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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Foda-se! da Lily Allen, versão brasileira.

Em comemoração aos 40 anos da revolta de Stonewall contra o preconceito e a discriminação, completados ontem, 28 de junho, uma comunidade do orkut chamada Homofobia já era resolveu fazer uma versão da música Foda-se da Lily Allen, postada no blog Stonewall. Confira abaixo o vídeo, a letra e a tradução da música.



Fuck You (Very Much)
Lily Allen

Look inside, look inside your tiny mind
Then look a bit harder
'Cause we're so uninspired, so sick and tired
Of all the hatred you harbor

So you say it's not okay to be gay
Well, I think you're just evil
You're just some racist who can't tie my laces
Your point of view is medieval

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Do you get, do you get a little kick
Out of being small minded?
You want to be like your father
It's approval you're after
Well, that's not how you find it

Do you, do you really enjoy
Living a life that's so hateful?
'Cause there's a hole where your soul should be
You're losing control a bit
And it's really distasteful

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you, fuck you
Fuck you, fuck you, fuck you
Fuck you

You say you think we need to go to war
Well, you're already in one
'Cause it's people like you that need to get slew
No one wants your opinion

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you very, very much
'Cause your words don't translate
And it's getting quite late
So please don't stay in touch

Fuck you, fuck you, fuck you
Fuck you, fuck you, fuck you

Entenda o que você está cantando. Aqui está a letra da música traduzida para o português:


Fuck You (Very Much) (Tradução - Obrigada, Augusto!)
Lily Allen

Foda-se

Olhe para dentro
Olhe para dentro da sua mente pequena
Depois olhe mais atentamente
Pois ficamos tão desanimados,
tão enjoados
Com todo o ódio que você fomenta

Então você diz
Que não é certo ser gay
Eu já acho que você é perverso.
Você é apenas um racista
Que não faz o meu tipo
Seu ponto de vista é medieval

Foda-se!
Foda-se muito!
Pois odiamos o que você faz
Odiamos toda a sua turma
Então, por favor, nem chegue perto

Foda-se!
Foda-se muito!
Pois suas palavras não fazem sentido
E já está ficando muito tarde.
Então, por favor, não chegue perto

Por acaso, te dá prazer
Ter uma mente tão pequena?
Você quer ser como seu pai?
Precisa de aprovação?
Mas não é assim que a conseguirá.

Você realmente gosta de viver
Uma vida tão cheia de ódio?
Pois há um buraco onde devia estar sua alma
Você está perdendo o controle
E isso é bem desagradável

Foda-se!
Foda-se muito!
Pois odiamos o que você faz
Odiamos toda a sua turma
Então, por favor, nem chegue perto

Foda-se!
Foda-se muito!
Pois suas palavras não fazem sentido
E já está ficando muito tarde.
Então, por favor, não chegue perto

Vai se foder!

Você acha que precisamos ir pra guerra?
Bem, você já está em uma.
Pois são pessoas como você
Que precisam ser processadas
Ninguém quer sua opinião.

Foda-se!
Foda-se muito!
Pois odiamos o que você faz
Odiamos toda a sua turma
Então, por favor, nem chegue perto

Foda-se!
Foda-se muito!
Pois suas palavras não fazem sentido
E já está ficando muito tarde.
Então, por favor, não chegue perto

Vai se foder!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tchau, Michael! Fique em paz!

Bem, não dava para não homenagear o Michael Jackson em sua despedida. Como artista, foi extraordinário. Como pessoa, se perdeu em algum lugar da Terra do Nunca. Foi se desentendendo consigo mesmo, e virou um seu avesso. De menino bonito e jovem negro idem, foi ficando cada vez mais parecido com uma máscara veneziana branca e mal-feita. Imagino quanto de dor e solidão produziram aquilo. A transformação parece ter acompanhado uma certa decadência artística.

Mas o cara produziu uma obra-prima, como o Thriller, e várias outras canções fantásticas, interpretadas com muita dança, coreografias incríveis. Estabeleceu novos paradigmas em sua área de trabalho, como só os extraordinários sabem fazer. Tem gente que passa uma vida inteira sem ir além do medíocre. Abaixo, Beat it, uma das minhas músicas preferidas do cantor. Bye, Michael! See you later.

terça-feira, 16 de junho de 2009

As Amazonas

Registros de mulheres guerreiras na história da humanidade não são incomuns, mas sempre estiveram envoltos em muita conjectura. Para boa parte dos estudiosos, as Amazonas nunca passaram de lenda, excesso de imaginação, figuras da mitologia grega, como os centauros, os sátiros, a Medusa, a despeito de sua presença em vasos de cerâmica, esculturas, pinturas e outros artefatos. Entretanto, descobertas recentes de tumbas (em 1995), com restos mortais de mulheres acompanhados de armas, mudaram um pouco essa visão.

Atualmente arqueólogos e historiadores passaram a ver os relatos dos escritores e historiadores gregos Homero e Heródoto com um outro olhar, buscando resgatar das mitológicas filhas do deus Marte e da ninfa Harmonia, as guerreiras de carne e osso. Nessa nova perspectiva, as Amazonas aparecem como originárias da grande cordilheira do Cáucaso, próxima ao Mar Negro, região hoje ocupada pela Armênia, Azerbaijão, Geórgia e Rússia, onde viveram por volta de 5500 anos atrás. Seriam alouradas, de pele clara, altas, fortes e musculosas, subsistindo da caça e da pesca e se relacionando com homens de outros agrupamentos da mesma região apenas para fins reprodutivos.

Em 3500 a. C, teriam migrado para o Mar Mediterrâneo, povoando a ilha de Creta e formando a base da sociedade minóica, de características matriarcais, e estabelecido também outros reinos na Trácia (Grécia), na ilha de Lemnos (no Mar Egeu), no Cáucaso (junto ao Mar Negro), e em Temiscira, banhada pelo rio Termodonte (hoje rio Terme Çayi, na atual Turquia). Durante a idade do bronze (3000 a 700 a.C.) do mundo mediterrâneo, o amazonato também teria se espalhado pelo Egito, Líbia e Itália (na ilha da Sicília) e por outras regiões da Europa, África e Ásia. Vale lembrar que, igualmente no Brasil, o nome de nosso maior rio se deve ao fato de o conquistador espanhol Francisco Orellana ter avistado na região um bando de índias tapuias que identificou como amazonas.

Entretanto, o que deu mais consistência a tese das Amazonas, como mais do que mito, foi o trabalho da arqueóloga Jeaninne Davis-Kimball que resolveu rastrear a trajetória das Amazonas, descritas no relato de Heródoto, em sua fuga após a derrota para uma expedição grega na cidade de Temiscira (atual Ünye, na região da Capadócia), junto à foz do rio Termodonte (atual Terme Çayi). Em seu clássico História, Heródoto afirma que os gregos venceram as amazonas, em data não definida, e levaram várias, como cativas, em barcos. Em alto-mar, contudo, as prisioneiras se rebelaram, mataram todos os gregos e, como não sabiam navegar, acabaram chegando meio à deriva na Cítia, na costa do Mar de Azov, atual Rússia. Os citas e as amazonas teriam se unido e emigrado para as estepes russas entre os rios Don e Volga, dando origem ao povo sauromata que, por sua vez, em 400 a. C. foi colonizado pelos sármatas, povo indo-europeu vindo da Ásia Central. Seguindo nesses processos de conquista e assimilação, os sármatas foram vencidos por góticos, hunos e por fim mongóis, com quem se miscigenaram.

Percorrendo a trajetória dos sármatas, a arqueóloga Jeannine Davis-Kimball encontrou na cidade de Pokrovka, fronteira da Rússia com o Cazaquistão, cerca de 150 túmulos desse povo, datados de 2500 anos atrás, dentre os quais 15% das covas eram de mulheres altas, muitas com pernas arqueadas, ferimentos de batalhas, e que estavam enterradas com flechas de bronze, espadas e adagas. Davis-Kimball e sua equipe procederam a uma análise do DNA dos ossos encontrados para identificar o sexo dos esqueletos, confirmando tratar-se de mulheres.











Em seguida, a arqueóloga, consciente de que o último processo de miscigenação dos sármatas havia sido com mongóis, embrenhou-se pela Mongólia, indo de acampamento nômade em acampamento nômade, em busca de alguém que lembrasse a velha herança genética das mulheres guerreiras. Por fim, em uma das aldeias nômades, encontrou uma estranha menina de traços mongóis mas loura. Colheu amostra da saliva da garota e enviou-a ao laboratório para comparação com o DNA colhido dos ossos das guerreiras de Pokrovka. O resultado revelou que o DNA mitocondrial da menina, chamada Meiramgul, de 9 anos na época (1995), era o mesmo contido nos esqueletos datados de mais de 2 mil anos atrás.

Ficou provado assim que as Amazonas eram bem mais de carne e osso do que se supunha, tendo deixado descendência que chegou milagrosamente até os tempos atuais. Não se duvida que novas descobertas possam trazer outras provas da existência dessas guerreiras, ainda que não como as da mitologia, mas importantes por confirmar a realidade de mulheres que viveram fundamentalmente com mulheres ou construíram sociedades onde as mulheres não eram submissas aos homens. Mulheres que eram capazes de lutar e derrotar seus inimigos, que as temiam e as admiravam.

Por isso, as amazonas não podem deixar de constar de uma cronologia da história lésbica, sendo o amazonato o primeiro controle de natalidade que se conhece e que as lésbicas empregam até hoje. Não por menos também, a machadinha de dupla face, utilizada pelas amazonas, conhecida como labrys (imagem ao lado), é um dos símbolos da organização lésbica em todo o mundo atual. E numa hora de necessidade vale invocar os nomes de algumas rainhas amazonas para ganhar coragem: Myrine, Pentesiléia, Hipólita, Maroula, Califia, Hipólita... Abaixo um vídeo com imagens das guerreiras. As fotos são da menina Meiramgul, da Jeannine Davis-Kimball e novamente da menina. O desenho é de um labrys estilizado.
A saga de Jeaninne David-Kimball foi registrada no DVD The Secret of the Dead: Amazon Warrior Women (O Segredo dos Mortos: Amazonas, Mulheres Guerreiras) que pode ser adquirido pela loja da National Geographic ou pela Amazon.com Também neste link, pode-se assistir um clip do DVD. O documentário já passou igualmente no canal da National Geographic legendado, valendo a pena uma pesquisa.

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