram a dar modestos passos nesse sentido. É o caso de Cuba, ou melhor, da ditadura comunista dos Castro, agora sob a regência do irmão de Fidel, Raúl Castro, já que Fidel está para ser recebido nos portões do inferno. Desde 2010, Raúl Castro passou a tomar mínimas medidas liberalizantes na economia local, permitindo aos infelizes cubanos passar a ter algum pequeno negócio próprio, prometendo cortar boa parte do funcionalismo público parasitário, enfim, algumas reformas econômicas para viabilizar a ilha-prisão que sempre dependeu de apoio externo para sobreviver.

Pois não é que o PSOL, o mais orwelliano desses partidecos de esquerda que infestam as universidades e os sindicatos brasileiros (pois Socialismo e Liberdade só tem sentido como Liberdade é Escravidão), considera essas mudanças uma traição ao socialismo e computa, a esses primeiros indícios de capitalismo de Estado, a miséria do povo cubano causada por mais de 50 anos de comunismo!?

Lembrei disso porque o PSOL anda angariando a simpatia dos esquerdiotas brasileiros e outros tantos,   agora desencantados com o PT (hoje também começando a ser considerado de "direita"), que vem abraçando a sigla como uma nova esperança de realização dos seus eternamente fracassados ideais. Pela visão que o partido tem das reformas cubanas, dá para ver o quanto de novo há no que pensa. O PSOL é tão arcaico que considera que os Castro vêm restaurando o capitalismo que se tinha desterrado com o triunfo da revolução (sic)!!!

Deixo abaixo uma primeira parte de um vídeo, de 2009, sobre a miséria cubana que nada tem a ver obviamente com o capitalismo. Podemos terminar dizendo, até como chiste, que, se o mundo é ruim com o capitalismo, mil vezes pior sem ele.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Comunista comia mesmo criancinhas? Os macabros fatos que levaram a essa frase!

E não é que comunista comia mesmo gente?
Todas as vezes que alguém aponta a herança da esquerda que se tornou hegemônica na América Latina nos últimos anos, a saber a do chamado socialismo real, se houver um(a) defensor(a) dessa ideologia por perto, seguramente ouvirá alguma tentativa de desclassificação da lembrança do tipo "ah, e comunista também comia criancinhas, né?

Que comunistas mataram criancinhas de baciada, isso é sabido, mas se também as comiam não se conhece ao certo. Sabe-se, contudo, que essa história tem um fundo verdadeiro e bem macabro, como não poderia deixar de ser considerando de quem se fala. 

Provavelmente surgiu por conta dos episódios de canibalismo que ocorreram nos países socialistas devido às chamadas "grandes fomes" geradas, por sua vez, pela desastrosa economia planificada comunista, a coletivização forçada, os grandes deslocamentos humanos, ou como política genocida de curvar os povos que não queriam se adaptar ao regime.  Como exemplo deste último caso, destaca-se o episódio do Holodomor (matar de fome, em ucraniano) perpetrado por Stálin contra os ucranianos que resistiam a integrar-se à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), durante os anos 1932-33, através do confisco da produção agrícola desse povo. 

Cerca de 5 milhões de ucranianos morreram de fome, incluindo crianças naturalmente, e houve relatos de canibalismo até de pais contra filhos. Enlouquecidas pela fome, as pessoas matam o que lhes vier pela frente ou se alimentam dos mortos. Embora os ucranianos tenham sido as maiores vítimas desse tipo de ação genocida, não foram únicos nem na URSS nem em outros países que caíram sob o jugo dessa ideologia nefasta. 

No caso da China, o número de mortos pela fome também passou dos vinte milhões segundo os historiadores. Mas, nela, além do canibalismo derivado da situação limite de não se ter nada para comer, ocorreu também o canibalismo oficial como parte das loucuras da época da Revolução Cultural(1966-1976) do presidente Mao Zedong, outro dos grandes psicopatas dessa turma totalitária. 

No livro que reproduzo abaixo, em inglês, chamado Memorial Escarlate, Contos de Canibalismo da China Moderna, de Zheng Yi, o autor descreve o caso das execuções e canibalizações dos inimigos de classe, do Estado, na província de Guangxi. Cerca de 100.000 pessoas foram mortas e - SIM - literalmente comidas pelos comunistas. Após as execuções, quando os corpos das vítimas se tornavam disponíveis para consumo, a elite local ficava com os corações e fígados enquanto o povo tinha o direito aos braços e solas do pés. Como de praxe em regimes totalitários, a insanidade política e os ressentimentos da turba se uniram para literalmente devorar os inimigos reais ou imaginários. Com certeza, criancinhas devem ter feito parte do cardápio demente, principalmente considerando que suas carnes são mais tenras.

Então, quando um desses esquerdiotas vier com suas piadinhas, ao ser confrontado com a herança da ideologia que defende, responda com os macabros fatos históricos sobre o socialismo real, registrados por estudos acadêmicos e não-acadêmicos, que explicam a origem da história de que "comunistas comiam criancinhas". 

Fora o livro abaixo (infelizmente só o encontrei no original em inglês), outros livros disponíveis, em português, que citam a questão do canibalismo, nos chamados países socialistas/comunistas, são o famoso O Livro Negro do Comunismo, escrito por esquerdistas (democráticos pelo visto), e a A Tragédia de um Povo -A Revolução Russa, 1891-1924, de Orlando Figes, da Record. 

Depois, alguém ainda duvida da sorte que tivemos de os militares terem posto essa turma para correr em 1964? Pena que não tenham feito jus à confiança que o povo lhes depositou e tenham aproveitado o ensejo para implantar também a sua ditadura, pra lá de branda se comparada com as comunas.

Scarlet Memorial, Tales of Cannibalism in Modern China - Zheng Yi (1996)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A revolta de Atlas, o filme!

A Revolta de Atlas Parte 1
Em março deste ano, atualizei uma postagem sobre Ayn Rand, Ayn Rand: homenagem a uma mulher notável no dia internacional da mulher!, de onde transcrevo o trecho que se segue à guisa de apresentação da versão cinematográfica da primeira parte da trilogia A Revolta de Atlas (a segunda está prevista para outubro nos EUA).

Ainda que o filme, que posto abaixo, tenha sido muito criticado, por razões várias, ele pode dar uma ideia da obra da autora russa-americana e servir como introdução à leitura (fundamental) da famosa trilogia. Como mais um incentivo à leitura, adianto que o cenário descrito por Ayn Rand, em seu livro, lembra muito o espírito dos tempos que temos vivido no Brasil desde 2003.  Posto ainda outro vídeo sobre as lições de A Revolta de Atlas para nossas sociedades atuais.   

A Revolta de Atlas (Atlas Shrugged, 1957)

A Revolta de Atlas é a obra-prima de Ayn Rand e considerada um dos grandes romances de ideias de todos os tempos. Nela, através de um enredo que mescla suspense e filosofia, a escritora russa-americana expõe seu ideário. Num mundo governado por repúblicas autoritárias coletivistas, os EUA rumam para o mesmo destino, com seu governo criando tantos obstáculos à livre iniciativa das pessoas, sob pretexto de igualitarismo, que os principais líderes da indústria, do empresariado, das ciências e das artes, liderados por um misterioso John Galt, decidem fazer uma greve de cérebros.

Em outras palavras, aqueles que sustentam o país (daí a referência à figura de Atlas, o titã da mitologia grega, que sustenta o mundo nos ombros) somem literalmente do mapa deixando a sociedade à própria sorte. O Estado se apossa de suas propriedades e invenções, mas não é capaz de mantê-las funcionando porque não tem competência para tal, atravancado pela burocracia e pela corrupção e infestado de medíocres e parasitas de toda ordem (qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência). Para saber o resultado dessa greve, é preciso ler os três volumes desse épico da liberdade que é A Revolta de Atlas.

Abaixo link para a segunda e terça partes de A Revolta de Atlas
https://www.dropbox.com/s/u2xikcvoe6j7rss/Atlas.Shrugged.2.2012.avi?dl=0 https://www.dropbox.com/s/dkctn7ojj9co5u1/A%20Revolta%20de%20Atlas%20III.mp4?dl=0
Fonte: Portal Libertarianismo

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diga-me com quem andas que te direi quem és: esquerdistas, islâmicos e nazistas

Imã Hach Amin Al-Husseini e Hitler
Se houver 10% de esquerdistas que possam ser considerados democráticos é muito. Geralmente, esses democráticos são os representantes da social-democracia de fato (não de fachada), à parte possíveis críticas ao estado de bem-estar social. O resto é autoritária de natureza e sempre será. Reuniram-se com Ahmadinejad, em junho, por ocasião da Rio +20 como outrora se reuniram com Hitler, que - por sua vez - teve o apoio do fundador do nacionalismo islâmico Hach Amin Al-Husseini na sua política de extermínio dos judeus durante a segunda guerra mundial.

O objetivo de toda essa gente fina foi e continua sendo a destruição das democracias ocidentais e a instalação de regimes totalitários mundo afora. Unem-se agora, em torno desse objetivo comum, e depois se matam, se for o caso. O objetivo dos islâmicos é exterminar os judeus, os cristãos, os budistas, etc. e islamizar o planeta. Estão destruindo igrejas e matando cristãos a rodo nos países árabes enquanto, na Europa e nos EUA, escudando-se no equivocado  politicamente correto, recusam qualquer tentativa de fazê-los adaptar-se aos valores ocidentais, acusando quem os cobra de racistas, islamofóbicos. Tudo isso sob o silêncio cúmplice da imprensa internacional tomada por alienados de vários matizes. A propósito, matéria da Época sobre o tema: Cristofobia

Os inocentes úteis que apoiam a esquerda do Foro de São Paulo que aí está cavam devagarzinho a própria cova. As democracias ocidentais são cheias de imperfeições, como imperfeitos são os seres humanos, mas, perto do que as viúvas do Muro de Berlim são capazes de produzir, tornam-se o paraíso na Terra.

Posto um vídeo à guisa de ilustração. A imagem está ruinzinha mas a legenda é em espanhol, o que facilita a compreensão. Vejam Hitler com o tal Al-Husseini e as declarações mais recentes de líderes islâmicos, incluindo o famigerado Ahmadinejad. Chama-se Hitler y el líder palestino.

Lembremos ainda que a imprensa internacional (latino-americana em particular) vive acusando o tiranete Hugo Chávez, também do Foro de São Paulo, de financiar o desenvolvimento da bomba nuclear do Irã e de estar abrindo espaço para terroristas islâmicos em nosso continente. Lembre, a respeito do apoio de Chávez ao presidente do Irã, entrevista do embaixador israelense em Montevidéu, Dori Goren, ao jornal uruguaio El País. 

Em outras palavras, fiquem bem espertos nas próximas eleições para não bancar os coveiros de si mesmos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Clipping legal: Jornais internacionais acompanham julgamento do mensalão

Falta um no banco de réus
O mensalão, aquele evento que o PT quer proibir de ser chamado pelo nome. também é notícia internacional. O portal Exame selecionou trechos de  jornais internacionais que estão acompanhando a cobertura do julgamento do maior escândalo de corrupção da história do Brasil. 
Veja:
É o “Mensalão scandal”, como escreveu o britânico The Guardian, um dos únicos a ignorar a língua inglesa e adotar a palavra em sua totalidade, mostrando o potencial do termo cunhado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, hoje um dos réus, ainda em 2005.
Os destaques da imprensa internacional mostram interesses diferentes. Enquanto o Brasil se pergunta se o ministro do STF Dias Toffoli deveria participar do julgamento, o argentino Clarín argumenta que o problema é o ministro Gilmar Mendes, que teria se beneficiado do episódio conhecido como mensalão mineiro.
Lula – o “The Man” de Barack Obama – ganha destaque negativo: para a Bloomberg, o julgamento pode “esfriar” o legado do ex-presidente.
El País – Espanha
“O julgamento vai revelar se o Brasil seguirá mergulhado em um mar de corrupção que banha todas as instâncias. Muitos juízes alertam que “os brasileiros não agüentam mais.” O célebre romancista João Ubaldo Ribeiro, ironicamente, chegou a dizer que os políticos conseguiram que o sonho de toda família brasileira seja contar entre os seus membros com um político corrupto que vá resolver todos os seus problemas.”
Clarín – Argentina
“Embora seja uma sentença muito aguardada por alguns setores do governo e da oposição, não parece simples. Um dos 11 juízes do Tribunal tem denúncias contra ele. Trata-se de Gilmar Mendes, de quem se diz ter sido beneficiado por um esquema semelhante de corrupção montado em 1998 em Minas Gerais pelo ex-governador daquele estado, o social-democrata Eduardo Azeredo. Coincidentemente, os circuitos de dinheiro que impulsionaram esse governador também foram comandados pelo publicitário Marcos Valério.”
Bloomberg – EUA
“Isso vai provocar uma revisão histórica do governo Lula e pode acabar com sua imagem como um semi-Deus”, João Augusto de Castro Neves, analista do Eurasia Group, disse por telefone, de Washington. “Seu papel na política brasileira está desaparecendo e o julgamento pode acelerar esse processo.”  Uma sentença dura no caso poderia convencer muitos brasileiros, especialmente da crescente classe média do país, que a impunidade e a corrupção não são inevitáveis, disse Ben Ross Schneider, o diretor do programa do Brasil em Cambridge Massachusetts Institute of Technology. “Seria um divisor de águas”, disse Schneider em uma entrevista. “Tem havido muitos escândalos no Brasil, mas poucos julgamentos”.
CBS – EUA
“Apesar dos detalhes do que alguns chamam de o maior caso de corrupção política na história do Brasil, o julgamento do Supremo Tribunal também está sendo saudado como um sinal de saúde política em um país onde o serviço público tem sido marcado por corrupção e impunidade. Percebido dentro deste cenário, alguns analistas dizem que o caso é um farol de esperança para um Brasil melhor.”
The Guardian – Reino Unido
“O escândalo do mensalão não é o único grande caso de corrupção a aparecer nas manchetes nas últimas semanas, com outras questões levantando a probidade das próprias organizações que deveriam estar investigando crimes. O investigador da polícia de Wilton Tapajós Macedo foi morto no mês passado, enquanto regava as flores no túmulo de seus pais. De perto, dois tiros foram o suficiente. Um passou pelo templo, o outro através da garganta.”
CNN – EUA
“A mídia brasileira está chamando de “o julgamento do século”. O julgamento deve durar um mês e pode manchar o legado do Partido dos Trabalhadores e de Lula antes das eleições municipais. Mas a atual presidente Dilma Rousseff, também do Partido dos Trabalhadores, nunca foi conectada ao escândalo. Na verdade, Dilma Rousseff goza de uma forte taxa de aprovação de 77%. A visão de muitos brasileiros é que ela tomou uma posição firme contra a corrupção, despedindo seis ministros suspeitos de desvios.”

Fonte: IMIL

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Feliz niver, Caetano!

Caetano Veloso faz hoje 70 anos e ganha disco-tributo chamado A Tribute to Caetano Veloso, com a participação dos Mutantes, Seu Jorge, Marcelo Camelo, Tulipa Ruiz, Beck, The Magic Numbers, CéU, Jorge Drexler. 

Um dos melhores letristas da MPB, um dos mentores da Tropicália, último movimento de vanguarda cultural no Brasil, e ícone de toda uma geração, o baiano merece as homenagens pelo grande artista que sempre foi e continua sendo.

Faço minha modesta homenagem ao sr. Veloso, postando algumas de suas músicas - apenas algumas que me vêm à cabeça -, músicas de diferentes momentos de sua carreira, na voz de sua principal intérprete, Gal Costa, e de sua atual parceira, Maria Gadú. 

Transcrevo também dois versos das músicas postadas abaixo, de teor político, e bem atuais:

"Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América Católica que sempre precisará de ridículos tiranos (Podres Poderes)" e "Meu amor, Tudo em volta está deserto tudo certo, Tudo certo como dois e dois são cinco (Como dois e dois)".

E também um verso lírico de Você é Linda: "Você me deixa a rua deserta, quando atravessa e não olha pra trás. Linda e sabe viver, você me faz feliz, essa canção é só pra dizer e diz (Você é linda)".

Atualização: Acrescento agora, abaixo dos vídeos, a versão digital da autobiografia de Caetano Veloso, Verdade Tropical. Apreciem!  













caetano veloso - verdade tropical [pdf]

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Uma fábula sobre a fé nas pessoas livres: Eu, o Lápis!

Eu, o lápis, sou fruto da natureza
 e da energia criativa humana 
Raramente paramos para pensar no processo de produção de todas as coisas que consumimos. Elas nos chegam prontas e, na correria do dia-a-dia e da vida em geral, assumimos que são naturalmente assim. Entretanto, o processo de produção de um simples lápis envolve vários materiais em sua composição bem como a criatividade e o esforço de muitos seres humanos.

O texto Eu, O Lápis: minha árvore genealógica, de Leonard Read mostra a complexa composição de um lápis e faz profissão de fé nas pessoas livres que o produzem. Concordo inteiramente.

Ao fim do texto, uma animação que resume a parábola de Eu, O Lápis, na voz do economista Milton Friedman, cujo centenário de nascimento foi comemorado no último 31 de julho. A fonte tanto do texto quanto da animação é o site Ordem Livre Vale a leitura e a visualização da animação.

Eu, o Lápis: minha árvore genealógica

por Leonard Read

Eu sou um lápis de grafite – daqueles lápis comuns de madeira, conhecidos de todas as crianças e adultos que sabem ler e escrever.

Escrever é minha vocação e minha profissão; é tudo o que eu faço.

Você pode se perguntar o que me leva a escrever uma genealogia. Bem, pra começar, minha história é interessante. E, depois, sou um mistério – mais do que uma árvore ou um pôr-do-sol ou até mesmo do que um relâmpago. Mas, infelizmente, sou considerado uma dádiva por aqueles que me usam, como se eu fosse um mero incidente, sem um passado cheio de experiências. Essa atitude desdenhosa relega-me ao nível da banalidade. Esse é um tipo de erro lamentável no qual a humanidade não pode persistir por muito tempo sem riscos. Como o sábio G. K. Chesterton observou, “Nossa decadência vem da falta de maravilhamento, não da falta de maravilhas.”

Eu, o Lápis, apesar de parecer simples, mereço seu maravilhamento e espanto, como tentarei demonstrar. Na verdade, se você tentar me compreender – não, isso é pedir demais – se você puder perceber a maravilha que eu simbolizo, você pode ajudar a salvar a liberdade que a humanidade está infelizmente perdendo. Tenho uma lição profunda para ensinar. E posso ensiná-la melhor do que um automóvel ou um avião ou uma máquina lava-louças porque… bem, porque eu sou aparentemente tão simples.

Simples? Ainda assim, não há uma única pessoa na face da terra que consiga me produzir. Parece fantástico, não? Especialmente quando se descobre que existem em torno de um a um bilhão e meio da membros da minha espécie produzidos nos EUA a cada ano.

Pegue-me e dê uma boa olhada. O que você vê? Não há muito o que contemplar: madeira, verniz, a marca impressa, a ponta de grafite, um pouco de metal e uma borracha.

Inumeráveis antepassados

Do mesmo modo que você não pode rastrear o passado de sua árvore genealógica até muito longe, para mim é impossível nomear e explicar todos os meus antepassados. Mas eu gostaria de citar alguns deles para que você se impressione com a riqueza e complexidade do meu passado.

Minha árvore genealógica começa com uma árvore de verdade, um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no Óregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a mineração de metais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores, toda o trabalho que faz as plantas passarem por vários estágios até tornarem fortes cordas; os campos da lenharia com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.

Os troncos são enviados para uma serraria em San Leandro, Califórnia. Você pode imaginar os indivíduos que fizeram os vagões e os trilhos e as locomotivas e que construíram e instalaram os sistemas de comunicação para tudo isso? Essas multidões estão entre os meus antepassados.

Considere o trabalho da serraria em San Leandro. Os troncos de cedro são cortados em pequenas tiras do comprimento de um lápis com menos de 7 milímetros. Eles são cozidos no forno e então tingidos pela mesma razão que as mulheres colocam maquiagem em seus rostos. As pessoas preferem que eu tenha uma aparência bonita, e não um branco pálido. As tiras são enceradas e levadas ao forno novamente. Quantas habilidades foram necessárias para a fabricação da tintura e dos fornos, para prover o calor, a luz e a eletricidade, os cintos, os motores, e tudo o mais que uma serraria requer? Faxineiros da serraria entre os meus antepassados? Sim, e também os homens que despejaram o concreto para a represa da hidroelétrica da Pacific Gas & Electric Company que forneceu a energia da serraria!

E não esqueça os antepassados presentes e distantes que participaram do transporte das sessenta cargas de tiras através do país.

Na fábrica de lápis – $4.000.000 em maquinário e construção, tudo capital acumulado pelos meus pais econômicos e frugais – uma máquina complexa faz oito entalhes em cada tira, e depois disso outra máquina deposita a ponta, aplica a cola e coloca outra tira em cima – um sanduíche de grafite, por assim dizer. Sete irmãos e eu somos mecanicamente esculpidos nesse sanduíche de madeira.

Minha ponta também é complexa. O grafite vem de minas no Sri Lanka. Pense nos mineradores, naqueles que fabricam suas diversas ferramentas, nos fabricantes dos sacos de papel nos quais envia-se o grafite, naqueles que fazem os cordões que amarram os sacos, naqueles que os embarcam nos navios e naqueles que fabricam os navios. Até os mantenedores do farol auxiliaram o meu nascimento – além dos navegadores do porto.

O grafite é misturado com argila do Mississipi, em cujo processo de refinamento se usa hidróxido de amônio. Agentes umidificantes são então adicionados, como sebo sulfonado – gorduras animais com ácido sulfúrico. Depois de passar por numerosas máquinas, a mistura finalmente surge na forma de filetes expelidos – como se saíssem de um moedor de carne – cortados no tamanho certo, secos e assados por horas a mais de 1000 graus Celsius. Para alisar e aumentar sua resistência, as pontas são então tratadas com uma mistura quente que inclui cera candelilla do México, parafina e gorduras naturais hidrogenadas.

Minha madeira recebe seis camadas de verniz. Você sabe todos os ingredientes do verniz? Quem poderia imaginar que os cultivadores de mamona e os refinadores de óleo de mamona fazem parte? Mas fazem. Aliás, até os processos pelos quais o verniz adquire um belo tom de amarelo envolvem a perícia de mais pessoas do que qualquer um pode enumerar!

Observe minha marca. Ela é um filme formado pela aplicação de calor sobre carbono negro misturado com resinas. Como se faz resinas e, me diga, o que é carbono negro?

Meu pedaço de metal – o anel – é latão. Pense em todas as pessoas que mineram zinco e cobre e naqueles que possuem as habilidades para fazer brilhantes placas de latão desses produtos da natureza. As pequenas manilhas no meu anel são níquel preto. O que é níquel preto e como ele é aplicado? A história completa sobre o porquê do centro do meu anel não possuir níquel preto levaria páginas para explicar.

Então há a minha gloriosa coroação, a borracha, a parte que o homem usa para apagar os erros que ele comete comigo. São os ingredientes abrasivos que apagam. Produtos feitos pela reação do óleo de semente de colza das colônias holandesas com cloreto sulfúrico. A borracha, contrária ao senso comum, é só para dar consistência. Então, também, há numerosos agentes vulcanizantes e aceleradores. A lixa vem da Itália; e o pigmento que colore a borracha é o sulfato de cádmio.

Ninguém sabe

Alguém deseja contestar minha afirmação anterior de que não há sequer uma pessoa na face da terra que saiba como me fazer?

Realmente, milhões de seres humanos participaram da minha criação, e nenhum deles conhece mais do que alguns dos outros. Agora, você pode dizer que estou indo longe demais ao relacionar os colhedores de café no Brasil, e em outros lugares, à minha criação, que essa é uma posição extremada. Mantenho minha posição. Não há uma única pessoa em todos esse milhões, incluindo o presidente da companhia de lápis, que contribiu mais do que uma mínima, ínfima porção de know-how. Do ponto de vista do know-how a única diferença entre o minerador da grafite e o lenhador em Óregon é o tipo do know-how. Nem o minerador nem o lenhador pode ser dispensado, tampouco se pode dispensar o químico da fábrica ou o trabalhador do petróleo – já que a parafina é um subproduto do petróleo.

Aqui vai um fato assombroso: nem o trabalhador do petróleo, nem o químico, nem o escavador do grafite ou da argila, nem os homens que fazem os navios ou trens ou caminhões, nem aquele que controla a máquina que arremata meu pedaço de metal, nem o presidente da companhia fazem seu trabalho particular porque eles me querem. Cada um me deseja menos, talvez, do que uma criança na primeira série. Sem dúvida, existem alguns nesta vasta multidão que nunca viram um lápis ou não sabem como utilizá-lo. Sua motivação é outra. É mais ou menos assim: Cada um desses milhões vê que ele pode, deste modo, trocar seu pequenino know-how pelos bens e serviços que deseja ou necessita. E eu posso estar ou não entre esses itens.

Sem uma mente superior

Há um fato ainda mais espantoso: a ausência de uma mente superior, de alguém ditando, ou direcionando forçosamente essas incontáveis ações que me permitem existir. Não há sinal da existência dessa pessoa. Em vez disso, nós encontramos o trabalho da mão invisível. Esse é o mistério a que me referi anteriormente.

Diz-se que “apenas Deus pode fazer uma árvore”. Por que concordamos com isso? Não é porque percebemos que nós mesmos não conseguimos fazer uma? Conseguimos realmente explicar uma árvore? Não, exceto em termos superficiais. Podemos dizer, por exemplo, que uma determinada configuração molecular se manifesta como uma árvore. Mas qual é o intelecto entre os homens que poderia sequer memorizar as constantes mudanças que acontecem na extensão da vida de uma árvore? Essa façanha é absolutamente impensável!

Eu, o Lápis, sou uma combinação complexa de milagres: árvore, zinco, cobre, grafite e muito mais. Mas, a esses milagres que se manifestam na natureza, um milagre ainda mais extraordinário foi adicionado: a disposição das energias criativas humanas – milhões de minúsculos know-hows configurando natural e espontaneamente uma resposta à necessidade e ao desejo humano, sem precisar de qualquer mente superior! Se apenas Deus pode fazer uma árvore, também insisto que apenas Deus pode me fazer. Homens não conseguem dirigir esses milhões de know-hows para me trazer à “vida” mais do que conseguem ajustar as moléculas para criar uma árvore.

O parágrafo anterior mostra o que procurei expressar quando disse “se você puder perceber a maravilha que eu simbolizo, você pode ajudar a salvar a liberdade que a humanidade infelizmente está perdendo”. Se alguém atentar para o fato de que esses know-hows irão naturalmente, até mesmo automaticamente, arranjar-se em padrões produtivos e criativos em resposta às necessidades e demandas humanas – ou seja, na ausência de um governo ou qualquer outra mente superior coercitiva – então este alguém possuirá um ingrediente absolutamente essencial para a liberdade – a fé nas pessoas livres. A liberdade é impossível sem essa fé.

Uma vez que o governo tenha o monopólio de uma atividade criativa como, por exemplo, a entrega de correspondências, a maioria dos indivíduos passou a acreditar que as cartas não poderiam ser entregues eficientemente pela ação livre dos homens. E aqui está a razão: cada um reconhece que ele próprio não sabe como fazer acontecer todas as circunstâncias para a entrega de correspondências. Essas suposições estão corretas. Nenhum indivíduo possui conhecimento suficiente para efetuar a entrega de correspondências para toda a nação mais do que algum indivíduo possui conhecimento suficiente para fazer um lápis. Agora, na ausência da fé nas pessoas livres – sem a percepção de que milhões de pequeninos know-hows podem natural e miraculosamente formarem e cooperarem para satisfazer suas necessidades – o indivíduo só pode concluir equivocadamente que a correspondência só pode ser entregue graças à “mente superior” do governo.

Fartura de testemunhos

Se eu, o Lápis, fosse o único item que pudesse oferecer testemunho sobre o que homens e mulheres podem realizar quando têm liberdade para experimentar, então aqueles com pouca fé teriam um argumento justo. No entanto, há fartura de testemunhos: estão à nossa volta, ao nosso alcance. A entrega de correspondência é muitíssimo simples quando comparada com, por exemplo, a fabricação de um automóvel ou uma calculadora ou uma máquina agrícola ou dezenas de milhares de outras coisas. Entrega? Aliás, onde os homens puderam se aventurar nessa área, eles conseguiram fazer a entrega da voz humana em menos de um segundo: entregam um evento visualmente e em movimento na casa de qualquer pessoa no momento em que está acontecendo; entregam 150 passageiros de Seattle a Baltimore em menos de quatro horas; entregam gás do Texas ao fogão ou fornalha de alguém em Nova York por preços inacreditavelmente baixos e sem subsídio; entregam um quilo de óleo do Golfo Pérsico no oeste americano – meia volta ao mundo – por menos do que o governo cobra para entregar uma carta de 50 gramas ao outro lado da rua!

A lição que eu tenho para ensinar é a seguinte: não deixe as energias criativas permaneçam desimpedidas. Simplesmente organize a sociedade para agir em harmonia com essa lição. Deixe que os aparatos legais da sociedade removam todos os obstáculos da melhor forma possível. Permita que esses know-hows fluam livremente. Tenha fé que homens e mulheres irão responder à mão invisível. Essa fé será confirmada. Eu, o Lápis, aparentemente tão simples, ofereço o milagre da minha criação como um testemunho de que essa fé é real, tão real quanto o sol, a chuva, o cedro, tão real quanto a Terra

sábado, 4 de agosto de 2012

Pelo direito à legítima defesa: Apoio ao PL 3722/12

Fui uma das pessoas, entre milhões de brasileiros, que votou contra o fim da comercialização de armas no referendo de 2005, uma das poucas ocasiões em que me perfilei com a maioria da população. Não encontrei nenhuma razão para tal medida como não encontro para o Estatuto do Desarmamento que, na prática, apenas deixa a cidadania à mercê dos bandidos comuns e dos bandidões do Estado. 

É inaceitável que o governo queira tirar o direito do cidadão de defender a própria vida de um ataque. Mesmo que a segurança pública brasileira fosse maravilhosa, ao contrário da realidade, nem assim justificaria o desarmamento da população, pois a polícia nem é onisciente nem onipresente. Até dar as caras, você já está morta. Fora que desarmar cidadãos não diminui a criminalidade, como provam as estatísticas. O resultado dessa política absurda tem sido apenas casos como a da senhora gaúcha de 87 anos que teve seu apartamento invadido por um bandido armado de faca, conseguiu matá-lo com um revólver antigo do marido e agora responde por homicídio. É simplesmente kafkiano.

Agora, contudo, encontra-se em pauta na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3722/12, do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), que regulamenta a aquisição e circulação de armas de fogo e munições no País. A proposta revoga o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03). Com regulações rígidas para a aquisição e o porte de armas, o projeto, contudo, devolve ao cidadão o direito da legítima defesa.

Abaixo segue a justificativa do projeto, com link para o texto na íntegra no final. Segue também um vídeo bem didático sobre o tema, com a solicitação de que as pessoas apoiem a inciativa ligando para o 0800 619 619. Basta dizer que quer demonstrar seu apoio ao projeto de lei 3722 de 2012.

Justificação para PL 3722/12

A regulamentação sobre armas de fogo no Brasil atualmente tem sede nas disposições da Lei n. 10.826, de 22 de dezembro de 2003, o chamado Estatuto do Desarmamento, norma jurídica que foi concebida sob a ideologia do banimento das armas de fogo no país. Contudo, desde sua promulgação, a dinâmica social brasileira tem dado provas incontestes de que a aludida Lei não se revela em compasso com os anseios da população, muito menos se mostra eficaz para a redução da criminalidade no país, a impingir sua revogação e a adoção de um novo sistema legislativo.

A par do grande impacto que causaria na sociedade brasileira, o Estatuto do Desarmamento ingressou no mundo jurídico sem a necessária discussão técnica sobre seus efeitos ou, tampouco, sua eficácia prática para a finalidade a que se destinava: a redução da violência. Fruto de discussão tênue e restrita ao próprio Congresso, sua promulgação ocorreu bem ao final da legislatura de 2003, ou, como identifica o jargão popular, no “apagar das luzes”.

Muito mais do que uma norma técnica no campo da segurança pública, a Lei n. 10.826/2003 é uma norma ideológica. Através dela, se modificou significativamente a tutela sobre as armas de fogo no Brasil, passando-se a adotar como regra geral a proibição à posse e ao porte de tais artefatos, com raríssimas exceções. Toda a construção normativa se baseia nessa premissa, ex vi das disposições penais que nela se incluem, coroadas com o teor de seu art. 35, pelo qual, radicalmente, se pretendia proibir o comércio de armas e munição em território brasileiro. Este dispositivo teve sua vigência condicionada à aprovação popular, por meio de referendo convocado na própria norma para outubro de 2005.

Realizada tal consulta, a proibição foi rejeitada pela população brasileira, com esmagadora maioria de votos, num total de quase sessenta milhões, marca superior às alcançadas pelos presidentes eleitos pelo voto democrático.

Naquele exato momento, a sociedade brasileira, expressamente consultada, externou seu maciço descontentamento para com a norma, repudiando veementemente a proibição ao comércio de armas no país e, por conseguinte, toda a estrutura ideológica sobre a qual se assentou a construção da Lei n. 10.826/2003.

Muitas são as razões que podem justificar o resultado do referendo. A maior delas, sem dúvida, foi a constatação prática de sua ineficácia na redução da criminalidade. Em todo o ano de 2004 e nos dez meses de 2005, período em que as restrições à posse e ao porte de arma vigoraram antes do referendo, mesmo com forte campanha de desarmamento, na qual se recolheu aproximadamente meio milhão de armas, os índices de homicídio não sofreram redução. Em 2003, de acordo com o “Mapa da Violência 2011”, estudo nacional mais completo disponível sobre o assunto, ocorreram no Brasil mais de 50 mil homicídios, número semelhante ao verificado em 2004 e não divergente dos registrados nos anos seguintes.

Não há dúvida de que tais fatos foram observados na prática da vida social, onde basta a leitura de jornais ou a audiência à TV para se tomar conhecimento do que ocorre à nossa volta. O resultado não poderia ser outro, pois, se a norma não se mostrava eficaz para a redução da violência, não haveria razão para que a população abrisse mão do seu direito de autodefesa. E desde então os números, tecnicamente analisados, somente comprovam isso.

Após a promulgação do Estatuto do Desarmamento, o comércio de armas de fogo e munição caiu noventa por cento no país, dadas às quase intransponíveis dificuldades burocráticas que foram impostas para a aquisição desses produtos. Dos 2.400 estabelecimentos especializados registrados pela polícia federal no ano 2000, sobravam apenas 280 em 2008.

Essa drástica redução, comemorada de forma pueril por entidades desarmamentistas, não produziu qualquer redução nos índices de homicídio no país, pela simples e óbvia constatação de que não é a arma legalizada a que comete crimes, mas a dos bandidos, para os quais a lei de nada importa.

Voltando aos números do Mapa da Violência, desta vez em sua edição mais recente, edição 2012, tem-se que, dos vinte e sete estados brasileiros, os homicídios, depois da vigência do estatuto, cresceram em nada menos do que vinte. E onde não aumentaram, possuem comum o investimento na atuação policial, como os programas de repressão instaurados no Estado de São Paulo e a política de ocupação e pacificação do Rio de Janeiro, mas absolutamente nada relacionado a recolhimento de armas junto ao cidadão.

Emblemática é a comparação direta entre os Estados que mais recolheram armas e os índices de homicídio. Nas campanhas de desarmamento, Alagoas e Sergipe foram os campeões em recolhimento de armas. Desde então, o primeiro se tornou também o estado campeão de homicídios no país e, o segundo, quadruplicou suas taxas nessa modalidade de crime.

Não bastasse isso, com a sociedade desarmada, os jornais e noticiários hoje estampam diariamente o crescimento na criminalidade geral, com roubos indiscriminados, arrastões em restaurantes e invasões a residências, demonstrando que a certeza de que a vítima estará desarmada somente torna o criminoso mais ousado. Aliás, os números mais recentes da polícia de São Paulo mostram um assustador crescimento nos índices de latrocínio em residências, evidenciando que os criminosos não só passaram a invadir muito mais os lares do cidadão, mesmo com ele e sua família dentro, como também, impiedosamente, passaram a assassiná-los naquele que deveria ser o seu reduto de segurança, o lar.

E não só no Brasil se confirma a total ineficácia de políticas de desarmamento na redução da criminalidade. A própria ONU, mesmo sendo a “mãe” da tese de desarmamento, através do mais amplo e profundo estudo já realizado sobre homicídios em âmbito global – o Global Study on Homicide – United Nations Office on Drugs and Crime –, pela primeira vez na História reconheceu que não se pode estabelecer relação direta entre o acesso legal da população às armas de fogo e os índices de homicídio, pois que não são as armas do cidadão as que matam, mas as do crime organizado, em face das quais, como se disse, a lei não tem relevância.

O mesmo estudo ainda identifica exemplos em que, se relação estatística houver entre os dois fatos, esta será inversamente proporcional, com locais em que a grande quantidade de cidadãos armados é concomitante a baixíssimos índices de violência.

Na mais recente decisão de um governo sobre o assunto, o Canadá abandonou um sistema implantado há catorze anos para o registro de todas as armas longas do país, tornando-o, a partir de agora, dispensável, simplesmente porque se comprovou, com a experiência prática, que as armas do cidadão não come-tem crimes. É o mundo evoluindo no tratamento do assunto, mesmo em nações que um dia foram exemplos globais do ideal desarmamentista.

O desarmamento civil, portanto, é uma tese que, além de já amplamente rejeitada pela população brasileira – o que, por si só, já bastaria para sua revogação –, se revelou integralmente fracassada para a redução da violência, seja aqui ou em qualquer lugar do mundo em que implantada. Ao contrário, muito mais plausível é a constatação de que, após o desarmamento, muito mais cidadãos, indefesos, tornaram-se vítimas da violência urbana. Considerados o resultado do referendo, em outubro de 2005, e todos os supervenientes estudos que sobre o tema se promoveram, natural se esperar que a norma brasileira de regulação das armas de fogo sofra radical modificação, para que seus termos passem a traduzir legitimamente o anseio popular e os aspectos técnicos hoje dominantes no campo da segurança pública. Se o Brasil rejeitou o banimento das armas e essa ideia não trouxe qualquer melhoria para a população, não há qualquer sentido em se manter vigente uma legislação cujos preceitos decorrem de tal proibição.

A proposta que ora se apresenta visa corrigir essa distorção legislativa, oferecendo à Sociedade Brasileira um novo sistema regulatório, baseado, não na já rejeitada e fracassada ideia de simples desarmamento, mas na instituição de um controle, rígido e integrado, da circulação de armas de fogo no país.

Pela proposta ora posta em discussão, permite-se o acesso do cidadão brasileiro aos mecanismos eficazes para sua autodefesa, conforme vontade por ele expressamente manifestada, e, ao mesmo tempo, se possibilita ao Estado controlar com eficácia, a fabricação, a comercialização e a circulação de tais artefatos, podendo identificar e punir com rapidez qualquer eventual utilização irregular que deles se faça.

É fundamental registrar que não se está propondo a liberação indistinta da posse e do porte de armas de fogo, muito longe disso. O que a norma pretende é conciliar a manifesta vontade popular, a técnica prevalente na questão da segurança pública e o controle do Estado sobre a circulação de armas de fogo e munições no país.

Além disso, a proposta consolida dispositivos normativos já existentes em normas regulamentares, compilando-os em diploma legal único, permitindo seja empregado com um novo conceito, passível de identificação como verdadeiro “Estatuto de Regulamentação das Armas de Fogo”.

É neste propósito que apresento aos nobres pares a presente proposta, certo de contar com seu melhor entendimento nesta contribuição para o aperfeiçoamento do nosso ordenamento jurídico.

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