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sábado, 14 de novembro de 2009

Contra a visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, tem um currículo tão grande de infrações aos direitos humanos que bem podia constar da lista seleta de figuras como Hitler, Stálin, Mao Zedong, Fidel Castro, entre outros. Inclusive, seu antissemitismo é notório, já tendo afirmado vezes sem conta que quer varrer Israel do mapa terrestre e que o holocausto é uma mentira inventada pelo sionismo.

Mais não só os judeus são vítimas da intolerância do fanático presidente iraniano. Minorias religiosas em seu próprio país, como os Bahá'í são perseguidas e executadas assim como mulheres e jovens homossexuais, já que o adultério e a homossexualidade são crimes no Irã. E a lista de vítimas não pára por aí.

Como se não bastasse, Ahmadinejad está trabalhando com energia nuclear em sua pátria, da boca para fora, com fins pacíficos, mas obviamente ninguém acredita. É grande a possibilidade de que esteja fabricando artefatos nucleares para lançar contra Israel e sabe lá quem mais. Enfim, uma catástrofe.

Por sua vez, o atual ocupante da presidência no Brasil, sr. Lula da Silva, cada vez mais dando vazão à sua índole autoritária e anti-ética não perde a chance de flertar com ditadores de vários continentes, tendo agora Ahmadinejad como um de seus favoritos. Nessas, lá vem o (mal)dito nos visitar e, desta vez, parece que sem dúvida.

Para protestar contra essas estranhas amizades de Lula e a presença de Ahmadinejad por aqui, reproduzo abaixo, primeiro, texto do Roberto Romano, que é professor de Ética e Filosofia na Unicamp, e segundo a agenda de manifestações que ocorrerá em várias cidades do Brasil para "saudar" o presidente iraniano. Deixo aqui também um link para as pessoas abaixo-assinarem um manifesto, contra Ahmadinejad e suas loucuras, da Frente pela Liberdade no Iran.

Brasil: parceiro de tiranias? 
A visita do presidente iraniano, sr. Mahmoud Ahmadinejad, levanta interrogações sobre a política externa de nosso país. Aquele mandatário conseguiu a reeleição com fraudes, violência contra os adversários, bênçãos de um clero autoritário. A “Guarda Revolucionária”, dirigida pelo general Mohammad Ali Jafari, abafou nas prisões, torturas e mortes de inocentes, os gritos dos oposicionistas. Desde então, recrudesceram os atentados aos direitos humanos no Irã.
Terras submetidas à tirania dificilmente podem ser parceiras e amigas de Estados onde ainda rege uma Constituição que assegura prerrogativas democráticas. Assusta a consciência civil brasileira, o trato caloroso do governo federal com o regime de Teerã. Quando o Executivo brasileiro afirma, sem pestanejar, que os massacres, torturas, violações dos direitos de expressão e de imprensa, constituem “problema interno” daquele país, precisamos avivar a memória nacional para situações exatamente iguais, vividas inclusive por grupos e pessoas que hoje nos administram.
No século 20 vivemos o pesadelo trazido por duas ditaduras que anularam as garantias dos cidadãos diante do Estado. Quando as prisões clamavam, os dirigentes eludiam toda e qualquer responsabilidade. Eles respondiam que tudo, nas queixas, não passava de “propaganda contrária à grandeza nacional”. É da época o nefando “Brasil, ame-o ou deixe-o”. E para sustentar tal propaganda, eles contavam com apoios de Estados estrangeiros. Apenas com a exasperação das violações foi iniciada uma corrente cosmopolita de solidariedade aos perseguidos.
Abro um documento anexado ao processo judicial-militar que sofri a partir de 1969. Após enumerar supostos crimes hediondos contra o Brasil e o seu Estado, a autoridade coatora afirma que ele (Roberto Romano e companheiros) “em consciência não tem autoridade moral para oferecer à imprensa internacional qualquer fato que venha desmoralizar o governo, insultar a justiça ou estigmatizar a polícia que, no cumprimento de seu estrito dever, defendeu a Democracia e a Formação Cristã do Brasil” (Autos do Processo, Prontuário número 146141, página 5, com carimbo do Arquivo Público do Estado, 2/março de 2009, com o necessário “Confere com o Original”). Vejamos a Sentença dos Juízes militares, seguidos de um juiz togado, no desfecho da lide: “Tudo o que se sabe desse moço, no curso do processo, é que a acusação que se lhe faz é totalmente improcedente”. E “nestas condições, não comprovada, por ausência absoluta de provas, a denúncia, resolve o Conselho julgá-la improcedente, para absolver frei Roberto Romano da Silva” (Autos do Processo, Sentença 207/69, A-77).
Quando existem juízes idôneos, o veredictum modifica as palavras dos acusadores, restitui aos réus a cidadania e os direitos suspensos. Mesmo em uma ditadura podem ser encontrados julgadores prudentes, garantindo os fiapos de lei que protegem os adversários do regime. O meu caso não foi regra, mas exceção no período. Sem o apoio do meu advogado, o grande dr. Mario de Passos Simas, de setores eclesiásticos liderados por Dom Evaristo Arns e dos movimentos internacionais em defesa dos direitos, eu não teria chegado ao julgamento, tantas foram as ameaças à integridade física e anímica dos presos.
No caso do Irã, a violação dos direitos humanos não interessa apenas aos iranianos, mas à humanidade. A nossa política internacional segue doutrinas desprovidas de cautelas prudenciais. Ela esquece o que se passou ainda ontem em nosso país. Quando pessoas que defendiam os direitos humanos se dobram aos ditames de supostas razões de Estado e acolhem, braços abertos, um ditador sob cuja responsabilidade a cidadania iraniana é massacrada, temos tudo para que se tolde a legitimidade dos mandatários brasileiros. Isolado, o carisma do presidente não lhe garante poder legítimo. Todos os ditadores da era moderna foram populares e usaram esse fato para gerar monstros políticos. Na visita do sr. Ahmadinejad temos a confissão dos governantes: se estivessem no poder a partir de 1964, aceitariam os procedimentos do regime.

Amanhã,15 de novembro, protestos em algumas das principais capitais brasileiras contra a vinda do presidente do Iran ao país.
- São Paulo: Horário: 15:30h
Local: Praça dos Arcos (Paulista c/ Angélica)
- Belo Horizonte: Horário: a concentração será as 15:00h e sairá em passeata ou carreata às 15:30h
Local: Centro de Belo Horizonte (Saída da Praça Rodoviária até a Praça Sete)
- Cuiabá: Horário: 15h
Local: Em frente ao shopping Pantanal
- Curitiba: Horário: 15:30h
Local: Boca Maldita, no calçadão da Rua XV de Novembro
- Goiânia: Horário: 15:30h
Local: Parque Vaca Brava (em frente ao Goiânia Shopping)
- Manaus: Horário: 8:30h
Local: Praça do Congresso, Centro
- Roraima: Horário: 18:00h
Local: Vila Olímpica
- Pará: Horário: a partir das 8:00h
Local: Praça da República - Centro de Belém
- Rio Branco: Horário: 15:00h
Local: Praça Plácido de Castro (em frente à Prefeitura do Rio Branco)
- Rondônia: Horário: 15:30h
Local: Praça Aloisio Ferreira - Praça Central de Porto Velho
- Distrito Federal
A manifestação no ocorrerá em 23 de novembro, em horário ainda a ser definido, na Esplanada dos Ministérios.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A moça de vermelho e a baixaria dos machistas da UNIBAN 2

Bem, como é de conhecimento geral, a baixaria machista na UNIBAN continuou com a agora expulsão da moça de vermelho e seu vestido curto demais da tão honrada instituição. Andaram dizendo que a moça subiu por uma rampa, com aquele vestido, para dar evidência à sua - como diríamos - periquita!! Enfim, nos velhos moldes do discurso do estuprador, a vítima é responsável pela violência que sofreu!! É mole?!

Bem, pelo menos, as feministas foram mais rápidas desta feita (a UNIBAN não deve ter ligação com o PT) e estão prometendo protesto, às 18:00 de hoje, em frente ao campus de São Bernardo da Universidade Bandeirante.

Também está rolando petição contra o absurdo da agressão + expulsão que tod@s devem assinar. Clique no link ao lado para assinar http://www.petitiononline.com/unitalib/

Neste dia em que comemoramos a queda do muro da tirania, em Berlim, vamos ajudar a derrubar o muro do preconceito e do sexismo de que Geisy Arruda foi vítima.

Abaixo brincadeira com a situação tendo como base o filme A Queda que retrata os últimos dias de Hitler no fim da guerra. Bem apropriado.

domingo, 8 de novembro de 2009

Queda do Muro de Berlim marca o fim do totalitarismo comunista

Derrubando o muro da vergonha
Hoje, dia 9 de novembro de 2009, celebram-se os 20 anos da queda do Muro de Berlim que não só dividia a Alemanha, entre o lado ocidental e democrático da cidade e o lado oriental, comunista e autoritário, como também simbolicamente quase o mundo todo em dois pólos de igual teor.

A queda do muro de Berlim marca, em 1989, igualmente o início do fim dos regimes comunistas na Europa Central e Oriental e em outras regiões, pondo um término à chamada Guerra Fria, assim chamada por nunca ter sido declarada oficialmente, existindo mais em termos de acúmulo de artefatos nucleares com os quais os Estados Unidos e a União Soviética se ameaçavam mutuamente. Com um arsenal de armas nucleares capaz de devastar o planeta inúmeras vezes, ambas as potências se limitavam porém - felizmente - a interferir em conflitos regionais visando à preservação de seu poder político e ideológico.

Também em celebração à queda do muro e ao fim dos regimes comunistas, durante a Conferência de Praga Consciência Européia e o Comunismo, em junho de 2008, parlamentares da república da Tchecoslováquia redigiram a Declaração de Praga (veja tradução aqui), que convoca os países europeus a apoiarem a criação do Instituto da Memória e Consciência da Europa e a estabelecer legislação que permita aos tribunais de justiça julgar e condenar os culpados pelos crimes comunistas e compensar as vítimas do comunismo. Dessa conferência também saiu a proposta de tornar o dia 23 de agosto, dia do pacto nazi-comunista entre Hitler e Stálin de divisão da Europa (23/08/1939), como Dia da Memória das vítimas de todos os regimes autoritários e totalitários (à guisa de exemplo, posto um vídeo sobre o tema, financiados pelo grupo político da União Européia das Nações, recomendando, contudo, que se assista a toda a sequência de nove episódios).

Em abril deste ano (dia 02/04/09), igualmente o parlamento europeu aprovou, em resolução sobre a consciência europeia e o totalitarismo, o apoio ao dia 23 de agosto, como Dia da Memória das vítimas de todos os regimes autoritários e totalitários, e a divulgação e a avaliação dos crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários.

Neste momento em que, na América Latina, subprodutos da ideologia autoritária de esquerda assombram a vários países da região, seja na expressão do socialismo do século XXI de Hugo Chávez, clonado na Bolívia, Equador, Nicarágua, ou mesmo no autoritarismo popular ou subperonismo de Lula, como na definição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com ataques à liberdade de imprensa (cerceamento de jornais), ao Estado de Direito, a fazendas produtivas pelo MST, ao equilíbrio e à separação entre os poderes legislativo, executivo e judiciário, entre outros sintomas de erosão democrática, com ênfase para a corrupção, vale a pena se ver ou rever certas páginas tristes do século passado, por mais lastimáveis que sejam, a fim de evitar que elas não se repitam.

Também para quem deseja se aprofundar sobre o tema dos totalitarismos, é possível baixar dois e-books já clássicos sobre o assunto: O Livro Negro do Comunismo e As origens do Totalitarismo, de Hanna Arendt.

Em As Origens do Totalitarismo, Hannah Arendt, compara brilhantemente o nazismo com o estalinismo. Em O Livro Negro do Comunismo, apresentam-se as seguintes cifras do genocídio provocado pelos regimes comunistas onde estes se instalaram. Os números são aproximados e há muita controvérsia sobre eles, com gente dizendo que estão superestimados ou subestimados, dependendo da cor ideológica do leitor e crítico. Seja como for, revela uma carnificina que deixa as ditaduras de direita no chinelo.

- URSS, 20 milhões de mortos,
- Camboja, 2 milhões de mortos,
- Leste Europeu, 1 milhão de mortos,
- China, 65 milhões de mortos,
- Vietnã, 1 milhão de mortos,
- Coreia do Norte, 2 milhões de mortos,
- América Latina, 150.000 mortos,
- África, 1,7 milhão de mortos,
- Afeganistão, 1,5 milhão de mortos,
- Movimento comunista internacional e partidos comunistas fora do poder, uma dezena de milhões de mortos. O total se aproxima da faixa dos cem milhões de mortos.

Posto, por fim, vídeo da apresentação que o U2 fez em Berlim, agora em 5 de novembro, também em comemoração à queda do muro. Emocionante ver a projeção das imagens no portão de Bradenburg, quando aparecem imagens com a foice e o martelo (símbolo do comunismo) e estrelas que são substituídas por One Love e depois pela palavra Freedom (liberdade).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A moça de vermelho e a baixaria dos machistas da UNIBAN


Quando vi a cena da moça sendo escoltada pela polícia via corredores da UNIBAN, ao som de PUTA, PUTA...., fiquei sem entender bem o que se passava por alguns segundos. Por que cargas d'água aquele monte de marmanjos e algumas senhoritas mais merecedoras de xingamentos do que a perseguida estavam promovendo semelhante tumulto contra aquela mulher?

Logo li que a perseguição se devia ao fato de a moça estar usando um vestido muito justo, curto e ainda por cima vermelho (alguns dizem que é rosa). Nas imagens dela saindo da escola, sob escolta, não se via o "provocador" vestido porque um professor havia lhe emprestado um jaleco. Só se viam e ouviam os agitados estudantes e seus impropérios seguindo o grupo.

Nas imagens acima, do Fantástico, Geyse Arruda, a moça agredida aparece com o tal vestido. Já vi "n" mulheres com esse modelito "cheguei", meio perua, meio vulgar, mas daí a esse visual merecer um quase linchamento, só evitado porque a polícia intercedeu....!!? Coisa mais absurda! E o Vice-reitor da Uniban, Ellis Wayne Brown, não vê razão para expulsar ninguém da turba ignara que agrediu e humilhou a moça.

O jornalista Reinaldo Azevedo escreveu um belo texto sobre esse causo inacreditável onde questiona: ....estranho o silêncio da militância feminista; estranho o silêncio das ONGs voltadas para os chamados direitos da mulher; estranho o silêncio de Nilcéia Freire, titular da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Sim, eu sei, a “moça de vermelho” não é exatamente uma militante; não é alguém que porte bandeira; não é veículo de uma causa. Ela é só uma cidadã, um indivíduo, vítima de uma brutalidade. Então todos se calam. Se a garota, ao menos, fosse negra, seria defendida em razão de sua condição que diriam “racial”. Como nem isso ela é, então sabem o que ela é? NADA!!!
O Reinaldo não sabe, mas as feministas devem estar, como de costume, mais preocupadas com a luta anticapitalista (significa eleger a candidata de Lula, apoiar o MST), o patriarcado, a misoginia, um monte de abstrações em torno das quais giram como moscas zonzas em torno da lâmpada. Foi preciso passar um bom tempo e muita gente começar a divulgar seu estranhamento quanto ao silêncio das feministas, sobre o caso bem mais terrível da menina presa com um bando de homens numa cela no Pará (a governadora é do PT), para que elas se mexessem e ainda assim timidamente.... Esse caso é bem mais ameno, embora gritantemente machista, então, vai lá saber se haverá uma reação. Se for para protestar contra o suposto golpe em Honduras, elas se mexem rapidinho, porém, para condenar machões grotescos que atacam mulheres por usarem roupas curtas e justas, qualquer cágado as supera.

Enfim, como diria o poeta: "...Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera." (Carlos Drummond de Andrade)
De qualquer forma, eu ainda protesto. Protestem também e depressa.

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