Curso de extensão da USP

sobre Judith Butler e Michel Foucault

O sequestro do termo "gênero":

uma perspectiva feminista do transgenerismo

Mulheres na Ciência

Estudantes criam bactéria que come o plástico dos oceanos

Mulheres na Ciência:

Duas barreiras que afastam as mulheres da ciência

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Avatar

Fui ver Avatar e gostei, apesar de ter ficado um pouco frustrada com os efeitos especiais. Mas disso falo depois. Primeiro, prefiro falar no aspecto paradoxal do filme de James Cameron que é ao mesmo tempo convencional e inovador.
Convencional porque a história (o roteiro) é convencional. Parece um conjunto de citações de outros filmes. Das sequências Alien (lembrando que Cameron fez uma delas), temos o mercenário, em busca de um minério valiosíssimo no subsolo da aldeia dos Na'vi, no planeta Pandora, sem nenhuma ética quanto ao modo de obter o objeto de sua cobiça; temos o militar estereotipado que acha que tudo se resolve na base da força bruta e é custeado pelo mercenário; e temos o cientista, aqui de fato a cientista, interpretada por Sigourney Weaver, a Tenente Ripley de Alien, e sua equipe. A diferença com Alien é que, em Avatar, a cientista, embora também um pouco estereotipada, tem uma relação mais respeitosa com seu objeto de estudo, ou seja, a natureza e a população humanóide de Pandora, pondo-se a seu lado quando estas se veem ameaçadas.

De O Último Samurai, entre outros, temos a história de um militar que é contratado para atacar um determinado povo estranho, ou bancar o espião desse povo, acaba convivendo com ele e, nesse convívio, encontra uma nova forma de ver a vida, passando a integrar a comunidade que deveria ser sua vítima e a lutar ao lado dela contra seus agressores. Fora isso, há também os velhos embates entre o Bem e o Mal, a carcomida civilização humana versus a vital, porque ligada à Natureza, civilização Na'vi, a Civilização versus a Natureza e um romance entre os protagonistas da história, tudo temperado com o bom e velho sentimentalismo de sempre, ainda que sem exageros.

Por outro lado, Avatar é inovador pela tecnologia que  apresenta ao nosso olhar cinematográfico bidimensional. E aqui explico meu comentário inicial. Fiquei meio frustrada com os efeitos especiais de 3D porque os esperava mais exuberantes, com os objetos saltando da tela, aquelas coisas. Mas isso não acontece. Nas primeiras cenas do filme, a imagem aparece claramente 3D mas, depois, é como se nossos olhos se acostumassem à tecnologia apresentada, e ela ficasse quase imperceptível. De fato, o 3D de Avatar é bem sutil e parece simplesmente imitar a realidade. E aqui reside o grande salto inovador do filme. Tudo é tão bem feito, parece tão real (mesmo os personagens e o cenário fantástico) que é como se fosse real.

Muitos falaram que a tecnologia usada visa criar uma sensação de imersão no filme. Não senti assim. Me vi o tempo inteiro como espectadora apenas, com uma ou outra sensação de que alguns objetos da tela estavam ao alcance de minhas mãos, mas assistindo algo tão verossímel que parecia verdadeiro. De fato, Cameron, com seu Avatar, estabeleceu como será o novo padrão do cinema daqui para frente, dando o sinal definitivo para o enterro das películas bidimensionais. A partir de Avatar, os filmes 3D deixam de ter simplesmente o apelo do inusitado para se firmar como o padrão do presente do futuro.

Imperdível de qualquer forma não só pela inovação tecnológica mas também, a despeito dos clichês, por fazer a apologia da Natureza e da imprescindível interconexão que temos que ter com tudo que existe. No filme o mesmo processo, feito pela tecnologia, que permite que a consciência do soldado Jake Sullivan se incorpore em seu Avatar, êmulo de um Na'vi real, acaba reproduzido por vias naturais. Para esses nossos tempos de tantas ameaças ao meio-ambiente, a mensagem é clara.

Abaixo trailer de Avatar.

Vencendo o Medo!

Video sobre filhote de búfalo que é capturado por leões e, depois, ainda por cima, disputado por jacarés. A mãe do filhote que aparentemente fugira do ataque dos felinos, deixando o filho à própria sorte, retorna com uma imensa manada de búfalos. Unidos espantam as feras. O filhote ainda está vivo, ergue-se e se junta à manada. Obviamente a possibilidade de sobrevivência do bufalozinho - provavelmente muito ferido - é pequena, mas o que impressiona é a atitude de seus pares.

Primeiro, nos veem à mente o ditado tão sábio e recorrente, mas frequentemente esquecido pelos humanos, de que a união faz a força. Os mais fracos, quando se juntam, podem derrubar os mais fortes. Segundo, impossível negar como os animais se comunicam e inclusive articulam ações conjuntas de defesa e ataque. Isso exige inteligência, uma inteligência que, nós, humanos, em nossa imensa arrogância, acreditamos ser só nossa propriedade. E tudo isso traz a ideia de que precisamos descer de nosso pedestal antropocêntrico, voltarmos a nos ver como parte da natureza (e não seus dominadores) e, em vez de depredá-la, protegê-la e preservá-la.

Video tocante. Será que humanos teriam o mesmo senso de solidariedade?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Diana Krall - The look of love!



The look of love is in your eyes
A look your smile can't disguise
The look of love is saying so much more than just words could ever say
And what my heart has heard, well it takes my breath away

I can hardly wait to hold you, feel my arms around you
How long I have waited
Waited just to love you, now that I have found you

You've got the
Look of love, it's on your face
A look that time can't erase
Be mine tonight, let this be just the start of so many nights like this
Let's take a lover's vow and then seal it with a kiss

I can hardly wait to hold you, feel my arms around you
How long I have waited
Waited just to love you, now that I have found you
Don't ever go
Don't ever go

Autores: Bacharach, Burt; David, Hal

Aleluia dilacerada



Que faço eu aqui
Entre essas mulheres vazias,
Em meio a essa conversa estéril,
Em meio a esse papo inútil;
Entre essas mulheres sôfregas,
E sua fala ácida de inveja, de cio?

Que faço eu aqui
Entre essas mulheres tolas,
Essas beldades decadentes,
Como um império que avista seus bárbaros,
Como uma Tróia que abraça o cavalo
Grávido de destruidores?

Que faço eu aqui
A essa hora pensando nela?
Por que o descuido me trouxe essa lembrança?
Ela que só me deixou perplexidade e fel
E roubou as flores da minha primavera.

Ah, sim, tudo que aprendi com o amor
Foi atirar em alguém que sacou primeiro,
Que me acertou em cheio porque eu não esperava
De quem dividia minha mesa e cama
Algo assim traiçoeiro.

Ah, o Amor, essa Aleluia dilacerada,
essa marcha sem bandeira e sem vitória
por uma avenida esvaziada.
Essa lança que trespassa a carne
E atinge a alma que ferida se rende...
E dança.

Míriam Martinho

São Paulo, 11/12/2009
Nota: poesia inspirada em Hallelujah de Leornard Cohen

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Iluminação de Sidarta

Hoje, 8 de dezembro, comemora-se a Iluminação do sábio indiano Sidarta Gautama, mais conhecido como Buda. Durante oito dias, Sidarta se postou ao pé de uma figueira, e entrou em meditação profunda. Na manhã do oitavo dia, ao ver a estrela da manhã, Vênus, ele atingiu a Iluminação, um estágio de consciência onde se percebe a unidade subjacente a todas as coisas, onde a gente se toca de que tudo é interconectado, que não há de fato separação. Não se trata de uma descoberta intelectual, mas sim de uma descoberta que transcende o intelectual, que vem do âmago do ser.

Durante os dias em que permaneceu em meditação, Sidarta foi acossado por muitos demônios interiores e venceu a todos com a conquista da impassibilidade diante de todos os artifícios que eles usaram para desviá-lo do caminho. O último demônio a ser derrotado foi seu próprio ego. Após esse último embate, Sidarta se tornou Buda, um epíteto que significa aquele ou aquela que despertou ou se iluminou.

Segundo consta, Buda, então, colocou a ponta dos dedos no chão e disse:
“A Terra é minha testemunha. Eu e todos os seres da grande Terra simultaneamente nos tornamos o Caminho.”

Tinha 35 anos. Passou o resto da vida transmitindo seus ensinamentos até falecer, aos 80 anos, de forma prosaica, para um iluminado, de uma intoxicação alimentar. Os discípulos de Buda levaram seus ensinamentos da Índia para outros países da Ásia, onde eles floresceram com as características particulares de cada região.

Em fins do século XIX, missionários cristãos passaram a transportar para o Ocidente sua versão do caminho de Buda Xaquiamuni*, depois seguidos por estudiosos leigos e por monásticos que migraram da Ásia para a Europa, para os Estados Unidos e também para a América Latina. Do século XX em diante, sobretudo de meados do século XX para cá, o Budismo começou a se assentar em terras cristãs, como a nossa, e mestres e mestras, orientais e ocidentais, carregaram as sementes do Darma (os ensinamentos de Buda) para plantá-las também em solo brasileiro. Uma dessas sementes se instalou, por obra do destino, em meu coração cético, e vicejou. Quem sabe eu ainda não consiga sentar sob uma figueira sagrada, vença todos meus demônios interiores e não obtenha um pouquinho da tão sonhada felicidade plena.

* Chama-se Sidarta de Buda Xaquiamuni porque ele era da família dos Shákyas (abrasileirando deu Xaquia, mais muni que quer dizer sábio, daí Xaquiamuni, sábio da família dos Xáquias).
Foto do Buda Iluminado: Keanu Reeves em O Pequeno Buda de Bertolucci. Abaixo trecho do filme, quando Sidarta atinge a Iluminação.

sábado, 14 de novembro de 2009

Contra a visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, tem um currículo tão grande de infrações aos direitos humanos que bem podia constar da lista seleta de figuras como Hitler, Stálin, Mao Zedong, Fidel Castro, entre outros. Inclusive, seu antissemitismo é notório, já tendo afirmado vezes sem conta que quer varrer Israel do mapa terrestre e que o holocausto é uma mentira inventada pelo sionismo.

Mais não só os judeus são vítimas da intolerância do fanático presidente iraniano. Minorias religiosas em seu próprio país, como os Bahá'í são perseguidas e executadas assim como mulheres e jovens homossexuais, já que o adultério e a homossexualidade são crimes no Irã. E a lista de vítimas não pára por aí.

Como se não bastasse, Ahmadinejad está trabalhando com energia nuclear em sua pátria, da boca para fora, com fins pacíficos, mas obviamente ninguém acredita. É grande a possibilidade de que esteja fabricando artefatos nucleares para lançar contra Israel e sabe lá quem mais. Enfim, uma catástrofe.

Por sua vez, o atual ocupante da presidência no Brasil, sr. Lula da Silva, cada vez mais dando vazão à sua índole autoritária e anti-ética não perde a chance de flertar com ditadores de vários continentes, tendo agora Ahmadinejad como um de seus favoritos. Nessas, lá vem o (mal)dito nos visitar e, desta vez, parece que sem dúvida.

Para protestar contra essas estranhas amizades de Lula e a presença de Ahmadinejad por aqui, reproduzo abaixo, primeiro, texto do Roberto Romano, que é professor de Ética e Filosofia na Unicamp, e segundo a agenda de manifestações que ocorrerá em várias cidades do Brasil para "saudar" o presidente iraniano. Deixo aqui também um link para as pessoas abaixo-assinarem um manifesto, contra Ahmadinejad e suas loucuras, da Frente pela Liberdade no Iran.

Brasil: parceiro de tiranias? 
A visita do presidente iraniano, sr. Mahmoud Ahmadinejad, levanta interrogações sobre a política externa de nosso país. Aquele mandatário conseguiu a reeleição com fraudes, violência contra os adversários, bênçãos de um clero autoritário. A “Guarda Revolucionária”, dirigida pelo general Mohammad Ali Jafari, abafou nas prisões, torturas e mortes de inocentes, os gritos dos oposicionistas. Desde então, recrudesceram os atentados aos direitos humanos no Irã.
Terras submetidas à tirania dificilmente podem ser parceiras e amigas de Estados onde ainda rege uma Constituição que assegura prerrogativas democráticas. Assusta a consciência civil brasileira, o trato caloroso do governo federal com o regime de Teerã. Quando o Executivo brasileiro afirma, sem pestanejar, que os massacres, torturas, violações dos direitos de expressão e de imprensa, constituem “problema interno” daquele país, precisamos avivar a memória nacional para situações exatamente iguais, vividas inclusive por grupos e pessoas que hoje nos administram.
No século 20 vivemos o pesadelo trazido por duas ditaduras que anularam as garantias dos cidadãos diante do Estado. Quando as prisões clamavam, os dirigentes eludiam toda e qualquer responsabilidade. Eles respondiam que tudo, nas queixas, não passava de “propaganda contrária à grandeza nacional”. É da época o nefando “Brasil, ame-o ou deixe-o”. E para sustentar tal propaganda, eles contavam com apoios de Estados estrangeiros. Apenas com a exasperação das violações foi iniciada uma corrente cosmopolita de solidariedade aos perseguidos.
Abro um documento anexado ao processo judicial-militar que sofri a partir de 1969. Após enumerar supostos crimes hediondos contra o Brasil e o seu Estado, a autoridade coatora afirma que ele (Roberto Romano e companheiros) “em consciência não tem autoridade moral para oferecer à imprensa internacional qualquer fato que venha desmoralizar o governo, insultar a justiça ou estigmatizar a polícia que, no cumprimento de seu estrito dever, defendeu a Democracia e a Formação Cristã do Brasil” (Autos do Processo, Prontuário número 146141, página 5, com carimbo do Arquivo Público do Estado, 2/março de 2009, com o necessário “Confere com o Original”). Vejamos a Sentença dos Juízes militares, seguidos de um juiz togado, no desfecho da lide: “Tudo o que se sabe desse moço, no curso do processo, é que a acusação que se lhe faz é totalmente improcedente”. E “nestas condições, não comprovada, por ausência absoluta de provas, a denúncia, resolve o Conselho julgá-la improcedente, para absolver frei Roberto Romano da Silva” (Autos do Processo, Sentença 207/69, A-77).
Quando existem juízes idôneos, o veredictum modifica as palavras dos acusadores, restitui aos réus a cidadania e os direitos suspensos. Mesmo em uma ditadura podem ser encontrados julgadores prudentes, garantindo os fiapos de lei que protegem os adversários do regime. O meu caso não foi regra, mas exceção no período. Sem o apoio do meu advogado, o grande dr. Mario de Passos Simas, de setores eclesiásticos liderados por Dom Evaristo Arns e dos movimentos internacionais em defesa dos direitos, eu não teria chegado ao julgamento, tantas foram as ameaças à integridade física e anímica dos presos.
No caso do Irã, a violação dos direitos humanos não interessa apenas aos iranianos, mas à humanidade. A nossa política internacional segue doutrinas desprovidas de cautelas prudenciais. Ela esquece o que se passou ainda ontem em nosso país. Quando pessoas que defendiam os direitos humanos se dobram aos ditames de supostas razões de Estado e acolhem, braços abertos, um ditador sob cuja responsabilidade a cidadania iraniana é massacrada, temos tudo para que se tolde a legitimidade dos mandatários brasileiros. Isolado, o carisma do presidente não lhe garante poder legítimo. Todos os ditadores da era moderna foram populares e usaram esse fato para gerar monstros políticos. Na visita do sr. Ahmadinejad temos a confissão dos governantes: se estivessem no poder a partir de 1964, aceitariam os procedimentos do regime.

Amanhã,15 de novembro, protestos em algumas das principais capitais brasileiras contra a vinda do presidente do Iran ao país.
- São Paulo: Horário: 15:30h
Local: Praça dos Arcos (Paulista c/ Angélica)
- Belo Horizonte: Horário: a concentração será as 15:00h e sairá em passeata ou carreata às 15:30h
Local: Centro de Belo Horizonte (Saída da Praça Rodoviária até a Praça Sete)
- Cuiabá: Horário: 15h
Local: Em frente ao shopping Pantanal
- Curitiba: Horário: 15:30h
Local: Boca Maldita, no calçadão da Rua XV de Novembro
- Goiânia: Horário: 15:30h
Local: Parque Vaca Brava (em frente ao Goiânia Shopping)
- Manaus: Horário: 8:30h
Local: Praça do Congresso, Centro
- Roraima: Horário: 18:00h
Local: Vila Olímpica
- Pará: Horário: a partir das 8:00h
Local: Praça da República - Centro de Belém
- Rio Branco: Horário: 15:00h
Local: Praça Plácido de Castro (em frente à Prefeitura do Rio Branco)
- Rondônia: Horário: 15:30h
Local: Praça Aloisio Ferreira - Praça Central de Porto Velho
- Distrito Federal
A manifestação no ocorrerá em 23 de novembro, em horário ainda a ser definido, na Esplanada dos Ministérios.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A moça de vermelho e a baixaria dos machistas da UNIBAN 2

Bem, como é de conhecimento geral, a baixaria machista na UNIBAN continuou com a agora expulsão da moça de vermelho e seu vestido curto demais da tão honrada instituição. Andaram dizendo que a moça subiu por uma rampa, com aquele vestido, para dar evidência à sua - como diríamos - periquita!! Enfim, nos velhos moldes do discurso do estuprador, a vítima é responsável pela violência que sofreu!! É mole?!

Bem, pelo menos, as feministas foram mais rápidas desta feita (a UNIBAN não deve ter ligação com o PT) e estão prometendo protesto, às 18:00 de hoje, em frente ao campus de São Bernardo da Universidade Bandeirante.

Também está rolando petição contra o absurdo da agressão + expulsão que tod@s devem assinar. Clique no link ao lado para assinar http://www.petitiononline.com/unitalib/

Neste dia em que comemoramos a queda do muro da tirania, em Berlim, vamos ajudar a derrubar o muro do preconceito e do sexismo de que Geisy Arruda foi vítima.

Abaixo brincadeira com a situação tendo como base o filme A Queda que retrata os últimos dias de Hitler no fim da guerra. Bem apropriado.

domingo, 8 de novembro de 2009

Queda do Muro de Berlim marca o fim do totalitarismo comunista

Derrubando o muro da vergonha
Hoje, dia 9 de novembro de 2009, celebram-se os 20 anos da queda do Muro de Berlim que não só dividia a Alemanha, entre o lado ocidental e democrático da cidade e o lado oriental, comunista e autoritário, como também simbolicamente quase o mundo todo em dois pólos de igual teor.

A queda do muro de Berlim marca, em 1989, igualmente o início do fim dos regimes comunistas na Europa Central e Oriental e em outras regiões, pondo um término à chamada Guerra Fria, assim chamada por nunca ter sido declarada oficialmente, existindo mais em termos de acúmulo de artefatos nucleares com os quais os Estados Unidos e a União Soviética se ameaçavam mutuamente. Com um arsenal de armas nucleares capaz de devastar o planeta inúmeras vezes, ambas as potências se limitavam porém - felizmente - a interferir em conflitos regionais visando à preservação de seu poder político e ideológico.

Também em celebração à queda do muro e ao fim dos regimes comunistas, durante a Conferência de Praga Consciência Européia e o Comunismo, em junho de 2008, parlamentares da república da Tchecoslováquia redigiram a Declaração de Praga (veja tradução aqui), que convoca os países europeus a apoiarem a criação do Instituto da Memória e Consciência da Europa e a estabelecer legislação que permita aos tribunais de justiça julgar e condenar os culpados pelos crimes comunistas e compensar as vítimas do comunismo. Dessa conferência também saiu a proposta de tornar o dia 23 de agosto, dia do pacto nazi-comunista entre Hitler e Stálin de divisão da Europa (23/08/1939), como Dia da Memória das vítimas de todos os regimes autoritários e totalitários (à guisa de exemplo, posto um vídeo sobre o tema, financiados pelo grupo político da União Européia das Nações, recomendando, contudo, que se assista a toda a sequência de nove episódios).

Em abril deste ano (dia 02/04/09), igualmente o parlamento europeu aprovou, em resolução sobre a consciência europeia e o totalitarismo, o apoio ao dia 23 de agosto, como Dia da Memória das vítimas de todos os regimes autoritários e totalitários, e a divulgação e a avaliação dos crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários.

Neste momento em que, na América Latina, subprodutos da ideologia autoritária de esquerda assombram a vários países da região, seja na expressão do socialismo do século XXI de Hugo Chávez, clonado na Bolívia, Equador, Nicarágua, ou mesmo no autoritarismo popular ou subperonismo de Lula, como na definição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com ataques à liberdade de imprensa (cerceamento de jornais), ao Estado de Direito, a fazendas produtivas pelo MST, ao equilíbrio e à separação entre os poderes legislativo, executivo e judiciário, entre outros sintomas de erosão democrática, com ênfase para a corrupção, vale a pena se ver ou rever certas páginas tristes do século passado, por mais lastimáveis que sejam, a fim de evitar que elas não se repitam.

Também para quem deseja se aprofundar sobre o tema dos totalitarismos, é possível baixar dois e-books já clássicos sobre o assunto: O Livro Negro do Comunismo e As origens do Totalitarismo, de Hanna Arendt.

Em As Origens do Totalitarismo, Hannah Arendt, compara brilhantemente o nazismo com o estalinismo. Em O Livro Negro do Comunismo, apresentam-se as seguintes cifras do genocídio provocado pelos regimes comunistas onde estes se instalaram. Os números são aproximados e há muita controvérsia sobre eles, com gente dizendo que estão superestimados ou subestimados, dependendo da cor ideológica do leitor e crítico. Seja como for, revela uma carnificina que deixa as ditaduras de direita no chinelo.

- URSS, 20 milhões de mortos,
- Camboja, 2 milhões de mortos,
- Leste Europeu, 1 milhão de mortos,
- China, 65 milhões de mortos,
- Vietnã, 1 milhão de mortos,
- Coreia do Norte, 2 milhões de mortos,
- América Latina, 150.000 mortos,
- África, 1,7 milhão de mortos,
- Afeganistão, 1,5 milhão de mortos,
- Movimento comunista internacional e partidos comunistas fora do poder, uma dezena de milhões de mortos. O total se aproxima da faixa dos cem milhões de mortos.

Posto, por fim, vídeo da apresentação que o U2 fez em Berlim, agora em 5 de novembro, também em comemoração à queda do muro. Emocionante ver a projeção das imagens no portão de Bradenburg, quando aparecem imagens com a foice e o martelo (símbolo do comunismo) e estrelas que são substituídas por One Love e depois pela palavra Freedom (liberdade).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A moça de vermelho e a baixaria dos machistas da UNIBAN


Quando vi a cena da moça sendo escoltada pela polícia via corredores da UNIBAN, ao som de PUTA, PUTA...., fiquei sem entender bem o que se passava por alguns segundos. Por que cargas d'água aquele monte de marmanjos e algumas senhoritas mais merecedoras de xingamentos do que a perseguida estavam promovendo semelhante tumulto contra aquela mulher?

Logo li que a perseguição se devia ao fato de a moça estar usando um vestido muito justo, curto e ainda por cima vermelho (alguns dizem que é rosa). Nas imagens dela saindo da escola, sob escolta, não se via o "provocador" vestido porque um professor havia lhe emprestado um jaleco. Só se viam e ouviam os agitados estudantes e seus impropérios seguindo o grupo.

Nas imagens acima, do Fantástico, Geyse Arruda, a moça agredida aparece com o tal vestido. Já vi "n" mulheres com esse modelito "cheguei", meio perua, meio vulgar, mas daí a esse visual merecer um quase linchamento, só evitado porque a polícia intercedeu....!!? Coisa mais absurda! E o Vice-reitor da Uniban, Ellis Wayne Brown, não vê razão para expulsar ninguém da turba ignara que agrediu e humilhou a moça.

O jornalista Reinaldo Azevedo escreveu um belo texto sobre esse causo inacreditável onde questiona: ....estranho o silêncio da militância feminista; estranho o silêncio das ONGs voltadas para os chamados direitos da mulher; estranho o silêncio de Nilcéia Freire, titular da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Sim, eu sei, a “moça de vermelho” não é exatamente uma militante; não é alguém que porte bandeira; não é veículo de uma causa. Ela é só uma cidadã, um indivíduo, vítima de uma brutalidade. Então todos se calam. Se a garota, ao menos, fosse negra, seria defendida em razão de sua condição que diriam “racial”. Como nem isso ela é, então sabem o que ela é? NADA!!!
O Reinaldo não sabe, mas as feministas devem estar, como de costume, mais preocupadas com a luta anticapitalista (significa eleger a candidata de Lula, apoiar o MST), o patriarcado, a misoginia, um monte de abstrações em torno das quais giram como moscas zonzas em torno da lâmpada. Foi preciso passar um bom tempo e muita gente começar a divulgar seu estranhamento quanto ao silêncio das feministas, sobre o caso bem mais terrível da menina presa com um bando de homens numa cela no Pará (a governadora é do PT), para que elas se mexessem e ainda assim timidamente.... Esse caso é bem mais ameno, embora gritantemente machista, então, vai lá saber se haverá uma reação. Se for para protestar contra o suposto golpe em Honduras, elas se mexem rapidinho, porém, para condenar machões grotescos que atacam mulheres por usarem roupas curtas e justas, qualquer cágado as supera.

Enfim, como diria o poeta: "...Não, o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera." (Carlos Drummond de Andrade)
De qualquer forma, eu ainda protesto. Protestem também e depressa.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

33 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - 23/10-05/11 no The Auteurs

O site The Auteurs disponibiliza filmes clássicos e independentes de todas as nacionalidades gratuitamente. Basta se inscrever. Depois é só logar e assistir filmes com imagem e som excelentes. Para cinéfilo nenhum botar defeito. Incrível!

No momento, numa parceria com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o site está disponibilizando alguns dos filmes do festival. Neste ano, são mais de 400 filmes, incluindo um concurso para novos cineastas, retrospectivas, tributos e um enfoque especial sobre o cinema sueco.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Especialista recomenda vegetarianismo contra a mudança climática

O mundo deveria se tornar vegetariano para combater com sucesso a mudança climática, já que o efeito estufa do gás metano liberado por vacas e porcos é 23 vezes mais potente que o do dióxido de carbono, segundo uma das maiores autoridades britânicas no assunto.

Em declarações ao jornal "The Times", lorde Stern, autor de um relatório sobre a economia da mudança climática encomendado pelo Governo do Reino Unido, disse que a pecuária destinada ao consumo de carne representa "um desperdício de água e contribui poderosamente para o efeito estufa".
Especialista+recomenda+vegetarianismo+contra+a+mudan%C3%A7a+clim%C3%A1tica+-+27%2F10%2F2009+-+Ci%C3%AAncia+e+Sa%C3%BAde+-+EFE

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Requião atribui a gays a existência do câncer de mama masculino!

O PLC/122, de combate à homofobia furou, a Previdência Social não vai mais pagar pensão para parceiros homossexuais e os políticos brasileiros não param de dar show de homofobia. É um festival de "ingnorança" e preconceito inacreditáveis. Há pouco houve a troca de xingações entre o Carlos Minc e o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), onde a palavra 'viado' e outras declarações heterossexistas rolaram para lá e pra cá.

Agora foi a vez do governador, do Paraná, Roberto Requião (PMDB), a propósito de ações contra o câncer de mama, em tom de piada, declarar (em reunião de seu secretariado mais assessores de primeiro escalão, realizada ontem (27/10) e transmitida pela Rádio e Televisão Educativa): "A ação do governo não é só em defesa do interesse público. É da saúde da mulher também. Embora hoje o câncer de mama seja uma doença masculina também. Deve ser consequência dessas passeatas gay".
É mole? Será que o governador acredita que, nas passeatas gays, os homens ficam tomando estrogênio daí o aumento das mamas e do câncer nas mesmas? Não bastasse o festival de besteiras de sua Insolência, Lula da Silva, ainda temos o resto das "otoridades" do país desfilando um rosário de grosserias e boçalidades sem limite. Abaixo deixo link para fala do Jabor sobre o assunto e o vídeo do governador do Paraná fazendo gracinha. Teve gente que riu.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/ARNALDO-JABOR.htm

domingo, 25 de outubro de 2009

Filme "A Onda" ou como se constrói a submissão ao totalitarismo!

Ao lecionar sobre o nazismo e o holocausto, o professor de História Burt Ross fica sem saber explicar aos alunos como os alemães concordaram com todo o horror do Terceiro Reich. Buscando uma resposta, Ross aprofunda-se no nazismo e decide pôr em prática, com seus estudantes, o que aprendeu, realizando uma arriscada experiência pedagógica que reproduz na sala de aula a doutrinação nazista: com base no slogan 'Poder, Disciplina e Superioridade', cria um símbolo gráfico chamado 'A onda' para o grupo, exorta a disciplina e a coletividade em detrimento das individualidades e se auto-intitula líder. A experiência "cola", e o fanatismo toma conta de toda a escola, excluindo quem não entrava na Onda.

O filme de 45 minutos, feito para a TV, foi baseado num experimento real ocorrido em uma escola de Palo Alto, na Califórnia, em 1967. A experiência virou livro em 1988 e, no ano passado, o filme alemão Die Welle  (A Onda) que está em cartaz nos cinemas brasileiros desde fins de agosto. Uma boa comparar a versão original - que posto abaixo - com a atual das bilheterias. Ambos alertam para o  fascínio que a manada exerce, sobre as pessoas, e seus perigos.

Para ver o filme em tela inteira, clique sobre o símbolo com as setinhas no canto inferior direito. A imagem fica um pouco desfocada, mas é possível escalonar a tela. No formato abaixo, o filme fica bem nítido.
Filme: “A onda” [ The wave] – Dur.: 45 minutos – Direção: Alex Grasshof - País: EUA - Ano: 1981 Elenco: Bruce Davison, Lori Lethins, John Putch, Jonny Doran,Pasha Gray, Valery Ann Pfening.









Um blog e um site muito legais: contra a racialização do Brasil e Race: Are we so different?

Nestes tempos bicudos, de retorno de autoritarismos que pensávamos sepultados, de racistas e racialistas, é sempre bom checar alguns sites e blogs que iluminam a escuridão dos tempos. Sobre o racialismo (ou racismo), vale checar o blog de vários autores, entre eles o sociólogo Demétrio Magnoli, onde se encontram muito bem fundamentadas as razões para se combater essa sandice que quer nos dividir em brancos ou negros, isso num país fundamentalmente mestiço como o Brasil. O blog se  chama contra a racialização do Brasil. Imprescindível. Nele encontrei também o site da associação de Antropologia Americana,  Race: Are we so different? (Raça: Somos assim tão diferentes?) que, a partir de várias perspectivas, demonstra como esse negócio de raça é uma tremenda bobagem. Pra quem lê em inglês, também imprescindível.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Da série "Uma imagem vale mais do que mil palavras"

A foto ao lado (de Wilson Júnior, Agência Estado) dá bem uma dimensão de a quantas anda a guerra do narcotráfico no Rio. Crivaram um fulano de balas e botaram num carrinho de supermercado na via pública. Crianças e uma senhora observam a curiosa compra. Rapazes ao fundo parecem conversar alheios ao presunto.

Hoje o número de mortos chegou a 33, e um dos policiais do helicóptero abatido na batalha foi enterrado, entre lágrimas e salvas de tiro, como herói.

No sábado, em entrevista à Globo, uma líder comunitária só sabia dizer que a situação era fruto do abandono da população à própria sorte pela sociedade e o governo. Que, se as autoridades investissem no "social", isso não existiria. Como se o narcotráfico fosse uma decorrência estrita da pobreza. Falta explicar porque, em todas as favelas, a maioria da população de baixa renda não está envolvida com a bandidagem. Bem ao contrário, é uma das grandes vítimas dela.

E é sempre a mesma história: enquanto a dita "esquerda" vem com essa ladainha vitimista, a "direita" quer simplesmente o bandido morto e acabou. Como em tudo mais, está na hora de superar essa dicotomia e buscar soluções que combinem apoio social e repressão mesmo (dentro da legalidade). Depois de tantos anos de negligência, agora não vai mais se conseguir resgatar os morros cariocas só com ações sociais. Muito menos com um presidente da república que vai para a Bolívia visitar o amiguinho Evo Morales e bota um colar de folhas de coca para demonstrar seu apoio às culturas ilícitas.

domingo, 4 de outubro de 2009

Te Recuerdo Amanda! de Vitor Jarra, com Mercedes Sosa


Mercedes Sosa (Tucumán, 9 de julho de 1935 — Buenos Aires, 4 de outubro de 2009), foi uma cantora argentina de música folclórica, entre outras, apelidada de La Negra pelos longos e lisos cabelos negros,que fez muito sucesso na época das ditaduras militares na América Latina (décadas de 60 a 80).
Tinha voz de contralto e vasto repertório engajado, combinando com seu ativismo de esquerda, tendo se tornando uma das grandes expoentes da chamada Nueva Canción, um movimento musical latino-americano da década de 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. Atuou com conterrâneos como os músicos  León Gieco, Charly García, Antonio Tarragó Ros, Rodolfo Mederos e Fito Páez, e outros latino-americanos como Milton Nascimento, Fagner e Silvio Rodríguez, além de Beth Carvalho.

No Brasil, ficou mais conhecida pela música Gracias a La Vida que Elis Regina também gravou em português. Pessoalmente, sempre preferi uma de suas interpretações não tão famosas, Te Recuerdo Amanda, uma canção de amor que, embora não deixe de ser engajada, é fundamentalmente uma canção de amor, que fala da fragilidade e da impermanência humanas. Abaixo a letra e o vídeo com a música, como um pequeno tributo a essa cantora que também marcou a minha juventude.

Te recuerdo Amanda
la calle mojada
corriendo a la fabrica donde trabajaba Manuel

La sonrisa ancha, la lluvia en el pelo,
no importaba nada
ibas a encontrarte con el,
con el, con el, con el, con el

Son cinco minutos
la vida es eterna,
en cinco minutos

Suena la sirena,
de vuelta al trabajo
y tu caminando lo iluminas todo
los cinco minutos
te hacen florecer
Te recuerdo Amanda
la calle mojada
corriendo a la fabrica
donde trabajaba Manuel

La sonrisa ancha
la lluvia en el pelo
no importaba nada,
ibas a encontrarte con el,
con el, con el, con el, con el

Que partió a la sierra
que nunca hizo daño,
que partió a la sierra
y en cinco minutos,
quedó destrozado

Suenan las sirenas
de vuelta al trabajo
muchos no volvieron
tampoco Manuel

Te recuerdo Amanda,
la calle mojada
corriendo a la fábrica,
donde trabajaba Manuel.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Resultado das cotas raciais na África do Sul: brancos pobres!

Reportagem sobre os efeitos daninhos das cotas raciais na África do Sul: o país conseguiu produzir uma classe média negra com elas, mas a maioria dos negros permaneceu pobre e, sobretudo, brancos começaram a ser discriminados no mercado de trabalho e se tornaram pobres também. O vídeo está em francês, mas é legendado em português. Postei uma versão já legendada, mas, caso não apareça para você, basta ir ao You Tube e clicar no triângulo no canto direito da tela do vídeo. Fundamental para nós, brasileiros, que estamos às voltas com essa história de cotas por aqui.

Aproveito para indicar o livro do professor Demétrio Magnoli, Uma Gota de Sangue, que acaba de ser lançado, sobre este tema. No site Millenium, estão vendendo a obra com um bom desconto. Clique aqui para acessar. Para que o nosso Brasil continue a ser o mulato inzoneiro que sempre cantamos em nossos versos. A melhoria da vida de negros e pardos em nossa terra passa pelo acesso destes à boa educação acadêmica não pela mamataria ou pela mediocracia. O mesmo se diga para os brancos pobres e para tod@s as/os cidadãs e cidadãos do nosso país.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Honduras - República de Bananas - Merval Pereira


O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o protoditador venezuelano Hugo Chávez encarregaram-se em questão de poucas horas de desmontar a versão oficial de que as autoridades brasileiras nada sabiam sobre a sua estratégia de regressar ao país e abrigar-se na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Falando à rádio Jovem Pan, o presidente deposto, Manuel Zelaya, disse que a escolha da representação diplomática brasileira foi uma “decisão pessoal”, depois de consultas feitas ao presidente Lula e ao chanceler Celso Amorim.

Já Chávez revelou, rindo, como “enganou” todo mundo, monitorando a viagem de Zelaya através de um telefone via satélite, e que quando todos esperavam que o presidente deposto estaria em Nova York, para a reunião da ONU, ele “se materializou” na embaixada brasileira.

A reboque da estratégia bolivariana, o governo brasileiro está participando de uma farsa política com ares de “república de banana”, só que dessa vez o papel de interventor não é dos Estados Unidos, mas do Brasil, conivente com a irresponsabilidade de Chávez.

Um advogado paulista, Lionel Zaclis, doutor e mestre em Direito pela USP, publicou no site “Consultor Jurídico” um estudo detalhado sobre o processo de destituição do presidente hondurenho, à luz da Constituição do país, e chegou à conclusão de que não houve golpe de Estado.

Segue um resumo de seu relato: “De acordo com a Constituição de Honduras, como destacamos aqui ontem, o mandato presidencial tem o prazo máximo de quatro anos (artigo 237), vedada expressamente a reeleição.

Aquele que violar essa cláusula, ou propuser-lhe a reforma, perderá o cargo imediatamente, tornando-se inabilitado por dez anos para o exercício de toda função pública.” “(...) Em 23 de março de 2009, o presidente Zelaya baixou o Decreto Executivo PCM-05-2009, estabelecendo a realização de uma consulta popular sobre a convocação de uma assembleia nacional constituinte para deliberar a respeito de uma nova carta política.” “(...) Em 8 de maio de 2009, o Ministério Público promoveu, perante o ‘Juzgado de Letras Del Contencioso Administrativo’ de Tegucigalpa, uma ação judicial contra o Estado de Honduras, pleiteando a declaração de nulidade do decreto (...).” “(...) E, como tutela antecipatória, que foi aprovada, requereu-lhe a suspensão dos efeitos, sob o fundamento de que produziria danos e prejuízos ao sistema democrático do país, de impossível ou difícil reparação, e em flagrante infração às normas constitucionais e às demais leis da República, para não falar dos prejuízos econômicos à sociedade e ao Estado, tendo em vista a dimensão nacional da consulta.” “(...) Em 3 de junho, o Juizado proibiu o presidente Zelaya de continuar a consulta.

Contra essa decisão, impetrou ele um Recurso de Amparo — similar ao nosso Mandado de Segurança — perante a Corte de Apelações do Contencioso Administrativo, o qual foi rejeitado em 16 de junho.” “(...) Assim, o Juizado do Contencioso Administrativo expediu, no dia 18 de junho, uma segunda ordem contra o presidente, tendo uma terceira sido expedida nesse mesmo dia. Em virtude dessa desobediência, o promotor-geral da República ofereceu, perante a Suprema Corte, denúncia criminal contra o presidente Zelaya, sustentando configurar sua conduta crimes de atentado contra a forma de governo, de traição à pátria, de abuso de autoridade e de usurpação de funções, em prejuízo da administração pública e do Estado.” “(...) A Suprema Corte aceitou a denúncia em 26 de junho, com fundamento no art. 313 da Constituição e designou um magistrado para instruir o processo.

Foi decretada a prisão preventiva do denunciado, com o que foi expedido mandado de captura, cujo cumprimento ficou a cargo do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.” “(...) No mesmo dia, o Juizado de Letras do Contencioso Administrativo deu ordem às Forças Armadas para suspender a consulta pretendida pelo presidente Zelaya e tomar posse de todo o material que nela seria utilizado.” “(...) O presidente Zelaya, então, ordenou ao chefe do Estado-Maior das Forças Armadas que distribuísse o material eleitoral de qualquer modo, porém o último, invocando a ordem judicial, se negou a fazê-lo, ao que foi destituído, tendo, em seguida, impetrado junto à Suprema Corte um recurso de amparo para ser reconduzido ao cargo.” “(...)

Em 25 de junho a Suprema Corte cassou o ato do presidente Zelaya, sob o fundamento de que a remoção do chefe do Estado Maior das Forças Armadas constitui ato privativo do Congresso Nacional nos termos do artigo 279 da Constituição.” “Uma frase famosa na diplomacia brasileira é a do chanceler do governo Geisel Azeredo da Silveira, que vivia repetindo: “O Brasil não pode dar a impressão de que é uma Honduras”.

A preocupação tinha sentido: Honduras é o país inspirador do termo “República de bananas” ou “República bananeira” cunhado pelo escritor americano O. Henry, pseudônimo de William Sydney Porter, que, no livro de contos curtos Cabbages and Kings, (Repolhos e Reis) de 1904, usou pela primeira vez a expressão, que passou a designar um país atrasado e dominado por governos corruptos e ditatoriais, geralmente na América Central.

O principal produto desses países, a banana, era explorado pela famosa United Fruit Company, que teve um histórico de intromissões naquela região, especialmente Honduras e Guatemala, para financiar governos que beneficiassem seus interesses econômicos, sempre apoiado pelo governo dos Estados Unidos.

A cláusula pétrea da Constituição de 1982 de Honduras tinha justamente o objetivo de cortar pela raiz a possibilidade de permanência no poder de um presidente, pondo fim à tradição caudilhesca no país.

Fonte: O Globo, 25/09/09

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dia da Árvore - Bem-vinda Primavera!

Hoje é dia da árvore, das árvores que nos fornecem madeira, combustível, alimentos, remédios, látex e outros produtos que usamos diariamente. Das árvores que reduzem a temperatura, o uso de energia e  removem poluentes. Cada parte de uma árvore, das folhas às raízes, contribui para o controle do clima e do equilíbrio do planeta.
 
Dia das árvores que também são abrigo e alimento de tantas outras espécies deste mundo maltratado pela espécie humana e sua estranha idéia de crescimento e desenvolvimento.

Hoje é dia de celebrar as árvores. De plantar algumas. De contribuir para preservar outras.

No UOL, colocaram um slide sobre como plantar uma árvore, tirado do site Casinha na Árvore. O site é para crianças - uma gracinha - mas tod@s nós, marmanj@s, podemos usufruir do aprendizado.

E como a Primavera também começa amanhã, dia 22 de setembro, posto abaixo a música do Tim Maia, Primavera, para celebrar igualmente a mais bela das estações do ano. Estação das flores, dos amores, da vida. Momento para refletir existencial e ecologicamente.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Pilobolus: Porque a arte ainda salva!

Apresentação do grupo de dança Pilobolus, surgido em 1971, que inovou as artes cênicas com criatividade e qualidade. Abaixo, uma de suas diversas performances ao vivo com sombras (do projeto Shadowland). Roteiro de turista na cidade de Nova Iorque. Incrível! Aqui link para o site do grupo, onde se pode conhecer mais de seu trabalho e inventidade.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A AIDS é um genocida


Campanha alemã polêmica coloca Adolf Hitler fazendo sexo com uma mulher em vídeo. Para alguns, a campanha estigmatiza os portadores do vírus, além de ser de mau-gosto e não ensinar métodos preventivos.

Por outro lado, para os organizadores da campanha, Regenbogen (arco-íris), que também tem cartazes e mais materiais publicitários, com outros ditadores como Stálin e Saddham Hussein, a intenção é impactar a opinião pública e chamar a atenção para os cerca de 28 milhões de pessoas que já faleceram em decorrência da síndrome, o que a torna uma grande genocida.

Veja o vídeo* e o cartaz e diga o que acha.

* O vídeo foi retirado pelo You Tube.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Festa do Peão de Barretos reuniu 720 mil pessoas. Pessoas?!!!

Segundo a organização da Festa do Peão de Barretos, maior evento de rodeios da América Latina, o parque que sedia o evento de 11 dias na cidade paulista recebeu 720 mil visitantes para assistir às torturas aos animais e aos shows no festival que foi encerrado no domingo passado (30/08).
Vejam abaixo o que esses visitantes têm prazer em assistir e, depois, me digam, podem essas criaturas ser consideradas humanas?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O verdadeiro petróleo do pré-sal


Como eu adoro charges, HQ (já fiz das minhas também,) não canso de me divertir com nossos chargistas. Divulgo mais um blog de charges, esse do cartunista Lute. A charge ao lado é dele. Não deixem de visitar o blog. Tem umas charges óootimas.

E aproveitando que hoje é o dia de dizer não ao caudilho Chávez da Venezuela, seguindo a orientação da campanha nomaschavez, criada no twitter, facebook, etc... (o site está fora do ar), deixo também o link do site chamado Museu do Comunismo. Está em inglês mas, com um inglês instrumental, dá para entender. E vale a pena visitar, ver a linha do tempo do mal, o hall da infâmia com os personagens desse enredo de assassinos e assassinatos.

Nós nos acostumamos com as imagens do totalitarismo de direita (os discursos de Hitler, as manifestações de massa do nazismo, o abominável dos campos de concentração), mas raramente tivemos acesso a imagens e vídeos relatando os horrores do totalitarismo de esquerda, embora este tenha matado muito mais gente do que sua contraparte azul. E as pessoas precisam ver e conhecer essa história, pois partidários dessas ditaduras estão aí de volta, em nosso país e em todo o continente latino-americano, se fazendo de bonzinhos, defensores do povo, dos oprimidos, agora também dos direitos da mulher, dos negros, dos homossexuais.

Olho vivo, minha gente! Democracia é fundamental!! No mas Chávez, aliás.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O espírito dos tempos: Vanusa cantando o Hino Nacional

Beeem, não dava para não comentar o vídeo da Vanusa acabando com o Hino Nacional. É tragicômico, né? Foi a interpretação mais etílica que já ouvi do hino pátrio, embora a cantora jure que não bebeu nada. Diz que foi tudo culpa de uma labirintite.

Tá certo que a letra do dito sempre foi meio surreal, com inversões na sequência lógica das frases e imagens de tirar o fôlego....kkkk, mas o ritmo sempre foi de hino, aquela coisa ufanista, gloriosa.

Agora, a Vanusa, mamada não sei de quê, fez o hino da loura doida e tirou toda a retumbância da música, além de criar em cima de uma letra já pra lá de criativa. E olhe que ela estava lendo a letra, com óculos e tudo.

Ficou tudo assim arrastado, em ritmo de 51. Acho que é o espírito dos tempos, a trilha sonora do Brasil em que vivemos.


E o Hino Nacional em sua versão sóbria....kkkkkk

sábado, 29 de agosto de 2009

29 de agosto - Dia Nacional de Combate ao Fumo

Neste dia nacional de combate ao fumo, vale sempre lembrar a necessidade de conscientizar também as lésbicas sobre a importância de não fumar. Entre as mulheres que fumam, o número de lésbicas é praticamente o dobro das demais fumantes. Leiam o texto que fiz sobre o assunto no site da Um Outro Olhar.

Participem também do abaixo-assinado do INCA-ACTBR pelo Brasil livre de fumo em ambientes fechados. O tema deste ano do dia nacional de combate ao fumo é "Quem não fuma não é obrigado a fumar."

Quem não fuma não é obrigado a fumar

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

19 de agosto: Feliz Dia do Orgulho Lésbico!


Redigi livreto sobre a primeira manifestação histórica de lésbicas contra o preconceito que deu origem ao dia 19 de agosto (orgulho lésbico) com fotos e textos de época bem como uma pequena cronologia do Movimento Lésbico nacional e internacional com base em seus momentos-chave, eventos pioneiros ou que levaram a desdobramentos ou mudanças de rumo na organização lésbica.

A edição das imagens da manifestação (quase todas têm copyrigth da Folha Imagem), se baseou na sequência dos acontecimentos, com recorte para a visibilidade d@s ativistas da época que estiveram presentes à manifestação, e o pioneirismo de algumas personalidades no trato da questão lésbica e homossexual no Brasil, como na foto que aparecem Cassandra Rios, Irede Cardoso, Rosely Roth e Ubiratan da Costa e Silva (acervo da Um Outro Olhar).

Índice:
I. Memória da primeira manifestação lésbica contra o preconceito que deu origem ao Dia do Orgulho das Lésbicas no Brasil, com sequência de fotos e textos de época.

II. Histórico da trajetória da principal protagonista da manifestação, Rosely Roth, com fotos e textos de época.

III. Cronologia do Movimento Lésbico Nacional e Internacional em comemoração aos 30 anos de organização lésbica no Brasil

19 de Agosto - Dia do Orgulho Lésbico no Brasil -PDF
19 de Agosto - Dia do Orgulho Lésbico no Brasil -XPS



Heroes, David Bowie

Intérprete - Wallflowers
I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them
Forever and ever
We can be heroes
Just for one day

Eu, eu gostaria que você pudesse nadar
Como os golfinhos, como os golfinhos conseguem nadar
Embora nada, nada venha a nos manter junt@s

Nós podemos derrotá-los
continuamente
Nós podemos ser heróis,
mesmo só por um dia

Oh I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing, nothing will drive them away
We can be heroes
Just for one day
We can be, yes!
It's just for one day

Eu, eu serei rei
E você, você será rainha
Embora nada, nada possa afastá-los
Nós podemos ser heróis, só por um dia
Nós podemos derrotá-los
Sim, nós podemos ser heróis
mesmo só por um dia

I, I remember
Standing by the wall
The guns, they shot above our heads
And we kissed, as though nothing could fall
And the shame was on the other side
Oh, we can beat them, forever and ever
Then we could be heroes
Just for one day

Eu, eu me lembro
Em pé próximo ao muro
As armas, eles atiraram por sobre nossas cabeças
E nós nos beijamos como se nada pudesse nos atingir
E a vergonha não era nossa.
Nós podemos derrotá-los continuamente
Então podemos ser heróis
Mesmo só por um dia

We can be heroes
We can be heroes
We can be heroes
We can be heroes,
just for one day

Nós podemos ser heróis
Nós podemos ser heróis
nós podemos ser heróis
Só por um dia

sábado, 15 de agosto de 2009

40 anos de Woodstock -15-17 de agosto


Há 40 anos acontecia na cidade de Bethel, em Nova Iorque, o festival de Woodstock, ícone da geração paz e amor, do hippismo, da contracultura. De fato, o festival era para ter ocorrido na cidade de Woodstock mas o número de pessoas excedeu os limites do local onde seria o evento.

Os organizadores foram então para outra cidade, numa fazenda que comportaria um público de 200.000 pessoas, mas o nome permaneceu Woodstock por ser mais sonoro. O público previsto, contudo, excedeu em 300.000 a conta dos organizadores, gerando congestionamentos monstros, problemas sanitários, alimentares e médicos (não havia infra-estrutura para tanta gente).

Apesar do geral improvisado, o clima paz e amor realmente salvou a festa, que teve poucos incidentes apesar do contexto, também alimentada pela perfomance de alguns dos maiores artistas da época. São tantos os nomes memoráveis que fica difícil recordar todos. Basta lembrar, contudo, que lá estiveram presentes Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker... para se ter uma idéia do tamanho do documento.

Sobretudo lá esteve presente o espírito de um tempo, um daqueles raros clarões provocados pelo raio da solidariedade e da liberdade em meio à eterna noite escura e tempestuosa que caracteriza a história da humanidade. Mesmo a faceta sombria da contracultura com seus excessos (de drogas, de sexo, de autofagia) deu pouco as caras, e reinou sua face solar, pacifista, solidária, ligada à natureza, ao orientalismo. Ao contrário do que ocorreria em Altamont, na Califórnia, em dezembro do mesmo ano e que muitos consideram como o início do fim do sonho, em Woodstock reinou mesmo a música, a paz e o amor.

Tinha 15 anos quando toda essa movimentação aconteceu e lembro de como pareciam mais fáceis os contatos entre as pessoas, os relacionamentos humanos, da qualidade moral, intelectual e inclusive espiritual de toda aquela geração. Para o mundo de hoje, tão pobre de tudo isso, vale a pena lembrar que outros horizontes são sim possíveis, ainda que sem os excessos daqueles tempos, sobretudo sem drogas.

Fica aqui então meu pequeno tributo aos 40 anos de Woodstock, com a postagem de 2 vídeos de ícones do evento e da época: Janis Joplin, com toda sua visceralidade, e Jimmi Hendrix, pra lá de genial.

Ah, e vale a pena ver o filme Woodstock (para quem ainda não viu). E ficar de olho nas novidades que estão sendo lançadas em decorrência dos 40 anos do evento.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Vale-tudo entre mulheres. Vai encarar?



Sábado agora à noite, dia 15/08, duas mulheres irão se enfrentar no Strikeforce, um dos principais torneios de vale-tudo dos Estados Unidos.

São elas a norte-americana Gina Carano, 27 anos (a morena), e a brasileira Cristiane "Cyborg" Santos, 24 anos (a loura da foto), naquele que vem sendo considerado o maior combate de todos os tempos da modalidade entre mulheres.

Gina que também participa de seriados e filmes, tem um cartel de sete vitórias, em sete lutas, sendo três por nocaute e uma por finalização. Já nossa conterranea, a brasileira Cris Cyborg, tem sete vitórias, em sete lutas, cinco delas por nocaute. Uauuu!

Já vi muita luta marcial entre mulheres, boxe, kung fu, etc., mas não vale-tudo. Será que se agarram tanto quanto os mancebos?! E dão todas aquelas inacreditáveis porradas? O título é pelos leves, mas considerando a modalidade de luta, dá pra imaginar o que significa. Ai meus peitos!

Não descobri se a luta vai ser transmitida por algum canal de TV paga, mas, se for passar, aviso. Dizem que nossa "brazuca" aí da foto vai passar por cima da gringa.

Vejam o vídeo abaixo para dar um palpite sobre esse tipo de luta e a possível ganhadora do título de campeã da porrada. Achei a Gina muito produzida, e a nossa "brazuca" meio Mike Styson. Mesmo assim não encararia nenhuma delas nem pra dizer prazer em conhecê-la....rsss Etcha!

Atualização (16/08): A primeira campeã de um torneio renomado de MMA (Vale-Tudo) na história desse esporte é a brasileira Cris Cyborg, de Curitiba. Cris surrou a americana Gina Carano, ontem, para ser coroada campeã do StrikeForce.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lei antifumo: autoritária ou pró-vida?

Entrou em vigor hoje a lei antifumo, 13.541/09, que proíbe o fumo em locais fechados de uso coletivo, públicos ou privados, sancionada pelo governador José Serra (PSDB), em todo o Estado de São Paulo. A legislação vale para o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, e os fumódromos não serão mais permitidos.
Fumantes chiaram, dizendo que a lei é autoritária, mas, como não dá pra colocar redoma em torno deles e impedir que sua fumacinha cancerígena atinja os não fumantes, sou totalmente favorável à nova lei e espero que venha de fato a ser cumprida.

Nem preciso saber que, das 8 doenças que mais matam pessoas no mundo, 6 estão relacionadas ao tabaco, para detestar cigarros e seus consumidores. Nem preciso saber que 100 milhões (isso mesmo) de pessoas morreram no século passado por causa do fumo, para detestar cigarros e seus consumidores. Nem preciso saber que 90% dos casos de câncer do pulmão, 75% dos problemas cardíacos e 25% das bronquites e enfisemas são causados pelo fumo, para detestar cigarros e seus consumidores.

Me basta sentir aquela fumacinha insuportável entrando pelas narinas, e meu nariz começar a ficar entupido, minha garganta e pulmões começarem a arder para eu detestar o cigarro e seus consumidores. Na prática os fumantes sempre obrigaram os não fumantes a suportar seu vício, segregando o espaço público com suas baforadas. E nunca tiveram respeito por fumódromos coisa nenhuma!

Daí que esse papo de dizer que lei antifumo é coisa de nazista é conversa mole para boi dormir. O higenismo dos nazistas era o aspecto não-doentio da doutrina exatamente. O espaço da gente termina onde começa o espaço do outro, mas a fumaça do cigarro não entende isso nem seus produtores. Então, é preciso mesmo obrigá-los a ser menos egoístas. Lei super bem vinda!!!

Mais informações: http://www.leiantifumo.sp.gov.br/

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Admirável mundo novo em meio à perigosa velharia ideológica e política

Não canso de me admirar dos avanços tecnológicos da humanidade. Em futuro próximo, os cientistas prometem até a imortalidade seja por meio da biotecnologia ou da nanotecnologia. Pesquisando o mecanismo de regeneração celular de certos tipos de águas-vivas, como a Turritopsis dohrnii, que rejuvenescem suas células indefinidamente, ou a integração de sistemas orgânicos com sistemas robóticos, os cientistas afirmam que, em 50 anos, como cyborgs ou águas-vivas humanas, não morreremos mais de velhice pelo menos. Pena que acho difícil estar por aqui para ver tal feito.

Mas nem é necessário ir tão além no futuro para ficar admirada com as inovações tecnológicas. Agora mesmo, cientistas australianos inventaram uma lente de contato que cura a cegueira de pessoas com problemas na córnea. Eles retiram 1 mm do limbo corneal ou conjuntiva do olho do paciente, regiões ricas em células-tronco que são colocadas numa lente de contato e mergulhadas em incubadora, por 10 dias, para que as células se multipliquem. Depois o paciente coloca a lente e, em duas semanas, as células-tronco se fundem com a córnea, substituindo as células anteriores danificadas. A lente então pode ser retirada. Em três meses, a visão dos cegos começa a retornar. Como as células-tronco são do próprio paciente, não sofrem rejeição pelo organismo. O criador da ténica, o oftalmologista Nick di Girolamo, da Universidade de New South Wales, testou sua invenção em três pacientes que recuperaram boa parte da visão. Segundo o cientista, o procedimento ainda está em fase de testes, mas, em breve, poderá ser utilizado em qualquer hospital.

Não é incrível? Pois, é! E eu poderia citar inúmeros outros exemplos desse admirável mundo novo tecnológico, porém não é o caso para essa breve postagem. Os exemplos acima estão aqui apenas como comparativos do contraste gritante entre a evolução tecnológica humana e a situação sócio-econômica-política-ideológica do mundo atual.

Após os auspiciosos anos 60, com todas suas revoluções culturais e políticas, após a derrocada dos regimes totalitários tanto de direita quanto de esquerda, na América Latina, na Europa, na Ásia, tudo enfim parecia se encaminhar para o tal mundo melhor de que tanto se fala, apesar ainda de tantos pesares. Mas, que nada! De um lado, o capitalismo se globalizou e, desregulado, incentivou um consumismo e um individualismo sem precedentes. De outro, na reviravolta conservadora, os fundamentalistas religiosos retornaram querendo novamente unir Igrejas e Estado. Ainda de outro, as viúvas da queda do muro de Berlim se reuniram na América Latina, no chamado Foro de São Paulo, não só para prantear seus mortos como também para organizar um vudu a fim de trazê-los de volta à vida.

O resultado é que temos hoje um planeta ameaçado pelo consumismo desenfreado capitalista; sociedades vivendo sob governos religiosos de cunho autoritário, com mentalidade e práticas medievais, e uma América Latina gravemente ameaçada de repetir as aventuras totalitárias da Europa dos tempos da Guerra Fria. Tudo isso sob o olhar complacente da chamada comunidade internacional que parece mais perdida que cego em tiroteio, para não fugir muito do eixo oftalmológico.

Como exemplos, no Irã, o descontentamento popular, com a reeleição, tida como fraudulenta, do presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi reprimido à bala; na América Latrina, o caudilho Hugo Chávez avança na destruição da democracia venezuelana e arremete contra países vizinhos em conflitos com a Colômbia, por via direta, e com Honduras, através de seu esbirro Manuel Zelaya (parece um Odorico Paraguaçu de bigode) que, escorraçado em sua tentativa de implantar o modelito bolivariano no país, posa de vítima aos olhos do mundo, um mundo que, decididamente, parece estar precisando usar a lente de células-tronco do doutor Nick di Girolamo citado acima.

Ficando por aqui em nosso quintal latino-americano, hoje mesmo a imprensa nacional e internacional destaca as insofismáveis provas de que Hugo Chávez municiou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), os terroristas maoístas narcotraficantes, com munição pesada comprada da Suécia, e negocia até mísseis, rádios e fuzis com os facínoras. Isso sem falar também das negociações do caudilho com os aiatolás do Irã, em cooperações militares e nucleares somadas à importação de terroristas islâmicos para solo regional (como se não bastassem os da FARC).

E pior que isso só mesmo o governo brasileiro que, com vários de seus membros signatários do Foro de São Paulo, à parte os fisiologistas próprios e aliados, apóia “moral”, política e economicamente (com o dinheiro dos brasileiros) o caudilho Chávez e todos seus esbirros (Evo Morales, Raul Correa, Zelaya...) enquanto também luta encarnecidamente para se perpetuar no poder através dos bolsas-esmolas da vida e do solapamento da democracia por meio da corrupção generalizada e do aparelhamento do Estado. Mais: nem a cavalaria americana a gente está podendo chamar em nosso auxílio porque, agora capitaneada pelo presidente Barack Banana, anda a fazer média com ditadores, como se fosse possível fazer média com essa gente.

Que coisa, a humanidade não aprende! Todas as vezes que nações democráticas tentaram fazer média com tiranetes o resultado foi apenas e tão somente a expansão da tirania. Talvez ninguém mais lembre, porém melhor refrescar a memória: todo mundo bajulou Hitler antes de ele deflagrar abertamente a II Guerra Mundial. E ele foi dizendo ao que vinha bem antes de se mostrar em todo o seu tenebroso esplendor. Ocorreu o mesmo com tiranos mais recentes, com os mesmos tristes resultados. E de novo todo mundo fazendo vista grossa aos desmandos dos Hugos Chávez da vida? Parodiando o capitão Nascimento, isso vai dar merda!!!

Pois é! Enquanto cientistas apontam para um futuro em que a natureza nem terá mais o poder de nos matar, pois poderemos viver per seculum seculorum, os políticos ameaçam tirar das populações até o tempo natural de vida ou mantê-las na espécie de morte-em-vida que é a sobrevida sob regimes totalitários. Vamos acordar?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Coral Perpetum Jazzile da Eslovênia cria tempestade com o corpo

O coral Perpetuum Jazzile, da Eslovênia, foi fundado com o nome Gaudeamus Chamber Choir, em 1983, por Marko Tiran, tendo, desde 2001, como diretor artístico, o produtor musical, arranjador e vocalista Tomaž Kozlevčar. Nessa apresentação, no início, o coral reproduz o som de uma tempestade com as mãos e os pés. Vejam que incrível. A música se chama Africa, e o autor é o Toto. Abaixo a letra e depois o vídeo. Vi a indicação dessa perfomance no blog do Milton Jung.

I hear the drums echoing tonight
But she hears only whispers of some quiet conversation
She's coming in 12:30 flight
The moonlit wings reflect the stars that guide me towards salvation
I stopped an old man along the way,
Hoping to find some long forgotten words or ancinet melodies
He turned to me as if to say, Hurry boy, it's waiting there for you

CHORUS:
It's gonna take a lot to drag me away from you
There's nothing that a hundred men or more could ever do
I bless the rains down in Africa
Gonna take some time to do the things we never had

The wild dogs cry out in the night
As they grow restless longing for some solitary company
I know that I must do what's right
As sure as Kilimanjaro rises like Olympus above the Serangetti
I seek to cure what's deep inside, frightened of this thing that I've become

CHORUS
(Instrumental break)

Hurry boy, she's waiting there for you
It's gonna take a lot to drag me away from you
There's nothing that a hundred men or more could ever do
I bless the rains down in Africa, I passed some rains down in Africa
I bless the rains down in Africa, I passed some rains down in Africa
I bless the rains down in Africa
Gonna take some time to do the things we never had

domingo, 19 de julho de 2009

Histórias do Movimento Lésbico

Na caminhada lésbica de San Francisco, a comissão organizadora assim se define: somos dykes que se unem, a partir de diferentes backgrounds, pelo amor à comunidade dyke e à sua marcha. Nós somos femmes, butches, ou de outras identidades, somos negras, mestiças, judias e brancas, de diferentes idades e classes. Algumas de nós se identificam como queer ou genderqueer.

É isso: para todas as tribos lésbicas, um exemplo para nós, brasileiras, que estamos vendo nossas caminhadas sendo desvirtuadas por oportunistas (outros movimentos,que não o lésbico, partidos, o escambau).



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