"Neurosexismo":

contra o progresso da igualdade de gênero - e da própria ciência

O sequestro do termo "gênero":

uma perspectiva feminista do transgenerismo

Mulheres na Ciência

Estudantes criam bactéria que come o plástico dos oceanos

Mulheres na Ciência:

Duas barreiras que afastam as mulheres da ciência

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2 e Rio de Janeiro: quando a realidade imita a ficção!

Fui ontem finalmente assistir Tropa de Elite 2, o mega sucesso do diretor José Padilha (10 milhões de espectadores), na esteira da primeira versão da história dos homens de preto do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o BOPE.

De antemão, digo que prefiro o Tropa 1, mais dinâmico como filme de ação, mais empoderante ao contar a história de um grupo de policiais de formação especial e moral incorruptível. Neste Tropa 2, o BOPE aparece menos do que nas recentes batalhas travadas no Rio, contra os diferentes comandos de traficantes, desde o dia 21 de novembro. Ao contrário, os heróis do BOPE, apesar do aumento do efetivo,  são demitidos, desancados e até mortos, caso do capitão André Matias, um dos recrutas do primeiro filme.

O emblemático capitão Nascimento, agora tenente-coronel, é exonerado de seu comando no BOPE, após uma desastrada intervenção num motim do presídio Bangu 1, de alta segurança, exponenciada por um defensor de direitos humanos, chamado Diogo Fraga, e vai parar na Secretaria de Segurança do Rio, como subsecretário, onde acaba descobrindo a extensão das ações dos policiais corruptos, nas favelas cariocas, e sua ligação com os políticos locais, incluindo o governador.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A violência do preconceito precisa ter um basta!

Rapaz agredido com lâmpada fluorescente na Paulista
Sequência impressionante de ataques a jovens homossexuais chama a atenção para o absurdo do preconceito e a necessidade de se dar um fim a ideia de que é possível agredir e até matar alguém porque esse alguém não se encaixa nos padrões ditos normais da sociedade. E, para se dar um fim a essa ideia,  faz-se sim necessária a aprovação da lei contra a homofobia que, em sua versão atual, não amordaça religiosos nem ninguém, ou seja, não impede ninguém de dizer o que pensa sobre a homossexualidade dentro de seus templos e paróquias. O que os religiosos  não podem é querer que a sociedade secular seja regida por princípios de uma fé determinada, seja ela qual for, ainda mais com base numa visão a-histórica de trechos da Bíblia.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Programa Pelegão: Centrais sindicais terão direito a transmissões em rádios e TVês!


De certo a gente sabe que nada mais espanta nesse país. Mesmo assim é de pasmar: a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou ontem (quarta-feira) proposta que assegura às centrais sindicais 10 minutos semanais de transmissão gratuita em emissoras de rádio e televisão. As transmissões deverão ser em bloco ou em inserções de 30 segundos a um minuto, no intervalo da programação normal das emissoras (sic).

O texto estabelece também que os programas produzidos pelas centrais sindicais deverão ser transmitidos entre as 6 horas e as 22 horas das terças-feiras, com a finalidade exclusiva de:
- discutir matérias de interesse de seus representados;
- transmitir mensagens sobre a atuação da associação sindical;
- divulgar a posição da associação em relação a temas político-comunitários.

Essa proposta inacreditável, Projeto de Lei 6257/09, na verdade uma forma de fazer propaganda petista em tempo integral, pois todas as centrais sindicais são pelegas, é de autoria do deputado Vicentinho (PT-SP), que tramitava apensada ao projeto principal (PL 6104/09), da deputada Manuela D`ávila (PCdoB-RS). O texto aprovado na comissão foi um substitutivo do deputado Roberto Santiago (PV-SP).

A proposta tramita em caráter conclusivo, ou seja, o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo, a não ser que haja discordância dentro dessas comissões. Nesse caso, após a votação, o projeto ainda será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Constituição e Justiça e de Cidadania. A proposta ainda estabelece que as emissoras de rádio e televisão terão direito a compensação fiscal pela cessão do horário gratuito.

As emissoras terão direito à compensação, mas nós telespectadores não. É a vigarice petista em ação, e o Brasil descendo a ladeira.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Atualizando: Foi aberta petição contra essa proposta absurda neste endereço. Assine você também!

sábado, 13 de novembro de 2010

Dom Quixote na Web!

El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha (O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote da Mancha), ou, como é melhor conhecida em portunhol, simplesmente Dom Quixote de La Mancha, é a obra literária que  funda o romance moderno, misturando diferentes gêneros literários (picaresca, novelas italianas, entre outros) e diferentes vozes narrativas para satirizar as novelas de cavalaria que, segundo seu autor, Miguel de Cervantes Saavedra, enchiam a cabeça do povo de bobagens.

O protagonista da história, o fidalgo Alonso Quijano, é fanático por esse tipo de histórias e, de tanto lê-las, acaba pirando e decide armar-se cavaleiro, com o nome de Dom Quixote,  e sair pelo mundo a defender os fracos e oprimidos contra os malvados de toda ordem, reais ou sobrenaturais, numa sociedade em que os cavaleiros e os valores da nobreza e a própria já entravam em decadência, dando lugar a ascensão da burguesia.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Caça às bruxas: o caso Mayara Petruso!

No domingo após às eleições, dia 31 de outubro, uma estudante de direito, de 21 anos, Mayara Petruso, revoltada com a vitória da fraudulenta Dilma Roussef, deu vazão aos maus-bofes e a ignorância e postou, em suas páginas do twitter e do facebook, as seguintes declarações:

"Nordestisto não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!"

"Afunda Brasil. Dêem direito de voto pros nordestinos e afundem o país de quem trabalha pra sustentar os vagabundos que fazem filhos pra ganhar o bolsa 171”.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A primeira mulher presidente: grande coisa!

O músico e escritor Tony Belloto (ex-Titãs) escreveu ontem, segunda-feira, em seu blog, sobre a ressaca pós-eleição, sintetizando o que pelo menos 44 milhões de brasileiros sentiram com a vitória da fraudulenta Dilma Roussef:

Você pode argumentar que sendo músico – e trabalhando em geral nos fins de semana – eu deveria adorar as segundas-feiras, pois elas são os meus sábados. Ok, mas o fato de Dilma Roussef ter ganho a eleição me deixou na maior ressaca. Você pode insistir, dizendo que Dilma é a primeira mulher presidente do Brasil, ou que nossa economia vai de vento em popa, e que nossos pobres já não são mais tão pobres. Ok, mas continuo ressacado mesmo assim. Eu não gosto de segundas-feiras.

Sem dúvida, a vitória de Dilma foi um porre e estamos tod@s da oposição de ressaca. Ficou provado que, em nosso país, definitivamente o crime compensa, e os que se pautam por valores éticos somos sequestrados em nossa própria terra. O Brasil trocou a candidatura de uma pessoa experiente, competente e, até onde se sabe, sem escândalos na vida pública, por uma fulana de passado censurado, sem qualquer currículo que a capacite para o cargo e, ainda por cima, envolvida em ilicitudes várias. Alçada ao poder de forma totalmente antidemocrática, pois todo o tipo de ilegalidade eleitoral e criminal foi cometido para fazê-la vencer, sob os olhos cúmplices do Tribunal Superior Eleitoral e da Polícia Federal, todos aparelhados pelo petismo, a agora presidanta vem se ufanando de ser a primeira mulher a governar o Brasil, como se o fato de ser mulher lhe conferisse algum mérito intrínseco. (ver belo vídeo sobre o momento político ao fim da postagem).

Para começo de conversa, não é bem assim. A primeira mulher de fato a governar o Brasil foi a Princesa Isabel lá nos idos de 1887 porque seu pai Dom Pedro II teve que se ausentar do país para tratamento de saúde na Europa. A princesa também foi a primeira senadora brasileira, cargo a que teve direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a constituição imperial brasileira de 1824. Fora isso, ao contrário de Dilma, a Princesa Isabel não era nenhuma toupeira, mero reflexo do pai ou de um tutor. Tinha ideias próprias e sua participação na abolição da escravatura foi bem além de simplesmente assinar um documento referendando o fim do famigerado sistema. De fato, Dilma Roussef é a primeira mulher a se tornar presidente do Brasil, cargo a que chegou sem histórico que lhe desse tal direito, sem mérito, pelas mãos de seu padim, Lula da Silva, do Estado brasileiro, usado ilegalmente para tal, e de muitos milhões de propaganda paga com o dinheiro dos contribuintes, incluindo os que gostariam de vê-la em Marte não na Terra.

Se sua chegada ao poder tivesse se dado ao menos após um acúmulo de cargos, de preferência obtidos via pleito e não indicação, de méritos como figura pública, de uma vida ilibada, do brilho de sua inteligência, aí sim poderíamos celebrar a chegada de uma mulher ao executivo brasileiro. Como não aconteceu antes, pelo valor simbólico de conquista da igualdade de direitos nesse nível, valeria comemorar. Agora, celebrar a chegada de uma mulher ao poder, apenas por ser mulher, a despeito de como ela alcançou esse patamar, é um sapo que ninguém de bom senso engole. Dilma está usando a questão de gênero somente para respaldar sua ascensão fraudulenta. E tem muita gente de inteligência curta que compra o embuste, fora a imprensa que adora uma boa sabujice.

 Além disso, Dilma repete um ramerrão do feminismo socialista que não gosta que os homens tratem as mulheres como manada, mas adora falar das mulheres como coletividade, passando por cima das inúmeras diferenças individuais que nos distinguem. Aliás, esse é um dos grandes problemas dos movimentos sociais: como o preconceito e a discriminação tratam determinados indivíduos como espécie, tipo, "raça" (o homossexual, a mulher, o negro), os discriminados se unem em nome dessa mesma suposta coletividade para reivindicar direitos (o que é necessário e justo) mas tendem a incorporar também a visão essencialista dos opressores que atribuem qualidades específicas comuns a todos os estigmatizados.

Nessas, as individualidades somem, acarretando formulações equivocadas porque homogeneizantes. Assim as mulheres seriam mais sensíveis do que os homens por serem mulheres, por serem mães, seriam menos violentas por serem mulheres, etc. A realidade desmente essas generalizações, ainda que as formas de insensibilidade e violência das mulheres sejam diferentes das dos homens  por questões conjunturais. Na realidade, contudo, não existem qualidades ou defeitos inerentes a todas as mulheres. Como os homens, as mulheres têm cada uma sua individualidade, que é o que as torna excepcionais, medianas ou medíocres. Apesar da educação diferenciada que, ainda hoje, força homens e mulheres a seguirem determinados comportamentos assim como formas de se vestir e pentear diferentes, a verdade é que há mais coisas em comum entre alguns homens e mulheres do que entre mulheres e mulheres e entre homens e homens. Tudo depende muito mais do que cada pessoa, a despeito do invólucro que a natureza lhe outorgou, tem como valores, idiossincrasias, afinidades.

Por tudo isso, não vejo nada a celebrar no fato de Dilma Roussef ter sido eleita presidente da República do Brasil. Por seu histórico, pela forma que chegou ao poder, pelas alianças que urdiu e que vão lhe cobrar o apoio a peso de ouro, além dos desafios próprios ao cargo e da herança do governo anterior, essa senhora tem tudo para não dar conta do recado. Ela não é  Michelle Bachelet que chegou à presidência do Chile, antecedida por passagens relevantes no Ministério da Saúde e da Defesa de seu país, o que a tornou conhecida do público e popular o suficiente para candidatar-se e eleger-se sem o festival de ilegalidades que favoreceram Dilma Roussef. Ao contrário, as experiências de Roussef, como empresária e administradora em cargos governamentais, não só não foram bem-sucedidas como estiveram manchadas por sérios escândalos de corrupção.

Poderia citar vários outros exemplos de mulheres que chegaram a ser presidentes ou primeiras-ministras, cada uma com uma história pregressa ao cargo e durante o cargo que conta histórias diferentes, dependendo de cada mulher, de seus méritos como pessoa, como profissional, das ideias que defende. Resumindo, que essa postagem já está muito longa, ser mulher não é nem mérito nem demérito intrínseco, portanto não vale como trunfo para Dilma Roussef. No caso dela, ser a primeira mulher presidente não é nenhuma grande coisa.

Na verdade, a vitória dessa senhora, embora pertençamos ao mesmo gênero, não só não me alegrou em nada como me deixou de ressaca e de luto pelo Brasil. Ao contrário do que ela e outros que adoram generalizações idiotas dizem, acho inclusive que ela deprecia a imagem das mulheres do país que, ao contrário dela, lutam, sem padrinhos, no duro cotidiano de uma sociedade ainda bem machista.


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